Posted in

Em 1985, mulher caminhoneira sumiu no Paraná—38 anos depois, reforma da ponte revela algo chocante

Em 1985, mulher camionista desapareceu no Paraná. 38 anos depois, a renovação da ponte revela descoberta chocante. O meu nome é Cláudio Ribeiro. Eu morava numa casa geminada no bairro Ah em Curitiba, Paraná. Minha vida era pacata, focada no meu trabalho como analista de sistemas e nos exames finais de semana com a minha esposa Renata.

No no entanto, nos últimos três anos, a nossa a paz foi roubada por uma única coisa, a obra do meu vizinho. O vizinho Tobias Gomes, o mesmo nome da história anterior, mas aqui era um sujeito de meia idade, sempre de óculos escuros e aparência cansada. tinha comprado a casa ao lado para reformar, mas não era uma reforma normal, era uma obra que parecia ter vida própria.

O trabalho começou em 2022 e nunca jamais acabava. Os operários vinham e iam, mas as paredes internas eram derrubadas e refeitas incessantemente. O som das marretas e dos martelos pneumáticos era constante, e o cheiro a cimento e pó de gesso invadia a minha casa. Tobias sempre dava desculpas esfarrapadas, dizendo que havia problemas estruturais imprevistos.

O que realmente me incomodava, porém, era o silêncio intermitente. Havia dias em que o som parava durante horas e quando eu olhava por cima do muro, não via operários a almoçar ou a descansar. Eu via o Tobias sozinho, a trabalhar no que parecia ser um quarto subterrâneo, sempre fechado, sem janelas, e usava luvas grossas e uma máscara que cobria o rosto.

Certa noite, numa quinta-feira chuvosa, estava na minha sala de estar quando ouvi um som que não era de construção, era um corte, um som húmido e comprido, como se alguém estivesse arrastando uma lâmina grande sobre um tecido grosso. Depois veio um cheiro que parecia terra revolvida e ferro. Eu subi na cadeira e espreitei por cima do muro da varanda.

O quarto que estava sendo construído no fundo do terreno de Tobias era agora uma garagem improvisada. E lá no interior, sob a luz fraca de uma lâmpada pendurada, eu vi. Não era cimento que estava a ser mexido, era o que parecia ser uma carcaça de camião, um pedaço grande de metal azul escuro, amassado e enferrujado, que Tobias estava a cobrir com uma lona.

Aquele camião azul me deu um arrepio. Apenas dois dias antes. Tinha saído uma reportagem na Gazeta do Povo sobre a renovação de uma ponte antiga no interior do Paraná. A reportagem mencionava que durante a obra os operários liderados por Ademir Dutra tinham encontrado restos humanos e a matrícula de um camião Scania azul desaparecido desde 1985.

A placa ligava o veículo à camionista Márcia Oliveira Silveira. O meu vizinho estava a esconder o camião de uma mulher desaparecida há quase 40 anos. Eu desci da cadeira, o coração a martelar. Tinha de ligar para a polícia, mas Tobias, como se soubesse o que eu iria fazer, apareceu no meu jardim.

Cláudio, o meu amigo, desculpa o barulho. Amanhã o trabalho acaba. É o último quarto, o isolamento acústico”, disse, sorrindo de forma tensa. Eu encarei-o. “O que é aquele camião, Tobias?” “Eu vi.” O sorriso dele desapareceu. Os seus olhos, antes escondidos pelos óculos escuros, estavam arregalados e injetados de sangue.

Olhou-me com um desprezo frio. É sucata, Cláudio. Ferro velho. Eu sou colecionador. Mas já que viu, ele deu um passo para trás e olhou para a parede da casa dele, a que confinava com a minha sala de estar. Não devia ter olhado a sucata, Cláudio. Devia ter olhado a parede. Ele sorriu e foi para dentro da casa dele. Eu não consegui dormir.

Na manhã seguinte, liguei para a Polícia Militar, tentando ser vago sobre o camião, e focando-se no barulho. Eles prometeram enviar uma viatura. Esperando a polícia, decidi seguir o conselho de Tobias. Eu fui para a minha sala de estar e bati na parede divisória. Parecia oca a certa altura. Peguei num martelo e fiz um pequeno buraco.

