Posted in

CRUELDADE SEM LIMITES: A chocante história de Dina Terror e o rastro de VIOLÊNCIA COVARDE que traumatizou o Morro do Faz Quem Quer!

A Ascensão e a Queda de Dina Terror: O Rastro de Brutalidade e a Linha de Comando no Morro do Faz Quem Quer

A Linha de Frente do Horror

No cenário complexo e frequentemente implacável do crime organizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, alguns nomes emergem não apenas pela posição hierárquica que ocupam, mas pela intensidade da violência que deixam registrada em suas passagens. Durante a década de 2010, a comunidade do Morro do Faz Quem Quer, situada no bairro de Rocha Miranda, tornou-se o epicentro das ações de Douglas Donato Pereira. Conhecido pelas alcunhas de “Dina Terror” ou “Kunakara”, ele trilhou um caminho que misturava a busca por controle territorial com episódios de extrema crueldade, marcando profundamente a história local e atraindo a atenção das forças de segurança do estado.

Nascido por volta de 1990, o jovem iniciou sua trajetória no mundo infracional no Complexo da Penha, uma das principais bases operacionais da facção Comando Vermelho. Inicialmente atuando como um integrante de baixo escalão, o jovem demonstrava ambições de crescimento dentro da estrutura do grupo. A dinâmica da criminalidade na região sofreu uma alteração significativa no ano de 2010, com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos complexos da Penha e do Alemão. A forte intervenção das forças de segurança e do Exército obrigou diversos membros da facção a buscarem refúgio em outras localidades.

Foi nesse período de dispersão que Douglas e outros comparsas foram recebidos no Morro do Faz Quem Quer por Anderson Santana da Silva, conhecido como “Gão”. Este último era apontado como uma liderança expressiva, possuindo forte influência em diversas comunidades e ostentando um padrão de vida elevado, com residências de luxo no Complexo do Alemão dotadas de infraestrutura sofisticada, onde ocorriam reuniões entre os principais nomes da organização. Ao ingressar no Faz Quem Quer, Douglas assumiu a função de soldado, destacando-se rapidamente por sua postura violenta e ascendendo ao posto de gerente da comunidade.

Disputas Internas e as Consequências da Dissidência

Apesar de sua ascensão, a liderança local mantinha reservas quanto à confiabilidade de Douglas para assumir o controle total da operação na ausência dos chefes principais. Paralelamente, a estrutura interna da comunidade contava com outras figuras de destaque, como Leonardo da Costa, o “Léo 22”, que gozava de grande prestígio junto a Anderson Santana. A convivência entre Douglas e Léo 22 deteriorou-se progressivamente, alimentada por desavenças de ordem pessoal que envolviam relacionamentos afetivos na comunidade.

O acirramento das tensões culminou em uma ruptura drástica na linha de comando. Em meio aos conflitos internos, Léo 22 decidiu abandonar a facção de origem. Durante o processo de dissidência, ele articulou a deserção de outros integrantes, apropriou-se de um lote significativo de armamentos e entorpecentes e migrou para uma organização rival, o Terceiro Comando Puro, estabelecendo-se no Complexo da Maré. A ação foi recebida como uma grave afronta pelos que permaneceram no Faz Quem Quer.

A resposta à deserção manifestou-se por meio de atos de retaliação contra pessoas ligadas ao dissidente. No dia 30 de outubro de 2012, Rayane Dantas de Jesus, uma jovem de 19 anos moradora de Rocha Miranda, foi interceptada na Rua Tucupi por integrantes do grupo do Faz Quem Quer, a poucos metros de sua residência. Apesar de declarações posteriores de familiares negando um relacionamento formal entre a jovem e Léo 22 — afirmando que ambos haviam apenas conversado em um evento local —, ela foi capturada e executada. As investigações policiais apontaram o envolvimento direto de Douglas, juntamente com Luciano Guimarães (“Shiba”) e Leonardo Dias Guimarães (“Léo Mingal”), no crime que vitimou a jovem com múltiplos disparos.

O Episódio de Setembro de 2014

A atuação do grupo liderado por Douglas no Faz Quem Quer continuou a ser associada a episódios de violência severa no bairro de Rocha Miranda. Em setembro de 2014, um novo caso envolveu Raíça Cristine Machado de Carvalho, uma jovem que residia na região com sua família. O desenrolar dos fatos que culminaram na agressão da jovem apresentou diferentes versões durante o curso das investigações conduzidas pela Polícia Civil, por meio da delegacia local em Honório Gurgel.

