Posted in

Pastor é condenado por mandar matar a esposa para ficar com a amante: o caso Mariane Quele, a mulher traída dentro de casa e pela própria amizade

Em uma história que parece mais um enredo de filme policial do que a realidade de uma vida de fé e confiança, o caso de Mariane Kelly dos Santos, uma jovem de 35 anos, mãe e esposa, é uma das mais trágicas e macabras viradas que um relacionamento pode sofrer. Mariane, natural de Salvador e residente em Itajaí, Santa Catarina, foi brutalmente assassinada em abril de 2021, vítima de uma traição impensável orquestrada por seu próprio marido, Joedson Santos, mais conhecido como Pastor Jota. O que parecia ser uma história de amor, fé e devoção, rapidamente se revelou um pesadelo de traição, vingança e morte planejada.

Mariane, em sua trajetória, era uma mulher que sempre irradiava felicidade e carisma, trabalhadora, dedicada à sua família e à fé. Ela sonhava com a casa própria e já estava se preparando para realizar essa conquista quando, sem saber, sua vida foi interrompida de forma brutal. Joedson, seu marido, já havia iniciado um relacionamento extraconjugal com Shirlene da Silva Santos, uma mulher pernambucana que também frequentava a igreja onde o pastor atuava. O desejo de ficar com a amante, sem ter que lidar com as consequências de um divórcio em sua comunidade religiosa, levou Joedson a planejar o assassinato de sua esposa.

A história de Mariane é uma triste demonstração de como a confiança pode ser manipulada e destruída de formas inimagináveis. Uma mulher que confiava no marido e na amiga, mas que teve sua vida apagada de forma cruel e calculada. O que começou como uma traição extraconjugal em segredo rapidamente se transformou em uma conspiração macabra, envolvendo um assassinato planejado com a ajuda de cúmplices. A investigação e os desdobramentos do caso trouxeram à tona não apenas a brutalidade do crime, mas também uma série de mentiras e manipulações que enganaram todos à sua volta.

A mulher cheia de fé e sonhos

Mariane nasceu em Salvador em 1986 e, como muitos que a conheciam, era descrita como uma pessoa iluminada, sempre sorrindo, cheia de energia positiva, carinhosa e espontânea. Ao lado de seu marido, Joedson, ela construiu uma família que parecia sólida. O casal se casou jovem e, em 2021, completariam 20 anos de união. Juntos, tiveram uma filha que, à época do crime, tinha 17 anos. Quando a família decidiu mudar-se para Santa Catarina em 2012, em busca de uma vida melhor, Mariane encontrou um novo emprego como auxiliar de lanchonete no supermercado Bistec, em Itajaí. Ali, ela conquistou o carinho de colegas de trabalho, sendo sempre descrita como uma funcionária dedicada, de bom humor e energia contagiante.

Paralelamente, o casal frequentava a igreja Assembleia de Deus, e Joedson já era conhecido como o “Pastor Jota”, além de ter coordenado centros de recuperação para dependentes químicos. Para todos ao redor, Mariane e Joedson eram o exemplo de um casamento estável e de fé, uma família sólida que participava ativamente da vida comunitária e religiosa. Não havia motivo para desconfiar que essa imagem de harmonia estivesse sendo mantida à custa de uma traição mortal.

Em 2021, Mariane, como mencionado anteriormente, estava em um momento muito feliz de sua vida. Depois de anos pagando aluguel, ela havia finalmente comprado a casa dos seus sonhos. Ela estava empolgada com a ideia de se mudar e avisou o dono do imóvel em que morava para que tudo fosse deixado em ordem. Para todos ao seu redor, ela era o retrato da mulher realizada e da dedicação à família.

No entanto, por trás dessa fachada de felicidade, um segredo sombrio estava se desenrolando. Joedson, seu marido, havia iniciado um relacionamento extraconjugal com Shirlene, uma mulher de fora, também frequentadora da mesma igreja. Durante anos, esse relacionamento foi mantido em segredo, mas a cada dia o vínculo entre eles se fortalecia. Joedson, como pastor, sabia que o divórcio mancharia sua reputação religiosa, então a solução que encontrou foi ainda mais cruel: planejar a morte de Mariane, sua esposa, para poder ficar com a amante.

A amizade traída: o papel de Shirlene

O destino de Mariane foi traçado por Shirlene da Silva Santos, a amante de Joedson. O curioso é que Shirlene se tornou amiga de Mariane, e elas passaram a se aproximar tanto que quase se tornaram como irmãs. Mariane jamais imaginou que sua amizade com Shirlene fosse, na verdade, parte de um plano mortal. A convivência entre as duas mulheres parecia normal, e a vítima jamais suspeitou que Shirlene estivesse envolvida com o seu marido.

Shirlene, para Joedson, não era apenas uma amante. Ela representava uma chance de escapar do desgaste do divórcio e continuar a desfrutar dos benefícios materiais adquiridos com Mariane, como a casa nova. Para completar o quadro, Shirlene levou consigo o sobrinho de 17 anos, Lucas Fernandes, e o envolveu no crime, prometendo-lhe pagamentos em troca de sua colaboração.

O plano de Joedson e Shirlene, por mais frio e calculado que fosse, exigia a colaboração de mais pessoas. O sobrinho adolescente, que havia vindo de Recife, e Lucas, genro de Shirlene, foram incorporados à conspiração. O preço para a execução do crime foi cerca de R$ 5.000, que seriam pagos entre os cúmplices. Além disso, havia o objetivo de se apoderar da casa e de cerca de R$ 17.000 provenientes de uma indenização que Joedson havia recebido. Assim, o destino de Mariane foi selado.

