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Um Ano de Impunidade e Mistério: Quem Assassinou o Empresário Adalberto Amarildo dos Santos Júnior em Interlagos?

O calendário marca exatamente um ano de uma das investigações mais sombrias e complexas da crônica policial paulista recente. Hoje, 3 de junho de 2026, a família, os amigos e a sociedade civil continuam a ecoar uma pergunta que as autoridades ainda não conseguiram responder de forma conclusiva: quem matou o empresário Adalberto Amarildo dos Santos Júnior, de 35 anos? O caso, que chocou o país pela brutalidade e pelas circunstâncias bizarras em que o corpo foi ocultado dentro de uma área de obras no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, permanece como uma ferida aberta no sistema de justiça criminal. Adalberto não era um homem envolvido com a criminalidade. Tratava-se de um cidadão bem-sucedido, um optometrista respeitado que administrava três óticas na Grande São Paulo e um esportista apaixonado, ostentando o título de tricampeão paulista de kart. Casado há 14 anos com Fernanda, que até hoje vive o tormento da incerteza, o empresário foi a um evento internacional de motociclismo para desfrutar de sua paixão pela velocidade, mas encontrou um fim trágico em um local de altíssima visibilidade e, teoricamente, de segurança rigorosa. A premissa básica do crime desafia a lógica: como um indivíduo desaparece em um autódromo que sedia a Fórmula 1 e, dias depois, é encontrado assassinado em um fosso de construção? A Polícia Civil tem realizado buscas, apreensões e conduzido suspeitos às delegacias para depoimento, mas, um ano após o crime, nenhum mandado de prisão foi expedido e nenhum rosto foi apresentado à opinião pública como o responsável por essa atrocidade. O clamor por justiça exige que o véu do silêncio seja retirado.

Empresário é encontrado morto em buraco de obra no Autódromo de Interlagos

Os Últimos Passos e o Desaparecimento no Templo do Automobilismo

A cronologia do horror teve início no dia 30 de maio de 2025. Adalberto dirigiu-se ao Autódromo de Interlagos para participar de um badalado evento de testes de motocicletas. Segundo o depoimento de um amigo que o acompanhava, a tarde foi marcada por atividades recreativas; ele relatou às autoridades que ambos testaram motos, consumiram cerveja e fizeram uso de maconha. Essa foi a última vez que o empresário foi visto com vida. Horas depois, Adalberto simplesmente desapareceu do mapa, desencadeando uma busca desesperada por parte de sua família. A tecnologia, no entanto, indicava que ele não havia ido longe. O sinal de GPS de seu telefone celular mostrava, de maneira irrefutável, que o aparelho — e possivelmente o seu dono — permanecia dentro dos limites do autódromo. Sua esposa, Fernanda, relatou o pânico crescente ao ver as horas passarem sem qualquer comunicação, culminando na sexta-feira à noite, quando a bateria do celular do marido finalmente descarregou. Angustiada, ela tentou refazer o caminho que ele possivelmente teria tomado. A investigação policial posterior sugeriu que Adalberto, por ser um frequentador assíduo e profundo conhecedor do circuito, pode ter tentado utilizar um atalho por uma área de obras não mapeada pelo evento para deixar o local, adentrando um ponto cego fora do alcance do robusto sistema de câmeras de segurança. O que ocorreu nesse trajeto sombrio, longe dos holofotes e da multidão, é o núcleo do mistério que os investigadores tentam desvendar há treze meses.

Um Cenário Macabro e Cientificamente Intrigante

A angústia da família culminou na manhã de 3 de junho de 2025, quando a descoberta do corpo adicionou contornos de filme de terror ao caso. Um operário que trabalhava na construção de um novo muro no autódromo estava inspecionando uma perfuração quando se deparou com a cena dantesca. O trabalhador relatou que, ao olhar para o fundo do buraco, avistou uma mão apontada para cima, acompanhada de um capacete, acreditando inicialmente tratar-se de um boneco. A constatação de que era um cadáver humano mobilizou imediatamente a engenharia da obra e as forças policiais. A imagem do resgate chocou investigadores experientes e peritos criminais. O buraco consistia em uma perfuração extremamente estreita, com apenas 40 centímetros de diâmetro e cerca de 3 metros de profundidade. O corpo de Adalberto estava de cabeça para baixo e preso sob forte pressão entre as paredes de terra, sequer tocando o fundo do fosso. O cenário apresentava contradições forenses perturbadoras: a vítima estava sem as calças e sem os sapatos, mas, curiosamente, seus pertences de valor — carteira, aliança e o telefone celular — estavam intactos junto ao corpo, o que afasta a hipótese imediata de latrocínio (roubo seguido de morte). Além disso, o capacete foi meticulosamente jogado dentro do buraco ao lado do corpo. O detalhe mais intrigante para os peritos do Instituto de Criminalística foi o estado de limpeza do cadáver. Embora o buraco estivesse coberto de terra úmida e lama, o corpo de Adalberto estava relativamente limpo, indicando claramente que ele não caiu acidentalmente, mas sim que foi cuidadosamente içado e inserido naquele espaço por terceiros após o óbito.

