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ALÉM DO TEMPO – (01/06/2026): A FÚRIA NO CEMITÉRIO E AS TRAMAS DE UM CASARÃO ONDE NINGUÉM DORME EM PAZ | CAPÍTULO 32 (RESUMO)

Se há uma certeza na teledramaturgia brasileira, é a de que segredos enterrados nunca descansam em paz — literalmente. O capítulo desta segunda-feira de Além do Tempo (Edição Especial) provou que a paciência de Emília (Ana Beatriz Nogueira) tem a mesma durabilidade das boas intenções de Zilda (Nívea Maria): absolutamente zero. Em um episódio marcado por flertes inconvenientes, invasões de túmulos e uma dança das cadeiras no emprego das criadas, a novela nos lembrou por que o século XIX era um período onde a etiqueta escondia as emoções mais vulcânicas. Preparem-se, pois o resumo de hoje traz a exumação literal e metafórica dos conflitos de Campobelo.

O Flerte Inconveniente na Porta do Convento

A trama se desenrola com um passeio a cavalo que tinha tudo para ser bucólico, não fosse a presença de Melissa (Paolla Oliveira) e Roberto (Rômulo Estrela). Felipe (Rafael Cardoso), sempre tentando manter a sanidade, tenta evitar a rota do convento e seguir para as terras do senhor Genaro. Contudo, a insistência dos irmãos prevalece. A hipocrisia fina de Melissa logo se manifesta ao lamentar a “pena” que sente das moças bonitas enclausuradas. O destino, roteirista implacável que é, coloca o trio exatamente de frente para a saída de Lívia (Alinne Moraes), Emília e Gema (Louise Cardoso), sob a guarda do sempre providencial Ariel (Michel Melamed). A troca de olhares furtiva entre Felipe e Lívia é interrompida pelo radar de predador de Roberto, que, sem o menor pudor, declara-se encantado pela jovem e chega a cogitar “virar padre” para se aproximar. O desconforto de Felipe é palpável. Roberto, insistente como um mascate, tenta se oferecer como guarda-costas das damas, sendo sumariamente podado por Emília e Ariel, que não têm tempo para galanteios baratos. O embaraço é geral, mas a semente do ciúme e da disputa foi plantada no terreno fértil de Felipe.

Nos Bastidores do Casarão: Zilda e Sua Tirania Diária

Enquanto a alta sociedade passeia a cavalo, a cozinha do casarão é um verdadeiro campo de batalha de classes. As criadas Rosa (Carolina Kasting), Carola (Ana Flávia Cavalcanti) e Anita (Letícia Persiles) fofocam sobre o charme de Roberto, com Rosa atestando sua expertise em “ler o jeito dos homens”. A fofoca, no entanto, é interrompida pela chegada da Inquisição em forma de governanta: Zilda. A megera adentra o recinto exigindo explicações sobre como Anita ousou pisar na sala de jantar. As justificativas sobre a sobremesa caem em ouvidos moucos. Zilda dispara ameaças de demissão, direcionando sua peçonha especialmente a Carola, a quem acusa de ser inútil e detestada por Melissa. O terror psicológico exercido por Zilda é um prato cheio para entendermos a dinâmica abusiva que rege os bastidores do casarão.

Em paralelo, a Condessa Vitória (Irene Ravache) segue sua busca obstinada. Ela convoca Bento (Luiz Carlos Vasconcelos), seu cão de guarda, e lhe entrega as localizações de asilos em Porto Alegre. A missão é clara: encontrar Bernardo, doente e sem memória. A vulnerabilidade rara da Condessa transparece ao confessar que “não suportaria outra decepção”. A cena corta para uma lembrança melancólica de Vitória em um sanatório, uma prova de que até mesmo os vilões mais frios sangram por algo.

As Terras de Genaro e a Frieza de Felipe

O passeio dos nobres continua até a propriedade de Genaro, que se mostra um anfitrião lamentoso. Felipe joga um balde de água fria no sonho de mudança do idoso ao reafirmar sua decisão de não comprar as terras. Genaro, que já contava os dias para ir a São Paulo, vê seus planos ruírem. Felipe, tentando ser diplomático, promete encontrar um comprador antes de deixar Campobelo. Genaro ainda tenta apelar para a inadequação da região para Melissa, mas Felipe encerra o assunto com a frieza de quem já fez as malas emocionais: Melissa não é mais sua noiva e “se adaptaria muito bem à vida no campo”. A cena culmina com uma degustação de vinho e Melissa, alheia à tensão, parecendo adorar a ideia de não sujar o vestido.

