Davi Alcolumbre em queda livre: A armadilha de Lula, a fúria de André Mendonça e o pânico que tomou conta de Brasília
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O clima nos bastidores de Brasília não é apenas de tensão, é de pânico generalizado. O que parecia ser uma jogada de mestre da ala bolsonarista e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, transformou-se no que analistas já chamam de o maior tiro no pé da história recente do Congresso Nacional. Ao tentar articular um acordão para salvar aliados e peitar o Judiciário, Alcolumbre não só caiu em uma armadilha estratégica armada pelo governo Lula, como também despertou a fúria de um “terremoto” silencioso dentro do Supremo Tribunal Federal: o ministro André Mendonça.
A semana começou com o governo sorrindo e a oposição acuada. Pesquisas internas, tanto do PT quanto do PL, mostram que a narrativa do Congresso inimigo do povo colou na opinião pública. Lula conseguiu o que parecia impossível: vestir novamente o figurino de candidato antissistema, enquanto figuras como Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre ficaram carimbadas como protetores de criminosos.
O fatiamento inconstitucional: A casca de banana de Alcolumbre
O ponto central da crise é o projeto da dosimetria das penas. Para tentar evitar o desgaste político de ser visto como o homem que reduziu penas para estupradores, pedófilos e chefes de facção em pleno ano eleitoral, Alcolumbre inventou uma manobra jurídica inexistente na Constituição: o fatiamento do veto presidencial.
A regra é clara: o presidente veta um artigo, um parágrafo ou um inciso por inteiro. O Congresso, por sua vez, deve decidir se mantém ou derruba o veto na íntegra daquela unidade. Alcolumbre, em um ato de desespero para salvar a pele dos envolvidos nos atos golpistas sem levar a culpa pelo restante do pacote de impunidade, fatiou o que não poderia ser fatiado. O resultado? Uma enxurrada de críticas de constitucionalistas e a certeza de que o STF anulará a votação por vício de forma. Alcolumbre achou que estava sendo esperto, mas apenas forneceu ao Supremo a munição necessária para invalidar todo o movimento.
André Mendonça: De aliado a pesadelo de Alcolumbre

Se Alcolumbre achava que o STF se limitaria a questões regimentais, ele ignorou o fator humano. A derrubada da indicação de Jorge Messias para o STF — um movimento articulado por Alcolumbre e pela extrema direita — foi a gota d’água para André Mendonça. Messias era a ponte que Mendonça precisava para deixar de ser uma ilha isolada no tribunal.
Agora, o ministro terrivelmente evangélico está furioso. O burburinho em Brasília é que Mendonça não vai mais segurar processos. Pelo contrário, ele deve acelerar as investigações que envolvem o entorno de Alcolumbre. Vale lembrar que o braço direito e ex-tesoureiro de campanha do senador já está preso por um desvio milionário de quase R$ 400 milhões no Amapá. Se esse passarinho resolver cantar em uma delação premiada para escapar de uma pena pesada, o destino de Alcolumbre pode ser traçado dentro do gabinete de Mendonça. O silêncio do ministro é, hoje, o som mais assustador para o centrão.
O fator Jorge Messias: Da AGU para o Ministério da Justiça?
A estratégia de fritar Jorge Messias para o STF pode ter criado um problema ainda maior para os bolsonaristas. Com o clima insustentável na Advocacia-Geral da União devido ao suposto corpo mole de Alexandre de Moraes e Flávio Dino na sua indicação, Messias estaria pronto para assumir um cargo com muito mais poder de fogo: o Ministério da Justiça.
Se Messias assumir o comando da Polícia Federal, a blindagem que o centrão e o bolsonarismo tentam construir no Congresso vai derreter. Há um medo real de que investigações enterradas em 2020, como o caso da mansão de luxo de Flávio Bolsonaro comprada com juros abaixo da Selic, voltem à tona com força total. O Banco de Brasília (BRB) e seus antigos diretores já estão na mira, e qualquer nova prova pode ser o xeque-mate em candidaturas presidenciáveis da direita.
Alexandre de Moraes e o tempo do Judiciário

Enquanto Alcolumbre corre contra o relógio, Alexandre de Moraes joga com o tempo a seu favor. Mesmo que o projeto da dosimetria passe por um milagre jurídico, a redução de penas para os golpistas não é automática. Cada preso terá que peticionar ao relator, e Moraes não tem prazo legal para decidir.
Como diz o ditado nos corredores do STF, o ministro pode sentar em cima dos processos por décadas. Ele pode levar 20 anos para decidir se reduz a pena de um réu ou não. Para políticos que dependem de anistia imediata para concorrer em 2026, essa demora é equivalente a uma sentença definitiva de inelegibilidade. A oposição peitou Moraes, mas esqueceu que, no processo penal, quem tem a caneta do tempo é o juiz.
O despertar da opinião pública: De Ana Paula Renault aos trabalhadores
Para fechar o caixão da estratégia de Alcolumbre, a mobilização popular tomou proporções gigantescas. A influenciadora Ana Paula Renault viralizou um vídeo com dezenas de milhões de visualizações, expondo a hipocrisia de um Congresso que corre para aprovar impunidade, mas senta em cima de projetos que beneficiam o trabalhador, como o fim da escala 6×1.
Lula subiu nas pesquisas porque o povo percebeu quem está trabalhando contra os interesses básicos da sociedade. Alcolumbre, que sonhava em se reeleger presidente do Senado com facilidade no próximo ano, agora chega enfraquecido, isolado e sob a mira de um STF que não aceita mais desaforos regimentais. A casca de banana foi lançada, Alcolumbre escorregou, e o tombo promete ecoar até as urnas de outubro. O pânico em Brasília tem nome, sobrenome e cargo, mas parece que o poder de Davi Alcolumbre está com os dias contados.