Posted in

MORTOS POR BANALIDADE! A trágica e REVOLTANTE história dos meninos do Castelar que chocou o país e causou uma VERDADEIRA QUEIMA DE ARQUIVOS no tráfico!

O Preço de uma Inocência: Como o Sumiço de Três Meninos em Belford Roxo Revelou as Engrenagens do Tribunal do Crime

A pacata rotina da comunidade do Castelar, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foi permanentemente fraturada na manhã de um domingo, 27 de dezembro de 2020. Passava pouco das 10h30 quando Lucas Mateus, de 9 anos, Alexandre Silva, de 11, e Fernando Henrique, de 12 anos, juntaram-se para fazer o que qualquer criança de suas idades faria em um dia de sol: jogar bola no campo de futebol vizinho às suas casas. Acostumados a circular livremente pela região, o combinado implícito com as famílias era o mesmo de sempre — retornar por volta das 14h para o almoço. Aquele domingo, no entanto, quebrou o ciclo da normalidade. Os meninos nunca mais voltaram.

À medida que as horas avançavam e o entardecer trazia o silêncio, o desespero tomou conta das mães. O que se seguiu nas primeiras 24 horas estabeleceu uma trágica sequência de negligência institucional. Ao procurarem o plantão da delegacia local para relatar o sumiço dos filhos, as mães foram recebidas com descaso. Os agentes de plantão orientaram que retornassem no dia seguinte caso os garotos continuassem desaparecidos. Essa conduta violou frontalmente a Lei 13.812/19, que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, a qual determina a adoção imediata de procedimentos de busca assim que as autoridades forem comunicadas. Por conta dessa barreira, o registro oficial só foi efetuado no dia seguinte, atrasando investigações cruciais.

O Último Rastro na Feira dos Passarinhos

Enquanto a polícia tardava a agir — ouvindo as primeiras testemunhas apenas uma semana após a notificação oficial —, a comunidade começou a refazer os últimos passos dos meninos. Imagens de câmeras de segurança registraram o trio caminhando pela Rua Maloba, uma das vias que ligam a comunidade do Castelar ao bairro vizinho de Areia Branca. Foi nessa localidade que uma testemunha ocular forneceu a pista que, meses mais tarde, desendaria a motivação do crime.

De acordo com o relato, Alexandre foi visto carregando uma gaiola com um passarinho, enquanto Fernando Henrique levava outra gaiola, esta vazia. O diálogo interceptado pela testemunha indicava que os três garotos planejavam “fazer um rolo” — negociar ou trocar as aves — na tradicional feira de Areia Branca, um ponto amplamente conhecido na Baixada Fluminense pelo comércio e negociação de pássaros. Aquela cena corriqueira de subúrbio foi a última imagem viva que se teve das três crianças.

Com a ausência de respostas do Estado, a indignação popular cresceu. O caso ganhou repercussão massiva na imprensa nacional, ecoando em órgãos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e entidades de Direitos Humanos. Protestos inflamados diante da delegacia cobravam celeridade, levantando questionamentos sociais sobre a seletividade das investigações oficiais, com insinuações de que casos envolvendo vítimas de comunidades pobres não recebiam a mesma prioridade que aqueles que afetavam classes mais abastadas.

A Engrenagem do Tráfico e as Cortinas de Fumaça

A pressão midiática e a consequente presença constante da polícia nas operações de busca começaram a asfixiar economicamente o Comando Vermelho, facção criminosa que controlava o tráfico de drogas no Castelar. Incomodados com a perda de lucros provocada pelo cerco policial, os criminosos locais tentaram criar culpados artificiais para desviar o foco das investigações.

No dia 12 de janeiro do ano seguinte, traficantes locais interrogaram e espancaram brutalmente um morador inocente da comunidade, acusando-o falsamente de ser o responsável pelo sumiço dos meninos. Para validar o teatro, a facção ordenou e financiou uma manifestação na porta da delegacia, mobilizando comparsas e usuários de entorpecentes para pressionar as autoridades a prenderem o homem torturado. A farsa, contudo, não se sustentou diante das investigações técnicas que avançavam em paralelo.

Nos meses que se seguiram, a segurança pública desencadeou um sufocamento tático na região. Foram mais de 100 diligências e dezenas de operações integradas. Em fevereiro, a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) operou no interior do Castelar; semanas depois, incursões ocorreram no Jardim Acácias. Imagens de monitoramento próximas ao Shopping Guadalupe foram varridas após denúncias anônimas, e o Batalhão de Choque da Polícia Militar ocupou a comunidade em abril. Mandados de prisão foram cumpridos, e até mesmo um cemitério foi alvo de buscas minuciosas para checar possíveis covas clandestinas.

