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PAOLA AVALY: A ORDEM QUE SAIU DA PRISÃO CENTRAL DE PORTO ALEGRE

PAOLA AVALY: A ORDEM QUE SAIU DA PRISÃO CENTRAL DE PORTO ALEGRE

No ano de 2018, em Porto Alegre, foi gravada uma cena de 11 segundos que se espalhou por toda a rede social. O vídeo causa medo e angústia, o que era visível nos olhos da guria de 18 anos que olhou para trás pela última vez. Conheça agora o caso de Paola Avali Correa.

Tudo começa com a mãe de Paola. Ela era casada, morava em Porto Alegre. O casal tinha uma filha mais velha e outra gurizinho.

Até que ela descobre a terceira gestação. Nesse período, essa mãe, ela trabalhava como recreacionista em uma escola infantil. amava as crianças, adorava o trabalho que prestava, mas tinha uma menina em especial que era muito grudada nela e se chamava Paola. Então, quando ela descobre que estava grávida de uma menina, ela, sem dúvida decide colocar o nome de Paola em homenagem à aquela criança tão querida.

Ainda quando ela estava grávida, faltando um mês ali pro parto, ela acaba perdendo a mãe dela, uma dor, né, que nem se mede, um luto que abalou a todo mundo naquela casa. E foi nesse meio aí que a caçula Paula Avali Correa nasceu no dia 21 de agosto de 1999 no Hospital Divina Providência em Porto Alegre. A chegada da Paola foi bem marcante, né? Porque daí os dois irmãos estavam esperando ver a irmãzinha pelo vidro da maternidade.

E a irmã mais velha lá com 12 anos ficou maravilhada quando viu a Paola porque a bebê tinha um sinal no pescoço igualzinho o sinal que ela tinha na perna. O irmão também ficou muito feliz porque Paula nasceu no dia do aniversário dele e foi com o nascimento de Paula que a família naquele momento se alegra mais uma vez. Paola cresceu cercada de amor pelos pais e pelos irmãos.

Mas quando a Paola ela fez 5 anos, a família foi marcada por outra perda. Nesse caso, o pai. Só que esse pai ele não morreu. Esse pai, gente, ele sumiu, ele desapareceu e nunca mais voltou. ficou essa mãe com a responsabilidade financeira, que vocês sabem que não é fácil, se multiplicando ali em 1000 para pagar as contas, educar os filhos e sustentá-los.

E a irmã mais velha acaba aí ajudando a mãe a criar tanto a Paula quanto esse guri mais novo que ela. Então era tudo muito difícil. Assim que eles foram crescendo, já foram trabalhando fora. E quanto a Paola, ela cresceu sendo uma guria muito contente, embora os perrengues aí que a família passava, ela era divertida, alegre, adorava dançar, desenhar, amava a arte, tanto que ela queria seguir a carreira artística, ou dançando ou cantando e sonhava em ser famosa.

A irmã diz que ela não sonhava pequeno, ela sempre sonhou grande. Estudava na Escola Estadual Oscar Pereira. Quando ela completou 17 anos, ela conseguiu um trabalho em um supermercado de uma rede grande que possui uma filial no menino Deus. A família seguia normalmente, estava numa boa fase, todos daquela casa trabalhavam.

A irmã mais velha da Paola casou, teve filhos, constituiu a família dela, mas sempre estava ao lado da irmã para tudo que ela precisasse. E para deixar claro aqui, a família, ela não era envolvida com crime, nem mesmo tinha amizades com pessoas ligadas a criminosos. E aí que a coisa pega, porque no ano de 2017 a Paula, ela começa a ter amizade que não devia, amizade ruim, gente que não prestava.

Fora isso, as redes sociais era visível o quanto a Paola modificou. Faziam posts que a mãe dela tinha muito medo, inclusive, e alertava: “Filha, olha, tu não anda com esse tipo de gente, essas pessoas eu não sei quem é, a gente não sabe quem é. Cuidado, eu tô vendo a tua rede social dessa forma.

Mas sabe o que que a Paula dizia? Ah, mãe, não tem nada a ver. Não tem nada a ver. Eu não vou ser isso. Não é porque eu ando com essa gente que significa que eu vou ser um deles. Só que foi sim, foi uma porta de entrada pra vida dela se transformar num pesadelo. Na rede social, isso mesmo, na rede social Facebook, tá? Ela acaba conhecendo um guri chamado Nathan Cirangelo, que segundo a investigação, ele administrava uma facção no bairro Bom Jesus.

