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Flávio Bolsonaro lança cortina de fumaça para disfarçar ligação com crimes no caso Banco Master

Bomba No Senado Flávio Bolsonaro Tenta Cortina De Fumaça Mas Digitais O Ligam Ao Escândalo Do Banco Master

A Operação da Polícia Federal que atingiu em cheio o Banco Master e o senador Ciro Nogueira do PP acendeu um alerta vermelho de intensidade máxima no núcleo duro do bolsonarismo. A possibilidade de Ciro Nogueira ocupar a vaga de vice na chapa presidencial da extrema direita ao lado de Flávio Bolsonaro fez com que o filho do ex-presidente entrasse em pânico. Para tentar limpar a própria imagem e desvincular seu nome da lama que começa a transbordar, Flávio lançou mão de uma estratégia clássica e arriscada: a cortina de fumaça.

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o senador cobrou, com aparente indignação, a instalação imediata da CPI do Banco Master, exigindo que as investigações aprofundassem as ligações do banco com o PT e prometendo atuar “sem blindagem ou acordão”. No entanto, os fatos, as investigações e as antigas alianças de sua própria família contam uma história completamente diferente. A narrativa mentirosa de Flávio Bolsonaro desmorona frente à avalanche de evidências que ligam a extrema direita, o governo de seu pai e até mesmo o financiamento de sua própria mansão ao centro deste escândalo bilionário.

A Hipocrisia De Flávio Bolsonaro E O Verdadeiro Acordão No Congresso

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A tentativa de Flávio Bolsonaro de posar como o paladino da moralidade e exigir uma investigação “sem proteção política” gerou reações imediatas e indignadas em Brasília. O líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, não poupou palavras ao desmascarar a jogada do senador. Segundo Pimenta, quem operou ativamente para enterrar a CPI do Banco Master foi a própria extrema direita, em uma manobra orquestrada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

As suspeitas de um acordão no Congresso não surgiram do nada. Elas se baseiam em eventos recentes e interligados: a surpreendente rejeição do nome de Jorge Messias na sabatina do Senado, as denúncias que envolvem o eixo bolsonarista no caso Master, e a derrubada do veto do presidente Lula ao Projeto de Lei da Dosimetria. Este último movimento beneficiou diretamente os invasores golpistas do dia 8 de janeiro e, indiretamente, o próprio Jair Bolsonaro. Para Pimenta, essas peças do quebra-cabeça indicam que a rejeição de Messias e a blindagem contra as investigações do Banco Master foram o preço pago pela oposição para tentar livrar o ex-presidente da cadeia. Nos bastidores, Alcolumbre chegou a ser chamado de “craque do jogo” por seus aliados bolsonaristas devido ao seu papel na rejeição do indicado de Lula.

A Conexão Obscura Entre O INSS, O Banco Central E O Crescimento Do Master

A ligação da família Bolsonaro com o escândalo vai muito além de manobras parlamentares; ela adentra as estruturas do Estado e as políticas econômicas do governo anterior. Paulo Pimenta, que coordenou a bancada do governo na CPI do INSS, revelou como as investigações daquela comissão acabaram desaguando na porta do Banco Master. Pimenta chegou a cunhar a expressão “Bolsomaster” para definir o esquema.

Segundo o deputado, os mesmos setores que estavam infiltrados no governo Bolsonaro e que permitiram alterações nas regras do INSS, facilitando fraudes bilionárias, foram os mesmos que contaram com a conivência do Banco Central. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central indicado por Bolsonaro, é apontado como uma figura chave que permitiu que o então insignificante Banco Máxima se transformasse na gigantesca potência financeira que é hoje o Banco Master. O crédito consignado, cujas regras foram flexibilizadas, foi o elo principal entre o escândalo previdenciário e a explosão de lucros do banco.

Os Bilhões Do Master E O Financiamento Da Campanha Bolsonarista

Se a flexibilização de regras do INSS foi o combustível para o crescimento do Banco Master, a contrapartida parece ter chegado nas eleições de 2022. Pimenta demonstrou que as maiores contribuições individuais para as campanhas eleitorais naquele ano vieram do empresário Zetel, cunhado de Daniel Vorcaro, figura central do Banco Master. Os principais beneficiados dessa injeção monumental de dinheiro foram ninguém menos que Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

Mais tarde, em um movimento que gerou ainda mais suspeitas de favorecimento e troca de favores, o fundo de investimentos capitaneado pelo Banco Master tornou-se o sócio majoritário nas aquisições resultantes da privatização de empresas estatais de saneamento básico no estado de São Paulo, governado por Tarcísio. As “digitais que envolvem a cúpula do governo Bolsonaro com o esquema do Bolsomaster” são nítidas e inegáveis. A cobrança de Flávio Bolsonaro pela CPI soa como uma bravata desesperada, visto que o governo Lula e a base aliada são, na verdade, os principais defensores de que a investigação chegue às últimas consequências e alcance todos os beneficiados.

