O clima nos bastidores do poder em São Paulo e Brasília não é apenas de tensão; é de absoluto terror. Uma mega-operação da Polícia Civil de São Paulo explodiu como uma bomba no colo do clã Bolsonaro, deixando o senador Flávio Bolsonaro em completo estado de desespero. O motivo? Uma investigação devastadora que aponta para um esquema criminoso de desvio de dinheiro público que já ultrapassa a impressionante marca de R$ 100 milhões.
O rastro da corrupção, segundo as investigações, conecta diretamente o apoio político nas eleições municipais ao financiamento ilegal de um documentário ideológico da extrema-direita. O castelo de cartas começou a ruir, e os envolvidos já correm contra o tempo, sabendo que as algemas estão cada vez mais próximas.
O Golpe do Wi-Fi: Como R$ 150 Milhões Sumiram dos Cofres Públicos

No centro do furacão está o Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma Organização Não Governamental (ONG) controlada por Karina Bezerra, descrita por interlocutores como “amicíssima” e braço direito de Flávio Bolsonaro. Sob a justificativa de instalar pontos de internet sem fio na capital paulista, a prefeitura de São Paulo firmou um contrato inicial de R$ 100 milhões com a entidade, que posteriormente recebeu um aditivo escandaloso de mais R$ 47 milhões.
A Polícia Civil, no entanto, descobriu que o projeto não passava de uma fachada para uma monumental engrenagem de lavagem de dinheiro e superfaturamento. De acordo com os relatórios oficiais, os serviços contratados apresentavam um superfaturamento mínimo de 230% em comparação com os preços de mercado.
A Anatomia do Desvio:
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Terceirização entre Amigos: O ICB recebia os milhões da prefeitura, mas não realizava o serviço. A ONG subcontratava empresas que pertenciam aos seus próprios diretores e funcionários.
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Margem de Lucro Criminosa: O esquema embolsava entre 50% e 60% do valor total de cada contrato, repassando apenas uma fração irrisória para a execução real (e precária) do serviço.
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Cinco Vezes Mais Caro: Enquanto empresas privadas cobram cerca de R$ 300 mensais pela manutenção de um ponto de Wi-Fi, a rede da amiga de Flávio Bolsonaro faturava mais de R$ 1.500 pelo mesmo serviço.
Para piorar a situação do atual prefeito — que selou sua aliança política com Jair Bolsonaro na mesma época em que os repasses multimilionários começaram —, o Tribunal de Contas do Município (TCM) já havia emitido um alerta formal exigindo a devolução imediata de quase R$ 1 milhão por pagamentos duplicados e ilegais. Ignorando solenemente o órgão fiscalizador, a prefeitura continuou a injetar dinheiro público na organização.
O Perigo Oculto: Especialistas alertam que o controle de redes públicas de Wi-Fi por grupos politicamente motivados abre uma brecha perigosa para a espionagem em massa. Quem se conecta a essas redes pode ter dados sensíveis interceptados ou celulares infectados por malwares espiões.
O Financiamento Oculto do Filme Dark Horse
A pergunta que a polícia começou a responder com a apreensão de computadores e celulares é: Para onde foi o dinheiro roubado do povo paulistano?
As investigações cruzadas revelam que a produtora responsável pelo filme Dark Horse — um documentário que exalta a trajetória de Jair Bolsonaro — é de propriedade da mesma dona da ONG envolvida no escândalo do Wi-Fi.
Embora Flávio Bolsonaro tenha vindo a público, visivelmente abalado, para negar veementemente que o dinheiro da prefeitura tenha financiado a produção cinematográfica, suas declarações contraditórias acenderam o sinal vermelho na polícia. O senador, que antes afirmava não ter qualquer ingerência na produção do filme, agora demonstra um conhecimento detalhado e suspeito sobre a origem de cada centavo da obra.
A suspeita principal é de que o apoio político de Bolsonaro à reeleição do prefeito de São Paulo foi, na verdade, comprado por meio do direcionamento desses R$ 150 milhões para a produtora aliada. O filme, que conta com atores internacionais caríssimos, teria sido o mecanismo perfeito para escoar o dinheiro público desviado.
O Esquema das Emendas Parlamentares de Mário Frias
O escândalo ganha contornos ainda mais dramáticos com a inclusão de Mário Frias, deputado federal e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, que também assina como coprodutor do filme Dark Horse.
Frias é acusado de utilizar emendas parlamentares — verbas públicas que deputados têm direito de destinar a projetos sociais — para inflar os cofres do Instituto Conhecer Brasil. A Polícia Civil identificou que, assim que uma emenda de R$ 1 milhão era depositada na conta da ONG de Karina Bezerra, uma fatia de quase R$ 1 milhão era imediatamente repassada para o advogado pessoal de Mário Frias e para uma de suas assessoras.
| Origem do Dinheiro | Destino Inicial | Operação de Fachada | Destinatário Final | Suspeita Policial |
| Emenda Parlamentar (Mário Frias) | Instituto Conhecer Brasil (ONG) | Contratação Sem Licitação | Advogado de Mário Frias | Lavagem de dinheiro e pagamento de despesas pessoais com recursos públicos |
| Verba da Prefeitura de SP | Instituto Conhecer Brasil (ONG) | Projeto Social em Piraçununga | Diretor da ONG (Professor de Jiu-Jitsu) | Desvio de R$ 200.000 sem comprovação de aulas ministradas |
Em outro caso flagrante de má-fé, uma emenda destinada a um projeto social para ensinar Jiu-Jitsu para crianças carentes na cidade de Piraçununga — fora do município de São Paulo — serviu para pagar um salário de R$ 200 mil para um dos diretores da própria ONG. A polícia constatou que nenhuma criança aprendeu sequer o golpe mais básico da arte marcial, e não há registros de que o projeto tenha de fato existido. Outro projeto suspeito, batizado de “Criança Empreendedora”, supostamente voltado para ensinar economia a crianças de 9 anos, recebeu milhões sem deixar rastros de execução.
Primeira Instância Avança e Caso Deve Subir para o STF
Diferente de outras ocasiões em que o foro privilegiado travou o andamento das investigações, a Polícia Civil de São Paulo agiu com extrema rapidez na primeira instância. Como a ONG e seus diretores não possuem imunidade jurídica, os mandados de busca e apreensão foram executados de forma fulminante.
Atualmente, Mário Frias encontra-se nos Estados Unidos. O parlamentar havia prometido retornar ao Brasil há mais de dez dias, mas permanece no exterior, levantando suspeitas de que estaria tentando fugir do alcance da justiça.
Com a apreensão dos celulares dos servidores da prefeitura e dos operadores do instituto, o cerco se fechou. Fontes ligadas à investigação garantem que as provas coletadas são robustas o suficiente para fazer o caso subir diretamente para o Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, que já conduz um inquérito paralelo sobre o financiamento do filme.
O bolsonarismo, que sempre adotou o discurso inflamado de combate à corrupção, vê-se agora atolado em um dos maiores escândalos de desvio de dinheiro público da história recente de São Paulo. Nos bastidores, o clima é de “salve-se quem puder”, e a certeza de que a próxima semana trará novas e devastadoras revelações que podem terminar em prisões preventivas.