Enquanto isso, a comédia de costumes ganha força com Salomé (Inês Peixoto) e Bianca (Flora Diegues). As duas arquitetam planos mirabolantes para descobrir a suposta traição de Máximo (Luis Melo). Salomé entra em desespero com a possibilidade do marido ter passado a noite com outra, e Bianca, estrategista, sugere que Felícia (Mel Maia) é a única arma capaz de amolecer o coração do patriarca. A subtrama das botinas no armazém de Neném (Manoel Itaqui) traz leveza, com a menina se maravilhando com o calçado nada feminino, mas muito prático, e Rita garantindo a diversão.

Marretadas no Passado: A Obsessão de Emília

Se o núcleo cômico arranca sorrisos, a trajetória de Emília arranca calafrios de tensão. Acompanhada por Gema e uma exausta Lívia, ela marcha impiedosamente até o túmulo que supostamente guarda os restos de Bernardo. A exaustão das companheiras não comove a mãe de Lívia. Determinada a provar que a Condessa mentiu, ela empunha uma marreta e inicia a profanação do sepulcro. Gema e Lívia entram em pânico diante do crime flagrante. Gema apela para a sanidade, Lívia recorre às orações, mas Emília está surda para a razão. Seu objetivo cego é abrir a lápide e desmascarar a mentira.

Alianças Inesperadas e Castigos Severos

De volta ao casarão, a fuga de Felícia pelos corredores revela as agruras do pequeno Alex (Kadu Schons). A menina flagra a severidade da preceptora com a criança, que questiona, em um momento de partir o coração, “por que Deus levou a mãe dele e não a Severa”. A união das duas crianças em suas dores familiares reforça a crueldade do ambiente em que vivem.

O clímax social do episódio acontece quando Melissa, Roberto e Felipe retornam. Roberto não perde a chance de provocar Felipe sobre a “noviça” que não usava hábito, garantindo que vai encontrá-la. A Condessa, já impaciente com a audácia do rapaz, tenta colocar ordem, mas a tensão entre os primos é palpável. Roberto, com seu cinismo refinado, avisa Felipe para “não colocar os olhos na freirinha”, pois ele chegou primeiro. O silêncio de Felipe é a melhor resposta: a guerra está declarada.

A dinâmica do poder no casarão vira de cabeça para baixo quando Zilda tenta, mais uma vez, expulsar Anita. Quando tudo parecia perdido para a criada, devido à ausência de seu protetor Bento, Melissa intervém com ares de salvadora. Em um movimento calculado para irritar Zilda e demonstrar sua influência, ela declara que Anita não sairá e será sua nova criada de quarto. Zilda é obrigada a engolir a ordem a seco. Melissa, não satisfeita em humilhar a governanta, ainda peita Severa, exigindo que ela vá engraxar os sapatos de Alex enquanto o menino toca piano. A tirania muda de mãos com a graciosidade de uma cascavel.

O Retorno do Coveiro e o Ultimato de Máximo

O drama conjugal atinge o ápice quando Máximo aparece apenas para tomar banho e pegar roupas, sendo imediatamente acusado por Salomé de perfumar-se para uma amante. Máximo, exausto do ciúme doentio, dá o ultimato: ou Salomé muda, ou haverá divórcio. O frasco de calmante deixado por ele na mão da esposa chorosa é o símbolo de um casamento em ruínas.

O capítulo encerra com a respiração suspensa no cemitério. Emília, incapaz de mover o pesado caixão de pedra com as próprias mãos, recusa-se a desistir, mesmo sob os protestos de Gema e Lívia. E é aí que o roteiro nos presenteia com o deus ex machina mais literal possível: Ariel surge das sombras. Justificando sua presença por imaginar que elas precisariam de ajuda, o “anjo” de Campobelo revela já ter sido coveiro e promete abrir a lápide antes do anoitecer, alheio aos avisos de Lívia sobre o crime. O som das pedras sendo movidas é o gancho perfeito para a angústia de um segredo que está prestes a ver a luz do dia. E assim, Além do Tempo reafirma seu compromisso de nos manter reféns de uma história onde ninguém, nem vivos nem mortos, parece ter descanso.

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