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O mercadinho fechado, o salário mantido e a criança no meio: o caso Aguiar ganha novos capítulos que revoltam Cachoeirinha

Cachoeirinha voltou a olhar para o minimercado da família Aguiar como quem olha para uma ferida aberta. O pequeno comércio, fechado há mais de 100 dias desde o desaparecimento de Silvana, Isaí e Dalmira, deveria permanecer intocado, quase como um retrato parado da tragédia. Mas, na madrugada de domingo, o silêncio foi quebrado: o local foi invadido, produtos foram levados e a sensação de abandono ganhou um novo peso.

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Segundo a apuração relatada, criminosos entraram pelo telhado e levaram itens como refrigerantes e fraldas. Do lado de fora, quase não havia sinais aparentes de arrombamento, o que aumentou a impressão de uma ação calculada. Moradores perceberam movimentações suspeitas e acionaram autoridades e imprensa.

A polícia apurou que uma pessoa flagrada com produtos teria indicado o próprio irmão como responsável pela entrada no mercado. Ele não teria ligação direta com o caso Aguiar, mas seria considerado foragido e já teria tentado acessar o estabelecimento em outras ocasiões.

O episódio causa indignação porque o mercadinho não era apenas um comércio. Era parte da história da família. Desde que os donos desapareceram, o local ficou fechado, com prateleiras paradas e portas lacradas, como se o tempo tivesse sido interrompido naquele ponto da cidade.

Enquanto isso, outro detalhe aumenta a revolta popular: Cristiano Dominguez, policial militar preso desde fevereiro e réu no caso, segue recebendo salário do Estado. O Ministério Público pediu a perda do cargo, mas a medida depende de procedimentos administrativos e judiciais.

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A Corregedoria da Brigada Militar instaurou processo administrativo disciplinar em 20 de maio. O procedimento pode durar até 60 dias. Até lá, por força das regras legais e da presunção de inocência, o pagamento continua. A explicação técnica existe, mas não diminui o impacto para a população: um homem preso e acusado de crimes gravíssimos segue recebendo dinheiro público enquanto a família das vítimas ainda busca respostas.

O caso também envolve uma criança de 9 anos, filho de Silvana e Cristiano. A Justiça decidiu manter a guarda provisória com a avó paterna, mãe do acusado. A decisão gerou forte reação da família materna, que tenta assumir a guarda e questiona o fato de o menino estar há mais de 100 dias sem contato com parentes do lado da mãe.

A avó paterna foi indiciada por fraude processual e associação criminosa, mas não foi denunciada pelo Ministério Público. Esse detalhe pesou juridicamente. A Justiça também levou em conta laudos sociais que apontaram que a criança se sente acolhida no local onde está.

Para a família Aguiar, porém, a situação é dolorosa e difícil de aceitar. Eles perderam três pessoas, ainda não encontraram os corpos, viram o comércio ser invadido e agora seguem afastados do menino, que também é herdeiro do patrimônio deixado pela mãe e pelos avós.

O caso Aguiar se tornou mais do que uma investigação criminal. Virou um símbolo de angústia coletiva. Há uma cidade inteira tentando entender como uma família desaparece, como um comércio fica vulnerável, como um réu continua recebendo salário e como uma criança permanece no centro de uma disputa tão delicada.

A pergunta que fica é incômoda: quem está realmente sendo protegido nessa história?

Enquanto não houver julgamento, localização dos corpos e uma definição definitiva sobre a guarda da criança, Cachoeirinha continuará convivendo com uma sensação amarga de espera. E, a cada novo capítulo, a dor da família Aguiar parece ganhar mais uma camada de indignação.