Ele estava preso desde março de 2016. Isso mesmo. Ele tava na cadeia, ele tava preso na cadeia pública de Porto Alegre, cumprindo pena por tráfico de drogas, porte legal de arma e tentativa de homicídio. E era do presídio que esse cara mandava mensagem pra Paula, que foi gostando dele cada vez mais. E não se enganem, tá? Ela sabia que ele era um detento e que ele tinha uma ficha criminal mais suja que pau de galinheiro.

E mesmo assim ela assume esse relacionamento. No dia 3 de dezembro de 2017, a Paola já tinha completado 18 anos e achou uma boa ideia maravilhosa ir visitá-lo na cadeia. Olha a cabeça de Jirico da Guria. Pois éí ela vai, tá? Ela vai nessa data e lá nessa visita. Ela não era só a namorada dele a partir dali, ela era a companheira dele.

E aí o que ela faz? Como a mãe e os familiares não aceitavam aquilo tudo que ela estava fazendo, ela sai da casa da mãe, ela vai embora e daí pra frente foi só para trás. Ela larga os estudos, ela não termina o ensino médio e abandona completamente o serviço no supermercado e passa a morar com os familiares de Natã.

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Ela vivia indo no presídio fazer visitas ao companheiro. Segundo a investigação, o preso tocava um negócio ilegal e mantinha financeiramente a Paola, que depois de alguns meses saiu da casa dos familiares do Natã e passou a morar numa casa paga pela organização criminosa da qual ele fazia parte. Em 2018, a Paola começou a sentir o peso do buraco que ela tinha se enfiado e foi vendo como era viver naquele submundo.

Em março de 2018, ela visita a família, ficou uns dias inclusive na casa da irmã. Elas passearam no shopping, parecia feliz, mas essa irmã sentiu que a caçula estava arrependida do que fez, mas não tinha mais como voltar. As redes sociais da Paola ficavam cada vez mais pesadas, cheia de palavrões.

Ó, gente, um fiasco, tá? Era uma vergonheira aquele perfil. Tanto que ela dizia cursar contabilidade na faculdade do crime era visível uma mistura de medo e ameaça. Às vezes ela recebia ameaça, às vezes ela era ameaçada, ao mesmo tempo que se fingia de despreocupada. Além disso, tinha uma guria que vivia ameaçando ela e deixava recado para ela visualizar as mensagens particulares na rede social, mas a Paola já não dizia nada.

Aí lá na frente a gente vai entender que essas ameaças se davam porque a Paola estaria se envolvendo com o esposo dessa guria. A Paola, ela não era santa, ela era da pá virada, na verdade. Tanto é que depois dessas ameaças e em março de 2018, ela mantém o Facebook ativo, mas ela não postava mais nada.

Mas o relacionamento ele era cheio de alto, baixo, baixo e baixo. Os dois discutiam demais e continuavam conversando pela rede social mesmo com ele dentro do presídio. Teve uma visita aí que ela fez para ele que ele acaba agredindo a Paola lá dentro, sendo necessário a intervenção dos agentes penitenciários. Segundo essa delegada, ainda diz que tal violência lá dentro não havia sido registrada.

Nesse período ocorre também um boletim de ocorrência que a Paola faz. Esse registro que ela acaba fazendo não é com relação à agressão do marido, mas sim a agressão de uma mulher que bateu nela porque ela estava se envolvendo com homem casado. Até que chega o dia 9 de maio de 2018, a Paola, ela foi fazer uma visita ao Natã no presídio central, entra às 11:47 e sai às 4:34.

E segundo a investigação, foi naquele dia que a Paola decide dar um ponto final naquela relação. Ela termina com o Natã e o que era ruim fica muito pior, porque segundo a denúncia, o Nathan Cirangelo de 23 anos, interpretou esse término como uma traição. Isso por, gente, rolava uma conversa nos grupos de mensagens, inclusive que o próprio Nathan participava de que a Paola estava envolvida com outro guri de uma facção rival.

Então, ele decide a partir disso matar a sua namorada. E o Natã, ele mesmo preso, continuava atuando como gerente de um ponto de tráfico de drogas no Bom Jesus. A facção que ele pertencia não foi divulgada, por isso que eu não vou falar para vocês, porque a gente não sabe nem quais das facções eram. Mas o fato é que ele não queria atrair a polícia para aquela área.

