Em São João Batista, o que deveria ser um pedido de desculpas virou um barraco histórico que divide opiniões. Após um Pitbull escapar por um portão aberto e partir para cima de um morador, a reação da proprietária do cão deixou a vizinhança chocada. Em vez de socorrer a vítima, ela partiu para o ataque verbal: “Tira a mão dele! Você que é o culpado por estar passando aqui com essa cadeira!”. O confronto, que começou entre homem e animal, terminou em uma guerra de palavras e acusações que agora correm as redes sociais.
O Estopim: “A Culpa é de Quem Passa”
O incidente começou na tarde de sexta-feira, dia 27. O morador voltava para seu carro carregando uma cadeira quando foi surpreendido pelo animal. O que se viu no vídeo gravado por testemunhas foi uma cena de luta livre no asfalto: o homem tentando imobilizar o Pitbull enquanto recebia mordidas. Porém, o áudio que surgiu em novos registros revela o momento em que a dona do cão aparece na sacada.
Sem demonstrar empatia pelos ferimentos do homem, ela defendeu o instinto do animal com unhas e dentes. Para ela, o cachorro não estava atacando, mas sim reagindo a uma “ameaça” — a cadeira que o homem segurava para se proteger. “Ele é dócil, você que deixou ele nervoso!”, gritava a mulher, enquanto o morador sangrava no chão.
Defesa Animal ou Omissão de Cautela?
A dona do Pitbull sustenta que o animal é um excelente cão de guarda e que o portão só abriu porque “pessoas estranhas” ficam rondando a casa, o que teria destravado o mecanismo por vibração ou erro técnico. Ela alega que o morador foi agressivo ao usar a cadeira como escudo, o que teria provocado ainda mais a fúria do animal.
Especialistas em comportamento animal, no entanto, rebatem essa tese. Um cão de grande porte solto em via pública é de responsabilidade integral do dono, independentemente da intenção do animal. Mas para a proprietária, a narrativa é outra: o Pitbull é a vítima de um “homem desesperado que não soube lidar com a situação”.
A Revolta do Morador: “Eu conheço os donos, mas não esperava isso”
O homem, que inicialmente tentou manter a calma por conhecer a família, confessou ter ficado perplexo com a recepção. “Eu estava lutando pela minha vida e ouvia ela gritando para eu não machucar o ‘bebê’ dela”, desabafou ele a pessoas próximas. Mesmo ferido, ele conseguiu colocar o cão para dentro, apenas para ser recebido com mais insultos sobre como ele “quase machucou o pescoço do cachorro” ao tentar imobilizá-lo.
Tabela: O Embate de Narrativas
| Ponto de Vista | O Morador (Vítima) | A Dona (Defensora do Cão) |
| O Ataque | Foi surpreendido pelo cão ao sair de casa. | O cão defendeu a calçada contra um “estranho”. |
| A Cadeira | Usada como escudo para evitar mordidas. | Vista como um objeto de agressão contra o animal. |
| O Portão | Falha grave de segurança dos donos. | Acidente provocado por “curiosos” na rua. |
| A Reação | Imobilização para salvar a própria vida. | “Crueldade” contra o bicho de estimação. |
Consequências Legais e o “Tribunal da Internet”
O caso escalou para além de uma simples mordida. Moradores da rua agora pedem providências, pois a atitude da dona sugere que o animal continuará tendo liberdade, já que ela não admite o erro. A Polícia Civil de Santa Catarina alerta que a omissão na cautela de animais perigosos é contravenção penal, e as ofensas proferidas contra a vítima podem gerar processos por danos morais.
Enquanto isso, o vídeo do “embate físico e verbal” continua acumulando milhares de visualizações. A cidade de São João Batista agora discute: até onde vai o direito de defesa de um animal de guarda e quando começa a negligência do dono?
Conclusão: Um Alerta para Todos
O caso serve de exemplo de como o amor pelos pets, quando cego, pode gerar injustiças graves. Defender um animal que feriu um ser humano em via pública, sem prestar socorro, transforma um acidente em um potencial caso de polícia. O morador segue em recuperação, enquanto a dona do Pitbull mantém sua postura defensiva, afirmando que o animal “fez o que foi treinado para fazer”.