O Quebra-Cabeça Forense e as Falsas Pistas

O exame necroscópico realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) trouxe a resposta definitiva sobre a causa mortis: Adalberto Amarildo dos Santos Júnior foi assassinado por asfixia mecânica. A dinâmica das lesões no pescoço levou os peritos à conclusão de que ele foi vítima de um golpe estrangulador, possivelmente um “mata-leão”, aplicado com força letal. Essa constatação técnica reforça a tese de que o crime exigiu premeditação, força física e, muito provavelmente, a participação de mais de uma pessoa, especialmente para carregar o peso de um homem adulto e inseri-lo de ponta-cabeça em um tubo de terra de 40 centímetros. Contudo, a ciência também desmentiu depoimentos e apresentou becos sem saída. Contrariando a versão do amigo que o acompanhava, o laudo toxicológico de Adalberto deu negativo tanto para o consumo de álcool quanto para o uso de drogas ilícitas, tornando o contexto de seus últimos momentos ainda mais nebuloso. O exame de material biológico coletado sob as unhas da vítima, que poderia revelar o DNA do assassino em caso de luta corporal, também não produziu resultados úteis. A polícia chegou a concentrar esforços em manchas de sangue encontradas no interior do veículo do empresário — especificamente na porta, no assoalho e no banco do passageiro. No entanto, exames de DNA confirmaram que o sangue pertencia a uma mulher desconhecida e não correspondia ao material genético de sua esposa. A perícia concluiu, posteriormente, que as marcas pareciam antigas, assemelhando-se a um ferimento nasal prévio, e não possuíam qualquer vínculo com a dinâmica do homicídio, descartando essa linha de investigação.

O Cerco Aos Seguranças e os Avanços Recentes da Polícia Civil

Sem evidências biológicas conclusivas, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) redirecionou seu foco investigativo para o controle de acesso e o fator humano presente no autódromo. Duas empresas de segurança privada prestaram serviços no dia do evento. A investigação detalhou que uma delas forneceu 13 profissionais, enquanto a outra mobilizou um contingente de 188 pessoas. Dezenas desses seguranças foram intimados a prestar depoimento, buscando reconstruir a movimentação na área restrita. O inquérito ganhou novo fôlego no final de março de 2026, quando a polícia executou mandados de busca e apreensão nas residências de indivíduos que passaram a figurar na lista de investigados. Durante essa operação, o celular de um segurança, cujo depoimento apresentou inconsistências, foi apreendido. O conteúdo extraído deste aparelho pela inteligência policial gerou uma nova linha de suspeita que, segundo fontes ligadas à investigação, possui potencial real para solucionar o caso. Atualmente, a Polícia Civil aguarda a finalização de laudos técnicos cruciais sobre esses últimos objetos digitais apreendidos e programa a oitiva de mais três pessoas-chave. Vivemos na era digital, onde um aparelho de celular registra cada passo, conectando-se a antenas de telefonia (ERBs) e deixando um rastro de dados irrefutável. A quebra de sigilo telemático de todos os seguranças que atuaram naquele perímetro tem a capacidade de revelar exatamente quem estava no local exato e na hora exata em que o corpo foi ocultado.

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O Luto Perpétuo e a Cobrança Institucional

Enquanto a burocracia estatal e a complexidade forense ditam o ritmo da investigação, o impacto devastador da perda continua a destruir o cotidiano da família. A ausência de Adalberto não deixou apenas um vácuo emocional intransponível para sua esposa Fernanda; gerou também danos irreparáveis ao patrimônio construído com anos de trabalho, forçando a família a fechar definitivamente as portas de uma das três óticas que o empresário administrava. A administração do Autódromo de Interlagos, em nota oficial, manifestou-se afirmando que os procedimentos de acesso às áreas de intervenção civil foram severamente readequados e que todos os buracos da obra foram totalmente concretados e fechados, visando reforçar a segurança e prevenir acidentes. No entanto, cimento não encobre a negligência que permitiu a consumação de um homicídio brutal em suas dependências. Hoje, 3 de junho de 2026, é inadmissível que um caso com tantas variáveis rastreáveis e em um ambiente confinado permaneça na obscuridade. Nós, como veículos de imprensa responsáveis, reafirmamos nosso compromisso com a família de Adalberto Amarildo dos Santos Júnior. O jornalismo investigativo não permitirá que o tempo apague a memória deste cidadão. Continuaremos a exercer pressão institucional e a escrutinar cada passo das autoridades policiais e do Ministério Público até que a justiça seja servida de forma implacável e o culpado — ou os culpados — pelo crime do autódromo seja levado ao banco dos réus.

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