Então, para realizar o plano de matar a namorada, conversa com um colega de detenção que ficava numa outra área chamado Bruno Cardoso Oliveira. Este que também era um presidiário, continuava atuando como gerente de um ponto de drogas na Vilaca. Ou seja, o crime ocorreria numa área onde o Bruno tem influência e não o Natã. Ainda conforme a denúncia, o Bruno, ele fez um recrutamento.

Ele conversa com o Vinícius Mateus da Silva. Este seria responsável por Raptara Paola executar. E o Carlos Cleudemir Rodrigues da Silva. Este conduziria um veículo. O grupo contaria também com a ajuda de Thaís Cristina dos Santos para a logística. Esta cederia um espaço para manter a Paula em cárcere e também faria as filmagens.

Chamaram o Paulo Henrique Silveram Merlo, do qual seria encarregado a cavar a cova. Enquanto o planejamento corria do cárcere pra rua, na sexta-feira do dia 11 de maio de 2018, a Paola conversou com a irmã dela por telefone, porque a última vez que elas se viram foi em março. E aí elas combinam assim: “Olha, esse domingo é dia das mães, vamos todos paraa casa da mãe”.

E naquele mesmo dia 11, a Paola e o Natã acabam conversando novamente. E segundo a investigação, o Natã insistia para que a Paola fosse encontrar dois homens no dia seguinte, mas ela se recusou. Deu dia 12 de maio. Natã volta a ligar para Paola. disse que dois homens a esperariam em tal ponto. Ela se nega e diante da apressão que o mesmo fez e das ameaças, ela chegou a dizer assim: “Tá, então eu vou.

” Só que ela não aparece, ela não vai. E aí não deu outra, minha gente. O Natã, ele entra em contato com a Paola e começa a ameaçar essa guria. Já era madrugada do dia 13 de maio, dia das mães. Foi quando, segundo a imprensa, o Nathan ele posta uma foto da Paula no grupo dos criminosos, do qual ele fazia parte, e a fofoca ali aumenta.

Um diz que já havia tido relação com a Paola, que ela era isso, isso e aquilo outro. Ela, por sua vez, tem conhecimento dessas mensagens, começa a ficar muito preocupada com o que poderia ocorrer com ela. Tenta duas vezes ligação para 190 da Brigada Militar e, segundo os relatos da própria delegada, as chamadas não foram atendidas naquele momento.

Deu 4 horas da manhã. A Paola faz uma postagem na rede social dela, que já fazia dois meses que ela não postava mais nada. E lá ela usa aqueles palavreados bem feios, né? do qual dizia que o ex tinha colocado uma foto dela num grupo ligado à facção e que ela tinha terminado o relacionamento com ele porque apanhava horrores do guri.

Nessa mesma postagem, ela insinua que sim, que ela havia o traído e aí não dá outra. O Natã liga para ela e manda que ela fosse esperar os dois homens na frente de uma escola. E dessa vez a Paola com medo cedeu e foi. Deu 8 horas da manhã. Segundo a delegada Tatiana, a Paola se encontra com Vinícius Mateus da Silva e Carlos Cleomir Rodrigues da Silva.

O ponto foi no bar do CFER 2, na escadaria do colégio Ivaristo Gomes Gonçalves Neto. A Paula, ela se mantinha ali como ela conseguia, já imaginando que algo muito ruim iria acontecer com ela, mas não tão ruim. Só que os guris eles chegam, a Paula entra no carro e é levada até a Vila Tamanca, na residência da Thaís Cristina, que emprestou aquele imóvel pra galerinha do mal.

E junto da Thaís estava também o Paulo Henrique Silveira. Ao chegar na casa, a Paula é amarrada com as mãos para trás. amarraram também as pernas dela. Ela foi coagida, passou uma sessão de tortura psicológica absurda e foi obrigada a conversar com o Natã por telefone. Gente, ali ela chorou, ela apelou, ela implorou, pedindo desculpas inúmeras vezes, mas o chefe do grupo Violento, não teve nem dó nem piedade para que ela fosse ouvida, mas o chefe, ele não teve dó nem piedade.

