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Dois Filhos Pequenos na Sarjeta… A Mãe Pediu pro Céu e o Céu Respondeu

Mulher, o que estás a fazer à porta da minha empresa? Vai para a sua casa, leve os seus filhos. Moço, eu não tenho casa. O senhor não está vendo a minha situação? Eu peço todos os dias para Jesus me tirar desta situação.

A Ana tinha 28 anos e duas razões para continuar a respirar que ela transportava nos dois braços ao mesmo tempo. O Miguel e o Mateus, gémeos de 2 anos que tinham chegado ao mundo num parto difícil, numa maternidade pública e que desde o primeiro dia pareciam ter vindo de um lugar diferente do que os outros bebés. Não porque fossem perfeitos, choravam e sujavam-se e acordavam de madrugada como qualquer criança. Mas porque havia neles uma calma específica que as enfermeiras comentavam, uma luz nos olhos azuis que as pessoas paravam para olhar para as ruas e um cabelo loiro, encaracolado que fazia qualquer passante abrandar um segundo antes de continuar a caminhar.

A Ana era parda, filha de mãe solteira do interior de Goiás, que tinha vindo para São Paulo aos 18 anos atrás de trabalho e tinha encontrado trabalho. E depois um homem e depois uma gravidez que o homem não quis e depois mais nada. Quando os gémeos nasceram, ela estava sozinha num quarto de pensão que pagava com o que sobrava de bico em bico. Depois o quarto ficou demasiado caro e ela foi para a rua com as duas crianças e uma bolsa com o essencial que era a fralda e o leite e a Bíblia batida que a mãe tinha dado antes de morrer.

Dormia em abrigos quando tinha vaga e na calçada quando não tinha. Pedia comida, pedia dinheiro, pedia com a dignidade de quem ainda não aprendeu a fingir que não precisa. E todas as noites, antes de dormir, onde quer que estivesse, ela rezava com as mesmas palavras que a mãe tinha ensinado. Dizia: “Jesus, eu sei que o Senhor está a ver. Eu sei que o Senhor não abandonou. Eu sei que tem um propósito que ainda não vejo. Me tira desta situação.

Foi numa manhã de outubro que ela foi parar à calçada em frente ao centro empresarial do centro de São Paulo, porque era um local com sombra e ela estava com os meninos ao colo. Exausta de uma noite mal dormida, deitou-se com a cabeça no colo dos dois que estavam sentados no betão, olhando para o movimento da rua com aqueles olhos azuis que não tinham aprendido a ter medo de nada ainda.

Foi quando o Rolls-Royce preto parou no passeio e o porta traseira abriu e um homem desceu 55 anos talvez. cabelo prateado, fato escuro, impecável, a expressão de quem não tem pressa de ninguém e ao mesmo tempo tem todo o tempo do mundo. Ele olhou para ela e para os rapazes com aquele olhar que não avaliava nem julgava só via, e foi ter com ela com passos calmos e perguntou o que ela estava a fazer à porta da empresa dele. Não zangado, só como quem identifica um problema que precisa de ser compreendido antes de ser resolvido.

Ana levantou a cabeça do colo dos meninos e olhou para ele por baixo e disse que não tinha casa, que não estava vendo a sua situação e que todos os dias ela pedia a Jesus para a tirar daquela situação. O homem ficou em silêncio durante um momento, a olhar para ela. Depois olhou para os dois meninos que olhavam-no com aqueles olhos azuis sem pestanejar e fez uma coisa que A Ana não esperava. agachou-se do lado dela no betão, no fato impecável, sem se importar com o chão, e perguntou o nome dela. Ela disse: “Ana”. Ele disse que era um bom nome. Perguntou os nomes dos meninos. Ela disse Miguel e Mateus.

Ele ficou de novo em silêncio por um segundo com aquela expressão que a Ana não conseguia classificar. Depois perguntou se ela sabia trabalhar. Ela disse que sabia que antes de ir para a rua tinha trabalhado em limpezas e em cozinha e em qualquer coisa que deixassem. Chamou um homem que tinha ficado perto do carro e disse umas palavras baixo que a Ana não ouviu. O homem foi-se embora e voltou 15 minutos depois com um envelope e um cartão.

