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A INDÚSTRIA DO HORROR: EMPRESÁRIA PAULISTANA É DETIDA POR TORTURAR E MATAR ANIMAIS PARA ALIMENTAR FETICHES MACABROS NA INTERNET (E JÁ ESTÁ SOLTA)

A manhã da última quinta-feira, 28 de maio de 2026, amanheceu sob a sombra de um escândalo que revirou o estômago de São Paulo e inflamou as redes sociais. A Polícia Civil, em uma operação que misturou indignação pública e frieza burocrática, deteve Diane Schuin Sequel de Almeida, uma autodenominada “empresária” que operava, no coração da capital paulista, um estúdio de horrores financiado pelo submundo da internet. O crime? Zoosadismo. O método? Tortura e assassinato de animais indefesos, milimetricamente coreografados e filmados para saciar fetiches bizarros de compradores estrangeiros. E, como um roteiro de impunidade já conhecido pelo brasileiro, a prisão durou apenas o tempo suficiente para a tinta do boletim de ocorrência secar.

Este não é um caso isolado de crueldade; é a constatação de que o sadismo se tornou uma commodity rentável e globalizada. A denúncia que desencadeou a operação não partiu de um vizinho desconfiado ou de uma patrulha cibernética nacional, mas de uma Organização Não Governamental (ONG) da Bulgária. O fato de precisarmos que o Leste Europeu nos alerte sobre o que acontece em um apartamento no centro de São Paulo já escancara as fragilidades — ou a conivência algorítmica — das plataformas que abrigam esse tipo de comércio. Como essa rede operava? Qual o perfil dessa “empresária” do sofrimento? E por que, afinal, a justiça brasileira parece tão engessada diante de atrocidades que não envolvem apenas cães e gatos?

Daiana Schuin Sekel de Almeida, presa em São Paulo nesta quinta-feira (28)  suspeita de torturar e matar animais para vender vídeos na internet, falou  rapidamente ao deixar a delegacia. , A empresária ...

A MÁQUINA DO ZOOSADISMO E O SILÊNCIO DOS ALGORITMOS

Segundo as investigações da Polícia Civil de São Paulo, Diane comandava uma produtora informal e altamente rentável de conteúdo de zoosadismo. Para os não iniciados nas profundezas mais abjetas da internet, o termo designa a prática de infligir dor, sofrimento e, invariavelmente, a morte a animais, com o único propósito de gerar prazer (frequentemente sexual) ou lucro. As vítimas não eram escolhidas ao acaso: coelhos, pintinhos e filhotes de diversas espécies eram pisoteados até a morte pela “empresária”. As gravações, muitas vezes, traziam Diane seminua, calçando sapatos de plataforma ou saltos altos, esmagando as pequenas criaturas sob a lente de uma câmera.

O modelo de negócios era estruturado. Os vídeos eram comercializados no Discord e em redes criptografadas similares, como o Telegram — velhos conhecidos das autoridades por servirem de terreno fértil para a deep web “de superfície”. Cada vídeo era vendido por valores que giravam em torno de 20 euros (aproximadamente R$ 120, na cotação atual, embora algumas fontes apontem valores de até R$ 300 dependendo da crueldade e exclusividade do material). Os investigadores suspeitam que a “empresária” operava essa carnificina audiovisual pelo menos desde 2021. Meia década de mortes televisionadas, patrocinadas por um público europeu disposto a pagar pelo sofrimento real de seres que sequer conseguem emitir um som audível de socorro.

A indignação não recai apenas sobre a autora dos crimes, mas sobre os meios de distribuição. Como é possível que plataformas robustas como o Discord, que abrigam comunidades de gamers e fóruns de tecnologia, não possuam algoritmos capazes de detectar e banir a disseminação de tortura animal? Se um criador de conteúdo no YouTube ou Instagram publicar um clipe de cinco segundos com direitos autorais, o vídeo é derrubado instantaneamente. Mas redes de sadismo operam por anos sem qualquer restrição. A ausência de moderação ativa não é apenas negligência; para muitos especialistas, beira a conivência.

A QUEDA: TATUAGENS, SALTO ALTO E A ONG BÚLGARA

A identificação de Diane não foi fruto de um trabalho ostensivo de inteligência cibernética brasileira, mas da denúncia da ONG búlgara, que interceptou os vídeos e os encaminhou às autoridades competentes. A Polícia Federal acionou a Polícia Civil Paulista, que abriu um inquérito pela Delegacia de Crimes Contra Animais, vinculada ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

O que selou o destino momentâneo da “empresária” foi a sua própria vaidade. A CNN Brasil confirmou que a identificação se deu por meio de tatuagens e marcas nas pernas, claramente visíveis durante os vídeos em que ela executava os animais. A ironia é palpável: a mesma marca permanente que ela escolheu para se enfeitar foi o crachá que a entregou.

Quando os agentes chegaram ao apartamento no centro de São Paulo para cumprir o mandado de busca e apreensão, Diane dormia. Ela relutou em abrir a porta, supostamente tentando esconder os “instrumentos do crime”: os sapatos plataforma e saltos altos manchados de sangue e sadismo. “Esse aqui provavelmente são os calçados que ela usava para torturar os animais, né? A sola vai ser periciada. São sapatos plataforma, como estão nos vídeos”, declarou um dos investigadores no local.

