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ALÉM DO TEMPO: RESUMO SEXTA 22/05 – Felipe SURPREENDE Lívia, dá PRESENTE MISTERIOSO e DEIXA Melissa!

Se há uma coisa que a teledramaturgia brasileira sabe fazer com maestria é cozinhar o telespectador em banho-maria até o momento do grande estouro. E o capítulo desta sexta-feira, 22 de maio, de “Além do Tempo” promete ser exatamente isso: a panela de pressão apitando no volume máximo. Para quem já ultrapassou a barreira dos 30 anos e acompanha folhetins desde a época em que o vilão não precisava de justificativas psicanalíticas para ser mau, a dinâmica entre Lívia, Felipe e a intragável Melissa é um prato cheio. O resumo do capítulo nos entrega um turbilhão de emoções, encontros fortuitos (ou armadilhas do destino?), fantasmas do passado e um escândalo no altar que promete lavar a alma de quem não suporta mais a soberba da família Castelini.

Acompanhe comigo os desdobramentos de um dos episódios mais aguardados da trama, onde o amor tenta, a duras penas, sobreviver no meio de um ninho de cobras aristocráticas.

O “Flagra”, a Desilusão e o Cinismo de Doroteia e Melissa

A engrenagem do caos começa a girar com Anita, a fiel escudeira, relatando à mocinha Lívia uma visão perturbadora: Melissa saindo do quarto do Conde Felipe. Para Lívia, cuja inocência só compete com a sua resiliência, a equação é simples e dolorosa: o galã sucumbiu às pressões e voltou para os braços da noiva. A devastação da noviça é o combustível perfeito para a vilania do núcleo cômico-maligno formado por Melissa e sua mãe, Doroteia.

Enquanto Lívia amarga a suposta traição, mãe e filha celebram no casarão. É hilário, e ao mesmo tempo revoltante, observar a capacidade de autoilusão de Melissa. A patricinha de época conjectura que Severa — descrita por Doroteia com o veneno típico das matriarcas falidas (“uma solteira amarga”) — teria inventado os boatos do rompimento por nutrir uma “paixão secreta” por Felipe. Doroteia, a serpente-mor, alimenta a obsessão da filha não por amor materno, mas por instinto de sobrevivência financeira. E é aqui que a máscara da civilidade cai por terra: ao prometer descobrir se há uma rival, Doroteia dispara, sem gaguejar, que é capaz de tirar a vida de outra mulher para garantir o futuro da filha. Eis a face crua da ambição, embrulhada em vestidos de seda.

O Encontro Fortuito e o “Cafajeste” Nobre

A narrativa corta para o destino operando suas ironias. Lívia, em uma tentativa desesperada de chegar à casa de dona Gema para resolver os impasses da mãe, sofre um acidente com sua carroça no meio do nada. E quem aparece montado em seu corcel, como um verdadeiro clichê de época invertido? Sim, o Conde Felipe.

O diálogo que se segue é um primor de tensão não resolvida. Lívia, armada de seu orgulho ferido pelas fofocas, o trata com a secura de um deserto. Felipe, que de bobo não tem nada, responde à altura. Quando ele constata que a roda da carroça não tem conserto, Lívia questiona se ele a deixará ali. A resposta de Felipe é uma estocada no ego da noviça, devolvendo a ofensa que ouvira antes: “Como a senhorita disse, talvez seja melhor um cafajeste como eu ficar longe da senhora”. O embate verbal entre o “conde cafajeste” e a noviça indignada culmina com Lívia quebrando o próprio orgulho e implorando por ajuda, engolindo a seco a lição de que, às vezes, até a nobreza esnobada é a única salvação na escuridão.