O crime planejado e a falsa carona

Na quinta-feira, 8 de abril de 2021, Mariane saiu do trabalho, como fazia normalmente. Ela estava empolgada com a mudança para a nova casa e com as pequenas conquistas de sua vida. Mas naquele dia, ao invés de receber a carona de Joedson, como de costume, ela aceitou a oferta de um vizinho de longa data. Era alguém que Mariane conhecia bem, um amigo da família. O que ela não sabia era que esse “vizinho” era, na verdade, um cúmplice de Shirlene. O carro em que Mariane entrou não era de um motorista de aplicativo, como Joedson afirmou mais tarde, mas sim o veículo de Shirlene, a amante de seu marido.

Dentro do carro estavam outros envolvidos: o sobrinho de Shirlene, de 17 anos, e Lucas Fernandes, genro de Shirlene. O plano estava em andamento, e Mariane foi levada sem desconfiar para um destino cruel. O primeiro passo do plano foi usar uma substância química para fazer Mariane desmaiar, mas a substância não funcionou como o planejado. Quando Mariane começou a perceber que algo estava errado e resistiu, os criminosos passaram a usar a violência direta.

Mariane, em pânico, lutou pela própria vida. Foi agredida, amarrada e brutalmente esfaqueada, sofrendo ao menos 27 golpes de faca. A polícia apurou que os golpes atingiram o pescoço, o tórax, o rosto e até a cabeça, além de uma pancada forte, possivelmente causada por uma pedra. O ataque foi feito com uma frieza assustadora. Após garantir a morte de Mariane, os assassinos jogaram seu corpo da ponte sobre o rio Itajaíçu, acreditando que a correnteza levaria as provas do crime. Seus pertences foram descartados ao longo do caminho, como se fossem lixo.

A mentira de Joedson e a descoberta do crime

Enquanto o corpo de Mariane era descartado e a polícia começava a investigar, Joedson permaneceu em casa, fingindo preocupação. Nas redes sociais, ele se mostrou desesperado, pedindo ajuda para encontrar a esposa que supostamente teria desaparecido. Registrou um boletim de ocorrência naquela noite, relatando que Mariane havia pegado um carro de aplicativo e não havia mais retornado.

A atuação de Joedson foi convincente, o suficiente para enganar amigos e familiares naquele primeiro momento. Mas as investigações logo começaram a desmantelar sua versão. A polícia encontrou o carro de Shirlene, com manchas de sangue e parcialmente desmontado. Isso desmentiu a história de Joedson sobre um “carro de aplicativo”, revelando que ele sabia muito mais do que dizia.

Além disso, a análise das imagens das câmeras de segurança mostrou que Mariane havia entrado no carro de Shirlene, a amante de seu marido, antes de desaparecer. Joedson, em vez de ser o marido desesperado pela esposa desaparecida, foi revelado como o mandante de um crime brutal, calculado com a ajuda de sua amante e outros cúmplices.

A confissão e o julgamento

Após a prisão dos envolvidos, Joedson foi confrontado com as evidências. Ele inicialmente negou sua participação no crime, mas quando confrontado com as provas e a confissão de Shirlene e Lucas, ele cedeu. Em seu depoimento, ele admitiu que sabia do plano e que tinha contratado Shirlene e os outros para matar Mariane. Sua justificativa era de que não queria perder os bens materiais e a reputação como pastor. Ao invés de se divorciar, ele optou pela solução mais extrema: matar a esposa.

O julgamento de Joedson e Shirlene aconteceu em 2023, e ambos foram condenados. Joedson foi sentenciado a 29 anos de prisão por homicídio qualificado, feminicídio, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Shirlene foi condenada a 20 anos de prisão pelos mesmos crimes. Lucas Fernandes, genro de Shirlene, recebeu uma pena de 18 anos de prisão.

O sobrinho de Shirlene, menor de idade, também foi envolvido no crime, sendo processado separadamente por sua participação. A condenação desses envolvidos encerrou o ciclo de um crime que envolveu uma conspiração familiar, um abuso de confiança e uma violência brutal que destruiu uma vida jovem.

O legado de Mariane e a reflexão sobre a violência doméstica

O caso de Mariane Kelly é mais do que uma simples história de feminicídio. É um reflexo de como a violência pode se esconder atrás de uma fachada de normalidade, de uma vida aparentemente estável, de um casamento que parecia feliz e de amizades que pareciam confiáveis. A história de Mariane serve como um alerta sobre como mulheres podem ser manipuladas, traídas e violentadas por aqueles que deveriam protegê-las.

Além disso, o caso traz à tona questões profundas sobre poder, manipulação emocional e controle, principalmente em comunidades religiosas. Joedson, um pastor, usou sua posição de liderança para esconder suas falhas morais e sua traição. Ele manipulou a imagem de homem de fé para encobrir suas ações e permanecer no controle da vida de sua esposa, até que sua crueldade foi exposta.

Mariane, por sua vez, foi uma vítima de um sistema falho, de uma rede de mentiras e enganos que duraram anos, até que o crime foi finalmente desvendado. Sua memória agora precisa ser preservada não apenas como uma mulher que teve sua vida roubada, mas como um símbolo de alerta para todas as mulheres que estão sendo manipuladas em silêncio.

Em última análise, o caso de Mariane Kelly dos Santos é uma chamada de atenção. Não devemos mais permitir que a imagem de respeitabilidade ou de autoridade seja usada como escudo para os abusos mais cruéis. Mulheres como Mariane merecem ser lembradas não apenas como vítimas, mas como agentes da mudança, que em sua tragédia trazem à tona questões que precisam ser discutidas em todos os espaços da sociedade.