Tensão Ao Vivo: Sóstenes Cavalcante Gagueja Ao Defender Golpistas E Toma Invertida Histórica Na GloboNews
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O cenário político brasileiro continua pegando fogo, e a tentativa de limpar a ficha daqueles que atentaram contra a democracia no fatídico 8 de janeiro sofreu um duro golpe em plena televisão aberta. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, entrou em um verdadeiro campo minado durante uma entrevista ao vivo na GloboNews. O objetivo do parlamentar era defender, com unhas e dentes, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa conceder anistia total, geral e irrestrita aos invasores dos Três Poderes. No entanto, o que se viu foi um show de contradições, gaguejos e uma tentativa frustrada de reescrever a história recente do Brasil. O resultado? Uma entrevista que já entrou para os anais da TV como um exemplo claro do desespero retórico de quem tenta justificar o injustificável.
A discussão rapidamente subiu de tom quando Sóstenes foi encurralado pelos jornalistas da bancada, que não deixaram barato as suas alegações. A insistência do deputado em classificar a quebradeira de 8 de janeiro como uma mera “manifestação” e negar veementemente a existência de uma tentativa de golpe de Estado foi rebatida com fatos, documentos e o puro peso da realidade. O confronto escancarou as estratégias da extrema-direita para tentar proteger seus apoiadores, mas também mostrou que o verniz da narrativa bolsonarista começa a rachar sob o peso das investigações.
O Acordo Misterioso Com O STF E A PEC Da Anistia
A entrevista começou com Sóstenes tentando explicar o xadrez político por trás do Projeto de Lei da Dosimetria – uma manobra legislativa que reduzia as penas dos condenados pelo 8 de janeiro, e que foi recentemente suspensa por uma liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Sóstenes, demonstrando incômodo com a decisão judicial que barrou os planos de seu partido, revelou que o PL não era a vontade inicial do PL, mas sim fruto de um suposto “acordo” envolvendo figuras do Judiciário.
Segundo o líder do PL, a ideia original de seu partido sempre foi a anistia irrestrita. Contudo, ele alegou que aceitaram a redução de penas em nome de amenizar o “sofrimento” dos presos. “Neste suposto acordo com parte de alguns ministros do STF, é que veio essa ideia. Mas em nome de amenizarmos o sofrimento das vítimas do 8 de janeiro, nós aceitamos este texto”, declarou. A cartada de Sóstenes foi clara: com a liminar de Moraes, ele anunciou que não lhe restava outra alternativa a não ser ressuscitar a PEC da anistia, argumentando que, por ser uma emenda constitucional, o STF não teria o poder de questioná-la com a mesma facilidade. Ele chegou a citar nominalmente Alexandre de Moraes na justificativa da nova PEC, uma clara afronta ao magistrado.
A tentativa de Sóstenes de transferir a responsabilidade pela autoria do PL da Dosimetria para o deputado Paulinho da Força foi um dos pontos altos da confusão. Sóstenes alegou que o texto foi trazido por Paulinho com a promessa de que tinha a “anuência” de Moraes. “Nós sim queremos anistia ampla, geral e irrestrita para todos, inclusive para Jair Bolsonaro. Mas este texto da redução de penas nunca partiu de nós”, tentou se esquivar. A menção a um acordo de bastidores soou como uma tentativa desesperada de encontrar culpados para o fracasso da estratégia bolsonarista.
Golpe Ou Manifestação? A Jornalista Encurrala O Deputado
O clima esquentou de vez quando a bancada da GloboNews confrontou a premissa de Sóstenes de que não houve tentativa de golpe. O embate foi direto e sem rodeios. A jornalista questionou: “O senhor admite que o Lula ganhou a eleição? Porque aquelas pessoas estavam quebrando a Câmara, o STF, quebrando tudo porque não queriam que o Lula fosse o presidente. Eles estavam ali tentando um golpe”.
Encurralado, Sóstenes tentou uma manobra evasiva, usando até analogias com futebol para quebrar a tensão, mas a jornalista não recuou. O deputado, então, apelou para a clássica cartilha da desinformação: relativizou a invasão e atacou o sistema eleitoral. “Eu sou um defensor da democracia. Toda manifestação é bem-vinda, desde que não haja depredação. E acho que as pessoas que depredaram têm que responder. Agora, dizer que aquilo é golpe, eu discordo totalmente”, afirmou.
A fala mais polêmica de Sóstenes veio logo a seguir, quando ele tentou redefinir o conceito de golpe de Estado para proteger os invasores. “Não existe golpe sem armas. Não existe golpe contra prédios públicos e sim contra autoridades”. A afirmação ignorou solenemente os fartos inquéritos da Polícia Federal, as minutas do golpe encontradas nas residências de aliados de Bolsonaro e os planos elaborados que envolviam prisões de ministros e a decretação de Estado de Sítio.
