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O tiro PELA CULATRA: Lula tenta sufocar investigação contra a própria família mas acaba de joelhos para Moraes

Brasília é um xadrez onde os peões raramente sabem o jogo que estão jogando. Nos últimos dias, uma manobra aparentemente inofensiva e institucional do Palácio do Planalto revelou as entranhas mais obscuras do poder republicano. Sob o manto de uma suposta força-tarefa de emergência para combater o crime organizado, Luiz Inácio Lula da Silva emitiu uma ordem categórica: todos os delegados da Polícia Federal cedidos a outros órgãos deveriam retornar imediatamente aos seus postos de origem. Uma justificativa que soaria nobre aos ouvidos da população, não fosse uma monumental cortina de fumaça. Nos corredores gelados da capital, todos sabem que a intenção do petista passava muito longe da segurança pública. O alvo real e urgente era um só e tinha nome, sobrenome e um gabinete estrategicamente posicionado no Supremo Tribunal Federal: o ministro André Mendonça.

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Para compreender a magnitude dessa jogada que rapidamente se transformou em um vexame histórico, é necessário seguir o rastro do desespero que assombra os bastidores do governo. André Mendonça abriga em seu gabinete um delegado da Polícia Federal que atua, na prática, como seu braço direito. Este investigador é a peça central em duas apurações de altíssima octanagem que tiram o sono da cúpula governista: o misterioso caso Master e o explosivo escândalo do INSS. E o que justifica tamanho pânico do Executivo? O fato irrefutável de que os tentáculos dessas investigações não miram apenas burocratas de baixo escalão, mas resvalam perigosamente no núcleo duro do presidente, atingindo diretamente seu próprio filho. Com o calendário eleitoral correndo contra o tempo, o plano de Lula era de uma frieza cirúrgica. Ao arrancar o delegado do gabinete de Mendonça, ele conseguiria atrasar, desidratar e paralisar as apurações, garantindo que nenhum escândalo de proporções devastadoras cruzasse a linha de chegada das eleições para assombrar seu projeto de poder.

Mas o presidente cometeu o erro fatal dos arrogantes: esqueceu de combinar a estratégia com os verdadeiros donos do tabuleiro. Ao jogar uma rede ampla para pescar o braço direito de Mendonça, Lula acabou enredando os peixes do aquário intocável de Alexandre de Moraes. A canetada presidencial não fez distinção de gabinetes e, por um erro de cálculo político amador, a ordem de devolução também exigia o retorno imediato do delegado Fábio Shor. Para quem não acompanha as engrenagens de Brasília, Shor não é apenas mais um distintivo na multidão. Ele é o homem forte de Moraes, o investigador de altíssima confiança encarregado de conduzir os inquéritos implacáveis que há anos miram sistematicamente a oposição e a direita brasileira. Arrancar Shor das mãos de Moraes não era apenas um tropeço administrativo, era uma afronta direta, um ataque frontal à máquina que sustenta e protege o atual ecossistema político.

O desfecho dessa trapalhada institucional revelou de forma crua, quase constrangedora, quem verdadeiramente dita as regras do jogo no Brasil. Ao perceber que havia comprado uma guerra não planejada com o dono da caneta mais pesada da República, o presidente precisou engolir a seco e recuar de maneira vergonhosa. Em uma correção de rota que expôs a fragilidade do Palácio do Planalto, o governo abriu uma exceção exclusiva e sob medida: os delegados cedidos ao Supremo Tribunal Federal não precisariam retornar. Enquanto outros cinquenta órgãos tiveram que devolver seus policiais, sacrificando investigações em nome da falsa desculpa do combate ao crime organizado, o STF permaneceu blindado. A mensagem nas entrelinhas é estarrecedora. Ao isentar o Supremo, Lula escancara a mentira de seu próprio decreto e confessa ao país que a narrativa da segurança pública era apenas uma farsa. Pior que isso, o recuo escancara uma subserviência absoluta. No momento em que a ordem tocou a porta de Moraes, o presidente foi enquadrado. Quem dá as cartas, quem assopra o apito e quem comanda o espetáculo não é Luiz Inácio.

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A grande e poética ironia dessa ópera bufa é que, por um mero capricho do destino, Alexandre de Moraes acabou se tornando o herói acidental de André Mendonça. Ao agir com fúria para proteger seu próprio delegado, Moraes criou um escudo que blindou, por tabela, o investigador de Mendonça, garantindo que as apurações sobre o caso Master e o INSS continuem a pleno vapor e assombrando a família presidencial. Mendonça escapou ileso desta guilhotina, mas o aviso ecoa como um trovão. O consórcio estatal e as forças ocultas não dormem, especialmente quando a sobrevivência do poder está em jogo em ano de urnas. O ministro precisará manter a guarda alta e trancar bem as portas de seu gabinete, pois o sistema tentará asfixiá-lo novamente. O recado foi dado, a caçada apenas começou e, em Brasília, o instinto de autopreservação é a única lei que nunca é revogada.