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MATOU E ENTERROU OS PAIS NO QUINTAL E CRIOU UMA NOVA VIDA.

Em 11 de outubro de 1958, Os detetives da polícia de Omarra se sentaram-se diante de um adolescente de 16 anos à espera de resistência, um delinquente juvenil agarrado à própria versão. O que encontraram foi o oposto. Les Anod não hesitou, disse simplesmente que os pais estavam mortos e que ele os havia matado.

e depois levou os polícias até ao quintal. Debaixo de um arbusto do jardim das traseiras, os detetives pedem para cavar. A primeira coisa que apareceu foi uma perna humana. Era a Opel Arnaldo. Por baixo dela estava o marido. Tinham estado ali duas semanas, enquanto o filho mais velho acordava, ia para a escola e regressava a casa, como se nada tivesse acontecido.

Mas o que tornou este caso diferente de tantos outros não foi apenas um terrível crime, foi o que veio depois. Uma fuga, uma identidade nova, décadas de silêncio. Até que em 2022, um rapaz do outro lado do mundo procura saber mais sobre a vida do pai falecido. E tanto a polícia quanto ele conheceram a verdadeira e impressionante história de Leslie Arnold e o que fez da vida em quatro décadas fora da prisão.

Olá, esta é uma história que tomou diversas manchetes nos anos 50 e voltou a explodir no ano de 2023. É um caso extremamente invulgar, intrigante e surpreendente. Assim que fique connosco e acompanhe-nos para conhecer a enigmática história de Leslie Arnaldo. E não se esqueça de deixar o seu like e a sua opinião.

Ela será muito importante no final. Obrigado. E vamos para o caso. Nebraska, nos anos 1950 era o tipo de cidade que parecia ter saído directamente de um cartaz do sonho americano. Ruas arborizadas, famílias no quintal, a promessa de que o trabalho árduo e ordem doméstica eram suficientes para uma vida de anúncio de margarina.

E em nenhum lugar esta promessa parecia mais cumprida do que na casa dos Arnold. Bill Arnold geria uma empresa chamada A Watkins Products, uma empresa de vendas porta a porta que prosperava naquela década de otimismo e de consumo. Dois carros na garagem, televisão na sala, endereço respeitável num bairro quieto.

Opel cuidava da casa, criava os filhos, mantinha tudo no lugar. Casados ​​há quase 20 anos, os Arnold eram vistos de fora exatamente o que a América do pós-guerra queria ser. O problema é que dentro daquela casa, as aparências eram o único produto que funcionava de verdade. Vizinhos descreviam Opel com uma mulher de humor imprevisível, acutilante, rápida, para criticar e, mais rápida ainda para mudar de ideias.

O termo marido dominado aparecia repetidamente quando as pessoas falavam de Bill. Era o tipo de homem que tinha aprendido ao longo dos anos que o silêncio era mais seguro do que a dignidade. Eu via quem dissesse que a Opel trancava-o para fora de casa durante as brigas. Ele esperava do lado de fora até que a tempestade passasse e depois entrava de volta como se nada tivesse acontecido.

Mas quem mais sentiu o dano daquele clima era o filho mais velho. Les Arnold tinha 16 anos e o azar de ter nascido antes do irmão Jim, o mais novo, era o favorito de Opel, paparicado, protegido, intocável. Les era tratado com uma presença que precisava de ser administrada. Um vizinho chamado Wood Dylan disse sem rodeios que Jim era criado como filho único e que Opel era excessiva e compulsivamente dura com o mais velho.

Jim lembraria mais tarde que o irmão usava meias nas mãos quando batia-lhe para não deixar marca. A raiva de Leslie precisava de sair em algum lugar e saía quase sempre para o irmão mais novo, no único alvo mais pequeno que ele. Fora de casa, Leslie tentava construir outra versão de si mesmo. Era saxofonista na banda da escola. Entrou no corpo de formação de oficiais da reserva.

