O que antes era um mar de fiéis vibrando e glorificando nas ruas, este ano, mais parecia um palanque eleitoral desbotado, esvaziado pelo peso da verdade. A Marcha para Jesus, evento outrora marcado pela pura manifestação de fé, foi, mais uma vez, sequestrada. Mas o que a extrema-direita não esperava era que a tentativa de transformar o evento em um comício antecipado resultaria em um dos maiores vexames políticos da família Bolsonaro. O protagonista da vergonha? Flávio Bolsonaro, ou, como muitos já sussurram pelos corredores de Brasília, “Flávio Bolsonaster”.

A ausência de multidões, comparada ao estrondoso sucesso de edições anteriores, não foi um mero detalhe climático ou logístico. Foi uma resposta clara de um povo cansado de ver o sagrado sendo maculado pelo profano. Religiosos sérios, líderes com discernimento e fiéis genuínos começam a perceber a farsa. E o esvaziamento da marcha foi o grito de repúdio mais alto que Flávio poderia ouvir.
A Humilhação Pública e o “Não” de Mendonça
O constrangimento começou antes mesmo de Flávio subir ao palco. Desesperado para articular defesas e costurar alianças em meio aos escândalos do Banco Master e outras denúncias que o assombram, Flávio tentou uma aproximação com o ministro do STF, André Mendonça. O objetivo? Nos bastidores, fala-se na busca por um “alívio” nas investigações.
O que ele recebeu em troca? Um sonoro e humilhante ignorar. Mendonça, ladeado por Jorge Messias, ministro de Lula, simplesmente virou as costas para as investidas do senador. A cena, presenciada por muitos, expôs a fragilidade e o isolamento de Flávio, mostrando que a blindagem que outrora o protegia parece estar derretendo sob o sol escaldante da justiça.
O Contraste Abissal: Lula, o Estadista da Fé
A ferida de Flávio ficou ainda mais exposta quando a postura do presidente Lula veio a público. Em uma ligação revelada à imprensa, Lula conversou com Jorge Messias, que, demonstrando incrível lucidez e espírito cristão, afirmou que “à mesa de Jesus há espaço para judeus e gentios, até para Judas”.
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Lula, convidado para o evento, demonstrou o verdadeiro respeito ao Estado Laico e à religiosidade. Explicou que não participa de eventos religiosos em épocas de campanha ou pré-campanha para não usurpar a fé alheia em benefício próprio. A atitude de Lula, contrastando de forma gritante com a de Flávio, ecoou profundamente entre os cristãos mais lúcidos. Afinal, quem realmente respeita a religião? Aquele que se afasta para não politizá-la, ou aquele que, envolto em suspeitas de rachadinhas e lavagem de dinheiro, sobe no trio elétrico para clamar contra “o mal”?
O “Gospel” Flávio e a Bandeira de Israel
O auge do cinismo ocorreu no palco. Flávio, enrolado na bandeira de Israel – como se isso lhe conferisse alguma espécie de “green card” divino –, discursou como um pregador do apocalipse, garantindo que o “mundo do mal” será expulso do Brasil nas próximas eleições.
A ironia é cortante. O homem que se autoproclama combatente do mal é o mesmo que coleciona escândalos, de laranjas a esquemas milionários em bancos investigados. O mesmo que, na intimidade das investigações, é apontado por laços nebulosos com figuras do crime organizado. E, pasmem, o mesmo homem que, quando lhe convém, refere-se a Deus como “o cara lá de cima”, demonstrando uma superficialidade espiritual que beira o ridículo.
A Farra com o Wi-Fi Público e a Manipulação
Enquanto a fé era usada como moeda de troca em cima do trio elétrico, denúncias pipocavam nos bastidores. Notícias graves dão conta de que o sistema de Wi-Fi público de São Paulo, uma iniciativa originalmente criada (durante a gestão Haddad) para ser livre e sem coleta de dados, pode ter sido subvertido.
Há investigações em andamento apontando que os dados dos usuários, exigidos pelas gestões recentes para acesso à rede, estariam sendo utilizados para o disparo em massa de mensagens via WhatsApp. Se confirmado, é um crime eleitoral e de violação de privacidade de proporções gigantescas. É o uso da máquina pública, do suor do contribuinte, para financiar a manipulação política e a disseminação de narrativas de ódio.
O Despertar do Verdadeiro Cristianismo
A Marcha para Jesus, sancionada por Lula anos atrás, foi pensada para ser uma celebração de amor e união. No entanto, nas mãos de “mercadores da fé”, transformou-se num palanque de exclusão e discurso de ódio. Mas a queda vertiginosa do público mostra que a paciência tem limite.
Muitos não aceitam mais ver Judas vestindo terno e gravata, discursando em nome de Cristo enquanto os bolsos se enchem de verbas públicas. O verdadeiro evangelho não prega o extermínio do oponente, mas o amor, o perdão e a justiça social.
A humilhação de Flávio Bolsonaro nesta marcha esvaziada não é apenas um tropeço político. É o símbolo de que a extrema-direita, ao tentar usurpar a fé do povo brasileiro para fins eleitoreiros, está finalmente encontrando resistência. Os religiosos estão percebendo a farsa, e o julgamento – tanto nas urnas quanto na consciência – será implacável. O “cara lá de cima” não se deixa enganar por selfies, bandeiras e discursos vazios. A conta, como sempre, chegará.