Atrás do gesso e do isolamento não havia tijolo, existia uma câmara. E na parede dessa câmara que dava para o lado de Tobias havia algo escrito. Eu alarguei o buraco e usei a lanterna do telemóvel. eram desenhos, não graffitis, mas símbolos gravados no cimento fresco feitos com um objeto ponteagudo. Eram 13 símbolos organizados numa espiral sinistra que parecia fechar-se em uma cruz invertida central.

Símbolos que eu reconheci dos documentários sobre ocultismo, símbolos satânicos e de sacrifício. E ao lado da espiral havia uma inscrição feita com algo escuro e espesso que parecia ressecado. O preço de 1985 está na fundação e a dívida do teto é paga com a chuva. Enquanto eu lia, a terra começou a tremer. Não era um terramoto, mas um tremor forte e localizado. Veio de casa de Tobias.

Eu ouvi um som gultural, como um animal sendo arrastado para o abate. E então gritou a minha mulher do quarto de cima. Corri para a escada. Renata, o que houve? Ela estava à porta do quarto, pálida, apontando para o teto. O teto de gesso, mesmo por cima da nossa cama estava rachado numa linha curva, e da fenda, uma gota escura e viscosa caiu sobre o chão.

Advertisements

Não era água da chuva, não era óleo de construção, era sangue. E não era sangue vermelho vivo, era sangue seco, negro, coagulado, caindo do interior da casa do meu vizinho. O sangue que devia ter escorrido da camionista Márcia Oliveira Silveira 38 anos antes. A visão do sangue negro a escorrer pelo nosso teto foi o limite.

A minha esposa Renata, começou a gritar histericamente. puxei-a para fora do quarto com o coração a bater na garganta. Aquilo não era obra de um construtor de fundo de quintal, era a manifestação de um horror que transcendeu quase quatro décadas. “Vamos para a rua, Renata agora!”, eu gritei, pegando nas chaves e no telemóvel. Saímos de casa a correr, sem olhar para trás.

A viatura da Polícia Militar que eu tinha chamado estava a estacionar na esquina. Dois polícias desceram, o sargento Silva e o Cabo Mendes. Eu corri até eles ofegante. Sargento, graças a Deus, é a casa ao lado, tem um corpo, tem símbolos satânicos na parede e sangue negro a escorrer pelo meu teto. O sargento Silva olhou-me com cepticismo, típico de quem lida com vizinhos brigões nos bairros de classe média.

Calma, cidadão. O senhor chamou por causa de ruído na obra. Onde está o vizinho? O tal Tobias? Ele está lá dentro. Ele está com o camião de uma mulher desaparecida em 1985. O corpo dela está na Fundação Márcia Oliveira Silveira”, disse eu jogando as informação de forma desorganizada. A menção a camionista e a data de 1985 pareceu despertar algo no Cabo Mendes, o mais jovem.

Trocou um olhar com o sargento Silva. Esta história da camionista do Paraná não saiu no jornal por estes dias, sargento. Aquela que desapareceu com o Scan azul, a tal Márcia Silveira. O sargento bufou impaciente. Vamos ver o tal sangramento, Senr. Cláudio. Isto aqui parece mais stress por reforma. Entrámos na minha casa e subimos para o quarto.

O sangue preto havia deixou de escorrer. Restava apenas a mancha escura na parede e o reboco rachado. Vês, Cláudio? Era só um fuga de esgoto velho com mofo. O sargento Silva ironizou, mas ainda assim se aproximou e tocou na mancha com a ponta da caneta. Cheiro a ferrugem, isso sim. Não, juro, vi. E os símbolos estão na parede do vizinho, atrás do gesso.

Eu arrastei-os para a sala de estar, onde tinha feito o buraco na parede. O sargento olhou para o buraco e depois para a parede do vizinho. O senhor invadiu a propriedade do vizinho, Cláudio. Isto é invasão de domicílio. Apontou a lanterna para o buraco. O sargento e o cabo se inclinaram. Eles viram. Viram os 13 símbolos satânicos gravados no cimento.

Viram a inscrição? O preço de 1985 está na fundação e a dívida do tecto é paga com a chuva. O sargento Silva endireitou-se e o cepticismo deu lugar a uma careta de nojo e repulsa. Isto aqui é coisa de macumba pesada, Cláudio. Feitiçaria. Mas não é a nossa jurisdição. Isto é paraa polícia civil e o COP, centro de operações policiais.

Ele se virou para o Cabo Mendes. Cabo, fique aqui. Vou ligar para a Civil e para o Dr. Sales. Enquanto o sargento falava ao rádio, o Cabo Mendes aproximou-se de mim. Cláudio, diz-me uma coisa. Quando viu o camião, onde exatamente estava? Eu apontei para a parte de trás da casa, numa garagem improvisada no fundo do terreno.

