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Tragédia no Pará: Ex-Prefeito de Ourilândia do Norte Dispara Contra a Ex-Esposa e Tira a Própria Vida em Escritório de Advocacia

A tarde da última quarta-feira, dia 3, ficará irremediavelmente e dolorosamente marcada na memória coletiva dos habitantes de Ourilândia do Norte e de toda a vasta extensão da região da PA-279, no sul do estado do Pará. O que deveria ser o desfecho burocrático, civilizado e estritamente legal de um casamento transformou-se em uma cena de horror e derramamento de sangue. O médico e figura política de imenso prestígio local, Romildo Veloso e Silva, amplamente e respeitosamente conhecido pela população como Dr. Veloso — homem que acumulava a impressionante marca de quatro mandatos como prefeito do município e que atualmente exercia o cargo de vereador para o qual foi eleito com mandato a partir de 2025 —, protagonizou um episódio de extrema violência que abalou as estruturas da cidade. Em um ato que chocou não apenas seus eleitores, mas todo o estado, ele disparou letalmente contra a cabeça de sua ex-companheira, Icicleia Alves Veloso, carinhosamente chamada na comunidade de Leia Veloso, cometendo suicídio logo em seguida. A ocorrência policial de altíssima gravidade não apenas dilacerou uma família de forma irreversível, mas também escancarou de maneira cruel a brutalidade que muitas vezes se esconde, de forma silenciosa, por trás de imponentes fachadas de respeitabilidade pública e de grande poder político.

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O Cenário de uma Falsa Paz: A Reunião de Separação

O fatídico e sangrento encontro teve como palco um escritório de advocacia localizado na Avenida das Nações, a via que compõe o movimentado coração comercial e administrativo do centro de Ourilândia do Norte. De acordo com as informações minuciosamente repassadas pelas autoridades policiais encarregadas do inquérito e pelo próprio advogado responsável por mediar o delicado processo de separação legal do casal, Dr. Veloso e Leia Veloso chegaram ao estabelecimento por volta das 14h30 da tarde. O objetivo da reunião era traçar um consenso e definir os termos da partilha de bens que envolvia o divórcio de ambos. Durante aproximadamente duas horas ininterruptas, o ex-casal participou de uma conferência que, até aquele exato momento, transcorria dentro da mais absoluta normalidade esperada para trâmites legais dessa natureza. Não havia indícios de exaltação, gritos, ameaças ou qualquer alteração comportamental que pudesse fazer prever a catástrofe iminente. O diálogo parecia caminhar de forma civilizada para uma resolução pacífica. No entanto, por volta das 16h30, o médico, demonstrando uma frieza psicológica que mais tarde seria assustadoramente confirmada pelas investigações periciais, solicitou ao advogado que os deixasse a sós na sala por alguns instantes. O pedido, considerado comum e compreensível em situações que envolvem intimidade e decisões familiares de foro íntimo, foi prontamente atendido pelo profissional do direito.

A Execução Silenciosa e a Descoberta Através das Câmeras

O advogado, agindo em conformidade com a ética de sua profissão, desceu as escadas do prédio, concedendo a privacidade solicitada ao ex-casal. O silêncio sepulcral do edifício foi rompido de forma abrupta e violenta cerca de apenas dois minutos depois por um forte e ensurdecedor estampido, cujas características remetiam inegavelmente a um disparo de arma de fogo em ambiente fechado. Alarmado e temendo o pior desfecho possível, o profissional correu de volta pelas escadas e tentou acessar a sala de reuniões, momento exato em que ouviu um segundo disparo ecoar de forma abafada pelo ambiente. Diante da porta trancada e da impossibilidade física de entrar imediatamente no recinto para intervir, o advogado tomou a decisão rápida e providencial de recorrer ao sistema de monitoramento interno por câmeras de segurança do escritório. As imagens reveladas pelos monitores de vigilância formavam um quadro desolador, aterrorizante e definitivo: Icicleia Veloso encontrava-se sentada em uma das cadeiras da sala, completamente imóvel, aparentemente ferida de forma gravíssima por um disparo direto na região da cabeça. O Dr. Veloso, por sua vez, não aparecia no campo de visão das câmeras principais, pois, logo após o primeiro tiro, havia se trancado no banheiro privativo do escritório para consumar o ato final desta tragédia. As forças policiais militares e civis foram acionadas em caráter de urgência máxima e, ao chegarem rapidamente ao local, isolaram imediatamente todo o perímetro da Avenida das Nações para preservar a cena do crime até a chegada dos peritos.

