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“Não Há Arrependimento”: A Audácia e a Frieza do Assassino Confesso do Advogado de 27 Anos Morto por Asfixia

A Anatomia de um Crime Sem Remorsos

A banalidade do mal, conceito outrora debatido por filósofos, encontra sua personificação mais crua e revoltante nas ruas das nossas cidades. W. Alisson Ascani, vulgarmente conhecido como “Tito”, natural de Ouro Verde, encontra-se novamente atrás das grades. O motivo? A confissão fria, direta e desprovida de qualquer traço de humanidade do assassinato de Luciano Milo, um jovem de 27 anos, cuja vida foi ceifada de maneira brutal dentro de seu próprio apartamento, no Setor Cidade Jardim. O que mais choca a opinião pública — e que deveria, no mínimo, enrubescer os legisladores deste país — não é apenas a mecânica do crime, mas a audácia do criminoso diante das autoridades. Ao ser questionado sobre o homicídio, Alisson foi categórico em sua resposta: “Não arrependi não, mas a pessoa tem que respeitar a outra, né? Hora errada, num dia errado e aconteceu”. A ironia é macabra: um indivíduo que banaliza a vida humana ao ponto de estrangular um semelhante exige, em sua lógica distorcida, “respeito”. A confissão revela que ambos teriam se encontrado na rua e se dirigido ao apartamento da vítima para o consumo de entorpecentes. Lá, segundo o assassino, Luciano teria “pegado uma onda errada”, o que foi justificativa suficiente para que Alisson tomasse o cabo de força de um notebook e o asfixiasse até a morte. Não houve hesitação, não houve clemência.

O Fio do Notebook e a Fuga Desastrada

A dinâmica macabra do assassinato expõe o modus operandi de um criminoso que age com a certeza da impunidade, mas comete os erros de um amador desesperado. Após utilizar o cabo do computador portátil para estrangular a vítima de 27 anos, Alisson demonstrou um pragmatismo assustador: ele desenrolou o fio do pescoço de Luciano, guardou-o na mesma sacola onde colocou o notebook roubado e empreendeu fuga. Contudo, a saída não foi tão calculada quanto o assassinato. Vizinhos do condomínio testemunharam a fuga bizarra de um homem estranho ao convívio local, que perambulava desorientado pelos corredores do prédio, visivelmente atrapalhado para encontrar a porta da rua. Ele não conhecia o local, mas conhecia perfeitamente a arte de matar. A audácia de carregar a arma do crime junto ao espólio do roubo evidencia um desprezo absoluto pelas consequências legais. A prisão, efetuada por equipes da Polícia Militar em Trindade, ocorreu nas imediações da rodoviária, um indício claro de que o suspeito planejava evadir-se do radar da Justiça. O que ele não contava era que a própria tecnologia do Estado, por mais falha que seja em sua aplicação preventiva, deixaria um rastro digital inegável de sua presença na cena do crime trágico.

A Tornozeleira Descartada e a Descoberta do Corpo

O desfecho trágico desta história começou a se desenhar quando o pai do jovem de 27 anos, estranhando o silêncio e a absoluta falta de contato do filho, soou o alarme familiar. A angústia culminou na visita de uma prima ao apartamento de Luciano. O cenário encontrado foi desolador. A porta, embora fechada, encontrava-se destrancada, um convite silencioso para a tragédia que se revelaria em seguida. Luciano Milo já estava sem vida, e a perícia técnica não tardou a confirmar o que o assassino posteriormente confessaria: a causa da morte foi asfixia mecânica por estrangulamento. O detalhe decisivo que acelerou a captura do criminoso, no entanto, é o retrato perfeito da falência do nosso sistema penal. Alisson não era um novato no mundo do crime; ele era monitorado pelo Estado. Utilizando uma tornozeleira eletrônica — aquele dispositivo que, em teoria, deveria manter a sociedade segura —, o criminoso simplesmente arrancou e descartou o equipamento nas proximidades da residência da vítima, exatamente no dia em que cometeu o homicídio. A prisão inicial foi formalizada justamente pelo rompimento do lacre judicial, mas o inquérito rapidamente escalou. A Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH) agora se debruça sobre o caso, avaliando não apenas a motivação torpe do assassinato, mas a fortíssima possibilidade de enquadramento por latrocínio, visto que o roubo do notebook foi consumado após a execução da vítima.

A Crônica de uma Tragédia Patrocinada pela Lei

Ao analisarmos friamente os dados deste caso, esbarramos em uma ferida purulenta da sociedade brasileira: a reincidência criminal estimulada por leis lenientes. Alisson Ascani já possuía em sua extensa ficha criminal passagens por homicídio e ameaça. Diante desse fato irrefutável, a pergunta que ecoa na mente do cidadão pagador de impostos é inevitável: o que um indivíduo com este histórico letal fazia nas ruas, solto, portando apenas uma inútil tornozeleira eletrônica? Se a Justiça tivesse mantido um homicida confesso e contumaz atrás das grades, cumprindo integralmente a pena que a sociedade exige para crimes contra a vida, o jovem profissional de 27 anos ainda estaria vivo. O sistema que deveria reabilitar, na prática, atua como um reciclador de tragédias, devolvendo predadores ao convívio social. Como bem observam analistas de segurança pública e os próprios âncoras de telejornais, a reincidência deveria ser um fator determinante para triplicar penas, extinguindo a benevolência das progressões de regime. Enquanto o Congresso Nacional fechar os olhos para a urgência de um Código Penal mais rígido, continuaremos a assistir a criminosos como Alisson desfilarem sua soberba nas delegacias, afirmando com todas as letras, para as câmeras e para as famílias destruídas, que não se arrependem de absolutamente nada. A prisão atual coloca o suspeito à disposição da Polícia Civil e do sistema penitenciário, seguindo o rito legal, mas para a família de Luciano Milo, a única sentença irrevogável já foi proferida e executada por um homem que o Estado escolheu não manter preso.