ÚLTIMOS PASSOS: Vídeo da academia revela tensão entre Gisele e Tenente-Coronel Neto horas antes do tiro; “Ela parecia acuada”, diz testemunha
As câmeras de segurança do prédio registraram os últimos momentos de vida da soldado Gisele Santana. O que parecia um treino de rotina na academia revela, sob o olhar da perícia, um comportamento silencioso e perturbador do casal. Enquanto o Tenente-Coronel Geraldo Neto observa cada movimento, Gisele evita o contato visual — imagens que agora são peças-chave para provar que o ambiente doméstico era uma bomba relógio prestes a explodir.
O Jornal da Record obteve com exclusividade as imagens do circuito interno de TV que mostram a soldado Gisele Santana e seu marido, o Tenente-Coronel Geraldo Neto, na academia do condomínio apenas 24 horas antes dela ser encontrada morta com um tiro na cabeça. Para os investigadores, o vídeo não é apenas um registro de rotina, mas um “mapa comportamental” que pode desmentir a tese de suicídio repentino.
O “Vigilante”: O comportamento de Geraldo nas imagens
No vídeo, é possível notar que o Tenente-Coronel mantém uma postura de vigilância constante. Enquanto Gisele realiza seus exercícios, Geraldo não se afasta. Especialistas em linguagem corporal que analisam o caso para a família da vítima apontam que a proximidade excessiva dele no vídeo corrobora as denúncias de violência psicológica e controle absoluto que Gisele sofria.
“Ela não tinha liberdade nem para treinar sozinha”, afirma o advogado da família. Nas imagens, Gisele parece focada no treino, mas mantém uma postura rígida e evita interações longas com o marido. Para quem convivia com o casal, aquela “calma” na academia era, na verdade, o medo disfarçado de disciplina militar.
O Contraste: Da academia para a cena “limpa”
O choque para os investigadores é comparar a Gisele ativa e saudável das imagens da academia com a cena encontrada na manhã seguinte. Segundo o depoimento de Geraldo, a discussão que levou ao suposto suicídio começou por volta das 7h da manhã. No entanto, as imagens do dia anterior não mostram uma mulher deprimida ou instável, mas sim uma policial em plena forma física e mental.
O que mudou em tão poucas horas? Por que o Tenente-Coronel, que aparece tão próximo dela no vídeo, demorou quase 30 minutos para chamar o resgate após ouvir o disparo? Os peritos agora cruzam os horários das câmeras com os registros de chamadas de emergência.
A Testemunha Silenciosa
Vizinhos que viram o casal na academia naquele dia relataram um clima “pesado”. Uma testemunha, que preferiu não se identificar, disse que a energia entre os dois era de “extremo desconforto”. Gisele, conhecida por ser uma policial exemplar e comunicativa, estava calada.
Essas imagens são a prova de que a tragédia não foi um surto isolado, mas o desfecho de um processo de controle. A perícia agora quer saber se o “banho” que Geraldo diz ter tomado na hora do crime foi uma tentativa de limpar não só o corpo, mas os vestígios de uma briga que teria começado logo após voltarem daquela academia.
O vídeo é a última memória de Gisele com vida e a peça que pode levar o Tenente-Coronel do banco de testemunhas para o banco dos réus.