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DE VÍTIMA A PROCURADA: A chocante e violenta metamorfose da ‘Diaba Loira’ que desafiou o crime organizado e teve fim trágico no Rio!

A Metamorfose de Evelyin: Como uma Sobrevivente de Violência no Sul se Tornou Personagem Central da Guerra de Facções no Rio

O Fim na Linha de Frente

Na noite de 14 de agosto de 2025, o eco dos disparos de fuzil na Zona Norte do Rio de Janeiro antecipava o desfecho de uma das trajetórias mais rápidas e intrigantes do cenário do crime organizado recente. Na Rua Cametá, localizada no bairro de Cascadura, o corpo de uma jovem de 28 anos foi encontrado envolto em um lençol, apresentando marcas de tiros na cabeça e no tórax. Tratava-se de Evelyin Passos Rodrigues, conhecida no submundo e nas redes sociais pelo apelido de “Diaba Loira”.

Sua morte ocorreu em meio a um intenso confronto armado entre as organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), que disputavam o controle territorial dos morros do Fubá e do Campinho. O encerramento violento de sua biografia, que durou apenas três anos no universo do tráfico, ironicamente deu concretude a uma frase que ela própria costumava repetir: “Não me entrego viva, só saio no caixão”. A transição de uma jovem comum no interior de Santa Catarina para uma das figuras mais comentadas do Rio de Janeiro compõe um enredo de rupturas drásticas e decisões extremas.

Origens e a Reviravolta em Santa Catarina

Nascida em 1997 na cidade de Tubarão, no sul do estado de Santa Catarina, Evelyin Passos Rodrigues manteve, durante os primeiros 25 anos de sua vida, uma rotina distante das páginas policiais. Criada por um pai que atuava como policial militar, ela trabalhava de forma autônoma com a venda de produtos de cosméticos da marca Hinode, sendo descrita inicialmente como uma jovem de hábitos familiares compartilhados com sua comunidade local. No entanto, o ano de 2022 marcou uma ruptura definitiva em sua biografia devido a um episódio de extrema violência doméstica.

Aos 25 anos, Evelyin foi alvo de uma tentativa de feminicídio perpetrada por seu então ex-companheiro. O ataque, de alta letalidade, resultou em múltiplas perfurações por arma branca, atingindo inclusive seu pulmão. A gravidade dos ferimentos exigiu uma intervenção cirúrgica de emergência para a manutenção de sua vida. Durante o período de convalescença no hospital, a jovem concedeu entrevistas à imprensa escrita e televisiva, posicionando-se publicamente como uma sobrevivente de violência de gênero. Naquela ocasião, manifestou o desejo de escrever um livro que servisse de apoio a outras mulheres em situação de vulnerabilidade, demonstrando a intenção de reconstruir sua trajetória a partir da superação daquele trauma.

A Migração e o Ingresso no Crime Organizado

A fase de recuperação hospitalar e os planos de engajamento social, contudo, foram sucedidos por uma mudança radical de rumo. Registros policiais posteriores indicaram que, ainda em solo catarinense, Evelyin começou a estabelecer vínculos com grupos criminosos locais, chegando a ser detida pelas forças de segurança do estado. De acordo com relatos da própria jovem em momentos posteriores, a falta de identificação com as diretrizes e a estrutura da facção atuante em Santa Catarina a motivou a planejar uma transferência de residência.

Alegando a busca por um recomeço e o distanciamento das memórias da violência sofrida no Sul, ela se mudou para a capital do Rio de Janeiro. No cenário carioca, a trajetória de reintegração deu lugar a um rápido envolvimento afetivo e operacional com integrantes do crime organizado. Investigações conduzidas pelas autoridades policiais apontaram que, inicialmente, a jovem teria sido utilizada pelas estruturas logísticas da organização até se ver completamente integrada à dinâmica das comunidades. Essa percepção de cooperação inicial contrasta com declarações da própria Evelyin, que afirmou ter se deslocado ao Rio de Janeiro com a intenção explícita de ingressar no ambiente das facções locais.

A Ascensão como “Diaba Loira” e “Narcoinfluencer”

Rapidamente, Evelyin foi integrada aos quadros do Comando Vermelho, assumindo funções de destaque no comércio de entorpecentes na comunidade da Gardênia Azul, situada na Zona Oeste da cidade. O apelido “Diaba Loira” foi cunhado por agentes de segurança pública que participaram de incursões na localidade, impressionados com a conduta combativa e a audácia da jovem durante os confrontos armados. Ela passou a ser monitorada por portar fuzis de uso restrito e por demonstrar disposição para o confronto direto com as forças policiais.