A Confissão Oculta e o Tribunal do Crime

O silêncio obsequioso imposto pelo medo começou a ruir no final de maio, quando surgiu a primeira testemunha-chave do caso. O depoimento trouxe à tona uma confissão direta de Wiler Castro da Silva, conhecido como “Stala”, então gerente do comércio ilegal do Castelar. A testemunha afirmou ter ouvido de Stala a seguinte declaração:

“Nós pegamos as crianças, matamos elas. Elas estavam roubando no morro, pegaram o passarinho do meu tio para vender na feira.”

A reconstituição policial concluiu que os três meninos pegaram o pássaro pertencente ao tio de um dos criminosos locais. Ao descobrirem, as lideranças do tráfico ordenaram uma sessão de espancamento contra os garotos como forma de punição. A violência infligida, contudo, escalou a níveis fatais: uma das crianças não resistiu aos ferimentos e morreu durante a sessão de tortura. Diante do óbito imprevisto, os criminosos decidiram executar os outros dois meninos sobreviventes com o único propósito de eliminar as testemunhas do crime.

A investigação identificou a cadeia de comando responsável pela tripla execução qualificada: Wiler Castro da Silva (“Stala”), Leandro Alves de Oliveira, José Carlos Prazeres da Silva (conhecido como “Seu Sem” ou “Piranha”, chefe do Castelar), um criminoso identificado como “Gil” e sua irmã, Ana Paula da Rosa Costa, a “Tia Paula”, de 44 anos. Tia Paula, apontada como organizadora de bailes funk e da distribuição de drogas sintéticas na comunidade, possuía quatro anotações criminais e seis mandados de prisão preventivos em aberto.

A dinâmica da ocultação dos cadáveres foi esclarecida por um motorista coagido. Em depoimento à delegacia, ele confessou que foi abordado por motoqueiros e pela própria Tia Paula, que exigiram saber se ele sabia dirigir. Levado ao alto do morro, o homem assumiu a condução de um veículo onde já se encontravam os corpos das três crianças. Sob ordens armadas, ele transportou a carga até um rio próximo à favela, onde os corpos foram arremessados. Buscas periciais foram realizadas em diferentes trechos do rio indicado; contudo, os fragmentos ósseos encontrados inicialmente pertenciam a animais. Até hoje, os corpos dos meninos nunca foram recuperados.

Consequências, Vingança e a Queima de Arquivos

A dor da perda e o sentimento de impunidade empurraram familiares ao limite da sanidade. Enquanto Tatiana da Conceição Ribeiro, mãe de Fernando Henrique, sofria com trotes cruéis e pistas falsas no telefone disponibilizado para denúncias, o pai de Lucas Mateus tomou uma decisão extrema. Anderson de Jesus ingressou em uma facção criminosa rival com o objetivo declarado de descobrir os algozes e vingar a morte do filho. Ele foi preso por policiais militares na comunidade da Palmeira durante um intenso confronto armado contra o Comando Vermelho. Anderson foi autuado por associação ao tráfico e porte de arma de uso restrito.

Advertisements

A repercussão internacional e o prejuízo financeiro insustentável forçaram a cúpula máxima do Comando Vermelho, sediada no Complexo da Penha, a intervir diretamente. Em 25 de agosto, iniciou-se uma violenta queima de arquivos para eliminar as lideranças que atraíram a polícia para o Castelar. O gerente “Stala” foi atraído para uma reunião na Vila Cruzeiro e executado; seu corpo jamais foi visto.

Em outubro, a retaliação interna executou Tia Paula, que teve seus membros decepados e o corpo carbonizado no Complexo da Penha. No dia seguinte, seu irmão Gil teve o mesmo destino, encontrado carbonizado dentro de um veículo em Belford Roxo. O chefe do morro, “Piranha”, perdeu a liderança de suas comunidades e foi executado a tiros pela própria facção. Mensagens atribuídas à cúpula do crime alegavam que as execuções, ordenadas pela liderança de codinome “Abelha” (fato negado por sua defesa técnica), ocorreram devido à “negligência” dos gerentes diante dos fatos que envolveram a morte das crianças no Castelar.

O único sobrevivente da linha de frente do crime foi Vítor Hugo dos Santos Goulart, o “VT”, que ocupava cargo idêntico ao de Stala. Diante da onda de assassinatos internos cometidos pelo tribunal da própria facção, VT optou por se entregar voluntariamente à polícia no dia 9 de novembro para preservar a própria vida, confirmando em áudios interceptados o pânico que tomou conta dos subchefes da comunidade.

Ao final do inquérito, as autoridades contabilizaram 51 mandados de prisão emitidos e 10 pessoas indiciadas direta ou indiretamente. O trágico desfecho do desaparecimento de Lucas, Alexandre e Fernando Henrique permanece como um dos episódios mais sombrios da crônica policial fluminense, ilustrando como a banalidade de uma ave de gaiola pôde desencadear uma engrenagem de tortura, mortes e a aniquilação completa de uma cadeia de comando criminosa.

Disclaimer : This content may be created by AI for entertainment purposes. Any resemblance to real persons, events, or places is coincidental.