Penteava o cabelo igual ao de Elvis Presley e sonhava com concertos, discos, uma vida para além do que aquelas paredes. Mas cada plano dependia da aprovação da Opel. E Opel tinha um dom particular para construir expectativas e desfazê-las na última hora. Marcava de ir ao cinema e cancelava. Dizia para Leslie que sim e mudava para não sem explicação.

Os amigos se lembravam de Leslie a chegar animado para algum programa e voltando com aquela expressão fechado, a mandíbula bloqueada, os olhos baixos. Os membros da família diziam que Opel tinha sido internada por crises nervosas em pelo menos uma ocasião. Numa época em que a saúde mental era um assunto que as famílias enterravam mais fundo que qualquer segredo, ela nunca recebeu um diagnóstico formal, nunca teve tratamento contínuo, podia ser fria e controladora num dia e completamente diferente no seguinte: Ninguém sabia qual a versão que encontraria quando chegasse

naquela casa. Havia uma dinâmica específica que quem conhecia a família descrevia com consistência. Opel sabia exatamente onde apertar. Ela não precisava de gritar para desmontar o filho. Bastava um comentário sobre Crystal, uma piada sobre a banda da escola, uma negativa casual sobre o carro e Leslie desmoronava por dentro enquanto tentava manter a compostura por fora.

João mais tarde diria que tinha sempre a sensação de que o irmão não compreendia porque os pais tinham tido um segundo filho quando já o tinham. Era o tipo de coisa que uma criança não deve precisar de tentar entender. E Leslie carregava. Carregava no topete penteado como o de Elvis, nos discos que comprava com a mesada, nos planos que fazia e desfazia, na banda da escola onde tocava saxofone, com uma dedicação que os professores notavam, onde outros rapazes de 16 anos queriam liberdade.

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Les queria acolhimento, queria ser visto de uma forma que dentro daquela casa raramente acontecia. No dia 27 de setembro de 1958, um sábado, Leslie estava ao telefone com a namorada Crystal quando Opel entrou e mandou-o desligar. Opel não aprovava Crystal chegou a chamar-lhe lixo. Disse que a família dela não prestava. Talvez esta implicância com o namoro de Leslie fosse porque o pai da menina era motorista de pesados, ou talvez por nada.

Crystal não era de uma família problemática. Tinham pais responsáveis ​​e frequentavam a mesma igreja que os Arnolds. Talvez fosse ciúme, provocação ou até reflexo do seu estado emocional instável. Quando Leslie desligou, o discussão explodiu. Ele tinha combinado de levar Crystal ao cinema naquela noite. Tinha combinado usar o carro da família.

havia planeado aquele programa com o cuidado de quem sabe que qualquer detalhe pode ser utilizado como pretexto para um não. Opel disse que ele não ia a lado nenhum. Ao longo daquele sábado, Leslie tentou várias vezes mudar a resposta da mãe. Cada tentativa recebia a mesma negativa. Por volta das 5 da tarde, qualquer coisa dentro dele deixou de tentar.

Subiu para o quarto dos pais. O pai guardava uma espingarda calibre 22 no armário, uma pequena arma usada para caçar coelhos. O Les pegou e desceu. Quando Opel viu a arma, mandou-o baixar. Eles discutiram de novo. Ela perguntou o que achava que ia fazer com aquilo. Les premiu o gatilho. A bala atingiu o peito dela. Ela caiu, mas não morreu de imediato.

Les atirou uma e outra vez. Ele disse depois que não sabia quantas vezes tinha disparado, que tentava acabar logo com o sofrimento dela, mas continuava a disparar. Ela morreu em instantes. Duas horas depois, O Bill chegou do trabalho, abriu a porta e deparou-se com a esposa morta no chão e o filho segurando a espingarda ajoelhado perto dela.

Bill partiu para cima de Lesle. O filho esquivou-se, levantou a arma e disparou. E continuou a disparar, como tinha feito com a mãe, até ter certeza. Quando o silêncio voltou a casa, foi ensurdecedor. Leslle foi para a sala, deitou-se no sofá e chorou. Cerca de uma hora depois, começou a arrumar o confusão que tinha feito.

