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A GOLPISTA DE 37 ANOS QUE FINGIA TER 12 PRA SER ADOTADA

A Golpista de 37 Anos que Fingia ter 12 para Ser Adotada: O Caso que Chocou o País

 

No mundo da adoção e acolhimento de crianças e adolescentes, a confiança é a base de qualquer relação. Foi exatamente essa confiança que Amanda Maria Souza Oliveira, de 37 anos, que se passava por uma adolescente de 12 anos, explorou de maneira cruel e calculista. O caso, que atravessou seis estados brasileiros e se estendeu por mais de 15 anos, expôs a vulnerabilidade das famílias acolhedoras e revelou a complexidade do que especialistas chamam de sequestro emocional.

Tudo começou em Joinville, Santa Catarina, onde Amanda viveu por 14 meses com uma família que a recebeu acreditando estar cuidando de Gabriele, uma adolescente autista em situação de vulnerabilidade. Ela afirmava ter fugido de abusos cometidos pelo pai, um homem supostamente violento que teria forçado o uso de hormônios durante sua infância. A história era detalhada, convincente e emocionalmente carregada, o suficiente para criar um vínculo profundo com a família acolhedora.

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Durante esse período, Amanda apresentou comportamentos típicos de uma criança: usava chupetas e mamadeiras, tinha crises de pânico para dormir sozinha e pedia para ser colocada na cama pela mãe adotiva. Em vídeos e mensagens, expressava um apego infantilizado, chamando a mãe adotiva de “princesa de Jesus” e afirmando que a amava, reforçando o elo emocional que manipulava cuidadosamente. Ela chegou a celebrar um falso aniversário de 12 anos, com direito a monjear e presentes, fortalecendo ainda mais a percepção da família de que lidavam com uma criança.

O golpe de Amanda não se limitava a Santa Catarina. Ao longo de 15 anos, a golpista aplicou o mesmo esquema em diferentes estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Ceará. Cada vez, a estratégia era similar: criar uma narrativa de vulnerabilidade extrema, alegar maus-tratos familiares e convencer as famílias acolhedoras de que era uma adolescente necessitada de proteção.

 

A primeira suspeita de fraude surgiu quando uma tia da família catarinense percebeu inconsistências na história de Amanda. Pesquisas posteriores revelaram que a golpista já havia cometido golpes semelhantes em outras localidades. A polícia descobriu que Amanda utilizava diferentes nomes, como Gabriele, Ana Clara, Maria Eduarda, Beatriz e Maria Clara, sempre adaptando a identidade à situação e às pessoas que a recebiam.

O histórico de Amanda revela um padrão meticuloso. Em 2010, ela chegou a ser internada em um hospital de Natal com agulhas no abdômen, alegando ter 13 anos e sofrido maus-tratos. A equipe médica constatou que a idade era impossível, evidenciando que a história fazia parte de um ciclo de manipulação emocional e fraude. Em 2021, em Porto Alegre, ela ficou em um abrigo para menores, novamente passando-se por adolescente, e acabou sendo desmascarada após perícia médica que avaliou sua estrutura óssea.

 

No Rio de Janeiro, Amanda enganou a nutricionista Renata Magalhães e Viviane Henriques, diretoras de um projeto social, passando-se por Duda, uma adolescente autista com fala infantilizada. Ela permaneceu sob os cuidados das mulheres por um mês, até que suas atitudes suspeitas e crises de comportamento levaram à intervenção policial. Amanda foi presa por estelionato, falsa identidade e falsa ideológica, mas liberada após audiência de custódia.

O delegado Rodrigo Bueno, responsável pelo caso em Santa Catarina, descreveu Amanda como uma pessoa extremamente racional e colaborativa durante as investigações, demonstrando capacidade de planejamento e execução do golpe de maneira calculada. Apesar das alegações de transtornos mentais apresentadas pela defesa, não houve indícios de inimputabilidade, reforçando a gravidade das ações e a premeditação de cada golpe.

 

O modus operandi de Amanda evidencia a sofisticação do sequestro emocional: ela identificava a carência afetiva das famílias, construía uma história que explorava essa vulnerabilidade e estabelecia vínculos profundos, garantindo que os adultos ficassem emocionalmente envolvidos e relutantes em questionar suas alegações. O impacto psicológico sobre as vítimas foi significativo, pois muitas vezes priorizavam o cuidado e a proteção à análise racional da situação.