A Pressão De Fernanda Melchionna E A Censura De Alcolumbre

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A tentativa da base do governo de forçar a instalação da CPI mista (CPMI) gerou momentos de alta tensão no plenário do Congresso Nacional. A Federação PSOL Rede conseguiu recolher as assinaturas necessárias, número superior a um terço dos membros tanto da Câmara quanto do Senado, o que, pelo regimento, torna a instalação da comissão automática.

No entanto, quando a deputada Fernanda Melchionna subiu à tribuna para exigir a leitura do requerimento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cortou seu microfone em um ato claro de censura. Melchionna não se intimidou e, mesmo com o som cortado, continuou discursando, denunciando os bilhões desviados. “Nós queremos saber de onde saíram os 3 milhões de reais do Zetel para a candidatura do Bolsonaro. Nós queremos saber quem financiou o jatinho do Vorcaro com o Nikolas Ferreira. Nós queremos saber para onde foi o dinheiro da previdência do Amapá e do Rio de Janeiro”, esbravejou a deputada, apontando diretamente para os aliados de Bolsonaro, como o governador Cláudio Castro.

A Mansão Milionária De Flávio Bolsonaro E O Envolvimento Do BRB

A verdadeira razão pelo pânico de Flávio Bolsonaro pode estar cravada no luxuoso Lago Sul de Brasília. As investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero fecharam o cerco sobre o financiamento da mansão do senador. O negócio, avaliado em 6 milhões de reais, foi viabilizado por um empréstimo suspeitíssimo de 3 milhões de reais concedido pelo Banco de Brasília (BRB).

A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB e aliado do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (outro nome ligado ao bolsonarismo), escancarou as portas do esquema. Paulo Henrique teria atuado dentro do banco público para favorecer os interesses de Daniel Vorcaro, chegando a receber 6 milhões de reais em propina, boa parte paga em imóveis de luxo. A facilidade e as condições atípicas com que Flávio Bolsonaro conseguiu o empréstimo para sua mansão o ligam diretamente ao núcleo político e financeiro que instrumentalizou o BRB. O deputado federal Lindbergh Farias classificou a situação como “estarrecedora”, destacando que a compra da mansão também envolveu um misterioso pagamento em dinheiro vivo de quase 3 milhões de reais como entrada.

O Teto De Vidro Da Extrema Direita E O Controle Da Polícia Federal

A postura atual de Flávio Bolsonaro contrasta violentamente com as ações de sua família quando estavam no poder. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, lembrou em entrevista que o próprio Jair Bolsonaro declarou publicamente que trocaria o comando da Polícia Federal para proteger seus filhos e aliados. “Eu não vou esperar minha família toda se f*der. Pode trocar o chefe dele, troca o ministro e ponto final”, disse o ex-presidente em uma reunião ministerial famosa.

Essa era a política de investigação durante o governo anterior: os casos que envolviam o Palácio do Planalto ou os filhos do presidente simplesmente não andavam. O caso das “rachadinhas”, o envolvimento de assessores como Fabrício Queiroz e as ligações assombrosas com milicianos do Rio de Janeiro, incluindo o assassino de aluguel Adriano da Nóbrega (ex-chefe do Escritório do Crime, empregado no gabinete de Flávio), foram abafados.

Segundo Macêdo, o esquema do INSS e as facilidades do Banco Master prosperaram ilesos exatamente porque o Banco Central e o governo de Jair Bolsonaro ordenaram que se fizesse vista grossa. “Eles querem se vender com o aval da moralidade? Não, aqui não. O crime estava do outro lado, mas como eles não investigam, parece que não há crime”, disparou o ministro. Hoje, com a Polícia Federal operando com autonomia e investigando “doa a quem doer”, a estratégia da extrema direita de posar de defensora da ética ruiu. Flávio Bolsonaro pode até gritar por uma CPI nas redes sociais, mas as provas documentais, as prisões e os bilhões movimentados indicam que, se a comissão for instaurada, será ele e sua família os primeiros a precisarem de um advogado criminalista.