Arrastou os corpos para a cave, um de cada vez. Limpou o que pôde. Às 19 horas, saiu de casa e foi buscar o irmão. Disse que os pais tinham viajado de urgência para o Wyoming, pois o avô estava desorientado, tinha-se perdido e os pais foram ajudar. O Jim acreditou. Nessa mesma noite, Leslie foi ao drive com Crystal. Passaram a noite a ver um filme de terror.

No dia seguinte, pegou numa pá emprestada com um amigo do bairro. Quando a noite caiu, arrastou os corpos do porão até ao quintal e cavou uma vala de quase 2 m de comprimento debaixo do arbuço de lilás que Opel costumava cuidar. Colocou primeiro o pai, depois a mãe. Era noite de domingo. Na manhã de segunda-feira, Leslie foi para o Central High, como sempre.

Nos dias seguintes, manteve a performance, disse aos vizinhos que os pais estavam viajando. Entrou em contacto com o funcionário da empresa do pai para abrir o escritório, explicando que Bill tinha saído apressadamente e levado as chaves. Por engano, deitou fora os tapetes manchados. A narrativa sustentava-se, mas tinha prazo de validade.

Ben Macaman, cunhado de Bill e Opel, estava a ficar inquieto. Tinha estado em casa dias antes dos assassinatos e tinha visto a discussão entre Leslie e a mãe por causa da Cristal. Duas semanas sem notícias dos dois, não encaixava com nada do que ele conhecia de Bill. A 11 de outubro, Ben foi à esquadra e contou tudo. A polícia foi até à casa, sentou-se com Leslie e em menos de uma hora tinha uma confissão completa.

Ao ser preso e contar tudo ao polícia, disse sentir-se aliviado. Pediu a visita do pastor, perguntou aos os jornalistas se voltariam para conversar com ele. Crystal seguiu com ele e foi visitá-lo. e os pais dela ficaram com a tutela de Leslie. Ben, tio de Lesl, ficou surpreendido, embora tivesse visto a briga, conhecia o menino desde sempre.

No momento da detenção, disse aos repórteres: “Ele não era um mau rapaz, nunca foi.” Leslie foi detido e acusado por dois assassinatos em primeiro grau, o que lhe renderia prisão perpétua, sem possibilidade de condicional. Nas audiências posteriores, Leslie se declarou culpado, o que alterou a acusação de assassinato de primeiro para segundo grau.

O procurador admitiu que seria difícil provar a premeditação. Somado aos depoimentos, demonstrou-se que Leslie não tinha tirado a vida aos pais simplesmente porque a mãe revogou a permissão de que este utilizasse o carro da família, mas sim devido a uma dinâmica disfuncional entre mãe e filho. No no entanto, o juiz Patrick Lynch não se comoveu e decidiu pela prisão perpétua.

Dentro da penitenciária, Lesley era um preso modelo. Estudou, trabalhou na cozinha, editou o jornal da prisão, tocou na banda. Uma freira que o acompanhou disse que ele parecia uma criança, simpático e articulado. O administrador da prisão acreditava que Leslie acabaria por sair ao completar 10 anos incondicional e teria uma vida normal.

O esperado é que esta história terminasse aqui, mas Leslie não pretendia esperar. Na noite de 14 de julho de 1967, ele e outro recluso chamado James Harding cerraram as grades de uma sala de música. Usaram pastilha elástica para mantê-las no lugar. Enfiaram almofadas debaixo dos lençóis para simular corpos e saíram utilizando máscaras de borracha.

Escalaram uma cerca de 3,60 cm. Um cúmplice esperava do lado de fora num carro. Foram até à rodoviária de Omarra e desapareceram. Quando repararam, na manhã seguinte, começou uma verdadeira caçada humana. Carros, polícias a pé, cães farejadores e helicópteros. O diretor da prisão chamou de uma das fogas mais perfeitas que já tinha visto.

