Em 1789, no porto de Salvador, um navio negreiro inglês chamado Brooks ancorou com 620 africanos vivos. Dos 740 embarcados em Anomabu, na costa da mina, 120 já tinham morrido na travessia. Quando abriram as escotilhas, o cheiro da morte subiu tão forte que os marinheiros experientes vomitaram sobre o Convess.
Mas o que levou a esse ato extremo? E qual foi o destino final destas pessoas? O que aconteceu nos detalhes deste caso é o que vai descobrir hoje. Tudo começava muito antes do mar. Na região do atual Benim e Nigéria, reinos como Dalmê e Oio já praticavam a escravatura tradicional há séculos. Prisioneiros de guerra tornavam seis servos domésticos ou eram sacrificados em rituais.
Tratavam-se como pessoas, não mercadorias móveis. Um cativo podia casar na família do Senhor, alcançar liberdade ou até torner-sei conselheiro. A chegada dos europeus mudou tudo. A a partir de 1650, a procura portuguesa de mão-de-obra nas plantações de cana-de-açúcar no Recife e na Baía transformou a guerra em negócio.
Os reis africanos perceberam que vender prisioneiros rendia mais ouro, armas de fogo e tecidos do que mantê-los. Dalmé criou um exército profissional cujo único objetivo era capturar vizinhos. Em 1727, o rei Agá escreveu ao rei de Portugal, oferecendo 9.000 cativos por ano, se lhe enviassem mais canhões. Os caçadores partiam ao amanhecer, tambores anunciavam a invasão.
Os vilarejos eram incendiados, homens mortos ou fugidos, mulheres e crianças arrastadas. Um sobrevivente orubá, anos mais tarde, no Rio de Janeiro, contou que marchou 42 dias agrilhoado pelo pescoço com outros 300. Dormiam ao relento. Comiam milho cozido atirado para o chão. Quem caía era degolado para não atrasar a caravana.
Na costa esperavam os tumbeiros, como o São José, União ou o Brilhante. Em Luanda, Benguila, Lagos ou Idá. Erguiam-se barracões de pedra, onde os cativos ficavam semanas aguardando o vento favorável. Aí recebiam marca ferro em brasa com as iniciais do comerciante. O cheiro a carne queimada misturavia alitor.
Uma menina de 11 anos, vendida por um traficante chamado Francisco Félix de Souza, recebeu a marca FFS no ombro direito em 1821. Quando o navio chegava, o pânico tomava conta. Muitos nunca tinham visto o mar. Achavam que os brancos eram canibais e que seriam comidos. Olaudda Iuiano, raptado aos 11 anos e 1756. escreveu que o fedor do porão era tão insuportável que parecia que mil cadáveres apodreciam juntos.
Homens estavam acorrentados dois a dois, deitados de lado, em pranchas de 45 cm, de largura não se podiam erguer. O esquema do navio Brooks, apresentado ao Parlamento inglês em 178, tornou-se o símbolo máximo desta desumanidade. Desenhado com precisão, mostrava 482 escravizados distribuídos em plataformas onde caberiam confortavelmente 294.

O capitão Clement Nobel declarou que carregou 609 apenas para cobrir eventuais perdas. A média de espaço por pessoa era inferior a um caixão. A comida consistia em farinha de milho com água e duas vezes por semana feijão com banha rançosa. Quando alguém recusavam comer, usavam o speculenhores, instrumento de ferro que abria a boca à força.
As mulheres e as crianças geralmente não eram acorrentadas. Isso não significava alívio. Marinheiros desciam à noite, escolhiam quem queriam. Uma jovem de nome Joana, chegada a Valongo em 1830, contou ao padre Lopes Gama, que foi abusada 27 vezes durante o travessia, engravidou e perdeu o filho no Desembarcando. Subscreva o canal agora para não perder a segunda parte, onde vamos entrar de facto no porão do Brooks e acompanhar dia após dia o que aconteceu com aquelas 620 almas até chegarem ao Brasil.
O Brooks zarpou de Anomabu a 15 de setembro de 1789. O capitão Nobal anotou no diário: “O tempo bom, 609 negros a bordo, todos saudáveis. Na primeira semana ainda havia esperança. Alguns cantavam para manter a sanidade mental. Tambores improvisados com baldes ecoavam baixo. A tripulação reagiu com chicote.