A jornalista, afiada, não deixou passar a relativização do resultado eleitoral. Quando pressionado novamente se admitia que a eleição de Lula foi limpa, Sóstenes gaguejou e atacou o TSE. “Eu não. Eu tenho um questionamento sobre isso. Eu acho que não houve um juiz do Tribunal Superior Eleitoral com a devida imparcialidade”. Ele afirmou que as pessoas estavam lá quebrando tudo “porque não queriam quem ganhou a eleição”, uma frase que, por si só, já configura a insatisfação com a ordem democrática.
A Junta Militar E O General Heleno Fatos Contra A Ficção
O tiro de misericórdia na narrativa de Sóstenes ocorreu quando a jornalista trouxe à tona os dados concretos das investigações em curso. Quando o deputado desafiou a bancada perguntando quem assumiria o poder se houvesse um golpe, a resposta veio como uma avalanche de fatos: “Segundo a investigação, haveria uma junta militar. Essa junta seria encabeçada pelo general Heleno, mas nos meios militares desconfiava-se que haveria um autogolpe do Braga Netto. Tá tudo documentado”, rebateu a jornalista.
Visivelmente sem saída diante dos relatórios oficiais, Sóstenes recorreu ao negacionismo puro e simples. “Me desculpa, o autor desta peça toda é o mesmo juiz que para mim não teve a imparcialidade para ser presidente do TSE. Logo, eu não acredito. Tudo que está nesta peça para mim é ficção”. A recusa em aceitar provas documentadas, preferindo chamar as investigações da Polícia Federal de “ficção”, demonstrou a recusa do PL em lidar com a gravidade dos atos de seus apoiadores. A promessa final de Sóstenes soou como uma ameaça velada: “A história provará que em breve nós vamos anistiar todos estes condenados”.
Jaques Wagner Entra No Jogo E Denuncia A PEC Nefasta

Na sequência do embate de Sóstenes, a GloboNews ouviu o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. A postura do petista foi diametralmente oposta: serena, incisiva e sem margem para romantizar o terrorismo de 8 de janeiro. Wagner não poupou adjetivos para classificar a tentativa da oposição de limpar a ficha dos vândalos.
“Eu acho que a PEC da anistia é extremamente nefasta à democracia brasileira”, declarou Wagner com firmeza. Ele argumentou que perdoar quem destruiu as sedes dos Três Poderes é abrir um precedente perigosíssimo para o futuro do país. “Não há como dar anistia a quem depredou três prédios públicos e acabar virando um estímulo para que outros repitam o feito. Aquele 8 de janeiro de triste memória não pode ser estimulado a voltar”. Wagner fez questão de pontuar que a maior punição deve, obrigatoriamente, recair sobre os mandantes e arquitetos do caos, e não apenas sobre a massa de manobra que executou a invasão.
Questionado sobre o suposto acordo envolvendo Alexandre de Moraes e o deputado Paulinho da Força, Wagner manteve a prudência de quem não se mete em fofocas de bastidor. “Se ele fez acordo com o ministro Alexandre ou se o ministro redigiu um texto palatável, eu sinceramente desconheço. O governo entendeu que aquele projeto da dosimetria era um mal à democracia e o presidente vetou. Se houve o acordo, só quem pode falar é o Paulinho ou o ministro”, pontuou o senador.
A Traição Na Votação De Jorge Messias E O Voto Secreto
A entrevista de Jaques Wagner não poderia terminar sem abordar o assunto que mais machucou o Palácio do Planalto nos últimos dias: a surpreendente rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O Senado, em uma votação secreta, barrou o indicado de Lula, expondo rachaduras profundas na base aliada e levantando fortes suspeitas de traição por parte do Centrão.
Wagner foi honesto ao admitir que a contabilidade do governo falhou de forma retumbante. “Eu sempre disse que a gente precisava de 41 votos. Tinha gente que falava de 55. Eu sempre fui mais conservador e falei 45”, explicou. No entanto, o resultado final de apenas 34 votos foi um banho de água fria. “Eu não sei se o governo foi traído ou se eu fui traído. O voto é secreto e você acaba cometendo injustiça ao acusar alguém. Mas que foi uma triste tarde do Senado Federal, isso foi”, lamentou o líder do governo.
O ponto mais intrigante revelado por Wagner foi o diálogo que teve com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, minutos antes do resultado oficial. Em meio ao estresse da votação, Wagner questionou Alcolumbre sobre as chances de Messias. “Ele virou para mim e disse: ‘Vocês vão perder por oito votos’. Ele tinha uma contabilidade bastante precisa, porque nós perdemos por sete”, relatou Wagner. Como Alcolumbre sabia o resultado exato de uma votação secreta antes mesmo do painel ser aberto? “Só perguntando a ele”, ironizou Wagner.
A frustração de levar a notícia a Lula foi palpável. “Eu disse ao presidente: ‘Presidente, voto secreto é um convite à traição. Fomos traídos'”. Para Wagner, a rejeição de Messias foi muito mais do que uma derrota política; foi uma vingança pessoal e uma antecipação do processo eleitoral, onde quem perdeu, no final das contas, foi a ética do Parlamento. O recado de Sóstenes e a reposta de Wagner deixam claro: a guerra pela narrativa de 2022 ainda ditará os rumos do Brasil em 2024.