O empresário colocou o envelope na mão da Ana e disse que dentro tinha o suficiente para um mês de quarto e comida para ela e para os meninos e que no cartão tinha um endereço onde ela deveria ir na segunda-feira de manhã pedir pela dona Regina que ia ter um trabalho para ela se ela quisesse. Ana ficou a olhar para o envelope e pro cartão com as mãos sujas e disse que não sabia como agradecia. Ele disse que não precisava agradecer-lhe, que fosse em frente e cuidasse dos meninos. Levantou-se com aquela calma de sempre, olhou uma última vez aos dois meninos que continuavam a olhar para ele com aqueles olhos azuis quietos e voltou ao Rolls-Royce. A Ana ficou olhando o carro ir embora até desaparecer no trânsito.

Na segunda-feira, ela foi ao endereço do cartão. Era uma empresa de serviços de limpeza de média porte. Pediu pela dona Regina. A mulher saiu, ouviu o nome do empresário que tinha enviado a Ana e ficou em silêncio por um segundo com uma expressão que a Ana não compreendeu na altura. Disse que tudo bem que havia uma vaga e contratou ali mesmo na primeira semana de trabalho.

Ana perguntou à dona Regina como é que ela conhecia o homem do Rolls-Royce. A Dona Regina perguntou como ele era. Ana descreveu. A Dona Regina disse que não não conhecia ninguém com esta descrição, que nunca tinha recebido uma chamada, nem mensagem de nenhum homem com estas características, que a única coisa que tinha chegado era um recado deixado na portaria sem nome, dizendo que uma mulher chamada Ana apareceria na segunda-feira e que deveria ser contratada.

A Ana ficou em silêncio por um longo momento, foi até ao recepção e pediu para falar com o segurança do turno daquela manhã de outubro. O segurança disse que não se lembrava de nenhum Rolls-Royce preto parado em frente ao centro empresarial nesse dia. Ana pediu para ver as câmaras. O técnico verificou e disse que havia uma falha no sistema naquele horário específico.

Três semanas depois, com o quarto pago e os rapazes alimentados e o primeiro salário depositado, a Ana sentou-se na cama do quartinho que tinha alugado e abriu a Bíblia batida da mãe no lugar onde o marcador tinha ficado parado durante meses sem que ela se apercebesse. Era o capítulo 13 da carta aos Hebreus, versículo 2. E ela leu em voz baixa as palavras que estavam ali escritas. Não se esqueçam da hospitalidade, porque por ela alguns hospedaram anjos sem o saber.

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A Ana ficou a olhar para aquela frase por um tempo que os meninos aperceberam-se e o Miguel veio e pôs a cabeça no colo dela com aquela calma de sempre. Nessa noite ela dormiu diferente de todas as outras noites desde que estava na rua. Foi um sono fundo, sem pesadelo. E no meio deste sono, ela sonhou era uma luz que não magoava os olhos. E dentro da luz, o homem do Rolls-Royce, mas diferente, não com o fato escuro, mas com uma claridade que não tinha roupa nem forma definida, só presença.

E disse com uma voz que ela reconheceu sem nunca ter ouvido, antes que ela lhe tinha pedido que a tirasse daquela situação e que tinha ouvido desde a primeira vez e que os dois meninos eram o sinal de que nunca tinha ido embora e que os nomes deles não eram coincidência. Miguel, que significa quem é como Deus. Mateus, que significa dom de Deus.

A Ana acordou às 4 da manhã com as lágrimas na almofada e os dois rapazes a dormir do lado dela com aquela paz que sempre tinham trazido. Ficou a olhar para eles no escuro do quartinho com a luz da rua, entrando pela janela e disse: “Obrigada” em voz baixa da forma mais simples possível, porque às 4 da manhã, com os filhos a dormir ao lado, as palavras complicadas não cabem.

Se essa história toucou o seu coração, curta o vídeo e partilhe com alguém que esteja pedindo ao céu uma resposta e ainda não viu chegar, escreva aqui nos comentários a palavra anjo em homenagem às bênçãos que Deus colocou na sua vida, que por vezes não reconhece como bênçãos. Que Deus o abençoe e aos seus família com saúde, proteção e a certeza de que nenhuma oração sincera fica sem resposta.