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O CERCO SE FECHA: CLIMA DE FESTA NA OPOSIÇÃO COM NOVA OFENSIVA NA CÂMARA E O “BEIJA-MÃO” DE MORAES A MICHELLE BOLSONARO

O xadrez político brasileiro atingiu um novo ápice de tensão e simbolismo nesta semana. O que se viu nos bastidores de Brasília não foi apenas mais um capítulo da polarização, mas sim uma série de movimentos que a oposição classifica como um sinal de fraqueza e desespero por parte do governo Lula e do Supremo Tribunal Federal (STF). O epicentro dessa tempestade política se deu durante a posse do ministro André Mendonça no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um evento que serviu de palco para cenas impensáveis até pouco tempo atrás e que revigorou a base conservadora, inflamando discursos e ações contundentes no Congresso Nacional. A direita celebra o que considera o início do fim da hegemonia do STF e do atual governo, apostando alto na viabilidade do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República em 2026.

A Ofensiva no Congresso: O Pedido de Impeachment de Moraes

A oposição no Congresso Nacional decidiu não recuar diante das recentes decisões monocráticas que, segundo os parlamentares, anulam a vontade popular e a soberania do Legislativo. O estopim para a mais nova e feroz ofensiva foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender a eficácia da Lei 14.790/2023 (conhecida como Lei das Bets) e de outras matérias que já haviam passado pelo crivo do Congresso, sofrido veto presidencial, e tido seus vetos derrubados por ampla maioria parlamentar. Para a liderança da oposição, essa atitude configura uma flagrante usurpação de poder.

O mito do herói e a desconstrução do ministro Xandão no caso Master

Em um discurso inflamado e amparado por mais de 100 assinaturas de parlamentares, a liderança da direita protocolou um novo e detalhado pedido de impeachment contra Moraes. A fundamentação legal baseia-se na Lei 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade. O documento de cinco páginas acusa o ministro de deixar de observar os limites constitucionais, afastar a incidência de leis federais sem competência para tal e afrontar diretamente o princípio da separação dos poderes. “Os ministros da Suprema Corte estão comandando o país com as suas poderosas canetas, usurpando o poder do povo brasileiro”, ecoou um líder oposicionista na Câmara. A percepção generalizada entre esses parlamentares é de que o Congresso foi “fechado” na prática, gerando um ambiente de grave insegurança jurídica onde leis aprovadas são sumariamente ignoradas pela cúpula do Judiciário.

O “Beija-Mão” Emblemático e o Clima de Desespero

Se nos tribunais e plenários o clima é de guerra institucional, nos eventos de posse o cenário revelou um misto de cinismo e cálculo político. O momento que monopolizou as atenções e as análises políticas ocorreu na posse do ministro Nunes Marques no TSE, quando Alexandre de Moraes — figura central da repressão judicial contra o bolsonarismo — foi flagrado cumprimentando cordialmente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com direito a abraço e beijinhos no rosto.

Para a direita, esse gesto não representa civilidade, mas sim um termômetro do desespero de Moraes diante do crescente enfraquecimento do governo Lula e do fortalecimento do PL para as eleições de 2026. Analistas conservadores, como Adrilles Jorge, fizeram leituras simbólicas pesadas sobre o episódio. Adrilles elogiou a postura cristã e institucional de Michelle ao estender a mão àquele que tem sido o “algoz” de seu marido e de seus apoiadores. Contudo, a leitura política predominante é de que o ministro tentou uma aproximação tática, ciente de que a pressão por seu impeachment ganha corpo e que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro em 2026 poderia selar seu destino. O “beija-mão” foi interpretado como uma tentativa desesperada de apaziguamento por alguém que percebeu que a “casa caiu”.

O Recuo Populista de Lula e o Desgaste das Forças Armadas

A sensação de derretimento institucional não se restringe ao STF. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também demonstra estar acuado. Em uma atitude que a oposição classificou como puramente eleitoreira, o governo recuou na taxação das compras internacionais — a impopular “taxa das blusinhas” —, medida duramente criticada pelas classes C e D. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), sempre muito vocal nas redes, apontou a hipocrisia da medida, lembrando que o governo defendeu a taxação com unhas e dentes, mas voltou atrás ao perceber o estrago monumental na popularidade de Lula em pleno ano de disputas municipais, que servem de termômetro para 2026.

Para coroar o cenário de insatisfação popular com as instituições, um episódio na televisão aberta desnudou uma ferida dolorosa para os conservadores. Em seu programa no SBT, o apresentador Ratinho realizou uma enquete ao vivo com seu público — majoritariamente popular e representativo de diversas regiões do país — perguntando se o povo ainda valoriza e respeita as Forças Armadas. O resultado foi devastador: 68% dos telespectadores responderam que não. Para os formadores de opinião da direita, a perda de respeito popular pelo Exército é resultado direto da postura passiva do Alto Comando diante da crise democrática e de sua submissão ao atual governo, simbolizada em continências a ditadores como Nicolás Maduro e na proliferação de fotos amistosas ao lado de Lula. A oposição celebra o momento atual como um ponto de inflexão, acreditando que a queda das máscaras e o desespero de seus adversários pavimentam o caminho definitivo para o retorno da direita ao comando do país.