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CASO FAMÍLIA AGUIAR: O “AMIGO” DO PM PRESO, A LANCHONETE A 9 MINUTOS E O ÁLIBI QUE DESMORONA — 4 PERGUNTAS SEM RESPOSTA

CASO FAMÍLIA AGUIAR: O “AMIGO” DO PM PRESO, A LANCHONETE A 9 MINUTOS E O ÁLIBI QUE DESMORONA — 4 PERGUNTAS SEM RESPOSTA

O mistério que envolve o desaparecimento de Silvana German de Aguiar (48), seu pai Isil Vieira de Aguiar (69) e sua mãe Dalmira German de Aguiar (70) ganhou capítulos dramáticos esta semana. O que parecia ser uma investigação focada exclusivamente no policial militar Cristiano Dominguez Francisco — preso desde 10 de fevereiro — agora se expande para um círculo de proximidade que pode revelar uma trama muito mais complexa e sombria.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deu um passo decisivo: um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência de um amigo íntimo de Cristiano. Celulares e dispositivos eletrônicos foram confiscados e já estão sob a análise rigorosa do Instituto Geral de Perícias (IGP). Mas por que este amigo entrou no radar? A resposta reside em uma lanchonete em Cachoeirinha e em um intervalo de tempo que a polícia afirma ser insuficiente para garantir a inocência de qualquer um dos envolvidos.

O Círculo se Fecha: Quem é o “Amigo” e o que ele Esconde?

Até o momento, Cristiano era o único rosto por trás das grades. No entanto, o delegado Anderson Spier foi enfático ao declarar que “não descarta pedir a prisão temporária de outras pessoas”. A investida na casa deste amigo não é um movimento aleatório. Trata-se de uma peça-chave que estava com Cristiano, sua companheira Milena Rupental e outro acompanhante na noite de 24 de janeiro — a última vez que as vítimas foram vistas.

A justiça entendeu que há fundamentos legais para acreditar que as comunicações e dados de localização contidos nos aparelhos desse amigo podem ser o “elo perdido” para entender a coordenação do crime. Se houve um plano, ele deixou rastros digitais.

O Álibi de 9 Minutos: Uma Distância Fatal

O ponto mais explosivo da investigação atual é o chamado “álibi da lanchonete”. Naquela sexta-feira fatídica, enquanto as câmeras da casa de Silvana registravam a chegada de um Fox vermelho às 20h41, o grupo de quatro pessoas (dois casais) jantava em Cachoeirinha.

Para a defesa, isso seria a prova de que Cristiano não poderia estar no local do crime. Para a Polícia Civil, é exatamente o contrário. “Nove minutos de carro não é álibi”, afirma a investigação. A curta distância entre a lanchonete e a residência das vítimas permite que qualquer um dos presentes pudesse se ausentar por um curto período, cometer ou auxiliar em uma ação criminosa, e retornar sem que a ausência fosse notada como algo impossível.

Álibi, no rigor da lei, depende de impossibilidade geográfica. Quando o tempo de deslocamento é menor do que um intervalo de café, o álibi se torna, na verdade, uma “presença declarada na vizinhança”.

O Mistério do Fox Vermelho e o “Menino da Bicicleta”

As câmeras de segurança revelaram uma dinâmica perturbadora. O Fox vermelho não esteve na casa apenas uma vez. Ele chegou às 20h41, saiu após 7 minutos, e voltou após as 23h. O que foi feito nesse segundo momento? Por que retornar à cena onde o Ford Ka de Silvana já havia sido manobrado para os fundos?

Um detalhe que passou despercebido por muitos, mas não pela polícia, é a figura de um menino andando de bicicleta. Nas imagens, ele olha fixamente para o Fox vermelho por duas vezes enquanto o veículo deixa a casa. Esse ciclista pode ser a testemunha visual mais importante do caso, capaz de identificar quem estava ao volante ou se havia algo suspeito no interior do carro. A polícia faz um apelo para que essa criança, ou seus responsáveis, se apresentem.

A Retroescavadeira e o Sítio em Gravataí

Surgiu uma denúncia gravíssima que a polícia tenta confirmar: dias antes do crime, Cristiano teria alugado uma retroescavadeira para utilizar em um sítio da família em Gravataí. No local, havia uma casa antiga com um poço que foi demolida e o poço, aterrado.

A pergunta que ecoa nos corredores da delegacia é aterrorizante: “O poço foi aterrado com algo dentro?”. O uso de sonares de subsuperfície e análise de solo será determinante para responder se o local foi usado como cemitério clandestino. Se a movimentação de terra aconteceu logo após o dia 24 de janeiro, a situação de Cristiano e de quem o ajudou se torna insustentável.

O Sangue que Fala

O IGP confirmou: as amostras de sangue encontradas na casa de Silvana são de origem humana e pertencem a um homem e uma mulher. O cruzamento com o DNA das vítimas está em fase final. Se confirmado que o sangue é de Silvana e de seus pais, o caso deixa de ser “desaparecimento” para se tornar oficialmente “homicídio qualificado”, mudando todo o peso jurídico do processo.

A investigação avança em silêncio, mas com passos de gigante. Entre celulares apreendidos, vistorias em mais de 6.000 veículos Fox e buscas em sítios, o cerco está se fechando. A pergunta não é mais se o caso será resolvido, mas quando as provas técnicas colocarão todos os culpados atrás das grades.