Em 2023, sua atuação ganhou contornos interestaduais quando foi flagrada transportando sete quilos de cocaína que tinham como destino final sua cidade natal, Tubarão. A operação de transporte foi interrompida devido a um acidente de trânsito que resultou em sua prisão em flagrante. Após obter a liberdade provisória por vias judiciais, Evelyin rompeu as medidas cautelares e buscou refúgio nos redutos controlados pelo Comando Vermelho. Em junho de 2025, sua notoriedade aumentou significativamente ao ser registrada efetuando disparos contra policiais militares em uma grande operação na Gardênia Azul, conseguindo escapar do cerco e se refugiar no município de Niterói.

Paralelamente às ações de campo, Evelyin converteu-se em uma “narcoinfluencer” ou blogueira do crime. Utilizando plataformas digitais, ela passou a arregimentar milhares de seguidores — alcançando a marca de quase 70 mil usuários em suas contas — onde exibia rotineiramente fotos e vídeos ostentando submetralhadoras, pistolas e fuzis de grosso calibre. A alta visibilidade na internet permitiu que ela realizasse publicidades monetizadas, incluindo a divulgação de jogos de apostas online, como a plataforma conhecida popularmente como “Jogo do Tigrinho”. Essa atividade digital tornou-se tão lucrativa que, mesmo após o seu falecimento, o gerenciamento do perfil foi assumido por seu irmão, que continuou a auferir rendimentos financeiros com a conta herdada.

A Ruptura de Facções e a Escala de Tensão

Em meados de 2025, a trajetória de Evelyin sofreu uma nova e perigosa inflexão. Insatisfeita com as diretrizes internas do Comando Vermelho, ela decidiu romper com a organização e migrar para o grupo rival, o Terceiro Comando Puro (TCP). A transição foi anunciada por ela mesma em suas redes sociais, onde criticou duramente a conduta dos antigos aliados. Em suas postagens, afirmou ter sido vítima de “covardia” e relatou que a desvalorização mútua e a disputa exacerbada por poder eram características estruturais da liderança do CV, acrescentando que os chefes agiam de forma opressiva em relação aos subordinados.

Como demonstração de lealdade à nova facção, Evelyin eliminou todas as menções anteriores ao Comando Vermelho de suas redes e passou a integrar a chamada “Tropa do Coelhão”, núcleo operacional liderado por William Evens da Silva no Complexo da Serrinha, em Madureira, sob o comando geral de Wallace Brito Trindade, o “La Costa”. A mudança de lado foi eternizada por meio de uma tatuagem em suas costas, que retratava uma figura feminina portando um fuzil ao lado do número três e das figuras de um coelho e um jacaré, símbolos associados ao TCP.

A reação do Comando Vermelho à deserção foi imediata, resultando na emissão de um decreto de morte contra a jovem. Em julho de 2025, o Disque Denúncia do Rio de Janeiro passou a estampar o rosto de Evelyin em cartazes, apontando a existência de ao menos três mandados de prisão em aberto contra ela. A escalada de violência atingiu o âmbito familiar quando, segundo denúncias em vídeo gravadas pela própria jovem, integrantes do CV assassinaram sua mãe em uma área isolada, sob a justificativa de retaliação pela troca de facção. Mesmo abalada pela perda e isolada, Evelyin utilizou as redes para desafiar os antigos comparsas, gravando vídeos nos quais ironizava a capacidade tática dos rivais e reafirmava sua permanência na disputa.

Conclusão: O Desfecho no Morro do Fubá

A culminação do conflito ocorreu na transição do dia 14 para o dia 15 de agosto de 2025, durante uma violenta incursão armada nos morros do Fubá e do Campinho. Encurralada por antigos aliados da facção rival, especificamente por integrantes ligados à ala conhecida como “Equipe do Caos”, Evelyin foi capturada e executada. Informações do setor de inteligência indicaram que a ação brutal teria contado com a participação de lideranças rivais, incluindo o envolvimento de figuras associadas ao Complexo da Penha.

Após a execução, integrantes do Terceiro Comando Puro tentaram resgatar o corpo de Evelyin para evitar a exposição do cadáver, mas a intensidade do cerco policial e dos confrontos na rota de fuga para o Complexo da Serrinha forçou os comparsas a abandonarem o corpo envolvido em lençóis na via pública de Cascadura. Imagens subsequentes de extrema violência foram compartilhadas por canais fechados de comunicação das facções, exibindo a degradação do corpo da jovem pelos rivais como demonstração de força territorial. A trajetória de apenas três anos no crime organizado, iniciada logo após a sobrevivência a um crime doméstico no sul do país, encerrou-se de forma trágica aos 28 anos, deixando um rastro de debates sobre os mecanismos de cooptação do tráfico e a velocidade da violência urbana no Rio de Janeiro.