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“DAVID, POR QUE VOCÊ ESTÁ TÃO ESTRANHO AGORA?”: O ÚLTIMO CLAMOR DAS PRIMAS DESAPARECIDAS ANTES DO SEQUESTRO PLANEJADO EM PARANAVAÍ

“DAVID, POR QUE VOCÊ ESTÁ TÃO ESTRANHO AGORA?”: O ÚLTIMO CLAMOR DAS PRIMAS DESAPARECIDAS ANTES DO SEQUESTRO PLANEJADO EM PARANAVAÍ


O estado do Paraná está diante de um dos casos mais sombrios e complexos de sua história recente. O desaparecimento das primas Letícia Garcia Mendes e Estela Dalva Melegar e Almeida, ambas de apenas 18 anos, deixou de ser tratado como um mistério de sumiço voluntário para se tornar uma investigação de sequestro e duplo homicídio qualificado. As evidências colhidas pela Polícia Civil apontam que as jovens não apenas desapareceram, mas foram vítimas de uma emboscada meticulosamente planejada por um homem que vivia sob identidades falsas e operava nas sombras da criminalidade.

A última frase ouvida por testemunhas e captada pelo clima de tensão dentro de uma casa noturna em Paranavaí revela o momento exato em que a ficha das jovens começou a cair. “David, por que você está tão estranho agora? Para onde vamos depois daqui?”, questionou uma das primas ao notar a mudança brusca no comportamento do homem que as acompanhava. Mal sabiam elas que o homem que chamavam de “David” era, na verdade, Cleiton Antônio da Silva Cruz, um foragido da justiça que as atraiu para uma armadilha fatal.


O Perfil do Predador: O Homem de Quatro Nomes e Carros Clonados

A investigação revelou que Cleiton Antônio, de 39 anos, conhecido nos submundos como “Dog Dog” ou “Sagazz”, era um verdadeiro camaleão. Para conquistar a confiança de Letícia e Estela em Cianorte, ele se apresentou como um empresário bem-sucedido chamado David. No entanto, a polícia descobriu que ele utilizava pelo menos quatro identidades diferentes para realizar negócios ilícitos e alugar propriedades na região. Quando alugou a chácara onde vivia, chamava-se Vítor; na academia de luxo que frequentava, usava outro nome.

Cleiton não era apenas um mentiroso, era um profissional do crime. Ele circulava com uma caminhonete Toyota Hilux preta, um veículo de alto valor que a perícia confirmou ser clonado. Com esse aparato de “sucesso”, ele seduziu as jovens com a promessa de uma noite inesquecível em festas de cidades vizinhas. Ele já possuía um mandado de prisão em aberto por roubo desde 2023, o que prova que Letícia e Estela estavam, desde o primeiro minuto, em companhia de um sequestrador perigoso.


A Emboscada na Boate e o Registro das Mãos Dadas

A cronologia do crime é assustadora. Na noite de 20 de abril, as primas saíram de Cianorte na caminhonete de Cleiton. Estela chegou a passar em sua casa em Jussara para pegar uma mochila com roupas, um detalhe que reforça a tese de que Cleiton as havia aliciado com a promessa de uma viagem mais longa ou um evento de vários dias. O sinal digital das jovens foi mantido até a chegada em Paranavaí, destino escolhido pelo suspeito de última hora.

Imagens exclusivas de câmeras de segurança mostram o trio entrando em uma discoteca por volta de 1h10 da manhã do dia 21 de abril. Dentro da festa, Letícia e Estela foram filmadas caminhando de mãos dadas — um sinal claro de que buscavam proteção uma na outra ao perceberem que algo estava errado. O clima de diversão havia acabado. Foi nesse intervalo que as jovens confrontaram Cleiton sobre sua mudança de atitude. Elas foram sequestradas na saída dessa boate, quando o sinal de seus celulares foi permanentemente interrompido, enquanto o de Cleiton continuou ativo por mais algumas horas.

[ASSISTA AO VÍDEO COM AS IMAGENS EXCLUSIVAS DAS PRIMAS DENTRO DA BOATE E O RASTRO DO SEQUESTRO NO LINK ABAIXO]


O Retorno Solitário e a Fuga do Sequestrador

A prova mais contundente do crime cometido por Cleiton Antônio é o seu comportamento após o desaparecimento das primas. Entre os dias 22 e 23 de abril, o suspeito retornou sozinho para Cianorte. Ele já não estava mais com a Hilux preta e não deu qualquer satisfação às famílias das jovens sobre o paradeiro delas. Agindo com frieza, ele abandonou a cidade em uma moto, sem levar seu telefone celular, para evitar ser rastreado pela inteligência da Polícia Civil.

A última conexão de Cleiton com a internet ocorreu às 9h do dia 23 de abril. Desde então, ele é considerado oficialmente foragido. Para a polícia, não há dúvidas: Cleiton se livrou das jovens em uma região de mata entre Paranavaí e Cianorte. As buscas foram intensificadas com cães farejadores e equipes especializadas, mas o silêncio do suspeito e a falta de vestígios da caminhonete tornam o caso ainda mais sombrio. A principal linha investigativa agora é de duplo homicídio, dada a dinâmica violenta do suspeito e o tempo decorrido sem qualquer sinal de vida das vítimas.


Aliciamento e a Possibilidade de Tráfico Humano

Embora a tese de homicídio seja a mais forte, a Polícia Civil não descarta completamente a hipótese de tráfico humano ou aliciamento para redes internacionais. O fato de Estela ter levado uma mochila com roupas sugere que houve um planejamento por parte de Cleiton para tirá-las de sua zona de conforto. Ele pode ter feito promessas de trabalho ou vantagens financeiras para convencê-las a seguir viagem.

No entanto, o delegado responsável ressalta que o perfil de Cleiton Antônio é de um criminoso violento e não de um agenciador. A caminhonete clonada e o uso de identidades falsas são ferramentas típicas de quem executa crimes de oportunidade e sequestros seguidos de morte. A dor das famílias é ampliada pela incerteza, enquanto a população do Paraná exige respostas sobre como um homem com mandado de prisão em aberto conseguiu circular e sequestrar duas jovens em plena luz do dia.


Conclusão: O Silêncio que Assombra o Paraná

Onde estão Letícia e Estela? Essa é a pergunta que ecoa por todo o estado. O que se sabe é que elas foram levadas de uma festa para um destino cruel por um homem que as enganou desde o primeiro encontro. O caso das primas de Cianorte é um lembrete trágico sobre os perigos do aliciamento e da falsa sensação de segurança proporcionada por ostentação e mentiras digitais.

Até que Cleiton Antônio, o falso “David”, seja capturado, o quebrado quebra-cabeça de Paranavaí continuará sem suas peças principais. As autoridades pedem que qualquer informação sobre o suspeito “Dog Dog” seja denunciada. Manter este caso em evidência é a única esperança de trazer, se não as jovens com vida, ao menos a justiça necessária para confortar essas famílias que hoje vivem em um luto sem fim.