Posted in

O Romance Secreto, a Traição e a Tentativa de Assassinato de Deolane Bezerra

“O INÍCIO PODE SER O FINAL, O FINAL PODE SER O INÍCIO!”: O Romance Secreto, a Traição e a Tentativa de Assassinato de Deolane Bezerra

 

São Paulo – O submundo do crime organizado no Brasil ganhou um capítulo sombrio, repleto de paixão, poder e perigo, com a divulgação de relatórios secretos que mostram a proximidade entre a advogada e influenciadora Deolane Bezerra e o operador financeiro do PCC, Everton de Souza, conhecido como “Player”. O que parecia ser um romance de luxo e segredos bem guardados transformou-se em uma armadilha mortal: ordens diretas do chefão Marcola arquitetaram um atentado dentro de uma penitenciária paulista, que por pouco não se concretizou.

O Romance Proibido e a Perícia Fotográfica

Em 2019, Deolane publicou em suas redes sociais uma fotografia intrigante, posando com trajes de luxo em uma sacada de alto padrão, acompanhada da frase: “O início pode ser o final, o final pode ser o início”. Na época, a imagem parecia apenas um jargão poético, mas a inteligência da Polícia Civil já monitorava a ligação da influenciadora com a cúpula do PCC.

Durante uma operação na residência de Player, a perícia comparou fotografias e confirmou que a sacada em questão pertencia ao criminoso. Além disso, a conta de luz do imóvel estava registrada em nome do padrasto de Deolane, evidenciando que o local servia como esconderijo para encontros amorosos e transações financeiras clandestinas. Entre 2018 e 2022, cerca de R$ 13 milhões circularam nas contas físicas da advogada, com outros R$ 14 milhões diluídos em seus CNPJs, dinheiro oriundo do tráfico de drogas e do aparato financeiro do PCC.

 

A relação de Deolane com a facção era profunda. Fotos recuperadas mostram-na em festas privadas com Francisca Alves da Silva, a “Pretinha”, esposa de Alejandro Camacho, irmão de Marcola, confirmando que ela transitava com liberdade entre os membros mais confiáveis da organização.

A Ordem de Marcola e a Traição de Player

 

O ponto de virada ocorreu quando as operações de lavagem de dinheiro e plataformas de apostas ilegais, como a “01 Bet”, entraram no radar do Coaf e do Ministério Público. Marcola, dentro do presídio de segurança máxima, ordenou a Player que eliminasse a amante antes que ela decidisse fechar um acordo de delação premiada, protegendo assim os R$ 27 milhões da facção.

A frieza do crime organizado ficou evidente na caixinha de dinheiro apreendida durante a busca no apartamento de Player: R$ 20 mil em cédulas amarradas com liguinhas de borracha, com o nome de Deolane e a frase “O justo não se justifica”. Segundo investigadores, a caixa não era um presente, mas sim a reserva financeira destinada a financiar a execução da influenciadora dentro da prisão, uma forma cruel de deboche que misturava amor e morte.

O plano consistia em atrair Deolane para um ambiente confinado no sistema prisional, aproveitando-se do tumulto durante a troca de turnos dos agentes para asfixiá-la ou eliminá-la discretamente. A ideia era simular uma morte natural, overdose ou suicídio, apagando a testemunha que conhecia os detalhes das rotas e nomes das laranjas que blindavam os irmãos Camacho.

A Preparação da Emboscada

Assim que Deolane deu entrada no presídio, presas ligadas à facção receberam ordens para monitorar seus passos e criar situações de isolamento tático. A influenciadora, agora sob a vigilância total do PCC, passou a viver uma rotina de extremo perigo, sem saber em que momento a tentativa de assassinato ocorreria.

O relatório indica que o planejamento era preciso e detalhado: cada movimento de Deolane era registrado, e qualquer sinal de distração dos agentes poderia facilitar a execução da ordem de Marcola e Player. A intenção era eliminar a amante de forma silenciosa, sem chamar atenção, garantindo que os segredos da facção permanecessem ocultos.

O Fracasso da Queima de Arquivo

Advertisements

Porém, a execução do plano falhou por pouco. A inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) monitorava os sete telefones celulares ocultos de Deolane e interceptou mensagens suspeitas do contador do PCC. A movimentação atípica das presas foi detectada poucas horas antes do ataque, permitindo que agentes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) realizassem varredura emergencial, isolando a influenciadora em uma cela de segurança máxima.

O fracasso da tentativa de assassinato transformou a vida de Deolane em um verdadeiro inferno de paranoia e desespero. Sabendo que Player, seu amante, havia arquitetado a armadilha, a influenciadora permanece em silêncio absoluto em seus depoimentos, evitando qualquer contato que possa expor sua localização ou comprometer sua segurança.

O Impacto no Submundo do Crime e nas Redes

O episódio abalou profundamente tanto o universo do crime organizado quanto o dos influenciadores digitais. A revelação de que uma figura pública e conhecida estava envolvida em operações milionárias de lavagem de dinheiro e quase foi executada sob ordens de um dos chefes do PCC chocou a opinião pública.

A tensão nas redes sociais é intensa, com debates sobre lealdade, amor, poder e crime. Especialistas em segurança alertam que o episódio evidencia como a intimidade com criminosos pode se tornar uma sentença de morte, mesmo para figuras públicas acostumadas a viver sob holofotes.

O Romance que Virou Armadilha

O caso de Deolane Bezerra é um alerta extremo sobre os riscos do submundo do crime: o amor, quando misturado à ambição e à violência, pode se transformar em armadilha mortal. O romance que começou em uma sacada luxuosa em São Paulo em 2019 quase culminou em tragédia dentro de uma penitenciária, expondo as entranhas do PCC, a lealdade quebrada e a frieza com que ordens de execução podem ser arquitetadas.

Hoje, Deolane segue presa, mas protegida, vivendo sob a constante vigilância do Estado. Seu silêncio é uma barreira de autopreservação, enquanto a investigação prossegue para revelar todos os detalhes escusos desse relacionamento que começou com luxo e poder, e quase terminou com assassinato planejado.

O episódio, sem precedentes na história recente do crime organizado brasileiro, deixa uma lição clara: mesmo no meio do glamour e das redes sociais, os códigos do submundo são implacáveis, e aqueles que confiam nos homens errados podem descobrir que o início pode, de fato, ser o final.