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OMG! O Caso Deolane Não Para de Piorar: O Nascimento do Monstro!

O Império de Pó e Engajamento: Como Deolane Bezerra se Tornou o Caixa Eletrônico da Maior Facção do Brasil

O submundo do crime organizado e o universo glamouroso das redes sociais colidiram de forma definitiva no Brasil, revelando uma das tramas mais perturbadoras e complexas da história policial recente. Deolane Bezerra, a advogada criminalista e influenciadora digital que arrebatou uma legião de mais de 21 million de seguidores no Instagram, está no centro de um furacão jurídico que não para de piorar.

Na prisão, Deolane manda recado sobre cartas de amor de pretendentes | CNN  Brasil

O que o público consumia como o conto de fadas de uma mulher nordestina que venceu na vida e conquistou o topo do sucesso, na verdade, escondia uma investigação ultrassecreta da Polícia Civil que durou mais de cinco anos. O veredito das autoridades é avassalador: o luxo ostentado em mansões de Alphaville, jatinhos fretados e uma frota multimilionária de Porsches, Ferraris e Lamborghinis não passava de uma fachada reluzente para esconder o rastro de sangue e dinheiro sujo da maior organização criminosa da América Latina, o Primeiro Comando da Capital, o PCC.

O Nascimento do Monstro Prisional

Para compreender a gravidade do abismo onde Deolane Bezerra e sua família se enfiaram, é preciso fazer uma viagem no tempo até as entranhas do sistema penitenciário paulista, onde o horror ganhou forma jurídica. Em outubro de 1992, o pavilhão nove da Casa de Detenção do Carandiru foi palco do maior massacre carcerário do país, resultando na morte oficial de 111 detentos pela intervenção estatal. Esse banho de sangue funcionou como o estopim definitivo para uma revolta sem precedentes. O clima de barbárie total imperava nas prisões brasileiras nas décadas de 1980 e 1990; os presos dormiam sem saber se acordariam vivos, submetidos à lei do mais forte, onde as desavenças eram resolvidas no fio da faca.

Como resposta ao massacre, a cúpula da segurança pública transferiu os detentos considerados mais perigosos, psicopatas e líderes de rebeliões para a temida Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté. O nível de perversidade do lugar era tão extremo que um dos detentos transferidos, conhecido no submundo como Cezinha, assassinou dois companheiros de cela em um surto de fúria e, em um ato ritualístico de puro ódio, trocou os corações das vítimas de lugar. Foi exatamente nesse caldeirão de isolamento e revolta que, em agosto de 1993, durante uma partida de futebol no pátio do presídio de Taubaté, nasceu o Primeiro Comando da Capital. O grupo surgiu com a justificativa inicial de proteger os detentos da capital contra os rivais do interior e contra os abusos do Estado. Através de um estatuto formal, a facção burocratizou e institucionalizou a violência nas cadeias, assumindo o monopólio da vida e da morte atrás das grades.

A Ascensão da Máfia de Matiz Mafiosa

Aquela gangue de presídio que parecia um problema local precisava de uma mente estratégica para romper os muros de cimento e alcançar o controle das ruas. Foi aí que emergiu a figura de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Criado nas calçadas do centro de São Paulo após perder a mãe na infância por um afogamento trágico, o menino de rua que cheirava cola começou sua trajetória no crime como um simples batedor de carteiras.

Rapidamente, Marcola evoluiu para o assalto a bancos, a modalidade criminosa de maior prestígio nos anos 1980. Apesar de não estar presente no jogo de futebol que fundou o PCC, sua influência intelectual era avassaladora. Um homem que lia sobre política clássica, dominava a legislação brasileira e entendia a estrutura de funcionamento de máfias internacionais, como a Cosa Nostra italiana e as organizações russas, Marcola usou sua transferência sucessiva de presídios para batizar milhares de novos membros e desenhar a expansão nacional da facção.

Em maio de 2006, o Brasil descobriu a capacidade de destruição em massa dessa estrutura. Ao descobrir que o governo do estado planejava transferir 700 líderes para unidades de segurança máxima, o PCC emitiu o seu famoso salve geral. São Paulo transformou-se em uma zona de guerra literal no fim de semana do Dia das Mães. Bandidos armados com pistolas e fuzis executaram mais de 50 policiais e agentes de segurança pública nas calçadas, estabelecendo o medo coletivo de dois caras em uma moto.

O caos foi tamanho que o próprio governo estadual foi obrigado a enviar uma aeronave oficial para transportar uma advogada ligada à facção até o interior do estado para que ela comprovasse ao chefe que ele estava vivo, emitindo a ordem para que os ataques cessassem apenas após um banho de sangue que deixou centenas de civis e suspeitos mortos nas periferias.

