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O Balanço da Primeira Fase: Quem brilhou e quem nos fez passar vergonha na Copa do Mundo

A primeira fase da Copa do Mundo chegou ao fim, e o que vimos não foi apenas um desfile de craques, mas uma montanha-russa de emoções, polêmicas de arbitragem que desafiam a lógica e, claro, aquele desempenho que faz o torcedor brasileiro questionar se alguns atletas realmente entenderam que estavam em um torneio mundial. Se por um lado tivemos o brilho técnico de seleções organizadas, por outro, tivemos atuações individuais que beiram o vexatório. Como é de praxe, é hora de separar o joio do trigo e montar a nossa seleção dos melhores e, talvez mais divertido, a lista das decepções — aqueles jogadores que chegaram com nome de craque e saíram com fama de “o que ele está fazendo aqui?”.

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O “Time dos Sonhos” da Fase de Grupos

Montar a escalação ideal da primeira fase exige uma mistura de dados frios e o bom e velho critério pessoal. No gol, Dominik Livakovic, da Croácia, foi o dono da posição. Enquanto muitos foram vazados por bobagens, ele manteve a compostura quando mais precisou. Menções honrosas, claro, não podem faltar: o goleiro da Arábia Saudita, Al-Owais, que foi praticamente um herói solitário em um time que parecia jogar com dez a menos, e o arqueiro do Irã, Beiranvand, que brilhou antes da eliminação precoce. Na lateral direita, Denzel Dumfries, da Holanda, sobrou. O homem é um motor, um trator que apoia e defende com a mesma sanha. Kimich (Alemanha) e o sempre voluntarioso Danilo, do Brasil, também merecem o aplauso — sim, Danilo, que calou muita boca com uma postura segura e participativa.

Na zaga, o francês Saliba mostrou por que é hoje uma referência de segurança, e a grata surpresa veio do Cabo Verde, com o zagueiro Diney Borges. Pode parecer estranho citar alguém de uma seleção eliminada, mas o futebol de Borges foi de encher os olhos, provando que a Copa ainda é o palco onde o desconhecido vira gigante. Na lateral esquerda, Anthony Robinson, dos EUA, foi um construtor de jogadas incansável, embora tenha sofrido com a desorganização defensiva americana no último jogo. Menção honrosa para o nosso Douglas Santos, que, apesar de toda a corneta que recebe, entregou o que se esperava: equilíbrio.

O meio-campo é onde o “coração do jogo” bate. Adrien Rabiot, da França, foi uma surpresa até para seus críticos mais ferrenhos — jogou como se a vida dependesse disso. Bruno Guimarães, depois de um início instável, assumiu o protagonismo no Brasil, ditando o ritmo com passes precisos e chegada ao ataque. Michael Olise, o novo prodígio francês, e o incontornável Lionel Messi, que, aos 38 anos, decidiu marcar em sete jogos seguidos, completam o setor. Messi não está apenas jogando; ele está flutuando sobre a grama, em uma busca obstinada pelo que pode ser seu último grande ato. Na frente, uma dupla que dispensa apresentações: Kylian Mbappé, o artilheiro implacável que parece jogar em outra velocidade, e Vinícius Júnior, o nosso ponta que se transformou em um segundo atacante letal, capaz de desmontar qualquer retranca com sua aceleração e criatividade.

O “Time da Vergonha”: Quem decepcionou e virou meme

Se os melhores nos encheram de orgulho, os piores são o retrato da frustração. E aqui, o nome que encabeça a lista no gol é Fernando Muslera. O uruguaio, que já teve seus dias de glória, tornou-se o sinônimo de “frango” nesta Copa. Ver um veterano de sua estirpe falhar em gols simples, a ponto de pedir para ser substituído no intervalo por pura vergonha, é um lembrete cruel de que, no futebol, o tempo não perdoa ninguém. Outro nome que dói citar é Manuel Neuer. Não que ele tenha sido o pior, mas, para quem se chama Neuer, ser vazado de forma trivial é um atestado de que a lenda precisa, talvez, de um merecido descanso.