O FBI entrou no caso. Cartazes foram distribuídos pelo país. Nunca encontraram rasto. Leslie Arnold tinha sumido. Viveria como um fantasma por 43 anos e o seu segredo permaneceria enterrado até que uma das maiores reviravoltas acontecesse. O mundo seriam necessários 56 anos para finalmente descobrir a verdade.

Ridin foi capturado em Los Angeles, em Maio de 1968 por puro acaso. Um cliente de um bar achou que se parecia com James Earl Ray, o assassino de Martin Luther King, e ligou para a polícia. Hardin contou que depois da fuga os dois tinham chegado a Chicago, onde um padre ofereceu abrigo temporário.

Les arrumou o emprego a lavar pratos num restaurante. Foi a última vez que Radin o viu. Les conheceu J Bvia, mãe divorciada com quatro filhas pequenas. trabalhava como empregada de mesa no mesmo restaurante onde Leslie tinha conseguido emprego como cozinheiro. Em menos de 4 meses, o fugitivo Leslie Arnold tornara-se John Damon, marido e pai de quatro meninas de uma só vez.

A história que dava a todos era a mesma: órfão de Chicago, passado difícil, e preferia não falar sobre isso. As entienteadas o descreveram décadas depois com uma mistura de afeto e estranheza. Uma delas disse que ele não comia quase nada. parecia boa gente e que quase não falava sobre si mesmo, um mistério gentil. Outra disse que ele tinha assumido uma mulher com quatro filhas pequenas e que isso ou era uma loucura ou era muita coragem.

Anos mais tarde, concluiu-se que provavelmente era necessidade, uma fachada perfeita. Mas o que aconteceu dentro daquela casa em Cincinette e depois em Miami era mais complicado que apenas um desface. Lesle trabalhava duro, tornou-se o vendedor viajante, sustentou a família, ensinou música a as raparigas, levava-as a concertos. Também era rígido, listava tarefas, tinha a expectativa de que arranjassem emprego aos 13 anos, regras claras.

Odiava festas surpresa, não socializava fora do círculo familiar. Quando Jean organizou uma festa surpresa para ele, Leslie explodiu. Ele odiava a atenção. Não queria ser conhecido, mas dava as meninas algo que vinha claramente de um lugar real. Presença, estrutura, a sensação de que havia alguém ao leme. Uma das entienteadas disse que eram pobres sem terem onde cair mortas antes de ele aparecer e que Leslie as tirou daquilo e que lhe deviam tudo.

Em 1977, ele e Jean separaram-se. Leslie foi para Los Angeles, manteve contacto com as meninas durante algum tempo, depois desapareceu completamente das vidas delas, sem telefonemas, sem cartas, como se aquele capítulo tivesse sido fechado e colocado numa gaveta trancada. Em 1983, Leslie voltou a casar, desta vez com uma estudante de intercâmbio.

Tiveram dois filhos biológicos, uma filha em 1986 e um filho em 1991. Durante alguns anos, a vida pareceu de fora e de dentro estável. Depois, veio 1992. Les anunciou subitamente que a família precisava de sair dos Estados Unidos. Disse que o país estava a tornar-se perigoso demais, que o crime estava a aumentar, que já não se sentia seguro.

A família acreditou porque era o tipo de coisa que dizia com convicção e ninguém tinha motivo para questionar. Mas o que Leslie estava a ver não era o crime nas ruas, era um mundo em redor a tornar-se mais transparente. A internet crescia, Os registos públicos estavam sendo digitalizados, verificações de antecedentes tornaram-se rotina.

O passado que tinha mantido enterrado com tanto cuidado durante décadas estava começando a ficar perigosamente perto da superfície. E assim mudaram-se para a Austrália em 1992. E ali, no capítulo final da vida de Leslie Arnold, alguma coisa mudou de vez. O filho descreveu-o como carismático, presente e curioso. O tipo de pai que aparecia de verdade, que ensinava lições de vida e preocupava-se.