Pelo contrário, ele apavorou ainda mais a Paola. Natã, ele determina naquele momento onde ela ouvia o que cada um deveria fazer. Depois disso, esse grupo dá entrada num mato, longe de qualquer casa, longe de vizinhos, não havia ninguém perto, não adiantava nem gritar. Eles caminham por um tempo até que o Paulo ele acha ideal aquele ponto e aí ele começa a cavar enquanto um adolescente ficava sob a vigia da Paola e os demais que assistiam.

Foi 2 horas, gente, 2 horas ele abrindo a cova e a Paola sabendo que ia ser morta e jogada ali, tá? Era em torno das 5:30 da tarde quando o grupo acha que aquele tamanho de cova já estava bom. Thaí liga a câmera. É possível se ouvir o menor de idade dizendo: “Vamos soltar”. A Paula, ela entra na cova, olha em direção pra câmera pela última vez e dá de ver o olhar dela de desespero e pede desculpas mais uma vez.

Uma arma é apontada para ela e com as mãos ainda amarradas para trás, ela deita, tentando se ajeitar ali como podia dentro daquele buraco e em segundos é atingida por dois disparos na cabeça. O vídeo se encerra. Conforme a investigação, o arquivo foi enviado para Natã e logo depois passou a circular nos grupos de mensagens ligadas à organização criminosa.

Enquanto isso, a família esperava a visita da Paola do Dia das Mães, como ela havia prometido, né? Ainda de manhã, a irmã mais velha tenta ligar pra Paola. Não tinha nem sinal, o celular desligado. Passou-se o horário do meio-dia de tarde e nada. Mais ligações e telefone desligado. A preocupação cresceu. A mãe ficou triste.

Ela disse: “Mas como que a Paola não apareceu aqui nem ao menos me ligar para desejar feliz dia das mães?” Deu de noite, aí pronto. Ah, não. Aconteceu alguma coisa. Ela não faria isso nunca. Sem sinal da Paola, eles decidiram procurar a polícia e registrar o desaparecimento. Foi a partir daí que o DHPP passa a investigar o caso.

Ainda no domingo, eles analisaram as redes sociais da Paola, né? Viram aquilo tudo que tinha lá, muitas pistas inclusive, né? E aí eles entendem que o desaparecimento dela só poderia ter se dado por meio de grupo criminoso. Aí chega o dia seguinte, as imagens se espalham, gente. Vazou na rede social toda.

E esse vídeo ele causava muito impacto e causa até hoje porque ele ainda continua rolando na rede. Cada segundo que se vê daqueles 11 segundos parece ser uma eternidade. E pra piorar, a família tem acesso esse vídeo no dia 15, bem como a polícia que assistia aquilo tudo, mas não fazia nem ideia onde que ficava aquele matagal. Os familiares já viviam ali um moço de sentimento.

Era a dor da perda, sabendo que a Paola já não tinha mais vida. ao mesmo tempo o medo de alguém fazer algo contra eles, porque eles não sabiam exatamente no que que essa guria estava envolvida, nem com quem, foi onde eles decidiram ficar mais recluso. Além disso, a única coisa que eles queriam era o corpo da Paola para poder se despedir.

Ali era família em pânico, bem como toda vizinhança. E a resposta, ela veio na manhã da quinta-feira do dia 17 de maio, quando a polícia encontra o corpo da Paola na Vila Taman, hoje conhecida como Vila Esmeralda. Eles nunca passaram detalhadamente como chegaram até o corpo, mas reconheceram imediatamente a Paola por conta da roupa que ela parecia vestida naquelas imagens.

No dia 18 de maio de 2018, a delegacia de atendimento à mulher, que tinha à frente a delegada Tatiana Barreira Bastos, assumiu o caso como feminicídio, uma linha ali adotada nas primeiras horas da apuração do inquérito. Logo, as investigações já apontam Natã como possível mandante e toda a história que eu trouxe para vocês até aqui.

Nesse meio tempo, um jornalista experiente de Porto Alegre, ele reúne todos os prints que ele conseguiu, que foram postados naquele grupo dos criminosos e publica no blog dele. Mas daí ele levanta uma hipótese. Aí ele acredita que o Nathan poderia não ter sido o mandante, que quem mandou matar Paola foi um outro namorado. Na concepção dele, a Paula, ela já tinha um envolvimento com um guri do meio criminoso que era de uma facção rival do Natã e só depois ela conhece o Natã.