A Sintonia do Progresso e a Rota do Bilhão

Com o passar dos anos, Marcola e líderes como GG do Mangue perceberam que manter a facção dependente de rifas de cadeias e do pequeno varejo de drogas nas favelas era um erro estratégico. O crime precisava de inteligência financeira. O PCC eliminou os intermediários do tráfico internacional e passou a negociar diretamente com os produtores sul-americanos, focando na exportação de cocaína pura para os mercados da Europa e do Japão através do Porto de Santos. Comprando o quilo da droga por cerca de mil dólares na fronteira e revendendo por mais de 30 mil euros nos portos europeus, a lucratividade explodiu. Hoje, o grupo fatura uma estimativa monumental entre 5 e 15 bilhões de reais por ano, consolidando-se como a oitava maior máfia do planeta.

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Esse volume oceânico de dinheiro sujo obrigou o crime organizado a abandonar os morros, vestir terno e gravata e penetrar nas estruturas legais do país. Através de fraudes em licitações públicas, o PCC passou a controlar empresas de ônibus que transportam mais de 15 milhões de passageiros por mês na capital paulista, além de dominar redes de postos de combustíveis, cooperativas médicas e usar fintechs e criptomoedas para pulverizar os ativos. O Ministério Público de São Paulo desarticulou células que envolviam desde vereadores e servidores públicos até contadores renomados que criavam malhas de empresas fantasmas. Para que essa engrenagem bilionária continue funcionando sem acionar os radares da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, a facção passou a recrutar um exército de laranjas de luxo e influenciadores digitais, cuja capacidade de movimentar milhões sob o pretexto de engajamento e parcerias publicitárias serve como a lavanderia perfeita.

O Bilhete do Esgoto e o Elo com o Player

O nome de Deolane Bezerra entrou definitivamente nos relatórios de inteligência da Polícia Civil e do Ministério Público em julho de 2019, durante uma operação de rotina na cela 139 da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Naquele espaço, que abrigava a alta cúpula da facção, os agentes penitenciários resgataram, de dentro dos dutos da caixa de esgoto, bilhetes manuscritos que continham um plano terrorista detalhado para assassinar diretores de presídios e policiais penais, além de rotas do tráfico internacional. Entre as linhas borradas pela água do esgoto, uma frase chamou a atenção dos delegados: aquela mulher da transportadora já entregou tudo certinho até o endereço novo do Bisoto.

A investigação policial descobriu que a mulher da transportadora era Elidiane, que junto com seu marido Ciro, comandava a Lopes e Lemos Transportes, uma empresa de fachada vizinha ao presídio de segurança máxima criada a mando dos irmãos Camacho para lavar o dinheiro do tráfico e levantar os endereços residenciais de autoridades da segurança pública. Através da quebra de sigilo dos celulares desse casal, os policiais chegaram até Paloma e Leonardo, sobrinhos diretos de Marcola, e ao principal operador financeiro da família do líder máximo, Everton de Souza, conhecido pelo codinome de Player. Foi a análise minuciosa das transações de Player que puxou o fio da meada que ligava o coração financeiro do PCC diretamente às contas bancárias e empresas de Deolane Bezerra.

Casinhas de Taipa e os 35 Milhões Escondidos

A transportadora controlada pelo PCC utilizava uma tática conhecida no mercado financeiro como depósitos fracionados para irrigar as contas da influenciadora. Everton, o Player, coordenava transferências constantes de valores baixos, como dois, três ou cinco mil reais, evitando ultrapassar a barreira dos dez mil reais, teto que obriga os bancos a identificarem formalmente a identidade do depositante. Durante um mandado de busca e apreensão na residência de Player, a polícia localizou uma caixa que continha 20 mil reais em dinheiro vivo e, na tampa, o nome manuscrito de Deolane acompanhado da frase: o justo não se justifica

Irmã expõe cartas amorosas recebidas por Deolane Bezerra na cadeia e revela  pedido da influenciadora, presa há mais de 15 dias

O choque dos investigadores foi ainda maior ao rastrearem os endereços fiscais das empresas pertencentes à Deolane. A DSD Cobranças, empresa de propriedade da famosa que declarava movimentações milionárias, estava registrada em uma casa humilde e antiga de um bairro periférico na cidade de Santo Anastácio, no interior de São Paulo. No local, morava apenas uma idosa que sequer sabia quem era a influenciadora, mas a residência sediava no papel 12 empresas de fachada diferentes. Em outra diligência na cidade de Martinópolis, a polícia descobriu que uma casinha de taipa servia como endereço oficial para outra empresa de Deolane, dividindo o teto com impressionantes 35 empresas fictícias que utilizavam o mesmíssimo contador responsável por abrir as firmas fantasmas da alta cúpula do PCC.

