“Eu vi a pistola e gelei, o pânico tomou conta de tudo!”, relembrou a amiga de Saminha, que presenciou os últimos segundos de vida da influenciadora de 21 anos. O que começou como uma tarde de sol e diversão em um clube de Teresina transformou-se em uma caçada implacável pelas avenidas da capital. Saminha, que acreditava estar segura entre amigos, não sabia que cada passo seu estava sendo fotografado e enviado em tempo real para o “Tribunal do Crime”. “Eles estavam só esperando o momento dela sair para o asfalto!”, revelam as investigações sobre a emboscada que não deu chance de defesa para a jovem blogueira.

O destino de Saminha foi selado muito antes do primeiro disparo. No submundo, a sentença veio através de notificações de celular: um organograma da morte montado por membros de uma organização rival que não aceitaram o deboche da influencer nas redes sociais. A tarde de domingo, 1º de outubro de 2023, seria o capítulo final de uma história que misturou fama digital e perigos reais.
A Emboscada: O “Beijo de Judas” no Clube
Enquanto Saminha postava stories sorrindo e aproveitando a piscina do Eldorado Country Club, o cerco se fechava. A investigação da polícia descobriu que ela foi atraída para o local por mulheres que fingiam ser suas amigas. Sentadas à mesma mesa, elas bebiam e conversavam, enquanto discretamente enviavam fotos de Saminha para o grupo de WhatsApp da facção.
“Eles já tinham bicado a moto dela lá fora”, contou a amiga sobrevivente. Ao sair do clube, o clima mudou instantaneamente. Dois homens em uma moto começaram a circular, passando quatro vezes pelo local, apenas confirmando o alvo. O medo, que antes era um sussurro, tornou-se um grito quando Saminha decidiu montar na moto e tentar ganhar a estrada.
A Perseguição: 100 km/h e o Grito de Pavor
A fuga começou na Avenida João XXIII. Saminha acelerou tudo o que podia, tentando colocar distância entre ela e os perseguidores que vinham “voados”.
“A gente estava a 100 na moto e eu gritava: ‘Sami, não olha para trás, só mete marcha!’”, relatou a amiga.
O pânico, no entanto, é o pior inimigo da precisão. Ao chegar em uma esquina próxima à “Toca do Bode”, Saminha tentou uma manobra desesperada para subir uma calçada alta e entrar em outra avenida. A moto não aguentou o impacto e parou. Foi o momento que os executores esperavam.
O Desfecho: “Perdeu, Vagabunda!”
Sem conseguir subir a calçada, Saminha e a amiga saltaram da moto. Não houve tempo para súplicas. Um dos homens desceu com a pistola em punho e gritou a frase que encerrou qualquer esperança: “Perdeu, vagabunda!”.
Foram cinco disparos à queima-roupa, a maioria direcionada à cabeça. Saminha caiu ali mesmo, no asfalto quente da avenida que tentou usar como rota de fuga. Sua amiga correu em zigue-zague entre os carros, vendo seu próprio celular ser atingido por um tiro, mas conseguindo escapar por milagre. Os assassinos fugiram rapidamente, deixando para trás o corpo de uma jovem de 21 anos e o rastro de uma vida dupla que as redes sociais nunca mostraram.
O Pós-Crime: Celebração e Provas
A frieza do crime não parou na execução. Após deixarem o corpo na avenida, os envolvidos — incluindo as “amigas” que estavam no clube — saíram para comemorar o sucesso da missão. O “Tribunal do WhatsApp” havia cumprido sua sentença.
A investigação posterior na casa de Saminha revelou uma prensa hidráulica para entorpecentes, provando que ela estava inserida em uma engrenagem muito mais pesada do que seus seguidores imaginavam. No final, Saminha não foi morta apenas por um gesto de mãos, mas por ser uma peça ativa em uma guerra de territórios onde os erros são deletados com pólvora e o silêncio é a única lei que resta.