No mundo do futebol, a linha que separa uma decisão técnica de uma decisão “política” é, muitas vezes, tênue e invisível — até que alguém com a credibilidade de Tiago Leifert decide colocar uma lupa sobre o assunto. Recentemente, o jornalista esportivo não poupou críticas à FIFA e ao uso seletivo do VAR, levantando questionamentos que ecoam o sentimento de muitos torcedores: será que o peso da camisa e o prestígio político de uma seleção influenciam diretamente na sala de vídeo? Leifert, conhecido por sua análise contundente, não acusa de roubo no sentido literal da palavra, mas aponta para algo talvez mais insidioso: a conveniência interpretativa.
O Critério que Muda Conforme o “Tamanho” do Time
A grande polêmica gira em torno do padrão de arbitragem adotado em lances interpretativos. Leifert utiliza como exemplo a postura da CBF ao questionar decisões da FIFA. A entidade brasileira reclamou, com razão, da falta de critério. Em lances parecidos, por que o VAR em um jogo decide chamar o árbitro para revisar e em outro prefere manter a decisão de campo? A resposta, segundo a análise do jornalista, reside na “moral” que cada seleção possui perante os olhos daqueles que comandam o espetáculo.

O jornalista traz à tona um lance emblemático envolvendo Lionel Messi. Imagine um carrinho imprudente do craque argentino. O VAR, por um milagre de cautela, hesita. O árbitro de vídeo, sentado em sua cabine, lembra que Gianni Infantino está presente na plateia. Lembra que é a última Copa do Mundo do camisa 10 e que, acima de tudo, “futebol é entretenimento”. Em um lampejo de sobrevivência, o VAR se convence de que, em algum multiverso possível, aquela entrada poderia ser apenas um cartão amarelo. Não é que tenha sido roubado, é que, quando se quer justificar uma decisão, o multiverso das interpretações sempre oferece uma saída para quem tem “moral”.
A Lupa que Enxerga o que Quer
Leifert é cirúrgico ao descrever como o VAR funciona na prática para os “grandes” e para os “pequenos”. Quando uma seleção de peso, como a Argentina ou até mesmo Portugal, precisa de um empurrãozinho, a lupa mágica do VAR parece ser ativada com uma velocidade impressionante. “Será que foi pênalti no CR7?”, pergunta o VAR. “Ah, acho que foi, hein? Melhor chamar”. A decisão, que deveria ser técnica e baseada no protocolo, torna-se uma peça de teatro onde o desfecho é pré-definido pelo status político do jogador ou do país em questão.
Por outro lado, seleções que não circulam tão bem nos corredores de poder da FIFA acabam pagando a conta. O jornalista cita lances de gols anulados ou faltas marcadas contra o Brasil como exemplos de onde a lupa é aplicada com um rigor excessivo, apenas porque a “moral” da nossa seleção não está em alta o suficiente para que o VAR se sinta coagido a decidir a nosso favor. São lances interpretativos: dá para marcar a falta? Dá. Dá para deixar seguir? Também dá. A questão é que, na dúvida, o beneficiado sempre será aquele que tem mais influência nos bastidores.
O “Jogo de Cena” da CBF
Leifert não perdoa nem mesmo a postura da CBF. Para ele, a estratégia da entidade brasileira é uma espécie de “campeonato brasileiro de bastidores”. A CBF sabe, no fundo, que não receberá uma resposta concreta da FIFA. Eles sabem que o Infantino não vai pedir desculpas. No entanto, o protesto serve para marcar território. É uma tentativa de dizer: “Ei, estamos prestando atenção em vocês”. É uma forma de pressão política básica: se não podemos ganhar na bola devido à “má vontade” do sistema, tentamos ganhar na diplomacia, mandando uma garrafa de vinho para a Suíça e tentando subir o tom cordial nas reuniões de cúpula.
Essa preocupação de Leifert é legítima e, talvez, o ponto mais importante de sua análise. Quando um comentarista de peso diz que a seleção “está sem moral”, ele está enviando um alerta: o futebol moderno, com toda a sua tecnologia e protocolo, tornou-se um jogo de influência. Se a CBF não tiver força política para sentar à mesa com a FIFA e garantir que o VAR siga um padrão real — e não um padrão de conveniência —, o Brasil continuará refém de interpretações que mudam dependendo de quem está com a bola no pé.
Ao final, fica a reflexão para o torcedor que, sentado no sofá, vê sua seleção ser prejudicada por um detalhe microscópico. Não se trata apenas de azar. Trata-se de um sistema onde a tecnologia, embora prometa a justiça, é operada por mãos humanas que, muitas vezes, preferem não desagradar os “donos do circo”. Como bem pontuou Tiago Leifert, o futebol é entretenimento, e para os cartolas da FIFA, o show precisa agradar aos nomes que garantem o lucro e a audiência — mesmo que isso signifique “interpretar” a regra de forma um tanto quanto criativa.
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