O Desespero do Saque de 1 Milhão no Banco

Os dados obtidos com o afastamento do sigilo bancário da influenciadora revelaram um cenário de total incompatibilidade fiscal. Enquanto Deolane Bezerra declarava ao Imposto de Renda rendimentos anuais que orbitavam entre 500 mil e 1 milhão de reais, suas contas bancárias pessoais registraram a movimentação astronômica de mais de 70 milhões de reais em um curto período de dois anos. Desse montante, a perícia técnica identificou que pelo menos 19 milhões de reais entraram nas contas através de depósitos de origem completamente impossível de rastrear. A investigação apontou ainda que a advogada realizava transações financeiras suspeitas com 34 intermediários diretos ligados ao tesoureiro da facção, convertendo o dinheiro do pó em bens de luxo, como uma McLaren avaliada em 3 milhões de reais na garagem do seu filho adotivo Gilliard, de 21 anos, que movimentou sozinho 11 milhões de reais sem possuir qualquer atividade empresarial.

O nível de desespero da família Bezerra com o avanço das investigações ficou evidente quando Dayanne Bezerra, irmã de Deolane, compareceu a uma agência do Banco Itaú e tentou realizar o saque em espécie de 1 milhão de reais direto na boca do caixa. Diante da recusa dos funcionários, que propuseram a realização de uma transferência virtual para rastreamento, Dayanne negou veementemente a transação online, alegando que precisava do dinheiro vivo para a compra imediata de um imóvel. O comportamento atípico acionou os alarmes de lavagem de dinheiro da gerência do banco, que bloqueou a operação e determinou o encerramento compulsório de todas as contas correntes mantidas pela família Bezerra na instituição financeira.

A Guerra de Bastidores e a Ordem de Prisão

A ordem de prisão preventiva contra Deolane Bezerra, sua mãe Solange e suas irmãs não foi uma medida intempestiva da justiça para gerar engajamento na mídia, mas sim a aplicação do único remédio jurídico capaz de paralisar a máquina de lavagem de capitais da organização criminosa. Segundo as declarações do promotor de justiça Lincoln Gakiya, o homem que há décadas lidera o combate ao PCC no país e vive sob escolta armada 24 horas por dia por ser o alvo número um da facção, Deolane atuava como um verdadeiro caixa eletrônico do crime organizado, usando brechas advocatícias e o alcance de sua imagem pública para recrutar novos influenciadores e capilarizar os recursos da droga.

O isolamento da cúpula do PCC em presídios federais desde 2019 provocou um colapso na comunicação do grupo, desencadeando uma guerra interna sangrenta e inédita entre Marcola e antigos aliados como Tiriça e Abel Pacheco, que disputam o controle dos bilhões gerados pelas rotas internacionais. Para tentar conter as investigações, a facção uniu forças com outras organizações, como o Comando Vermelho, financiando bancas de advogados caríssimos com o objetivo de processar o Estado brasileiro no Supremo Tribunal Federal e na Corte Interamericana de Direitos Humanos, usando a mesma Constituição que eles rasgam nas ruas para tentar garantir a impunidade de seus operadores.

As garras da organização criminosa chegaram a planejar atos de terrorismo que superam as ações dos cartéis colombianos de Pablo Escobar. A Polícia Federal desarticulou planos reais que custaram milhões de reais para sequestrar e assassinar o senador Sérgio Moro e sua família, além de atentados contra magistrados e o próprio promotor Lincoln Gakiya.

Sergio Moro no podcast "Direto de Brasília" - Folha PE

A ousadia máxima do PCC foi detectada em um plano que previa o investimento de 60 milhões de reais para contratar mercenários da África, do Oriente Médio e dissidentes das FARC da Colômbia para invadir a capital federal e resgatar Marcola do Presídio Federal de Brasília utilizando armamento de guerra pesada, o que obrigou o fechamento de aeroportos e a mobilização de tropas do Exército na região. É por essa razão que manter Deolane atrás das grades foi considerado essencial pelas autoridades: cada centavo lavado através de suas empresas de fachada e ostentado em suas redes sociais era o combustível financeiro utilizado pelo PCC para comprar fuzis, corromper agentes públicos e financiar a morte de servidores da lei no Brasil.