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ALÉM DO TEMPO: O REENCONTRO EXPLOSIVO DE VITÓRIA E BERNARDO QUE TERMINOU EM PURO CAOS!

Acomodem-se em suas poltronas, peguem o chá ou o café – de preferência algo forte, porque a narrativa de hoje exige nervos de aço. Se você acha que sua família tem problemas ou que os almoços de domingo são complicados, a novela Além do Tempo está aqui para nos lembrar que as intrigas da nobreza de época ganham de goleada de qualquer briga por terreno. O capítulo em questão nos entregou um dos reencontros mais aguardados e, convenhamos, mais catastróficos da teledramaturgia recente. A prepotente Condessa Vitória finalmente ficou cara a cara com o seu filho “perdido”, Bernardo. Mas se você estava esperando lágrimas doces, abraços apertados ao som de violinos e um final feliz, você errou de novela. O que presenciamos foi um embate brutal entre a arrogância de uma mãe dominadora e os delírios lúcidos de um filho que o próprio destino – e a própria mãe – tentaram enterrar vivo. Vamos dissecar essa sequência magistral de eventos, que começou na lama da floresta e terminou no mais puro desespero dentro de um casebre imundo.

Tudo começa na umidade e na tensão da floresta. Bento, o capataz que faz a linha “faço tudo pela patroa” (mas sempre com segundas e obscuras intenções), finalmente cumpre sua missão macabra: encontra Bernardo. O conde, que outrora habitava os luxuosos salões de Vitória, agora se parece com um espectro. No entanto, o que chama a atenção dos capangas não é apenas a sujeira de quem viveu meses numa tapera, mas um certo ar aristocrático que a lama não consegue apagar. “Tem jeito de ser esse pessoal da nobreza”, murmura um deles, observando que o prisioneiro, apesar de tudo, parece bem tratado. Bento, transbordando arrogância e uma crueldade quase palpável, encara o homem que caçava há tanto tempo. Ele não perde a chance de humilhá-lo, zombando do fato de Bernardo não se lembrar dele ou do tempo em que o manteve amarrado como um animal. A resposta de Bernardo? Um grito instintivo, quase um lamento: “Alegra!”.

A simples menção desse nome – o nome que Emília assumiu para proteger seu amor – enlouquece Bento. Para o capataz, “Alegra” é o fantasma de uma bandida que ele acredita ter enterrado (ou feito a Condessa acreditar que enterrou). A fúria de Bento é irracional. Ele exige que amordacem Bernardo, comparando-o a um papagaio repetindo um disco quebrado. A crueldade chega ao ápice quando Bento, ignorando qualquer traço de humanidade, cospe na cara do herdeiro da fortuna Castelini. É um gesto pequeno, sujo, que expõe o ressentimento de um homem inferior diante de alguém que, mesmo sem memória e preso, ainda possui a nobreza que lhe falta. Bento jura que Bernardo será trancafiado no “melhor hospício de São Paulo”, uma promessa que soa como uma sentença de morte em vida. O destino de Bernardo é traçado ali, na terra úmida: um cativeiro seguro e isolado, longe do casarão, até que a Condessa pague o peso em ouro pela sua captura.

Enquanto a tragédia se desenrola e Bernardo é arrastado como gado, a poucos metros dali, a ironia do destino passeia pela mesma mata. Emília (a “Alegra”), acompanhada do fiel Ariel, caminha aflita e determinada. A tensão no ar é cortante. Quando finalmente avistam o grupo de Bento levando Bernardo, o instinto de Emília grita. O desespero de uma mulher vendo o amor de sua vida ser levado para o abatedouro é sufocante. “Como é que Deus pode permitir uma barbaridade dessas?”, ela chora, sentindo o mundo desabar. A intervenção de Ariel, no entanto, é o balde de água fria necessário. Segurando-a para que mantenha o silêncio, ele lembra a Emília de uma verdade dura e pragmática: eles estão desarmados contra homens que não hesitariam em matá-los. Mais do que isso, Ariel expõe a complexidade do plano. Se Bento visse Emília viva, o choque para a Condessa seria nulo, mas o perigo seria imediato. Ariel confessa ter forjado a cova de “Alegra” para convencer Bernardo (e Vitória) de sua morte, poupando a vida de ambos na ocasião. O relato da fúria da Condessa, que pisou na cruz do suposto túmulo com um ódio descomunal, ressalta que enfrentar Vitória agora, de peito aberto e mãos vazias, seria um suicídio. A promessa de recorrer a Pedro é o único fio de esperança que impede Emília de cometer uma loucura ali mesmo.

