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HUGO MOTTA E TARCÍSIO ACUSADOS NO CASO MASTER! VORCARO OFERECE 40 BI PRA PF QUE EXIGE 60 BILHÕES!

O escândalo que saiu do banco e invadiu Brasília: caso Master cerca Hugo Motta, respinga em Tarcísio e transforma Vorcaro no homem mais temido da República

 

O caso Banco Master deixou de ser apenas um escândalo financeiro. Agora, ele se tornou uma crise política de alto impacto, com potencial para atingir o coração do Congresso, atravessar o governo de São Paulo e incendiar a disputa presidencial. O nome de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, já não aparece sozinho no centro do furacão. Ao redor dele surgem parlamentares, fundos de pensão, privatizações, emendas aprovadas, empréstimos suspeitos, delações travadas e cifras tão gigantescas que parecem desafiar a compreensão do brasileiro comum.

Dino põe a Polícia Federal contra Tarcísio

A nova etapa da crise ganhou força depois que o senador Renan Calheiros elevou o tom contra Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados. Em reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Renan afirmou que uma emenda atribuída a Motta teria beneficiado negócios ligados ao Banco Master ao obrigar seguradoras, fundos de previdência e entidades de pensão a destinarem parte de suas reservas para ativos ambientais. Segundo a reportagem do Jornal da Paraíba, Renan também acusou uma cunhada de Hugo Motta de ter recebido R$ 140 milhões do Banco Master em uma operação que ele classificou como empréstimo vencido, não cobrado e sem parcelas pagas. A assessoria de Motta respondeu que a emenda foi resultado de acordo partidário, aprovada pelas duas Casas e sancionada, e afirmou que o presidente da Câmara não responde por empréstimo de empresa com a qual não teria relação societária.

 

O ponto explosivo é que a acusação não trata apenas de uma relação casual com o banco. Trata-se, segundo Renan, de uma engrenagem legislativa que teria criado fluxo obrigatório de dinheiro para um setor no qual empresas ligadas à família Vorcaro poderiam ser beneficiadas. A emenda citada no debate está relacionada ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa e prevê a destinação de ao menos 1% das reservas técnicas para compra direta de ativos ambientais. Para os defensores da proposta, a medida serviria para financiar sustentabilidade. Para os críticos, ela pode ter aberto uma avenida de dinheiro institucional para grupos privados conectados ao Banco Master.

É exatamente esse contraste que torna o caso politicamente devastador. De um lado, há o discurso oficial de sustentabilidade, mercado verde, crédito de carbono e transição ambiental. Do outro, há a suspeita de que instrumentos modernos e aparentemente nobres tenham sido usados para alimentar uma rede de interesses privados. Quando uma emenda parlamentar passa a ser vista como peça de um possível esquema financeiro, a crise deixa de ser técnica e vira moral. O Congresso, que deveria fiscalizar, passa a ser questionado sobre seu próprio papel na construção do ambiente que permitiu a expansão do Master.

 

Enquanto Brasília tenta medir o tamanho do estrago, a negociação da delação de Daniel Vorcaro abre outra frente assustadora. A Folha informou que a Polícia Federal rejeitou a proposta inicial de delação e que um dos pontos de resistência foi a oferta de devolução de cerca de R$ 40 bilhões em dez anos. Segundo a reportagem, PF e PGR querem que Vorcaro ressarça R$ 60 bilhões que teriam sido desviados em fraudes do Banco Master, e em prazo menor. A mesma reportagem aponta que os custos da quebra do Master já superam R$ 57 bilhões, com estimativa de R$ 51,8 bilhões em ressarcimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos.

Esses números mudam a escala da discussão. Não estamos diante de um escândalo de gabinete, de uma nota fiscal suspeita ou de um contrato mal explicado. Estamos falando de dezenas de bilhões de reais, valor suficiente para financiar hospitais, escolas, obras de saneamento, programas sociais e investimentos públicos de enorme alcance. Quando se fala em R$ 40 bilhões oferecidos e R$ 60 bilhões exigidos, o que está em jogo não é apenas a delação de um banqueiro. É a tentativa de reconstruir o caminho de um dinheiro que pode ter passado por fundos, imóveis, aplicações, empresas, ativos no exterior e relações políticas.

 

A Reuters já havia noticiado que a Polícia Federal cumpriu mandados contra Daniel Vorcaro e Nelson Tanure no âmbito da investigação sobre o Banco Master, que apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. A agência também registrou que o Banco Central determinou a liquidação do Master e que autoridades buscaram bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens na segunda fase da operação.

