Câmeras mostram as últimas horas das primas desaparecidas no Paraná: polícia intensifica buscas e comunidade segue em alerta
O desaparecimento das primas Estela Melegari e Letícia Garcia, ambas de 18 anos, no noroeste do Paraná, vem gerando apreensão e mobilização de autoridades e da comunidade local. O caso, que envolve o suspeito Cleiton Antônio da Silva Cruz, conhecido como Davi, Sagaz, Dog Dog ou Cleitinho, reacende temores e questionamentos sobre segurança, confiança e os caminhos que um crime tão brutal pode seguir.
O histórico do suspeito e o cenário do desaparecimento

Cleiton, que vivia sob identidade falsa na cidade de Sean Norte, possui um passado criminal que inclui tráfico de drogas, roubo e outras passagens pela polícia, além de cumprir sete anos de prisão. Ele se apresentava à sociedade como empresário e ostentava dinheiro, festas e aparente prestígio, mas sua ficha criminal e comportamento indicavam risco potencial.
Na madrugada do desaparecimento, as jovens foram vistas pelas últimas vezes em câmeras de segurança dentro de uma casa noturna em Paranavaí. Estela e Letícia apareciam tranquilas, sorrindo e interagindo entre si, sem demonstrar qualquer sinal de perigo. O suspeito estava com elas, portando grande quantidade de dinheiro em espécie, provavelmente para não deixar rastros de transações financeiras. Este detalhe chamou a atenção da polícia, indicando premeditação e tentativa de ocultar evidências.
A atuação da advogada Dra. Josiane Monteiro
Diante do impasse e da pressão das famílias, a Dra. Josiane Monteiro assumiu o caso. Conhecida por sua atuação incisiva em Icaraíma, onde esteve presente durante todo o processo de buscas e localização de quatro homens desaparecidos que foram encontrados 44 dias depois enterrados em um buraco na mata, Josiane trouxe experiência crucial para o caso das primas.
Ela foi até o delegado responsável pelo inquérito, Dr. Luís Fernando, para revisar cada detalhe da investigação, avaliando diligências já realizadas e propondo novas ações. Sua experiência indica que o tempo é um fator crítico: manter pessoas em cativeiro por períodos prolongados exige infraestrutura e organização, algo que raramente se sustenta sem deixar rastros. Mesmo assim, Dra. Josiane respeita a esperança das mães das jovens, mantendo todas as hipóteses abertas enquanto a investigação não trouxer respostas concretas .
O cerco policial e a linha de investigação
As autoridades expediram dois mandados de prisão contra Cleiton: um anterior, ligado a um caso de roubo em Apucarana, e outro diretamente relacionado ao desaparecimento das primas. A prisão temporária, inicialmente de 30 dias e prorrogável, tem como objetivo esclarecer toda a dinâmica dos acontecimentos, incluindo o papel de um segundo homem que estava com o suspeito e as circunstâncias do desaparecimento dos veículos utilizados.
A polícia também levantou informações sobre movimentações financeiras recentes do suspeito. Cleiton teria obtido cerca de R$ 25.000 a R$ 100.000 com um agiota em Mandaguari, indicando que ainda possui recursos para manter-se em fuga. Além disso, o suspeito utilizou diferentes meios de transporte — caminhonete, carro e moto — dificultando a ação policial e a localização de veículos clonados ou adulterados.
A importância das testemunhas e do rastreamento
Uma testemunha que conhecia o suspeito relatou ter visto Cleiton com Letícia em outras ocasiões, mas destacou que na noite do desaparecimento as jovens estavam acompanhadas do suspeito em uma situação aparentemente normal. O relato dessa pessoa é crucial, pois pode fornecer informações sobre o deslocamento do suspeito e do veículo, além de esclarecer se houve mais envolvidos.
A polícia também utiliza drones e cães farejadores para vasculhar a extensa área de mais de 200 alqueires de canavial, terreno de difícil acesso, onde qualquer vestígio pode desaparecer rapidamente. A atuação integrada da Polícia Civil, Polícia Militar e apoio técnico busca fechar o cerco e localizar as jovens antes que seja tarde.
O impacto emocional nas famílias
A espera das famílias é angustiante. Para a mãe de Estela, reviver o desaparecimento de um ente querido já é doloroso, mas enfrentá-lo com a própria filha desaparecida torna a situação insuportável. A mãe de Cleiton também se emocionou publicamente, pedindo que o filho revele informações e coopere com a investigação, implorando: “Filho, o que você fez com essas meninas? Fala pelo amor de Deus!”
O sentimento de impotência, aliado à angústia e à expectativa de respostas, deixa marcas profundas na comunidade e reforça a necessidade de ação rápida e eficaz da polícia.
Hipóteses e possibilidades
O inquérito investiga várias linhas: desde cativeiro e sequestro até possível crime doloso contra a vida. A possibilidade de tráfico humano foi levantada, mas até o momento não há indícios que apontem nessa direção. A linha principal de investigação aponta para um possível crime intencional contra as jovens, com participação de mais pessoas que ainda não foram identificadas.
O desafio das buscas em áreas rurais
A complexidade do caso se intensifica devido ao acesso difícil da área rural e ao tamanho da região de buscas. Mais de 200 alqueires de canavial dificultam o trabalho de rastreamento, mesmo com o uso de tecnologia, drones e cães farejadores. A experiência de Dra. Josiane Monteiro indica que a presença física e a pressão sobre o suspeito são fundamentais para que a investigação avance.
O que está em jogo
Enquanto o suspeito permanece em fuga, a comunidade, a polícia e as famílias seguem em alerta. Cada pista, cada testemunha e cada imagem de câmera é analisada com atenção. A expectativa é que Cleiton seja localizado em breve e que as jovens possam ser encontradas com segurança, ou, na pior hipótese, que o caso seja esclarecido e a Justiça seja feita.
O desaparecimento das primas também traz à tona a vulnerabilidade dos jovens em situações aparentemente rotineiras, como ir a uma festa noturna ou confiar em pessoas pouco conhecidas. Este caso evidencia a importância da atenção da sociedade, da prevenção e da atuação rápida das autoridades em casos de desaparecimento.
Conclusão
O caso de Estela e Letícia no Paraná é uma tragédia que envolve mistério, tensão e dor. A atuação da advogada Dra. Josiane Monteiro, combinada com o trabalho da polícia e a colaboração de testemunhas, é crucial para que as buscas avancem. A cada hora, novas informações podem mudar os rumos da investigação, esclarecer dúvidas e, esperançosamente, trazer respostas que as famílias aguardam com tanta ansiedade.
A comunidade e o estado do Paraná acompanham cada desenvolvimento, cientes de que o destino das jovens depende de ações rápidas, decisivas e coordenadas. Este é um lembrete doloroso de que desaparecimentos de jovens não são apenas números; envolvem vidas, famílias e o peso de uma esperança que se mantém viva enquanto a investigação não se encerra.