Leslie ensinou o filho a tocar saxofone, o mesmo instrumento que tinha sido o primeiro amor dele em Omarha nos tempos do Central High, nos tempos de antes. Mas Leslie nunca mais pegou num saxofone, deu um instrumento ao filho e ficou do lado de fora desta memória. Tinha abdicado das coisas que gostava para que, provavelmente não o assombrasse.

O disciplinador rígido que as entiadas de Chicago conheceram um dia tinha ido embora. Na Austrália, era leve, generoso e presente. Seus filhos cresceram com um pai que aparecia a os momentos que importavam, o tipo de compreensão que Leslie nunca teve em casa quando era criança em Omarra. E ainda assim o silêncio sobre o passado era absoluto.

Nenhuma menção anebrasca, sem detalhes sobre família, parentes ou as suas origens. A história do orfanato de Chicago respondia a qualquer pergunta e encerrava o assunto antes que se pudesse aprofundar. Os filhos cresceram, achando que o pai tinha tido uma infância difícil e traumática, e que era uma gentileza não insistiu nisso.

Essa generosidade protegeu o segredo por décadas. No início dos anos 2000, Leslie começou a apresentar coágulos sanguíneos, trombose venosa profunda. O quadro agravou-se lentamente e depois rapidamente. Em 6 de agosto de 2010, ele desmaiou em casa, na Austrália. Morreu aos 67 anos de idade, apenas duas semanas antes de completar 68 anos.

O obituário tinha o nome John Damon, listava 69 anos de idade e dizia muitas coisas verdadeiras sobre quem ele tinha sido para aquela família, mas não dizia a verdade sobre quem ele era. O segredo parecia ter ido com ele. Mas quando a verdade quer aparecer, ela aparece até após a morte.

O filho de Lesley tinha 19 anos quando o pai morreu e havia algo que não fechava, não era uma suspeita específica, era mais uma ausência, um vazio onde deveria haver história, família, origem. O pai tinha sido discreto a vida inteira sobre o passado e que sempre pareceu ser respeitado pelo trauma. Mas com um pai morto, aquele silêncio começou a ficar diferente.

Assim, voou para Chicago, esperando encontrar respostas. Queria ver o orfanato que o pai sempre referiu, talvez encontrar registos, talvez perceber de onde aquele homem tinha vindo. O orfanato não existia, nunca havia existido. Quando foi verificar a certidão de nascimento no caietório, descobriu que o documento era falso.

voltou para casa com mais perguntas que respostas e carregou esse peso durante mais de uma década, sem saber o que fazer com ele. Em 2022, tomou uma decisão. Enviou o próprio ADN para análise ao Ancestry, um site que vende testes de ADN e tem uma gigantesca base mundial. Ele continuava procurando descobrir as suas origens e o partilhado numa base genética pública, na esperança de que algum parente desconhecido do lado paterno aparecesse e preenchesse pelo menos uma parte daquele espaço em branco. O que apareceu

foi diferente. Do outro lado da correspondência estava Matthew Westover, delegado federal em Omarha, que havia herdado o Codecase de Leslie Arnold em 2020. Westover tinha rastreado Jim Arnold, o irmão mais novo, o que tinha sobreviveu, o que cresceu sem os pais e submetido o ADN do mesmo ao mesmo sistema. Quando o filho de Leslie fez o upload do seu, a correspondência foi imediata e perfeita. Westover disse depois.

Eu falei: “Mat, sabia que era o nosso cara”. Primeiro o Westover sondou, não revelou nada. chegou a dar uma entrevista dizendo que se sentiu mal em determinado momento por se fazer passar por um familiar, mas era necessário. Afinal, Leslie ou John era um fugitivo. Em 24 de agosto de 2022, Westover fez uma videochamada com a viúva e o filho de Leslie na Austrália e contou tudo.

