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A verdade veio à tona: Lula convocou “nossos criminosos” e recebeu uma resposta amarga da Casa Branca, com a aprovação de Trump.

O cenário político brasileiro acaba de ultrapassar a fronteira do absurdo para adentrar os sombrios territórios do surrealismo diplomático e moral. Quando acreditávamos que a retórica governista já havia esgotado seu estoque de gafes e deslizes ideológicos, o chefe do Executivo nacional decidiu provar que sempre há espaço para um vexame de proporções hemisféricas. Em um episódio que ficará marcado nos anais da vergonha nacional, o presidente Inácio, munido de um microfone e de sua inegável capacidade de autossabotagem quando age sem roteiro, expressou profunda tristeza com a decisão dos Estados Unidos de classificar as maiores facções criminosas do Brasil como organizações terroristas.

A cena é estarrecedora. Um líder de Estado, que deveria ser o primeiro a declarar guerra total contra os sindicatos do crime que aterrorizam a população, sequestram o Estado e derramam sangue nas ruas do país, escolheu o caminho da lamentação. Pior do que isso, ao se referir aos membros dessas organizações nefastas, utilizou um pronome possessivo que soou como um abraço paterno ao submundo. Falar em dor pelo que acontece com os criminosos do nosso país não é apenas um ato falho; é a revelação nua e crua de uma psique política que há décadas romantiza a marginalidade e enxerga no delinquente uma vítima da sociedade.

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Mas a geopolítica internacional não tem tempo, nem paciência, para a sociologia de botequim que domina grande parte da esquerda latino-americana. A resposta não tardou e veio com o peso de uma bigorna despencando sobre a fragilidade da diplomacia brasileira atual. A máquina governamental norte-americana, agora sob a batuta de figuras como Donald Trump e seu escudeiro estratégico Marco Rubio, não hesitou em colocar o governo brasileiro em seu devido lugar. A mensagem disparada pelos canais oficiais de Washington foi gélida, calculada e absolutamente devastadora.

O recado de Washington foi cristalino ao desenhar o óbvio que Brasília insiste em apagar: essas organizações criminosas que nasceram nos presídios brasileiros deixaram de ser um problema paroquial há muito tempo. Hoje, elas representam uma ameaça direta e letal à segurança de todo o Hemisfério Ocidental. A leniência tropical não encontra eco na severidade das políticas de segurança nacional americanas. A diplomacia dos Estados Unidos fez questão de desenhar as consequências práticas da nova classificação terrorista imposta às facções. Não se trata apenas de uma mudança de nomenclatura para efeitos midiáticos. Trata-se do asfixiamento total e global dessas estruturas.

As sanções agora impostas preveem o bloqueio absoluto de bens em território americano, a restrição severa de vistos e, o mais importante, a criminalização implacável de qualquer cidadão, empresa ou instituição que realize transações, preste apoio ou forneça recursos a esses grupos. É o estrangulamento financeiro do narcotráfico. Enquanto o governo brasileiro chora pitangas e oferece solidariedade velada aos que aterrorizam a população, a Casa Branca aplica um torniquete no fluxo financeiro do crime.

A reação de desespero do núcleo duro do governo federal tem uma motivação política clara. A articulação que culminou nessa designação internacional teve o dedo e a influência direta de figuras da oposição, notadamente do senador Flávio Bolsonaro. Nos bastidores do poder, comenta-se que a oposição assumiu um risco político gigantesco para emplacar essa pauta no exterior, priorizando a asfixia do crime organizado acima de qualquer conveniência eleitoral imediata. Para o cidadão de bem, exausto de viver enjaulado em sua própria casa enquanto os bandidos desfilam com armamentos de guerra, a manobra é vista como um ato de coragem e patriotismo.

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Contudo, para o atual governo e sua militância, a ação de Flávio Bolsonaro e seus aliados é tratada como uma afronta. Isso nos leva a uma reflexão profunda e dolorosa sobre a natureza da polarização política no Brasil de hoje. Há muito tempo deixamos de debater meras divergências sobre política econômica, carga tributária ou tamanho do Estado. O fosso que divide a nação atualmente é de ordem moral e civilizatória. De um lado, há uma parcela da sociedade que exige o cumprimento da lei, a punição severa para crimes hediondos e o fim da impunidade. Do outro, há um establishment político e cultural que insiste em relativizar o crime, proteger o criminoso e culpar a polícia, a sociedade ou o capitalismo pelas mazelas da violência urbana.