Um pedaço de metal azul escuro estava a ser coberto por uma lona. O Cabo Mendes, que parecia mais interessado na história da camionista do que nos símbolos, decidiu agir por conta própria. Eu vou dar uma volta por trás. Se ele está a esconder um camião dos anos 80, ele pode ter o corpo. Eu segui-o apesar dos protestos do sargento. Nós saltámos o muro.

O terreno de Tobias estava desarrumado, cheio de materiais de construção abrangidos por lonas. Fomos para o fundo. Lá estava a garagem improvisada. A porta de correr estava apenas encostada. O cabo Mendes a abriu com um pontapé. A garagem estava lá. A lona estava lá, mas o camião Scania azul tinha desaparecido.

A única coisa que ficou para trás era uma grande mancha escura no chão de cimento, onde o veículo deveria estar, e um odor indescritível de metal, terra e carne em decomposição. O cabo Mendes ligou a lanterna e apontou para o chão. Ele limpou, Cláudio. Ele soube que chamou a polícia, mas olha para isto.

chão, perto do local onde o pneu do camião deveria estar, havia uma pequena pedra de rio branca e lisa, e sobre a pedra estava uma aliança de ouro, simples, mas antiga. Eu peguei na aliança. No interior havia uma gravação quase ilegível pelo tempo. Márcia, 1980. O cabo Mendes empalideceu. Era dela, a caminhoneira. Ele estava a esconder a prova aqui e o cheiro ele tciu, cobrindo o rosto com o antebraço.

Naquele momento, ouvimos a voz do sargento Silva vinda da frente da casa. O Cabo Mendes, o vizinho, o tal Tobias, acaba de ligar para a esquadra. Ele confessou tudo. Disse que matou a camionista Márcia Silveira em 1985 e enterrou o corpo na fundação da casa dele. Disse que o corpo voltou com a obra inacabada.

O sargento Silva irrompeu na garagem, os seus olhos arregalados. Viu a mancha e sentiu o cheiro. Onde está ele, cabo? Temos que prendê-lo. Ele não está aqui, sargento. Ele ligou de onde? Da estação rodoviária de Curitiba. Ele disse que ia para o rio Turvo, que é onde a Márcia ia entregar a carga. E ele disse para a gente não cavar a fundação da sua casa.

Disse que o pacto ainda está de pé e que se escavarmos, o próximo preço será o teto de toda a rua. Eu olhei para o buraco na parede que dava para a minha casa. A inscrição. O preço de 1985 está na fundação e a dívida do tecto é paga com a chuva. A Polícia Civil e o IML chegaram em minutos. A minha rua foi isolada.

Quando o perito criminal Júlio César Assis chegou e inspeccionou o buraco na minha parede, ele não olhou para os símbolos satânicos. Ele olhou para a fundação da casa de Tobias e sorriu com um sorriso de quem já viu coisas a mais. O Tobias Gomes não é o construtor, Cláudio, é o zelador. Ele construiu esta casa como um templo para a morte de Márcia Silveira.

O pacto não permitia que a obra terminasse. A obra era o ritual e o caminheiro era o sacrifício. O perito criminal Júlio César Assis era um homem de meia-idade, com um olhar que parecia ter catalogado todas as formas de loucura humana no Paraná. As suas palavras sobre a casa de Tobias ser um templo para a morte fizeram mais sentido do que qualquer explicação lógica.

A polícia civil e as equipas de perícia trabalharam a noite toda na casa vizinha. Eles tinham a confissão de Tobias, mas não o corpo. A prioridade era a fundação. Eu e a Renata estávamos num hotel, mas o meu telemóvel não parava de tocar com chamadas e mensagens da esquadra. Eu era a principal testemunha. Na manhã seguinte, desloquei-me ao local com Júlio César Assis.

A rua ainda estava isolada. A casa de Tobias parecia uma boca aberta, com as paredes internas derrubadas. Os peritos tinham encontrado a câmara secreta que tinha vislumbrado através do buraco. O Assis levou-me até lá. O quarto era de betão puro, sem janelas. Na parede, os 13 símbolos satânicos estavam cobertos com spray para preservar a cena.