João Damon era Leslie Arnold, o adolescente que matou os pais numa tarde de sábado em 1958. O condenado que fugiu da penitenciária estadual do Nebraska em julho de 1967. O fugitivo que vivia sob identidade falsa há 43 anos em países diferentes. Em 2023, as autoridades americanas viajaram para a Austrália e encerraram oficialmente o caso. Para a lei, foi uma conclusão.

Para a família, aquele homem agora já não era apenas John Damon, o executivo de vendas, pai de família, reservado, de poucos amigos, mas sempre presente dentro de casa, apoiando os filhos e incentivando cada passo dos mesmos. Agora, era também William Leslie Arnaldo. E a revelação foi um choque, porque não se tratava apenas de descobrir um nome antigo, mas de aceitar que o pai que tinham conhecido a vida inteira transportava um passado brutal, escondido sob outra identidade.

Passado quase um ano da descoberta, o filho, a quem vamos chamar Andrew para preservar a sua identidade falou publicamente sobre o homem que conheceu dentro de casa. E o que disse tornou tudo ainda mais difícil de encaixar. Andrew, que já era pai havia poucos meses, deixou claro que não iria suavizar nada.

Reconheceu que o crime tinha sido terrível, que outras pessoas haviam sofrido profundamente por causa daquilo e que não havia como fingir que aquilo era menor do que realmente foi. Disse também que não sentia raiva do pai, porque o homem que conheceu dentro de casa era muito diferente daquele nome que reapareceu nos arquivos da polícia.

Para ele, John Damon tinha sido um pai amoroso, inteligente, presente e extremamente apoiante, por vezes até demasiado apoiador. Jamais o descreveria como alguém violento. Foi este homem que o criou, o sustentou e tornou possível a vida que ele teve. Por isso, mesmo perante uma verdade tão devastadora, Andrew disse que não se arrependia de ter feito o teste de ADN, porque agora finalmente sabia quem o pai realmente era.

Com o tempo, algumas memórias antigas passaram também a ganhar outro peso. Depois da morte do pai, Andrew encontrou a Bíblia dele. Havia muitas passagens destacadas sobre o pecado, a culpa e o perdão. Para o filho, aquilo parecia dizer muita coisa, como que por detrás do silêncio e da identidade falsa houvesse alguém que tivesse carregado esse peso durante décadas.

Alguém que nunca contou a verdade, mas talvez nunca se tenha conseguido livrar dela. E foi precisamente aí que esta história deixou de ser apenas sobre um fugitivo encontrado tarde demais. Porque para quem acompanhou o caso de perto, Leslie Arnold parecia ter-se tornado o pai que queria ser ou talvez o pai que gostaria de ter tido.

André concordava com esta leitura. Disse que, por mais chocante que fosse descobrir que a sua história começava com um crime terrível, o legado deixado por aquele homem era maior do que isso. É essa contradição que torna tudo ainda mais difícil de explicar. O mesmo homem que destruiu a própria família na juventude conseguiu anos depois construir outra, ser amado dentro dela e deixar nos filhos uma recordação real de afeto, presença e cuidado.

E para a família que ficou na Austrália, talvez tenha sido este o golpe mais difícil de todos. compreender que a verdade não apagava o pai que conheceram, mas também não apagava o crime que ele escondia por toda a vida. E agora gostaria de saber a sua opinião. Acha que a vida que Leslie construiu depois da fuga, sendo um bom marido e um pai dedicado, serviu de uma espécie de redenção para o que ele fez aos 16 anos? Ou um crime tão brutal como é que este nunca pode ser apagado? Não importa como a pessoa vive depois. Deixa

a sua opinião aqui nos comentários. Como sempre, vamos estar a ler e a responder. E quero muito saber o que vocês pensam. E se este caso te prendeu até aqui, não esqueça de deixar o seu like. E se quiser continuar a receber os nossos próximos vídeos, subscreva o canal. Muito obrigado pela companhia e até à próxima história.