Gleisi Hoffmann solta os bichos: Davi Alcolumbre é o inimigo dentro de casa e o PT exige demarcação de campo

O clima político em Brasília acaba de atingir o ponto de ebulição. Em uma entrevista bombástica concedida à GloboNews, a deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, não mediu palavras para atacar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O tom foi de guerra declarada: para a cacique petista, Alcolumbre deixou de ser um aliado institucional para se tornar um inimigo estratégico dentro do governo Lula, agindo sob a influência direta da família Bolsonaro.
A fala de Gleisi reverbera como um ultimato para o Palácio do Planalto. Segundo ela, o Brasil não pode se dar ao luxo de marchar para uma disputa eleitoral decisiva mantendo em cargos de influência ou em posições de articulação figuras que jogam contra o projeto de desenvolvimento e defesa da democracia. O recado é claro: ou Alcolumbre se alinha, ou o governo precisará fazer uma limpa nos aliados de conveniência.
O acordão com a extrema direita e a traição no Senado
O estopim para a fúria de Gleisi foi a recente atuação de Davi Alcolumbre na articulação política do Congresso. A deputada acusou o senador de ter se comportado não como o chefe de um poder, mas como um líder partidário com interesses paroquiais e eleitorais. Gleisi denunciou o que chamou de acordão vergonhoso com a extrema direita, mencionando especificamente uma negociação com Flávio Bolsonaro.
De acordo com a parlamentar, essa articulação serviu para derrotar indicações do governo, como a de Messias, e para abrandar penas de criminosos através de manobras regimentais. O que vimos foi algo vergonhoso. Aqueles que votaram para derrubar os vetos do presidente e o próprio Alcolumbre levarão no currículo a mancha de ter passado pano para quem tentou dar um golpe de Estado, disparou Gleisi. Para ela, o comportamento do presidente do Senado validou os ataques às instituições e deu um sinal verde para que a extrema direita continue desafiando a ordem democrática.
Inimigo dentro de casa: O ultimato para as eleições
Com as eleições no horizonte, Gleisi Hoffmann defende uma postura muito mais rígida do PT e do governo Lula. Ela argumenta que a fase do pragmatismo cego acabou. Se até agora existia uma aliança pela governabilidade, as águas se separaram no momento em que os interesses eleitorais da oposição começaram a ditar o ritmo do Senado.
A frase que paralisou os bastidores da política foi direta: O que não pode é a gente ir para uma disputa eleitoral com um inimigo dentro de casa. Gleisi enfatizou que o governo deve considerar aliados apenas aqueles que estarão fisicamente e politicamente nos mesmos palanques nas próximas eleições. Para a presidente do PT, é um erro estratégico dar sustentação dentro da máquina pública para pessoas que usarão esse poder para derrotar o projeto de Lula ali na frente. A avaliação é que Alcolumbre, ao se aproximar do bolsonarismo para garantir sua sobrevivência política, cruzou uma linha vermelha que o torna insustentável como aliado de confiança.
O risco do centro e a necessidade de realismo político
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Questionada sobre o perigo de o governo se isolar ao romper com o centro representado por Alcolumbre, Gleisi foi pragmática. Ela reconheceu que o governo precisa de coalizões amplas, como a que venceu em 2022, mas alertou que não se pode forçar uma aliança com quem não quer ser aliado. Precisamos ampliar, mas se as pessoas têm interesses que não permitam a aliança, não adianta ficar tentando. Temos que ser realistas, afirmou.
A deputada defende que o governo Lula não pode se enganar acreditando em fidelidades parlamentares que se dissipam no primeiro aceno da oposição. Para Gleisi, a demarcação de campo agora é uma questão de sobrevivência histórica. O PT acredita que a responsabilidade de impedir o retorno da extrema direita ao poder supera qualquer necessidade de acomodação política imediata. A estratégia sugerida é clara: fortalecer quem é leal e expor quem está fazendo jogo duplo.
Indicação ao STF: Uma mulher na Suprema Corte?
Em meio ao tiroteio contra Alcolumbre, Gleisi também abordou o futuro das indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF). Após a frustração com o nome de Messias, que segundo ela foi rejeitado pelo Senado por motivações meramente políticas e não por falta de saber jurídico ou conduta ilibada, a deputada sinalizou apoio à indicação de uma mulher para a próxima vaga.
Embora tenha ressaltado que a prerrogativa é exclusiva do presidente Lula, Gleisi admitiu ser simpática à ideia de aumentar a representatividade feminina nos espaços de decisão. Acho que abre espaço para essa discussão. Precisamos de mais mulheres nos espaços de poder, comentou. No entanto, ela alertou que o Senado deve respeitar os critérios constitucionais e parar de transformar sabatinas técnicas em campos de batalha ideológicos. Para Gleisi, Alcolumbre usou a pauta do STF como moeda de troca, o que configura mais um ato de hostilidade contra o governo que ele deveria, teoricamente, apoiar.
A responsabilidade histórica contra o retrocesso
O encerramento da fala de Gleisi Hoffmann foi um apelo à militância e aos aliados fiéis. Ela relembrou os anos do governo Bolsonaro como um período de retrocesso social e econômico que o Brasil ainda luta para superar. Para a deputada, a democracia brasileira ainda está em processo de fortalecimento e não pode ser deixada à mercê de articuladores que priorizam a impunidade de golpistas.
A pressão agora recai sobre o presidente Lula. Gleisi Hoffmann colocou as cartas na mesa: o PT não aceitará passivamente a continuidade de Davi Alcolumbre no papel de mediador principal entre o governo e o Senado se ele continuar flertando com o bolsonarismo. A política de Brasília, que costuma ser feita de sombras e sussurros, agora ganha um tom de confronto aberto que promete mudar os rumos da governabilidade nos próximos meses. O inimigo está dentro de casa, e Gleisi quer as chaves de volta.