É nesse ponto que o caso se aproxima de Tarcísio de Freitas. A crise deixou o eixo Brasília-Banco Master e começou a tocar nas privatizações paulistas. O Times Brasil/CNBC informou que o Ministério Público de São Paulo analisa uma representação que aponta conexões entre o Banco Master e as privatizações da EMAE e da Sabesp, realizadas entre abril e julho de 2024. Segundo a reportagem, a representação foi protocolada pelo deputado estadual Antônio Donato e sustenta que o banco teria atuado como financiador de grupos empresariais em operações ligadas às estatais paulistas.

 

A mesma apuração destaca pontos que chamam atenção: o Fundo Phoenix, vencedor do leilão da EMAE, teria sido criado menos de um mês antes da disputa; a operação teria envolvido estruturas financeiras relacionadas ao Banco Master; e, depois da privatização, a EMAE teria aplicado aproximadamente R$ 160 milhões em CDBs do Letsbank, ligado ao conglomerado do Master, além de adquirir cerca de R$ 300 milhões em debêntures da Light, empresa associada a Nelson Tanure. São elementos ainda sob análise, mas suficientes para transformar a narrativa das privatizações em um novo campo de batalha político.

A Folha já havia revelado, em janeiro, que Nelson Tanure levou representantes do Banco Master a reuniões no BNDES durante o processo de privatização de empresas paulistas. Segundo a reportagem, o objetivo era buscar recursos para comprar estatais colocadas à venda pela gestão Tarcísio, incluindo EMAE e Sabesp. O BNDES afirmou que não possui operação com Master ou Tanure e que as reuniões seguiram regras de governança. Ainda assim, o simples registro desses encontros passou a alimentar questionamentos sobre quem orbitava as privatizações e quais interesses financeiros tentavam se posicionar ao redor dos ativos públicos paulistas.

Ministro flávio Dino | Agência Brasil

Para Tarcísio, o risco político é evidente. O governador construiu parte de sua imagem como gestor técnico, eficiente, privatista e pró-mercado. Mas quando privatizações de grande porte passam a ser associadas, ainda que por representação em análise, a grupos investigados em um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, a narrativa da eficiência começa a enfrentar uma pergunta incômoda: eficiência para quem? Para o cidadão que paga água, luz, pedágio e impostos, ou para grupos privados que circulam entre bancos, fundos e ativos públicos?

O caso também atinge o bolsonarismo em outra frente: o filme “Dark Horse”, projeto biográfico sobre Jair Bolsonaro. O Intercept Brasil revelou documentos que apontam Eduardo Bolsonaro e Mario Frias como produtores-executivos da obra, com poder de gestão e decisões financeiras, contrariando versões de que Eduardo teria apenas cedido direitos de imagem. A reportagem também cita mensagens sobre envio de recursos aos Estados Unidos e aponta que parte dos valores negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro teria passado por estruturas ligadas a aliados de Eduardo.

 

 

A Associated Press registrou que Flávio Bolsonaro negou irregularidades, disse tratar-se de patrocínio privado para um filme privado sobre seu pai e afirmou não ter oferecido vantagem ilegal, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro. Ainda assim, a agência destacou que áudios publicados pelo Intercept mostraram Flávio pedindo R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar o filme, depois de antes negar ligação com o banqueiro.

É por isso que o caso Master ganhou dimensão nacional. Ele não é mais apenas o colapso de um banco. É um mapa de conexões entre dinheiro privado, poder público, campanhas, produção audiovisual, fundos de pensão, crédito de carbono, privatizações e lideranças políticas. Cada novo nome citado amplia a sensação de que o escândalo ainda está longe do fim.

 

No centro de tudo, Daniel Vorcaro virou o homem que todos temem. Se sua delação avançar, pode atingir personagens de diferentes partidos, governos e instituições. Se travar, mantém o país preso a uma pergunta gigantesca: quem se beneficiou do dinheiro do Master e por que tantos setores do poder parecem ter cruzado o caminho do banco?

O Brasil já viu escândalos que começaram com uma denúncia isolada e terminaram redesenhando o mapa político. O Master pode seguir esse caminho. A diferença é que, desta vez, a cifra é monstruosa, os personagens estão espalhados por Brasília e São Paulo, e a narrativa pública já não cabe em uma explicação simples. Hugo Motta nega responsabilidade. Tarcísio ainda enfrenta questionamentos em fase de representação. Flávio e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades. Vorcaro tenta negociar. A PF exige mais. A PGR observa. O STF decide os limites.

 

Mas uma coisa já parece impossível: tratar o caso como ruído passageiro. Quando um banco quebrado arrasta fundos, políticos, privatizações e dezenas de bilhões de reais para o centro do debate público, o silêncio deixa de ser defesa e passa a ser suspeita. O escândalo Master ainda está abrindo suas gavetas. E cada gaveta aberta parece revelar que a crise é maior, mais profunda e muito mais perigosa do que Brasília gostaria de admitir.