“DESIDRATAÇÃO DA DIREITA” PODE DECIDIR ELEIÇÃO DE 2026: LULA AVANÇA, FLÁVIO SE SEGURA E PESQUISA REVELA ELEITOR INDECISO COMO PEÇA-CHAVE DO JOGO
Um novo levantamento da Nexus em parceria com o BTG Pactual acendeu um alerta máximo nos bastidores da política brasileira. Em meio a tensões sobre segurança pública, tarifas internacionais e uma crescente guerra de narrativas entre governo e oposição, o cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar contornos mais claros — e, ao mesmo tempo, mais explosivos.
Segundo análise do CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a possibilidade de uma vitória de Lula no primeiro turno existe, mas depende de um fator decisivo: a “desidratação” das candidaturas da direita na reta final da corrida presidencial. Caso nomes alternativos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema não consigam sustentar suas bases, o presidente poderia se beneficiar de um voto útil concentrado.
Mas o próprio especialista faz um alerta: apesar desse cenário matemático existir, ele ainda está distante da realidade atual.
LULA LIDERA, MAS SEGUNDO TURNO COM FLÁVIO BOLSONARO VIRA CENÁRIO QUASE DEFINIDO
A pesquisa entrevistou 2.017 eleitores entre os dias 12 e 14 de junho, por telefone, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
No cenário de segundo turno, Lula aparece com 49% das intenções de voto, contra 46% de Flávio Bolsonaro — uma diferença que tirou o cenário do empate técnico registrado semanas antes.
A fala, embora forte, reflete a consolidação de uma disputa altamente polarizada, onde a chamada “terceira via” segue incapaz de se estruturar como alternativa real.
O ELEITOR QUE DECIDE TUDO: OS 21% QUE NÃO SÃO DE NENHUM LADO
Um dos pontos mais importantes da análise está no chamado eleitor não polarizado — cerca de 21% do eleitorado brasileiro.
Esse grupo não rejeita completamente nem Lula nem Flávio Bolsonaro, mas também não demonstra fidelidade a nenhum dos dois polos. Segundo a Nexus, esse segmento já passou por diferentes experiências políticas: votou no PSDB, no PT, migrou para Bolsonaro em 2018 e depois retornou ao Lula em 2022.
Agora, ele volta ao centro da disputa como árbitro da eleição.
E é justamente nesse grupo que Lula tem uma leve vantagem.
De acordo com o levantamento, o eleitor não polarizado apresenta uma leitura mais próxima da narrativa do governo em temas como soberania nacional, segurança pública e relações internacionais.
SEGURANÇA, TRUMP E ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS: A GUERRA DE NARRATIVAS
A pesquisa também testou a percepção dos brasileiros sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas — além da possibilidade de novas sanções econômicas internacionais.
Os resultados mostram um país dividido:
- 37% acreditam que a medida ameaça a segurança dos brasileiros
- 30% dizem que ela melhora a segurança
- 23% afirmam que não haverá impacto
- 9% não souberam responder
A divisão se repete de forma ainda mais intensa quando cruzada com intenção de voto.
Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 53% veem melhora na segurança com a medida. Já entre eleitores de Lula, 54% consideram a decisão uma ameaça à soberania nacional.
O “TARIFAÇO” E A DISPUTA PELA CULPA
Outro dado que chama atenção é a percepção sobre um possível tarifaço internacional.
- 39% culpam Lula, por suposta falta de relação com Donald Trump
- 42% culpam Flávio Bolsonaro, por sua proximidade com o governo americano
- 11% dizem que não é culpa de nenhum dos dois
- 8% não responderam
O dado revela um país dividido quase em blocos simétricos — mas novamente com um fator decisivo: o eleitor neutro.
No grupo dos não polarizados, 32% atribuem culpa a Lula e 39% a Flávio, mostrando leve inclinação à narrativa da oposição — mas ainda sem maioria absoluta consolidada.
LULA SOBE, FLÁVIO ESTABILIZA E TERCEIRA VIA DESAPARECE
Na comparação com a pesquisa anterior, Lula oscilou positivamente e chegou a 49%, enquanto Flávio Bolsonaro manteve 43% em algumas simulações de primeiro turno.
A leitura de Tokarski é de que houve uma mudança pontual, mas relevante:
- Lula cresceu principalmente no eleitor não polarizado
- Flávio manteve base firme, mas perdeu leve densidade
- A diferença entre os dois saiu do empate técnico e chegou a cerca de 6 pontos
Mais importante ainda: a vantagem de Lula no grupo de indecisos cresceu de forma expressiva.
A “DESIDRATAÇÃO” DA DIREITA E O CAMINHO DO PRIMEIRO TURNO
Apesar do avanço de Lula, o CEO da Nexus afirma que uma vitória no primeiro turno ainda é improvável.
O motivo é matemático e político ao mesmo tempo: a fragmentação da direita.
Hoje, nomes como Caiado, Zema e outros pré-candidatos somam pequenas parcelas do eleitorado. Para que Lula chegasse a 50% + 1 já no primeiro turno, seria necessário que essas candidaturas “secassem” rapidamente — ou seja, perdessem apoio e migrassem para o voto útil.
Na projeção atual de votos válidos, Lula aparece com cerca de 46%, ainda abaixo do necessário para vencer sem segundo turno.
TERCEIRA VIA: UM PROJETO SEM DONO

Um dos pontos mais duros da análise é a constatação de que a chamada terceira via continua sem liderança consolidada.
Mesmo com 24% dos eleitores afirmando preferir um candidato fora da polarização, essa preferência não se transforma em voto real quando nomes concretos são apresentados.
Entre os entrevistados:
- 39% preferem Lula
- 31% preferem Flávio Bolsonaro
- 24% dizem querer alguém fora dos dois polos
Mas quando esses eleitores são testados em nomes reais, a fragmentação volta a aparecer — e grande parte migra novamente para um dos dois líderes principais.
SEGUNDO TURNO QUASE DEFINIDO: CENÁRIO DE GUERRA POLÍTICA
A conclusão da Nexus é direta: o Brasil caminha para uma eleição altamente concentrada entre dois polos.
Lula liderando a esquerda e o centro-esquerda, e Flávio Bolsonaro consolidando a direita e centro-direita.
A probabilidade de um terceiro nome romper essa estrutura é considerada baixa.
E isso cria um ambiente político de alta tensão, onde qualquer oscilação do eleitor não polarizado pode decidir o resultado final.
SEGURANÇA PÚBLICA E VÍDEOS POLÍTICOS: NOVA BATALHA DIGITAL
Outro elemento que preocupa analistas é a radicalização da comunicação política nas redes sociais.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por exemplo, tem apostado fortemente em temas de segurança pública e conteúdos digitais de alto impacto emocional — incluindo vídeos gerados por inteligência artificial.
Já o governo Lula reforça narrativas ligadas à soberania nacional, direitos sociais e proteção do trabalhador.
Com Lula em leve vantagem no eleitorado não polarizado e Flávio Bolsonaro mantendo base sólida, o Brasil entra em um cenário clássico de disputa centralizada.
A chave, segundo a Nexus, não está nos extremos — mas no meio.
E esse meio, hoje, representa mais de 20% do país.
Se ele pender para um lado de forma consistente, a eleição pode ser decidida ainda no primeiro turno.
Se permanecer dividido, o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro se torna praticamente inevitável.
E assim, com uma mistura de dados, narrativa e tensão política, o Brasil se aproxima de mais uma eleição em que não basta vencer — é preciso convencer quem ainda não escolheu de qual lado quer estar.