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A amplitude do golpe mostra a fragilidade de sistemas de acolhimento sem supervisão legal rigorosa. No Brasil, qualquer acolhimento deve ser mediado por órgãos competentes, como o Conselho Tutelar, para garantir que menores em situação de vulnerabilidade estejam protegidos. Amanda explorava justamente essa lacuna, sendo recebida informalmente por famílias de boa condição financeira e líderes religiosos que facilitavam sua entrada, sem uma verificação legal adequada.

 

A história de Amanda também levanta questões éticas e legais sobre a utilização de transtornos mentais como argumento de defesa. Embora seja legítimo que a justiça avalie a saúde mental de acusados, especialistas e vítimas apontam que muitas vezes essa justificativa é usada de maneira estratégica para tentar reduzir responsabilidade penal. No caso de Amanda, a racionalidade de suas ações e a repetição do golpe ao longo dos anos demonstram que sua conduta era intencional e calculada.

O caso da golpista de 37 anos ilustra um fenômeno preocupante: o poder do apelo emocional e da manipulação afetiva. Famílias bem-intencionadas, movidas pelo desejo de proteger e acolher, acabaram vítimas de uma fraude sofisticada. Cada história contada por Amanda era cuidadosamente estruturada para despertar compaixão, gerar confiança e, ao mesmo tempo, mascarar sua verdadeira idade e identidade.

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Além de Joinville, outros estados foram afetados por golpes semelhantes, mostrando que Amanda conseguia se deslocar, adaptar-se a novas famílias e repetir o esquema sem levantar suspeitas imediatas. O tempo de permanência em cada local variava, mas sempre existia o elemento de criação de vínculo emocional profundo, que dificultava a percepção de que se tratava de uma mulher adulta se passando por criança.

A exposição pública do caso chamou atenção da sociedade para os riscos do acolhimento informal e reforçou a necessidade de protocolos mais rigorosos para adoções e acompanhamento de menores. Especialistas em direito e psicologia infantil enfatizam a importância de avaliação médica, psicológica e social, além da verificação de documentos e histórico da pessoa acolhida, como forma de prevenir fraudes desse tipo.

 

Hoje, Amanda encontra-se presa em Santa Catarina, mas os processos contra ela ainda estão em andamento em diferentes estados. Cada caso reabre debates sobre segurança, responsabilidade legal e a proteção de crianças e adolescentes. A história serve como alerta para famílias, instituições religiosas e sociais, lembrando que a vulnerabilidade emocional pode ser explorada por golpistas habilidosos e calculistas.

O caso também evidencia a necessidade de educação sobre sinais de manipulação e sequestro emocional. Entender que histórias trágicas podem ser usadas para influenciar decisões é crucial para reduzir a exposição a fraudes. Organizações de acolhimento devem estar preparadas para questionar e investigar todas as alegações de vulnerabilidade, sempre respeitando a proteção da criança ou adolescente, mas sem abrir mão da cautela.

 

Amanda Maria Souza Oliveira se tornou um nome conhecido no Brasil não por sua juventude ou vulnerabilidade, mas por uma série de golpes que exploraram a bondade de famílias dispostas a acolher. A audácia e a reincidência do crime mostram que, para golpistas experientes, qualquer lacuna no sistema pode ser explorada. Sua trajetória levanta questões fundamentais sobre responsabilidade, proteção e vigilância no processo de acolhimento e adoção.

A história é chocante, perturbadora e, acima de tudo, serve como um alerta: nem tudo que parece frágil e vulnerável é o que aparenta ser. A confiança e o cuidado, elementos essenciais para proteger crianças e adolescentes, podem ser manipulados por aqueles que têm habilidade, coragem e frieza para explorar emoções alheias em benefício próprio. O caso de Amanda é um exemplo extremo, mas é também uma oportunidade de aprendizado para fortalecer sistemas de proteção, evitar abusos e impedir que histórias como essa se repitam.

 

O país observa, consternado, como a manipulação emocional, quando combinada com astúcia e falta de supervisão legal, pode gerar situações inimagináveis. E, mais do que isso, como famílias e instituições precisam estar preparadas para proteger não apenas menores, mas também a si mesmas de quem se aproveita da boa fé alheia. Amanda Maria Souza Oliveira, a golpista que fingiu ter 12 anos, ficará para sempre na memória coletiva como um alerta sobre confiança, vulnerabilidade e os perigos da manipulação emocional extrema.