No centro havia um altar improvisado com ossos de animais e velas pretas queimadas. O cheiro a enxofre era forte. Tobias Gomes não enterrou o corpo. Cláudio. O Assis explicou-me apontando para a fundação. Ele construiu a casa em cima do corpo. O camião, o Blue Scan da Márcia Oliveira Silveira não foi encontrado na ponte em 1985. Tobias escondeu-o aqui, desmantelou-o e utilizou o metal para reforçar a fundação.

A ideia é que a alma da camionista, ligada ao metal e aos símbolos, ficasse presa e garantisse o pacto. Que pacto, perito? A imortalidade da obra. O Tobias não podia terminar a casa, senão a alma da Márcia se libertaria e o preço cobrado seria elevado. Por isso a obra interminável. Por isso o ruído e o silêncio.

Ele estava a manter a alma presa sob o peso da culpa. Assis chamou a minha atenção para o chão. Eles haviam cavado um pequeno buraco expondo a fundação e lá estava. Embutido no betão fresco, envolto em resina e cimento, estava o esqueleto. Encontramos o corpo. É ela. Márcia Oliveira Silveira. O perito médico-legal Ademir Dutra confirmou pela arcada dentária, mas tem algo estranho. Assim se agachou.

O esqueleto estava em posição fetal, mas tinha algo na nuca. O crânio dela está perfurado, não por uma bala, mas por algo que parece uma estaca ou um prego grande espetado no cimento. É o ponto de amarração do ritual, o último símbolo. Assis explicou. e senti um arrepio. Naquele momento, o meu telemóvel tocou.

Era uma notícia de última hora no G1, Paraná. Tobias Gomes, confesso no homicídio da camionista Márcia Silveira, sofreu um acidente mortal na rodoviária de Curitiba. O autocarro que ele tentava embarcar com destino ao rio Turvo, o destino original da carga da vítima, teve um problema mecânico na plataforma de embarque. O ônibus desgovernado esmagou Tobias contra uma coluna de betão.

Testemunhas disseram que o autocarro, um modelo Scânia, era azul escuro. Tobias tinha sido morto pela própria manifestação do crime que ele tentava fugir. O ciclo tinha-se fechado. Ele fugiu do Pacto, Cláudio, e o Pacto o pegou. Assis murmurou, ouvindo a minha leitura em voz alta da notícia. Com a morte de Tobias e a localização do corpo de Márcia, todos pensavam que o horror havia terminado.

A polícia desfez a amarração e o corpo foi retirado para o IML. A casa de Tobias seria demolida e o terreno selado. Eu voltei para casa para iniciar a limpeza. O buraco na parede foi selado com cimento. O medo havia passado. No entanto, nessa noite, a chuva voltou. Uma tempestade torrencial típica de Curitiba.

Eu estava na sala de estar a beber um café forte quando ouvi um som. Não o som da chuva no telhado, mas um som dentro da parede. Eu me aproximei-me da parede recém vedada. Eu senti um calor vindo de dentro do cimento e depois ouvi a voz. Era um sussurro gultural e seco vindo do lugar onde os símbolos satânicos estavam gravados. Quebrou o pacto, vizinho.

A obra foi terminada, a alma foi libertada e a dívida do tecto. A dívida não era da casa de Tobias. A voz se tornou um berro, um rugido que fez com que o vidro da minha janela tremer. O sangue começou a escorrer novamente do meu teto, não apenas uma gota, mas um jato. E desta vez não era sangue preto e coagulado.

Era vermelho vivo, jorrando da fenda, encharcando o chão e os móveis. A dívida não era paga com a chuva na casa do assassino. Era paga com o sangue na casa do vizinho partiu o pacto. O sangue fresco jorrava do tecto do meu quarto, cobrindo o chão e os móveis, com uma viscosidade quente e nauseiante. O cheiro a ferro era avaçalador.

O berro gutural vindo de interior da parede divisória. Era a prova de que a remoção do corpo de Márcia Oliveira Silveira não tinha encerrado o ritual, apenas tinha mudado o alvo do pacto. Eu estava na sala paralisado, olhando para o tecto da minha casa, se desmanchando-se sob o peso de um líquido rubro que não parava de jorrar.

Renata gritava na cozinha: “Cláudio, o que está a acontecer? É um rompimento de cano? Não é Cano, Renata, é o pacto. O O Tobias ligou-nos a ele. Eu gritei tentando pensar. Eu sabia que chamar a polícia de novo seria inútil. Eles já tinham selado o caso de Tobias. Além disso, o que diria eu? O sangue de uma camionista morta há 38 anos está jorrando pelo meu tecto, porque o ritual do meu vizinho exige que eu pague a dívida.