Entenderam? Então ela havia traído, era o primeiro namorado com Natã. Isso porque quando ela deixa lá no post que ela apanhava do ex, muitas vezes esse jornalista entende como que o Natan ia bater nela lá dentro tanto assim. Então, seria o contrário. Ela não traiu Natã, ela traiu um outro faccionado com o Natã. Ainda levantou mais uma hipótese.

Será que não era aquela guria que ameaçava ela pelas redes que teria matado a Paola? Porque quando ela olha para trás, ela pede desculpas mais uma vez, parecendo que ela estava pedindo desculpa para a pessoa que estava filmando ela. E por fim, esse jornalista, ele declara no blog que a polícia deveria investigar outros meios e não só aquela linha de raciocínio que estavam seguindo.

Logo depois, a delegada, ela acaba esclarecendo todas essas hipóteses para esse mesmo jornalista, que também fez questão de botar no blog dele para trazer esclarecimento a toda a população, né? E a delegada, ela disse que todas aquelas possibilidades que o jornalista havia levantado anteriormente eh haviam sido descartadas, porque em 10 dias a polícia, ela consegue concluir que o Natã ele era o mandante.

No dia 19 de maio, a polícia prende dois dos primeiros envolvidos no crime que faziam parte daquele grupo. Passa mais um mês. No dia 20 de junho, a polícia prende a Thaís e o Paulo Henrique Silveira, bem como o Carlos Cleomir Rodrigues da Silva. No dia seguinte, dia 21, a polícia anuncia o sétimo preso, no caso o adolescente de 17 anos.

O inquérito ele somava-se mais de 200 páginas e, segundo a delegada, havia ali bastante provas robustas e convicção sobre a participação de cada um deles, que tiveram as prisões mantidas até o julgamento. No ano de 2021, o caso ele não estava em plenário ainda. A polícia já tinha o inquérito, o Ministério Público já tinha denunciado e o juiz do júri deu a pronúncia que havia indícios que essas pessoas envolvidas naquele crime iriam a júri popular.

Só que a defesa ela recorreu dessa decisão, o que acabou atrasando ainda mais. No fim, a pronúncia foi mantida, o processo ele foi para jurri popular e aí sim as sessões foram marcadas para 2023 pela quarta vara do júri de Porto Alegre. Eles foram julgados em dias diferentes, todos presididos pela juíza Cristiane Buzato Zardo.

Em 28 de fevereiro de 2023 foi a julgamento o Vinícius Mateus da Silva, que raptou a Paola, né, bem como executou os tiros. No interrogatório, o Vinícius disse que a postagem da Paola, que ela insinuava a traição, seria direcionada a ele e não ao Natã, porque ele é quem tinha relacionamento com ela naquele momento.

Afirmou também que foi a bom Jesus onde ela morava para dar um susto na Paola, porque ele estava com raiva, mas acabou efetuando os disparos e confessou ter coagido o Paulo para cavar a cova e obrigou também a Thaís a filmar. Ele disse que agiu por ciúme e que era gerente sim de uma facção e que ele estava arrependido.

Minha gente, foi um golpe de mestre aí, né? Foi quando o próprio advogado de defesa dele ficou surpreso porque nem ele sabia disso, né? E aí questionado pelo promotor na hora que era o Dr. Eugênio Amorim se ele estava fazendo aquelas declarações para proteger o próprio Natã e os outros dois superiores da facção.

Só que ele negou, ele disse: “Não, não foi eu mesmo”. O advogado ficou louco, né? Daí ele perguntou: “Tá, mas por que que tu tá confessando isso aqui agora?” Aí ele disse o seguinte, que era por consciência, né, que ia acustar a vida dele na cadeia, mas pelo menos ele estaria assumindo o que fez. Uma baita de uma jogatina, minha gente, mas que acabou com ele condenado a 28 anos.

O Carlos Cleudemir Rodrigues da Silva, que ajudou ali, né, na captura e também serviu como motorista. Ele pegou uma pena de 16 anos e 2 meses. Embora ele negou qualquer envolvimento com crime, disse que não conhecia aquelas pessoas e que nunca esteve na Vilaca e que havia perdido a família e tudo que ele tinha por conta daquele caso.

