A farsa do “centro democrático” despenca vertiginosamente. Se até algumas semanas atrás a figura de Simone Tebet era tratada como a “salvadora da Pátria” pela grande mídia e pelo núcleo duro do Governo Federal, a dura realidade das ruas acaba de impor um choque de realidade devastador. A atual Ministra do Planejamento, que vendeu a alma política ao lulismo com a promessa de ser a ponta de lança do PT no estado mais rico do Brasil, viu sua força eleitoral evaporar e agora, em completo estado de desespero, exige nada menos que o expurgo de mais de 50 milhões de eleitores do mapa do país. O que era para ser uma campanha triunfal ao Senado ou até ao Palácio dos Bandeirantes, transformou-se em um recuo humilhante, cercado por declarações que beiram o autoritarismo puro.

As conversas nos bastidores de Brasília não escondem a decepção profunda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nutre pela escolha da ex-senadora do Mato Grosso do Sul para liderar a ofensiva em São Paulo. O plano original era claro: utilizar a imagem supostamente “moderada” de Tebet para conquistar os votos que Fernando Haddad historicamente não alcança e tentar, a qualquer custo, destronar Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas próximas eleições. Mas o eleitorado paulista não perdoou a contradição da ministra, que atacou ferozmente o petismo em 2022 para, logo em seguida, aceitar um cargo no governo que tanto criticou.
Ameaça ou Delírio? “O Bolsonarismo Precisa Ser Varrido da Face da Terra”
Sem popularidade, sem base política consolidada em São Paulo e isolada no próprio ministério, Tebet cruzou a linha da civilidade. Em uma declaração que mais parece saída de um manual de regimes totalitários, a ministra afirmou categoricamente que a oposição “precisa ser varrida da face da terra”. Não estamos falando de um discurso acalorado em um comício; estamos lidando com a Ministra de Estado de uma nação democrática que prega a aniquilação literal do movimento político que abriga o seu principal adversário.
A gravidade dessa fala é ignorada solenemente pela mesma classe falante que passa 24 horas por dia caçando “atos antidemocráticos” nas redes sociais da oposição. Onde estão os inquéritos de ofício do Supremo Tribunal Federal (STF)? Se uma parlamentar de direita, como Bia Kicis ou Júlia Zanatta, fizesse uma declaração exigindo a “extinção do petismo da face da terra”, o país estaria submerso em notas de repúdio, plantões de TV e prisões preventivas expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes em menos de cinco minutos. A assimetria judicial no Brasil chegou a um nível tão escandaloso que a ameaça declarada e violenta de uma ministra petista é tratada como “deslize retórico”, enquanto uma manifestação opositora é classificada como crime hediondo.

A Fuga Estratégica: Da Promessa Furada ao Escândalo de Três Lagoas
O desespero de Tebet não nasce apenas das pesquisas de intenção de voto que a colocam no fundo do poço em São Paulo. A fuga para ser vice de Fernando Haddad – um dos prefeitos mais rejeitados da história da capital e atualmente considerado por especialistas o coveiro da economia brasileira no Ministério da Fazenda – mostra o tamanho do encolhimento político da ex-senadora. Ela sabe perfeitamente que não tem a menor chance de vencer uma disputa majoritária contra a força do bolsonarismo em território paulista. A verdade inconveniente é que Simone Tebet fugiu de seu estado natal (Mato Grosso do Sul) justamente porque lá o seu traçado político e os velhos “esqueletos no armário” inviabilizam qualquer reeleição. E os motivos são fartamente documentados pelo Ministério Público.
Antes do surgimento pujante da direita nas redes sociais, que passou a fiscalizar e expor o histórico dos políticos tradicionais, Tebet navegava em águas calmas. No entanto, a internet não esquece. Quando ocupou a prefeitura de Três Lagoas, a atual “defensora da moralidade” teve seus bens bloqueados pelo Judiciário em um processo escandaloso que investigava o suposto desvio de recursos públicos da revitalização de um balneário da cidade para abastecer campanhas eleitorais. A Controladoria-Geral da União (CGU), em tempos de atuação firme, apontou uma farra de restrições em licitações e exigências exorbitantes que favoreciam a construtora ANFER Construção e Comércio, indicando um esquema pesado de direcionamento.
O Ministério Público Federal foi implacável e confirmou os indícios fortíssimos de improbidade administrativa. O bloqueio milionário de bens da ex-prefeita e de seus secretários foi uma mancha indelével que a grande imprensa hoje tenta desesperadamente varrer para debaixo do tapete. Embora o processo de peculato tenha sido posteriormente arquivado de forma controversa pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, a documentação original e as ações do Ministério Público Federal são provas cristalinas do passado nebuloso que persegue a ministra até hoje.
O “Apito de Cachorro” e a Inércia da Oposição
Quando a Ministra do Planejamento sobe o tom e pede a eliminação da face da terra daqueles que pensam diferente, não se trata de uma simples metáfora política. O que estamos presenciando é um “apito de cachorro” (dog whistle) extremamente perigoso: o envio de um sinal codificado para que os setores mais raivosos e violentos do petismo se sintam autorizados a atacar fisicamente os conservadores. Essa linguagem autoritária, que encontra ressonância na ala mais radical do governo, fomenta uma histeria que já se materializou em perseguições diretas a quem ousa expor as mentiras do atual governo e seus aliados. O Brasil já assiste a uma blindagem bizarra em que até as defesas a integrantes de cúpulas de facções criminosas parecem ser toleradas, enquanto um pai de família de direita é tratado como ameaça nacional.
A grande questão que ecoa entre os mais de 58 milhões de eleitores que hoje Simone quer aniquilar é: até quando os parlamentares da direita aceitarão essa covardia calados? É revoltante assistir a figuras como a deputada Rosana Valle usarem as redes apenas para reclamar da fala, sem engatilhar imediatamente uma representação formal criminal no STF e na Procuradoria-Geral da República. O PT não hesitaria meio segundo para mandar prender qualquer adversário por uma frase dez vezes menos agressiva. A indignação protocolar das redes sociais não serve para absolutamente nada se não houver uma ação judicial enérgica e imediata para arrancar do cargo uma figura pública que incita, em rede nacional, a eliminação covarde de quase metade da população brasileira. A covardia parlamentar alimenta o autoritarismo de Simone Tebet. O eleitor paulista e brasileiro, contudo, já tem a sua resposta preparada para as urnas: quem precisará deixar o estado, e quem sabe até a vida pública, não será o cidadão de direita, mas a ministra que flertou com a ditadura para agradar seus novos chefes.