Uma das hipóteses inicialmente levantadas sugeria que a motivação estaria ligada a um suposto envolvimento afetivo da jovem com um integrante da Polícia Militar, o que teria gerado reações hostis por parte dos homens que controlavam o morro. Contudo, depoimentos de testemunhas colhidos posteriormente indicaram uma dinâmica diferente, ocorrida durante a realização de um evento musical na comunidade. Segundo os relatos, após um desentendimento público motivado por questões de relacionamento que afetavam a autoridade de Douglas diante dos demais presentes, a jovem foi conduzida à força para a parte alta do morro.

No local, a vítima foi submetida a agressões físicas contínuas por parte de múltiplos indivíduos. Os agressores utilizaram lâminas para realizar cortes no couro cabeludo da jovem e removeram totalmente seu cabelo. Elementos visuais desses atos foram registrados em dispositivos móveis pelos próprios participantes. Além das agressões físicas documentadas, investigações posteriores indicaram a ocorrência de abusos de natureza sexual ao longo daquela madrugada. Os registros em vídeo feitos pelos envolvidos foram posteriormente localizados e analisados pelas autoridades policiais no decorrer do inquérito.

Desfecho Clínico e Ações Posteriores

Na manhã do dia seguinte, 20 de setembro, a jovem foi localizada por um familiar em um dos acessos viários ao Morro do Faz Quem Quer, a Rua Paulo Viana. Apresentando severos hematomas e ferimentos na região da cabeça e do corpo, ela foi conduzida com o auxílio do Corpo de Bombeiros ao Hospital Estadual Marechal Hermes. Na unidade de saúde, a paciente passou por exames de imagem, incluindo tomografia computadorizada e radiografias, além de receber cuidados imediatos como suturas e curativos.

Diante da ausência inicial de fraturas visíveis ou alterações agudas graves detectadas nos exames daquele momento, a jovem recebeu alta médica após um período de observação, retornando à sua residência para recuperação. Ao longo dos dias seguintes, o quadro de saúde apresentou progressiva deterioração, caracterizada por dores persistentes e agravamento dos sintomas internos. Na noite de 26 de setembro, seis dias após o atendimento inicial, a jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória, sendo encaminhada ao Hospital Carlos Chagas, onde os procedimentos de reanimação não obtiveram sucesso, confirmando-se o óbito em decorrência das lesões sofridas.

Paralelamente às ações na comunidade, Douglas mantinha uma postura de exibição de armamentos em plataformas digitais, onde frequentemente publicava imagens portando fuzis e pistolas personalizadas com inscrições que faziam referência ao seu grupo. Entre as armas de sua preferência, destacava-se um modelo com modificações para disparo automático. Além do controle territorial, o grupo expandiu suas atividades para crimes patrimoniais de grande porte. Em agosto de 2015, a organização participou de um roubo a estabelecimento comercial no Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (CEASA), em Irajá, resultando na subtração de valores e em um confronto armado que vitimou um profissional de segurança e uma funcionária do local.

Ação Policial na Rua Apeiba

A trajetória de Douglas Donato Pereira encerrou-se em março de 2016, a partir de uma operação planejada pela Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil. O setor de inteligência da instituição localizou o esconderijo do foragido em uma edificação residencial situada na Rua Apeiba, uma das vias que dão acesso ao Morro do Faz Quem Quer.

Na manhã de segunda-feira, 7 de março, os agentes cercaram o perímetro com o objetivo de cumprir os mandados de prisão pendentes. Ao notar a aproximação policial, o suspeito optou pela resistência armada, iniciando um confronto direto contra a equipe de operações utilizando uma pistola equipada com dispositivo de rajada. No decorrer da troca de tiros no interior do imóvel, Douglas foi alvejado pelos policiais.

Ele foi prontamente socorrido e transportado ao Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, localizado na mesma região, porém não resistiu aos ferimentos provocados pelos disparos, tendo seu óbito constatado na unidade hospitalar. O desfecho da operação encerrou o período de comando de uma das lideranças mais violentas da Zona Norte daquele período, deixando um histórico de inquéritos complexos e debates sobre a segurança pública nas comunidades do Rio de Janeiro.

Reflexões sobre o Impacto Local

A história dos eventos ocorridos no Morro do Faz Quem Quer durante a liderança de Douglas Donato Pereira levanta questões profundas sobre o impacto do crime organizado na vida dos moradores das periferias urbanas. A imposição do medo como ferramenta de controle e a vulnerabilidade dos indivíduos diante de estruturas de poder paralelo evidenciam a necessidade contínua de intervenções estruturadas do Estado, que vão além das operações táticas de segurança.

Os episódios de violência que vitimaram jovens da comunidade deixaram marcas permanentes no tecido social local, servindo como um lembrete trágico das consequências da ausência de mecanismos eficazes de proteção e mediação de conflitos. Diante desse panorama, fica o questionamento: quais medidas são fundamentais para romper o ciclo de violência que alimenta o surgimento de lideranças baseadas na intimidação e garantir a segurança real nas comunidades vulneráveis?