O Trabalho da Perícia e a Frieza da Premeditação

A magnitude e a complexidade do caso exigiram a mobilização de equipes especializadas em homicídios de alta repercussão. Por volta da 1 hora da madrugada de quinta-feira, dia 4, a Polícia Científica do Estado do Pará, com uma equipe técnica deslocada diretamente do Centro de Perícias Científicas (CPC) da cidade de Marabá, adentrou o escritório para iniciar os rigorosos trabalhos de análise técnica e criminalística. O delegado titular responsável por Ourilândia do Norte, Dr. Leonai de Jesus, acompanhou de perto e de forma ininterrupta cada passo da perita criminal. Em declarações contundentes e transparentes prestadas à imprensa no local dos fatos, a autoridade policial descreveu a situação como um cenário “bem complicado e sensível”, ressaltando de imediato o peso da notoriedade pública dos envolvidos. “O Dr. Veloso e a sua esposa eram bem conhecidos no município, pessoas públicas”, afirmou o delegado Leonai. A cena do crime foi periciada nos mínimos detalhes, com o escrutínio dos corpos e a análise forense dos veículos do casal estacionados nas imediações. O que mais estarreceu as autoridades e a opinião pública, solidificando a gravidade do evento, foi a ausência total de qualquer conflito físico ou verbal prévio. O delegado foi categórico ao afirmar que as imagens do circuito interno de TV são absolutamente claras. “Não houve discussão em momento algum”, pontuou o investigador. O vídeo do circuito de segurança mostra o instante exato em que, após ficarem a sós e sem proferir palavras de ânimos exaltados, o médico se levanta de forma sorrateira, caminha e posiciona-se por trás de Icicleia, efetuando um único e letal disparo na região da nuca da ex-companheira. A vítima não teve qualquer chance de defesa, sequer percebendo a aproximação mortal daquele com quem dividiu grande parte de sua vida. Imediatamente após alvejar a ex-mulher de forma covarde e premeditada, Dr. Veloso dirigiu-se friamente ao banheiro, onde disparou a arma de fogo contra si mesmo, com o projétil entrando pela boca e saindo pela nuca. Para a Polícia Civil, a ausência de brigas e a execução calculada pelas costas são indícios irrefutáveis de que o ex-prefeito planejou minuciosamente o feminicídio antes mesmo de chegar à reunião, utilizando a falsa promessa de um acordo de partilha de bens como uma emboscada mortal.

O Estado Crítico da Vítima e o Luto de Toda uma Região

Após a meticulosa conclusão dos trabalhos periciais no escritório de advocacia, o corpo do ex-prefeito Romildo Veloso e Silva foi recolhido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Marabá para a realização obrigatória da perícia necroscópica, com a liberação de seus restos mortais prevista para ser velada no dia seguinte. Enquanto a cidade de Ourilândia do Norte começava, de forma atônita, a processar a morte violenta de um de seus líderes políticos mais proeminentes e longevos, a atenção da comunidade médica e da população voltou-se desesperadamente para o estado clínico de Icicleia Veloso. Socorrida em estado de choque e levada às pressas a uma unidade de terapia intensiva hospitalar, seu quadro clínico foi classificado como devastador. Em conversas oficiais com a equipe de investigação, o médico plantonista responsável pelo atendimento de Icicleia relatou que a situação é de extrema gravidade. A vítima apresenta atividades cerebrais mínimas, mantendo atualmente apenas sinais vitais básicos sustentados por intervenção médica rigorosa. Embora ainda não haja a confirmação de morte encefálica até o fechamento desta reportagem, as esperanças de recuperação são ínfimas. A ocorrência gerou uma onda de consternação e perplexidade absoluta que ultrapassou os limites do município. O Dr. Romildo Veloso construiu, ao longo de várias décadas, uma trajetória sólida e reverenciada, alicerçada em sua atuação constante na saúde pública como médico salvador de vidas e em sua influência hegemônica na política local. Eleger-se prefeito por quatro mandatos e continuar relevante no cenário público demonstram a confiança cega que a população depositava em sua figura de autoridade. O contraste macabro e inexplicável entre a imagem do médico que jurou preservar vidas e a frieza do homem que executou a ex-esposa a sangue frio deixa uma cicatriz social profunda. A Polícia Civil segue com o inquérito aberto para esgotar todas as circunstâncias, em um caso que reafirma a dolorosa e dura realidade de que a violência contra a mulher no Brasil não escolhe classe social, grau de instrução ou prestígio político.

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