Essa cumplicidade estatal com o crescimento do crime organizado não é um acidente de percurso, mas o resultado de um projeto de poder falido e de uma omissão histórica imperdoável. Especialistas em segurança pública, promotores de justiça que vivem sob escolta armada 24 horas por dia e investigadores de campo sabem perfeitamente como chegamos a esse precipício. O crime organizado não se transformou em um polvo transnacional da noite para o dia. Houve um vácuo de autoridade, e esse vácuo foi preenchido pelo narcotráfico.

Durante quase duas décadas de hegemonia do Partido dos Trabalhadores no governo federal, assistimos a um desinteresse crônico pela blindagem de nossas fronteiras e pela modernização do combate ao tráfico de armas e drogas. As rotas internacionais se consolidaram enquanto Brasília discutia teses sociológicas. Mas seria desonesto culpar apenas uma sigla. O sistema político brasileiro como um todo falhou miseravelmente. No estado de São Paulo, por exemplo, o berço da maior facção criminosa da América do Sul, administrações tucanas sucessivas varreram o problema para debaixo do tapete. Durante anos, governadores do PSDB negaram a existência da facção, adotando uma postura de avestruz que permitiu ao crime se organizar, criar estatutos, dominar cadeias e, eventualmente, expandir seus tentáculos para todos os estados da federação e para países vizinhos.

Hoje, colhemos os frutos amargos dessa covardia institucional. O crime organizado infiltrou-se na economia formal, nos transportes públicos, nas prefeituras e, suspeita-se, até nas altas esferas do poder. É uma máfia sofisticada, que lava dinheiro em postos de gasolina, redes de supermercados e campanhas políticas. Combater esse monstro exige vontade política e força bruta, ingredientes que os Estados Unidos acabam de demonstrar ter de sobra, em contraste gritante com a tibieza e o lamento do atual presidente brasileiro.

O desespero do governo diante da atitude da Casa Branca revela o desconforto de quem perdeu o monopólio da narrativa. Acostumados a ditar as regras do jogo no cenário doméstico, amparados por uma mídia muitas vezes complacente, os líderes da esquerda se viram encurralados pela realidade internacional. Não se pode gritar fascismo para o Departamento de Estado americano e esperar que isso resolva o problema. As sanções estão postas, o bloqueio está feito, e a facção agora é tratada no exterior com o mesmo rigor dispensado a grupos terroristas do Oriente Médio.

O aviso prévio já havia sido dado. Movimentações diplomáticas anteriores sinalizavam que o governo americano, prestes a iniciar um novo ciclo político agressivo e focado na segurança hemisférica, não toleraria mais a ambiguidade brasileira no trato com o narcoterrorismo. Houve tempo para correção de rotas, houve prazos não oficiais para que o Brasil adotasse uma postura enérgica. O prazo expirou. A inércia governamental cobrou seu preço, e a tutela do combate ao crime organizado em solo sul-americano precisou ser assumida por Washington, escancarando a nossa incapacidade de resolver nossos próprios problemas.

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Ao final deste episódio dantesco, o que resta para o povo brasileiro é a constatação de um abandono. O cidadão trabalhador, que acorda de madrugada, paga impostos escorchantes e reza para voltar vivo para casa no fim do dia, percebe que seu presidente sente mais empatia pela agrura dos líderes de facção do que pelo sofrimento das vítimas da violência. A polarização, repito, tornou-se dolorosamente simples e binária. A escolha não é mais entre ideologias, mas entre a ordem e o caos.

Se um político tem a audácia de ir a público demonstrar tristeza porque criminosos sanguinários foram finalmente equiparados a terroristas por uma potência estrangeira, a mensagem enviada à nação é de uma clareza assustadora. Quem não defende os criminosos, fatalmente se torna alvo deles. E quem os defende, seja por convicção ideológica, seja por miopia política, torna-se cúmplice moral de cada gota de sangue derramada no asfalto brasileiro. A máscara caiu, o microfone fez o seu trabalho e a história, implacável, registrará o dia em que o Brasil preferiu lamentar a sorte dos bandidos a celebrar a promessa de justiça.

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