Ele era inocente. O Paulo Henrique Silveira Merlo, ele admitiu ter sim aberto a cova, mas que ele só fez isso porque o Vinícius obrigou ou ele abrir a cova ou ele seria morto. Então ele afirmou ter tido contato direto com a Paola e este foi condenado a 8 anos e 10 meses. Chega o dia 2 de março de 2023. O Nathan Cirangelo, né, o ex-companheiro da Paola emante do crime, ele foi condenado a 36 anos, mesmo que ele tenha negado envolvimento nesse crime, a defesa do Nathan alegou que ele não participou e que o outro ex-companheiro seria o

responsável e que ele nem entendia o porquente dele era questionado sobre ser líder de uma facção criminosa, porque se ele fosse líder de uma facção criminosa, ele não estaria ia passando dificuldades dentro do cárcere. Além disso, falou que a família do Natã é uma família que passa muita dificuldade, que é muito simples e se ele fosse um gerente de tráfego, a família não passaria tantas dificuldades financeiras, como era o caso.

Esse advogado de defesa disse assim: “Olha, o Vinícius alegou em julgamento que fez o que fez. Ele é que tinha relacionamento com a Paola e não o Natã. Para o Ministério Público, aquilo tudo era uma manobra para absolver os demais réus. Ou seja, o Guilherme teria pego toda a culpa para si. Mas não adiantou nada. O Natã, ele foi sim condenado a 36 anos de prisão em regime fechado.

Nesse mesmo dia, houve também o julgamento do Bruno Cardoso Oliveira, que era apontado, né, como o responsável que planejou e recrutou o grupo. Ele foi condenado a 31 anos, embora ele tivesse também negado envolvimento. A defesa dele disse que não havia nenhuma prova direta que ligasse o Bruno àquela execução e que o próprio responsável já havia admitido que fez o que fez no julgamento anterior, mas não convenceu o juo.

Agora a Thaí que filmou, né, e emprestou apoio logístico, ela foi condenada também, só que há 9 anos de prisão, mas ela com o direito de apelar em liberdade. Ela disse que sim, que ela filmou, mas que obedeceu porque era coagida sob ameaça de morte. A defesa descreveu ela como uma pessoa que estava em sofrimento psíquico na prisão, porque ela tinha depressão e também realizava automotilação.

Isso tudo para sustentar que ela não agiu por vontade própria naquele momento. E só para deixar claro aqui que essas informações das condenações, elas são as das decisões do Tribunal do Júri do dia 28 de fevereiro de 2023 e do dia 2 de março de 2023. Depois dessa data não tem informação pública de qualquer decisão que tenha tido em segunda instância que mude esse cenário.

Atualmente não se tem notícias públicas se algum desses criminosos já saíram da cadeia ou se entraram com o recurso. Então, a partir dessa data que eu disse para vocês, eu não tenho informações do que ocorreu com cada um. E esse vídeo da Paola, ele é um dos casos mais comentados quando se fala em execução cometida por grupo criminoso para com mulheres.

Esses vídeos, gente, eles não são moda, eles são um mecanismo de terror que tem crescido cada dia mais no nosso país. As execuções elas vêm servindo para dar um recado de poder. A gente aqui no canal busca trazer a vida da vítima, a história familiar, os sonhos que essa pessoa tinha. Bem, como lembrar a todos vocês que aquela guria, ela tinha a vida inteira pela frente.

O nosso intuito aqui não é reproduzir aquela imagem de violência, é lembrar a toda gurizada que nos assiste que esses grupos criminosos usam a dor como troféu. Eles vão entrando aos poucos nos bairros, inclusive na vida dos indivíduos, por eles aliciam aqui e aliciam a colá. A princípio, parece serem pessoas excelentes, queridas, que te ouvem, só que na realidade eles têm uma intenção por trás disso.

Portanto, esses vídeos eles se fazem tão importantes para dizer que a gurizada deve se manter longe de pessoas ligados ao crime. Sempre tem uma saída, gente, sempre tem. E o que acontece é que é uma sedução. Exatamente. É sedutor. Quem pertence a grupo, geralmente se veste bem, tem um bom aparelho celular, bom carro, boa moto, é uma ostentação totalmente falida, porque eles não conseguem nem dormir à noite.

Eles não sabem o que é colocar a cabeça no travesseiro e descansar. É uma vida repleta de medo e inimigo. É isso que eles fazem todos os dias, acumular inimigos. Existe uma conta que é feita de 5 anos para quem entra no mundo criminoso. Em 5 anos, a pessoa ou ela acaba morta ou ela acaba presa. É um dos dois.