A narrativa então corta bruscamente para o centro do poder: o opulento casarão da Condessa Vitória. Bento chega exalando a confiança de quem carrega a cabeça do dragão em uma bandeja de prata. Ele ignora a autoridade da governanta Zilda, invadindo a privacidade da patroa com uma prepotência que beira o desrespeito. A entrada triunfal de Bento no quarto de Vitória é o momento em que a máscara da vilã aristocrata balança. Ele anuncia o prêmio: o Conde Bernardo Castelini foi encontrado. O impacto da notícia na Condessa é magistralmente descrito pelo roteiro. A mulher de gelo desmorona, tomada por uma mistura de emoção reprimida e ansiedade frenética. “Meu filho? Você encontrou meu filho?”, ela questiona, numa urgência quase comovente – se esquecêssemos, claro, tudo o que ela fez para separá-lo de sua amada. Bento jura pela própria vida que o prisioneiro é o conde legítimo. A reação de Vitória, exigindo sua capa e recusando categoricamente a companhia de Zilda, mostra que, naquele momento, não existe a Condessa altiva; existe apenas uma mãe desesperada pelo encontro. Ela não quer testemunhas para o seu momento de fraqueza, muito menos para lidar com o constrangimento do estado mental de seu filho.

O trajeto até o casebre esconde o nervosismo palpável de Vitória. Ela questiona Bento sobre a memória de Bernardo, seu aspecto e, principalmente, expressa o medo aterrador de uma nova decepção. Quando finalmente se vê sozinha no casebre insalubre, diante do homem amarrado e amordaçado, a armadura cai por completo. “Saudade! Que saudade… Finalmente, meu filho”, ela suspira, acariciando o rosto do homem que mal a reconhece. O discurso de Vitória é um ensaio de autoindulgência, onde ela se coloca como a mãe que sofreu horrores imaginando o filho perdido. Mas a ilusão materna é brutalmente despedaçada na primeira interação real entre os dois.

Ao notar que as roupas de Bernardo estão limpas e perguntar quem cuidou dele, a resposta vem rápida, afiada e fatal: “Foi Alegra”. A menção do nome funciona como uma bofetada no rosto da Condessa. O choque é instantâneo. Vitória tenta usar a lógica para apagar a lembrança: “Alegra não existe mais”. Mas Bernardo, ancorado na única verdade que restou em sua mente despedaçada, insiste, revelando que a mulher que a mãe tanto odeia o ama desde a infância. A tentativa de Vitória de convencê-lo de sua confusão mental é um embate direto entre o desejo controlador de uma matriarca e a força de um amor genuíno. A revelação cruel de Vitória, insistindo impiedosamente que “Alegra está morta”, é o estopim para o desastre absoluto.

O que se segue é o colapso emocional de Bernardo. A confusão cede lugar à repulsa. Ele olha para a mulher à sua frente – que chora afirmando ser sua mãe e que o considera a coisa mais importante da vida – e declara não se lembrar dela, questionando o motivo de um ódio tão profundo. O delírio atinge seu clímax quando ele afirma que Vitória é a “mulher de seus sonhos”, uma constatação sombria sobre as imagens que o atormentavam. Ao perceber que está amarrado, o instinto animal de sobrevivência e liberdade toma o controle. Os gritos de Bernardo exigindo sair dali destroem a cena idílica que Vitória tentara criar. A intervenção de Bento, chamado aos prantos pela patroa para conter o prisioneiro em fúria, sublinha a incapacidade de Vitória de lidar com o fruto de seus próprios atos. O conde se debate violentamente contra as amarras, gritando a todo pulmões que não aceita a morte da amada e que se casará com Alegra, pois sabe que ela está viva.

A cena final é de uma força dramática absurda. Vitória, vendo que não recuperou um filho, mas apenas um corpo que nutre amor exclusivo por sua maior inimiga, é consumida pelo ódio. O desespero materno se transforma rapidamente na fúria de uma tirana contrariada. Ela leva as próprias mãos à boca do filho para silenciá-lo. “Cala a boca! Está mais louco do que nunca!”, ela ordena, sentenciando-o ali mesmo. Num ato simbólico de pura crueldade e controle, é a própria Condessa quem recoloca a mordaça em Bernardo, selando sua boca e sua esperança, antes de virar as costas e sair do casebre, deixando para trás os pedaços de um reencontro que estava fadado ao fracasso desde o primeiro suspiro. O espetáculo da loucura, da obsessão e do amor proibido atinge um novo patamar, e a nós, espectadores perplexos dessa tragédia de época, só resta nos questionarmos até que ponto a maldade de Vitória é capaz de ir para manter as aparências de um império construído sobre a desgraça de seu próprio sangue.

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