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MISTÉRIO EM CACHOEIRINHA: Um mês sem a Família Aguiar; Polícia rastreia celular de Silvana até a casa do suspeito e poço aterrado vira alvo de investigação

MISTÉRIO EM CACHOEIRINHA: Um mês sem a Família Aguiar; Polícia rastreia celular de Silvana até a casa do suspeito e poço aterrado vira alvo de investigação

O silêncio angustiante que paralisou o Rio Grande do Sul completa 30 dias com revelações bombásticas. Sangue humano na residência, geolocalização comprometedora e a sombra de um carro vermelho: entenda por que o delegado Anderson Spear afirma que “novas prisões podem ocorrer a qualquer momento” neste que já é considerado um dos crimes mais complexos do estado.

Um mês de silêncio. Um mês de prateleiras fechadas no tradicional Minimercado Aguiar e um vazio que ecoa por toda a cidade de Cachoeirinha. O desaparecimento de Silvana de Aguiar (48) e de seus pais, Isaí Vieira de Aguiar (69) e Dalmira Aguiar (70), completa seu primeiro marco temporal com uma virada dramática nas investigações. O que começou como um sumiço inexplicável na noite de 24 de janeiro transformou-se em um inquérito de feminicídio seguido de duplo homicídio, tendo como peça central o ex-marido de Silvana, o policial militar Cristiano Dominguez Francisco.

Mas por que, após 30 dias, o caso tomou contornos de urgência máxima? A resposta reside em rastros digitais e evidências biológicas que parecem fechar o cerco contra o principal suspeito e possíveis cúmplices.

O Rastro Digital: O Celular que “Falou”

Uma das revelações mais impactantes desta fase da investigação veio da perícia tecnológica. O celular de Silvana, encontrado em um terreno baldio na Vila Anair, revelou uma rota que desmente qualquer narrativa de viagem voluntária. Mais do que isso: dados de geolocalização obtidos através de antenas de telefonia indicam que o aparelho esteve dentro da casa de Cristiano e de sua atual companheira, Milena Rupental, justamente no fim de semana do crime.

Embora o delegado Anderson Spear mantenha a cautela oficial, a pergunta que circula nos bastidores da segurança pública é inevitável: como o aparelho de uma mulher desaparecida vai parar na residência do ex-marido antes de ser descartado? Este detalhe é considerado a “chave de ouro” para a Polícia Civil, pois conecta diretamente a cena do possível crime ao ambiente privado do suspeito.

Sangue e Silêncio na Casa de Silvana

Enquanto a tecnologia aponta caminhos, o Instituto Geral de Perícias (IGP) encontrou o que todos temiam. Na residência de Silvana, vestígios de sangue humano foram localizados no banheiro e no pátio dos fundos. As análises preliminares confirmam amostras de perfis genéticos masculino e feminino. O aguardado resultado do confronto de DNA dirá se aquele sangue pertence aos pais de Silvana, selando o destino trágico da família.

O comportamento de Cristiano desde então tem sido o do silêncio absoluto. Preso temporariamente desde o dia 10 de fevereiro, ele já se recusou a depor por duas vezes, utilizando seu direito constitucional. No entanto, seu histórico de rondar vizinhos atrás de câmeras de segurança antes mesmo da perícia oficial começar levantou o sinal de alerta dos investigadores.

O Mistério do Poço e o Carro Vermelho

A investigação agora se volta para o interior de Gravataí, em um sítio pertencente à família de Cristiano. Testemunhas e vizinhos relataram movimentações estranhas e obras súbitas na propriedade. O detalhe mais inquietante? Um poço artesiano que ficava nos fundos do terreno teria sido aterrado recentemente para a construção de uma nova base de concreto. A polícia avalia a necessidade de escavações pesadas no local para buscar os corpos.

Além disso, a busca pelo misterioso “carro vermelho” continua. Câmeras de monitoramento capturaram o veículo entrando e saindo da casa de Silvana por duas vezes na noite fatal, permanecendo apenas poucos minutos em cada visita. A identificação desse automóvel pode revelar quem ajudou Cristiano na logística de ocultação dos cadáveres, o que explica a fala contundente do delegado sobre novas prisões.

Conclusão: “Faremos o Impossível”

O delegado Anderson Spear foi enfático ao afirmar que o inquérito não será encerrado sem que Silvana, Isaí e Dalmira sejam localizados. “Faremos o possível e o impossível”, declarou ele ao confirmar que a prisão de Cristiano pode ser prorrogada por mais 30 dias.

O fechamento do minimercado da família, um ponto de referência da comunidade há mais de três décadas, serve como um lembrete diário de que três vidas foram interrompidas. A sociedade gaúcha aguarda agora o resultado final das perícias genéticas, que podem ser o último prego no caixão de uma defesa que se sustenta apenas no silêncio, enquanto o cerco da justiça se aperta a cada nova antena de celular rastreada.