Ana Campagnolo faz duras críticas a Érika Hilton na Comissão das Mulheres: ‘Você nunca saberá o que é ser mulher de verdade’
A polêmica e a tensão tomaram conta da Comissão das Mulheres, com declarações explosivas da deputada Ana Campagnolo contra Érika Hilton, presidente da comissão. A crítica foi um verdadeiro confronto ideológico, em que Ana questiona a legitimidade de Hilton para representar as mulheres, alegando que a experiência de uma pessoa transgênero não pode compreender as dificuldades que uma mulher cisgênero enfrenta no cotidiano.
“Você nunca soube o que é ser mulher”

A troca de farpas começou quando Ana Campagnolo fez uma afirmação contundente durante uma entrevista: “A simples necessidade de usarmos o pronome feminino para nos referirmos a alguém com cromossomos XY já demonstra que perdemos nossa liberdade de consciência e crença”, disse a deputada. Para Ana, a questão vai além da identidade de gênero: é uma crítica ao sistema de linguagem e à imposição de termos criados para reforçar uma agenda que, segundo ela, distorce a realidade biológica.
Ela comparou a experiência de ser mulher com a de ser transgênero, dizendo que Érika Hilton, por mais que se identifique como mulher, jamais entenderia as dificuldades cotidianas que uma mulher cisgênero enfrenta. “Será que a Érika Hilton já teve cólicas menstruais? Já se preocupou com o atraso da menstruação aos 16 anos e correu para a farmácia para comprar um teste de gravidez?”, desafiou Ana, levantando a questão da vivência feminina, algo que ela considera essencial para que se possa representar as mulheres.
O que é ‘Lugar de Fala’?
Ana Campagnolo também questionou o conceito de “lugar de fala”, defendido por muitos no movimento feminista. Para ela, a teoria de que apenas quem vive determinada experiência pode falar sobre ela é contraditória e perigosa. “O médico sabe mais sobre câncer do que quem passou pela doença, mas é só quem tem a doença que sabe o que é sentir a dor e os efeitos”, afirmou. Ela estendeu essa lógica à questão do aborto e da identidade de gênero, argumentando que, assim como os homens não deveriam opinar sobre o aborto por não vivenciarem a gestação, um homem transgênero também não deveria ser visto como representante dos interesses das mulheres.
A guerra cultural: Gênero e identidade
Campagnolo também abordou a “guerra cultural” que, segundo ela, está sendo travada através de políticas públicas que reconhecem e validam as identidades transgêneras. A deputada acredita que a adoção do termo “mulher cis” e “mulher trans” por parte de políticas públicas é uma forma de “prostituição intelectual” e de aceitação de uma narrativa que não corresponde à realidade biológica. “O simples fato de chamarmos alguém de ‘mulher trans’ já significa que estamos aceitando a imposição de um conceito falso”, pontuou.
Ela acusou ainda a esquerda de ser cúmplice dessa distorção e de não permitir mais um debate livre sobre o que é ser mulher, criando um ambiente de censura onde a opinião contrária é rotulada como transfóbica. “A própria forma de pensar sobre identidade de gênero foi usurpada por uma agenda que se sobrepõe à nossa liberdade de expressão”, completou.
A desconstrução de um conceito
Em um momento especialmente polêmico da entrevista, Ana Campagnolo falou sobre o caso de um homem que, segundo ela, se identificava como mulher, mas ainda mantinha características masculinas, como a voz e a postura. “Eu sou obrigada a chamá-lo de Laura por cortesia, mas ele é um homem. Se ele quer ser chamado assim, tudo bem, mas o que precisamos entender é que ele é um homem, com um corpo de homem, com voz de homem, com comportamento de homem”, disparou. Para ela, a identidade de gênero não pode ser imposta por um decreto ou por uma mudança superficial, como o uso de uma peruca ou a aplicação de silicone.
A luta pela legitimidade no espaço político
Para Ana Campagnolo, Érika Hilton representa o que ela considera ser um “erro cultural” dentro da política. “Não estou dizendo que uma pessoa trans não pode estar na política, mas sim que ela não deve ocupar cargos que envolvem questões das mulheres”, afirmou. Ela argumentou que o cargo de presidente da Comissão das Mulheres deveria ser ocupado por uma mulher que tenha vivenciado as dificuldades da maternidade, da menstruação, e das questões sociais e biológicas que afetam as mulheres cisgêneras.
A tensão política e social
As críticas de Ana Campagnolo são um reflexo da crescente polarização política no Brasil. A discussão sobre identidade de gênero, direitos das pessoas trans e a inclusão de minorias no espaço público estão na pauta das discussões em diversos setores da sociedade. Para muitos, as palavras de Ana Campagnolo são um eco da resistência contra a crescente influência da agenda trans no Brasil. Já para outros, suas declarações são um exemplo de discurso transfóbico que tenta deslegitimar as conquistas das pessoas trans no cenário político.
Enquanto isso, Érika Hilton, por sua vez, tem se posicionado como uma defensora incansável dos direitos das pessoas trans e da comunidade LGBTQIA+, recebendo apoio de diversas organizações e pessoas que defendem a diversidade e a inclusão. A tensão entre essas visões opostas mostra que a luta pelo espaço das mulheres e pela representação de gênero continua sendo um campo de batalha intenso e cheio de controvérsias.