A Soberba da Condessa e a Tensão no Casarão

Enquanto o casal principal troca farpas e faíscas na estrada de terra, o casarão da Condessa Vitória ferve em sua própria arrogância. Vitória, a personificação do elitismo escravocrata do século XIX, desfere seu veneno sobre a governanta Zilda. A reclamação sobre o atraso do jardineiro Raul (descrito pela Condessa com aquele tom paternalista e racista da época como “um homem de cor que faz o trabalho de um branco”) evidencia o abismo social que sustenta a trama. Vitória é a vilã clássica: insensível, autoritária e cega para tudo que não gravite ao redor do próprio umbigo — inclusive a tristeza evidente do sobrinho Felipe.

Zilda, a eterna amortecedora de crises, garante que já enquadrou Severa para evitar mais “mexericos” que abalem a frágil sanidade de Melissa. O casarão é um barril de pólvora aguardando a faísca, e todos parecem ignorar que quem acenderá o pavio é o próprio Conde.

O Fantasma da Cruz e o Mistério do Pai Morto

Se o romance não fosse suficiente, o roteiro joga uma pitada de thriller psicológico. Após ser salva por Felipe e acompanhada por Raul, Lívia chega ao convento e se depara com a porta trancada. Na escuridão, um susto a paralisa: um homem misterioso aproxima-se. O choque não é pela presença masculina, mas por um detalhe anatômico e histórico: o homem segura a cruz que pertenceu a Emília, a mãe de Lívia. A mesma cruz que estava enterrada no passado junto à memória do Conde Bernardo, o pai supostamente falecido da noviça.

O homem foge sem emitir um som, deixando Lívia em estado de choque. O Padre Luís a socorre, mas a mente de Lívia já viajou para o terreno do improvável. Ela tem certeza absoluta de que viu a cruz de sua mãe nas mãos de seu pai. O diálogo com o padre é a balança entre a razão e a loucura. Padre Luís, ancorado na lógica terrena, argumenta que os mortos não levantam de suas sepulturas e que a Condessa Vitória não viveria um luto eterno se o filho estivesse vivo. Lívia, exausta e confusa, acaba cedendo ao ceticismo do padre, prometendo não comentar o assunto com Emília para não agravar a fragilidade da mãe. Mas a semente da dúvida já está plantada. O passado bateu à porta do convento, e não foi para rezar.

O Escândalo no Altar: A Cartada Final de Felipe

Mas o ápice do resumo, o momento pelo qual todo o Brasil (e nós, amantes de um bom barraco chique) aguarda, é o famigerado casamento armado pela Condessa Vitória. Disposta a separar Felipe e Lívia de forma irrevogável, a Condessa orquestra uma cerimônia expressa para o sobrinho e Melissa. A pilantra, crente que venceu pelo cansaço e pela intriga, marcha para o altar.

O cenário está montado: a nobreza local, os vestidos bufantes, a música sacra. O padre inicia a liturgia. “E agora, Conde Felipe Castelini, aceita se casar…”. A frase morre no ar. Felipe, num ato de insubordinação que quebra todos os protocolos de sua classe, interrompe a autoridade eclesiástica. A declaração é direta, fria e demolidora: “Senhoras e senhores, não haverá casamento, nem hoje e nem nunca”.

A reação de Melissa é o colapso do cinismo. Quase desmaiando, ela tenta apelar para a culpa, mas o galã está vacinado contra o teatro. Diante de toda a elite, Felipe a humilha com a verdade: “Posso sim, porque eu não amo você. Nunca amei. A única mulher que eu amo de verdade é a Lívia”. E como se a anulação do casamento não fosse escândalo suficiente, o resumo indica que Felipe aproveitará a plateia chocada para detonar um segredo podre do passado da própria Condessa Vitória, colocando a tia na parede antes de fugir, a cavalo, ao encontro da sua verdadeira amada.

“Além do Tempo” não economiza na dramaticidade. Entre acidentes de carroça, aparições quase fantasmagóricas e casamentos rompidos na cara da sociedade, o capítulo de sexta-feira promete ser aquele em que a verdade, por mais inconveniente que seja, finalmente cobra seu preço. E que preço! Preparem a pipoca, porque a fuga a cavalo será apenas o começo de uma nova tempestade.