O clima esquentou de forma sem precedentes na Câmara dos Deputados. Em um embate direto e desprovido de meias-palavras, a deputada conservadora Rosana do Valle partiu para o ataque contra a presidente do colegiado, Erika Hilton, expondo o que chamou de “autoritarismo, perseguição e palanque eleitoral” nos bastidores do poder.
O Congresso Nacional foi palco de uma das cenas mais tensas, viscerais e divisivas da política brasileira recente. O que deveria ser uma sessão ordinária na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher transformou-se em um verdadeiro campo de batalha ideológica, com direito a acusações de censura, exposição de dados de faltas e um confronto direto de visões de mundo que paralisou os corredores de Brasília.

De um lado, a deputada federal conservadora Rosana do Valle (PL-SP), veterana da casa e voz ativa da ala tradicionalista. Do outro, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), atual presidente da comissão e um dos maiores ícones da chamada agenda progressista e identitária do país. O resultado desse encontro de forças foi um massacre dialético que incendiou as redes sociais e expôs as vísceras de como as comissões parlamentares têm sido conduzidas na atual legislatura. Sem rodeios, Rosana do Valle simplesmente “tratorou” Erika Hilton ao vivo, desferindo uma rajada de críticas que deixou a mesa diretora em estado de choque.
O Estopim da Crise: A Blindagem de Ministra e a Ditadura da Palavra
O clima de hostilidade, que já vinha se desenhando há semanas, explodiu de vez após a realização de uma audiência pública que contou com a presença da ministra Márcia Lopes. Segundo denúncias da ala conservadora, a sessão foi completamente manipulada para blindar a integrante do governo de questionamentos incômodos sobre a baixa efetividade no combate ao feminicídio.
Ao assumir o microfone no tempo de liderança, a deputada Rosana do Valle não escondeu sua profunda indignação com a condução dos trabalhos por parte de Erika Hilton. “Quero deixar aqui registrada a minha insatisfação com relação à audiência pública. A ministra falou durante 40 minutos, não respondeu aos nossos questionamentos, e as deputadas da oposição não tiveram direito à réplica nem à tréplica! Foi uma decisão autoritária dessa presidência, o que é lamentável”, disparou a parlamentar do PL, iniciando o bombardeio.
Segundo Rosana, Erika Hilton teria transformado a comissão — que deveria ser um espaço técnico de debate e fiscalização do Executivo — em uma verdadeira claque de aplausos e proteção ideológica. “Eu vi a todo momento Vossa Excelência se dirigindo à ministra com muitos elogios. Foi feita uma blindagem aqui com as demais deputadas que apoiam este governo. A todo momento só elogiaram a ministra e não fizeram perguntas. Perguntas que ela veio aqui para responder!”, protestou.
O Ataque pelas Costas: A “Lacração” na Ausência do Adversário
O ponto mais dramático do confronto ocorreu quando Rosana do Valle expôs uma suposta manobra de Erika Hilton de atacá-la no momento em que ela precisou se ausentar momentaneamente do plenário para conceder uma entrevista à TV Câmara. De acordo com o relato, a presidente da comissão teria se aproveitado da cadeira da presidência para proferir discursos depreciativos contra as parlamentares da oposição que haviam deixado o recinto.
Rosana do Valle afirmou que suas perguntas eram estritamente técnicas e baseadas em dados públicos de reportagens que comprovam que o governo federal não investiu sequer 15% do orçamento previsto para as ações de combate ao feminicídio e violência contra a mulher. No entanto, em vez de respostas, a oposição teria recebido deboche institucionalizado por parte da mesa diretora.
Desfazendo Narrativas: O Embate sobre o Aborto e a “Tática de Desumanização”
O confronto atingiu o ápice quando Rosana do Valle confrontou Erika Hilton a respeito de acusações que ligavam as deputadas de oposição a pautas polêmicas, como uma suposta facilitação ou apoio a projetos distorcidos pela narrativa governista como “PL da pedofilia”. Rosana fez questão de restabelecer a verdade dos fatos e expor as manobras retóricas utilizadas pela extrema esquerda para silenciar seus adversários.
“A senhora disse que as deputadas que saíram votaram a favor do projeto da pedofilia. Eu falo por mim: eu votei contra o aborto de meninas sem o consentimento dos pais e votei contra o aborto de meninas sem o registro de boletim de ocorrência! Então, eu não votei em projeto de pedofilia!”, rebateu Rosana, olhando fixamente para a presidente da mesa.