No 10º dia começou a chuva equatorial. A água infiltrava-se pelas escotilhas, misturava-se com os dejetos. O porão transforma-se em lama fatida a desinteras. Primeiro foram 10 casos, depois 100. Os doentes eram atirados ao mar, ainda vivos, para não contaminar a carga. Tubarões seguiam o navio durante semanas.
Uma jovem chamada A Bina do anos, grávida de 5 meses, entrou em trabalho de parto ao 20º dia. Sem assistência, deu à luz uma menina sobre as tábuas. A criança morreu em poucas horas. Abina tentou atirar-se ao mar, mas foi impedida pelas redes laterais. O imediato anotou: “Negra número 312 tentou suicidar-se.
Chicoteada 39 vezes, voltou ao post. Ao 30º dia, o navio entrou na zona de calmaria. O calor tornsei insuportável. A temperatura no porão atingiu os 45º. As pessoas começaram a delirar. Um homem chamado Cofigor Heronté conseguiu quebrar a corrente enfraquecida pela ferrugem e atacou um marinheiro. Foi amarrado no convés e deixado ao sol durante três dias.
Morreu com os olhos comidos por abutres. Quando a tripulação abria as escotilhas de manhã, uma nuvem negra de moscas subia. O cheiro era tão forte que os marinheiros usavam lenços embebidos em vinagre. O cirurgião do navio Thomas Trotter escreveu mais tarde que nunca conseguiu tirar aquele fedor da memória, mesmo passados anos. No quadº dia, o vento voltou.
O Brooks navegava demasiado rápido. As correntes feriam até ao osso. Muitos tinham úlceras abertas, cheias de vermes. Um menino de 9 anos morreu com a perna acorrentada ao cadáver do pai há quatro dias. Ninguém conseguia mover-se para os separar. Você já parou para pensar se perguntar, se fosse o seu filho acorrentado a um cadáver apodrecendo durante dias, o que lhe faria para sobreviver? Deixe nos comentários a sua reflexão honesta.
No dia 12 de novembro, passados 58 dias, avistaram a costa brasileira. O capitão ordenou dançar os negros. Sob chicote, os sobreviventes eram obrigados a saltar no Convés para melhorar a aparência antes do leilão. Quem não conseguia era atirado ao março. Restavam 487. No porto do Rio de Janeiro, o Valongo já esperava.
Os cativos foram lavados com água do mar e esfregados com óleo de palma para esconder as chagas. Receberam nomes portugueses: José, António, Francisca. Abina passou a ser Maria do Rosário. Kof tornou-se Manuel Congo. A menina que sobreviveu ao parto chamava-se Teresa Benguila. Em homenagem à esposa do traficante.
No pátio de vendas, as famílias foram separadas em minutos. Um lavrador de Campos dos Goitacazes comprou 42 homens fortes por 120.000 ré cada. Uma senhora de vassouras levou 18 mulheres para a Casagre. Crianças abaixo dos 10 anos eram vendidas como crias juntamente com as mães, ou separadamente se mostrassem boa dentição.
O último lote do Brooks foi comprado pela quinta de Santa Cruz do Comendador Joaquim Breves, no Vale do Paraíba. Aí, os recém-chegados encontraram escravizados antigos que falavam português e usavam roupas. Estes receberam ordem para acalmar os novos, dizendo que os brancos não comiam pessoas, mas à noite na cenzala contavam a verdade.
O Brooks regressou a África três meses depois, voltou a carregar 700 pessoas. A máquina não parava. Entre 1780 e 1850, mais de 1,2 milhões de africanos desembarcaram vivos no Rio de Janeiro. Outros 300.000 morreram na travessia. Cada navio era um túmulo flutuante que o império brasileiro necessitava para continuar a brilhar.
A mentalidade da época via o negro como propriedade, o tráfico como comércio legítimo abençoado pela igreja. Os padres abençoavam os tumbeiros à saída do porto. A estrutura social do Brasil imperial ergosei sobre corpos empilhados em caves e a condição humana revelou o seu lado mais obscuro quando o lucro falou mais alto do que a dignidade.
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