Na delegacia, a frieza de Diane foi estarrecedora. Confrontada com as imagens de si mesma esmagando animais e questionada se estava arrependida, a resposta beirou o escárnio. Ela limitou-se a repetir um mantra decorado, provavelmente instruído por advogados: “Eu só vou dizer que eu já colaborei com a polícia, tô colaborando. Passei a senha dos meus celulares…”. Quando pressionada pelos policiais que exibiam o vídeo, ela confessou a autoria, reconheceu a própria tatuagem, mas tentou minimizar o ato com uma desculpa esfarrapada: “Isso é muito antigo. Eu não tenho nem mais isso, tá?”. A tática era clara: assumir o que era inegável para tentar mitigar o flagrante. Sobre o paradeiro dos animais ou dos restos mortais, o silêncio imperou.

O TEATRO DA NORMALIDADE E A INDIGNAÇÃO DOS VIZINHOS

A imagem de Diane algemada e sendo escoltada para a viatura viralizou quase instantaneamente. Na porta do edifício, vizinhos e manifestantes se aglomeraram, tomados por uma mistura de nojo e incredulidade. A reação da comunidade escancara uma verdade perturbadora sobre psicopatas e criminosos cruéis: eles não têm chifres ou placas de identificação na testa.

“Eu tenho três cachorrinhos, ela me via passeando, brincava com eles, falsa! Doente! Uma pessoa doente”, desabafou uma vizinha, visivelmente abalada. O choque é compreensível. A mulher que torturava filhotes em frente a uma câmera era a mesma que sorria e afagava o cão do vizinho no elevador. Esse mimetismo social, a capacidade de se camuflar sob a fachada de uma vida ordinária e “empresarial”, é o traço mais característico de quem padece de desvios empáticos graves.

O caso de Diane levanta uma discussão profunda sobre a banalidade do mal. A demanda por esse tipo de fetiche, o zoosadismo (também conhecido como crush fetish no submundo da internet, onde mulheres esmagam pequenos animais, insetos e até objetos inanimados para causar excitação sexual em espectadores), revela um nicho de mercado sustentado por indivíduos profundamente perturbados, majoritariamente na Europa e na Ásia. Diane não apenas matava; ela performava a morte, com fetiche, cenário e roteiro, para milhares de pessoas que se masturbavam diante da tela do computador.

A “LEI SANÇÃO”, A BRECHA JURÍDICA E A IMPUNIDADE CRÔNICA

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O desfecho do dia, contudo, trouxe um banho de água fria naqueles que esperavam ver Diane atrás das grades. Ao anoitecer da mesma quinta-feira, a Secretaria de Segurança de São Paulo confirmou o que a defesa da acusada já alardeava: Diane prestou depoimento e foi liberada. A investigação continua, mas a “empresária” dormiu no conforto de sua cama.

O motivo da soltura não foi a falta de provas, mas uma mistura de tecnicalidades jurídicas e brechas legislativas que fariam qualquer cidadão de bem arrancar os cabelos. Primeiro: os agentes não encontraram provas materiais in loco (animais mortos recentes ou no ato da tortura) que sustentassem um Auto de Prisão em Flagrante (APF). Segundo, e mais revoltante: a Lei Sanção.

A Lei 14.064/2020, batizada de Lei Sanção, foi um marco na proteção animal no Brasil, aumentando as penas para maus-tratos de 2 a 5 anos de reclusão. Contudo, o texto da lei foi redigido com uma especificidade fatal: o endurecimento das penas se aplica exclusivamente a cães e gatos. Como as vítimas de Diane eram, majoritariamente, pintinhos, coelhos e outras aves menores, ela recai na antiga legislação ambiental (Lei 9.605/98), que prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Essa pena irrisória para animais que não sejam cães e gatos é classificada como infração de menor potencial ofensivo. A lei brasileira não permite prisão preventiva obrigatória nesses casos. A acusada assina um Termo Circunstanciado (TC), compromete-se a comparecer em juízo e volta para casa. Caso condenada, a pena de três meses muito provavelmente será convertida em penas alternativas, como pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços à comunidade. Uma punição risível para um crime hediondo.

O Deputado Federal e ex-policial civil Felipe Becari, ativista contumaz da causa animal, foi incisivo em suas críticas: “Não adianta mesmo a Lei Sanção, quem é que fica preso? Ninguém. A pena de 2 a 5 anos ainda é pequena. E se a pessoa é ré primária, a lei ajuda ainda mais. Ela vende conteúdos pornográficos com base em fetiches. Esses caras se excitam em ver o sofrimento do animal”.

UM PAÍS REFÉM DAS PRÓPRIAS LEIS

O caso da “empresária” Diane Schuin Sequel de Almeida não é apenas o relato de um crime brutal contra animais; é um raio-x impiedoso de um sistema jurídico que valoriza mais a tipificação engessada do que o bom senso e a proteção à vida. Enquanto o Brasil ainda tenta engolir a seco o arquivamento do caso do Cão Orelha (outro símbolo recente da impunidade em crimes de maus-tratos), Diane caminha livremente pelas ruas de São Paulo.

A pergunta que ecoa nas redes sociais e nas rodas de conversa não é apenas “como ela foi capaz?”, mas sim “até quando a legislação permitirá que a crueldade seja tarifada a preço de multa?”. A soltura de uma assassina confessa, que não apenas executou, mas lucrou com o sofrimento alheio, é a prova cabal de que a proteção animal no Brasil ainda é uma fachada frágil, sustentada por leis seletivas e punições brandas.

Enquanto a comoção popular ferve e os legisladores arrastam os pés em debates intermináveis sobre o aumento generalizado de penas, o submundo do Discord e do Telegram continua operando. A oferta segue a demanda. E enquanto houver impunidade, o sangue dos mais fracos continuará sendo o espetáculo lucrativo dos mais sádicos.

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