A parlamentar conservadora acusou Erika Hilton e o bloco governista de utilizarem métodos de manipulação psicológica e difamação sistemática para destruir a reputação de quem ousa discordar da cartilha progressista. “São narrativas. Não adianta, essa tática já é velha, já é conhecida. É uma tática de você desumanizar o adversário para que o adversário não tenha voz! Isso acontece, é uma tática da extrema esquerda que, infelizmente, aqui nesta presidência, a senhora está fazendo esse papel. A senhora está num palanque eleitoral, a senhora não está como presidente de uma comissão”, denunciou Rosana do Valle.
O Massacre dos Dados: 78 Ausências Expostas ao Vivo
Para sepultar a narrativa de que a oposição não trabalha ou não se importa com as pautas femininas, Rosana do Valle guardou uma carta na manga devastadora. Sob os olhos atentos das câmeras e dos demais parlamentares, ela trouxe à tona o histórico de assiduidade de Erika Hilton nos colegiados da casa, desmascarando a postura de quem se vende como a maior defensora das causas populares.
“Eu estou aqui para defender os meus valores, estou aqui para defender as mulheres reais. Estou nesta comissão desde 2019. No ano passado, eu dei uma olhada nos registros para ver: a senhora teve 78 ausências em comissões! Então, quem está aqui para lacrar não sou eu e nem são as deputadas de oposição. Nós estamos aqui para fazer resistência!”, revelou Rosana, provocando um murmúrio generalizado no plenário.
A deputada do PL reiterou que a postura de Erika Hilton à frente dos trabalhos é marcada pelo autoritarismo e pela agressividade, utilizando o poder do microfone para proferir a última palavra e atacar quem não se curva às suas diretrizes. “Vossa Excelência tem um comportamento perseguidor, agressivo e autoritário à frente desta comissão. Mas tudo isso não vai fazer com que eu deixe de estar aqui. Eu presido várias outras comissões, convivo ali com deputados de oposição de diversos partidos e o trabalho se dá de forma tranquila e clara, respeitando as ideias de cada um. O seu comportamento não me intimida!”, sentenciou.
A Réplica de Erika Hilton: Ironias e Citações Pop para Esquivar-se dos Fatos
Visivelmente desconfortável com a exposição de suas faltas e com a acusação de autoritarismo, Erika Hilton tentou reagir utilizando uma mistura de ironia, referências à cultura pop internacional e argumentos procedimentais. Tentando desqualificar a contundência do ataque de Rosana, Hilton apelou para o deboche.
“A senhora está com uma obsessão comigo, né? A senhora está com uma coisa que me lembra sempre as músicas… Aquela música da Mariah Carey em que ela diz: ‘Why are you so obsessed with me?’ (Por que você está tão obcecada por mim?)”, ironizou a psolista, buscando arrancar risadas da claque governista presente.
Erika Hilton tentou se defender das acusações de censura na audiência pública alegando que a ausência de réplicas e tréplicas foi fruto de um “acordo de procedimento” pactuado com o colegiado devido ao alto número de inscritos e ao teto de horário da ministra. “Nós consultamos o plenário. Vossa Excelência talvez não estava nesse momento, não sei, não participou, não me lembro… Mas nós pactuamos que não teríamos essas idas e vindas para que desse tempo de todas as deputadas perguntarem. Isso não foi uma decisão unicamente minha”, justificou-se a presidente.
Hilton também tentou desferir um contra-ataque pessoal, afirmando que, apesar de Rosana alegar estar na comissão desde 2019, ela nunca a tinha visto antes. “Eu sou deputada, fui vice-presidente no ano passado, ocupo a comissão desde o primeiro ano da legislatura e nunca tinha visto a senhora. A primeira vez que vi a senhora foi na minha posse para a presidência da Comissão das Mulheres”, provocou Erika Hilton, tentando diminuir a relevância política da adversária.
A Crise da Representatividade no Coração do Debate
O embate entre Rosana do Valle e Erika Hilton não é apenas uma briga paroquial por tempo de fala ou regimento interno; é a expressão exata da crise de representatividade que racha a sociedade brasileira. Quando Rosana do Valle finalizou sua fala com a frase cortante — “Você não me representa e não representa milhões de mulheres brasileiras que têm problemas reais a serem resolvidos aqui” —, ela verbalizou o sentimento de uma parcela gigantesca da população feminina que não se enxerga nas pautas de gênero, linguagem neutra e pautas identitárias defendidas pela esquerda radical.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher deveria ser o santuário onde a segurança física, o suporte às mães solo, o combate à violência real e o amparo econômico das cidadãs brasileiras são tratados com seriedade técnica. O que a oposição conservadora denuncia é o sequestro desse espaço por uma agenda ideológica minoritária que prioriza a “lacração” das redes sociais em detrimento dos problemas cotidianos das mulheres reais que sustentam as famílias do país. O tratoramento promovido por Rosana do Valle lavou a alma de milhões de brasileiros que exigem respeito, transparência e trabalho de verdade dentro do Congresso Nacional.
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