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Nas laterais, a decepção atende pelo nome de Saud, da Arábia Saudita. O rapaz joga na Roma, na Itália — um centro respeitado —, mas na Copa, parecia que estava jogando em câmera lenta. Pelo lado esquerdo, Andrew Robertson, da Escócia, foi uma sombra do jogador dinâmico que vemos no Liverpool. Com 32 anos, ele parece ter sentido o peso da idade e o desgaste físico, sendo facilmente batido pelos pontas brasileiros. Na zaga, o escocês Hendry e o coreano Kim Min-jae foram os grandes “entregadores” de presente desta primeira fase, falhando em momentos críticos onde uma simples interrupção de jogada bastaria.

No meio-campo, a lista das decepções é povoada por nomes de peso que simplesmente não apareceram. Hakan Calhanoglu, da Turquia, e Federico Valverde, do Uruguai, foram fantasmas em campo. Valverde, especificamente, tem recebido críticas ferrenhas pela falta de entrega e pela incapacidade de se conectar com o jogo, o que é um choque para quem o vê brilhar no Real Madrid. No ataque, a situação é ainda mais dramática: Sadio Mané e Heung-Min Son. O sul-coreano, coitado, parecia não ter forças para vencer um duelo sequer. O cansaço físico e o peso da expectativa minaram qualquer brilho que ainda existia. E não podemos esquecer de Darwin Núñez, o atacante uruguaio que perdeu a titularidade por sua ineficiência crônica na frente do gol. Ver Darwin tentar finalizar é um exercício de paciência — ou melhor, de agonia para o torcedor uruguaio.

O VAR e a eterna discussão de bar

Não poderíamos encerrar sem mencionar a nossa “querida” tecnologia. O gol anulado da Colômbia contra Portugal continuará sendo assunto de mesa de bar por meses. Por um lado, a tecnologia semiautomática é rápida e eficiente; por outro, a sensação de que “mexeram no bonequinho” para justificar um impedimento milimétrico deixa o torcedor com uma pulga atrás da orelha. A arbitragem, que deveria ser um auxílio, muitas vezes parece o protagonista principal. É o tipo de lance que, se fosse a favor da Argentina ou de qualquer outra potência, estaria sendo discutido com muito mais fervor. No fim das contas, o VAR virou aquele árbitro que você ama quando marca a seu favor e detesta quando te tira um gol. É a tecnologia tentando resolver a subjetividade humana, mas que, na prática, só nos dá mais motivos para questionar a idoneidade do sistema.

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Perspectivas para o Mata-Mata: “Só por hoje”

O Brasil avançou, mas o torcedor brasileiro vive um estado de “esperança com desconfiança”. Passamos pela fase de grupos, o que é um alívio, mas o nível de exigência vai subir exponencialmente. A evolução do time de uma partida para outra é o nosso alento. Se o início foi travado contra Marrocos e Haiti, a atuação contra a Escócia mostrou que, quando o coletivo funciona, a nossa superioridade técnica aparece. O próximo desafio é o Japão, um time extremamente disciplinado e que não se entrega. Não espere um jogo fácil. O Japão é hoje uma realidade, não mais um figurante.

O que nos resta agora? Viver um dia de cada vez. O torcedor brasileiro é como um viciado em emoções: sofre, xinga, cornetou o Raphinha durante toda a fase de grupos, mas, na hora que a bola rola, está lá gritando gol. O Brasil precisa manter essa compactação que vimos no último jogo, com Bruno Guimarães e Matheus Cunha flutuando e conectando o jogo. Se mantivermos a seriedade, podemos chegar longe. Mas, como dizem os nossos amigos de boteco: “só por hoje”. Vamos passar pelo Japão, um passo de cada vez. Porque, nesta Copa, qualquer vacilo de dez minutos manda para casa até os maiores favoritos. O mata-mata começa agora, e, para o Brasil, não existe mais margem para testes ou decepções. É ganhar ou ver a final pela televisão. Estamos prontos? O coração diz que sim, mas o juízo diz para mantermos os pés no chão. Que venha o próximo!

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