Eu precisava de algo para quebrar o ritual restante. A chave era a parede. Voltei para a sala de estar, peguei no martelo e no cinzel e voltei para o buraco que tinha feito na parede divisória. Pára, Cláudio, vais deitar abaixo a casa. A Renata gritava, mas eu ignorei-a. O medo deu-me uma força irracional.

O buraco que eu tinha vedado com cimento era o único ponto de contacto entre a minha casa e o templo de Tobias. O sangue estava a correr por ali. Eu Comecei a bater no cimento, partindo a vedação que eu próprio havia feito. Enquanto martelava, o berro na parede intensificou-se e o sangue no quarto de cima jorrava com mais violência.

Quando o cimento da vedação rebentou, expondo novamente a câmara secreta de Tobias, eu apontei a lanterna do telemóvel para a espiral de 13 símbolos satânicos. O 14º símbolo, o que estava no centro da espiral e que representava a alma de Márcia, já não estava lá. O buraco estava vazio, a alma estava livre, mas do lugar do símbolo, uma nova inscrição começava a formar-se, não com sangue ou fezes, mas com o próprio gesso húmido da parede, que se movia escrevendo-se sozinho.

O novo preço é pago com o teto do inocente. A dívida de 1985 é liquidada com o corpo de A inscrição parou. A voz gutural na parede calou-se. O sangue no meu tecto parou. Um silêncio absoluto invadiu a casa. Eu parei o ofegante. O que tinha quebrado o ciclo, o que faltava na inscrição, o que havia me salvado. Eu olhei para baixo. Eu tinha atirado os pedaços de cimento partidos no chão.

Entre eles havia uma única folha de papel dobrada, húmida e manchada de sangue fresco. Ela devia estar escondida dentro da fundação, ligada ao corpo de Márcia. Eu peguei nela e desdobrei. Era uma carta. escrita à mão na caligrafia da própria Márcia Oliveira Silveira. Para quem encontrar esta carta, se está a ler isto, o pacto de Tobias foi quebrado.

O pacto era para ele. O preço era o segredo. Ele matou-me porque descobri o que ele fazia. Eu não era uma vítima aleatória. Eu era a esposa do seu cúmplice na altura, o operário Ademir Dutra. Ademir avisou-me, mas não me protegeu. O Tobias enterrou-me viva com o meu Scânia. Mas eu fiz um pacto diferente, um pacto de vingança.

A minha alma não descansará enquanto o Tobias não e o seu cúmplice sejam destruídos. Eu usei o pacto dele contra ele próprio. A obra inacabada era o meu túmulo e o meu motor. Agora que está morto e o Ademir fugiu com a minha família, o pacto de Tobias tentará ligar o próximo inocente à dívida.

O preço seguinte é o corpo do vizinho. Se o pacto for revelado em pormenor, a dívida será paga com o silêncio. Não me procure. Eu sou a vingança que libertou. Eu entendi. Tobias tinha-se matado em um acidente envolvendo um Scania azul. A vingança de Márcia. O próximo na lista de vingança era o cúmplice que fugiu, Ademir Dutra, o operário que encontrou o camião na ponte na reportagem que li.

Mas a dívida do ritual, o pacto do tecto, foi redirecionada para mim, o vizinho, quando quebrei o segredo e chamei a polícia. E o que me salvou? A carta de Márcia. Ao revelar a história completa e o nome do seu cúmplice, ela trocou a minha morte pelo silêncio da verdade. A entidade não queria que a verdade sobre Ademir Dutra fosse revelada.

Então ela interrompeu o ritual. Na manhã seguinte, a polícia encontrou o corpo do operário Ademir Dutra, o cúmplice que encontrou a camionista na ponte, na auto-estrada dos bandeirantes, onde tentava fugir. Tinha sido atropelado por um camião que não foi identificado. O camião tinha cor azul escura. Eu nunca contei a verdade sobre a carta, sobre os símbolos ou sobre o sangue no teto.

Vendi a casa por metade do preço e me mudei-me para o litoral. O medo não me deixou. A cada dia de chuva, olho para o meu tecto e sei que a alma de Márcia Oliveira Silveira está por aí, conduzindo o Scania azul, procurando o próximo cúmplice ou o próximo vizinho que tentará quebrar o seu pacto de vingança.