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Empresário Sumiu com R$ 3 Milhões — Anos Depois, Carro É Descoberto Enterrado em Fazenda Abandonada

O alarme do cofre da metalúrgica Horizonte Norte euou pelos corredores vazios na madrugada de 15 de agosto de 2017 em Belém, Pará. Quando os os funcionários chegaram para trabalhar na manhã seguinte, descobriram que Fernando Henrique Alves, proprietário da empresa, tinha desaparecido juntamente com R milhões de reais em dinheiro que estavam guardados no cofre para pagamento de fornecedores.

Fernando Henrique Alves Santos era o personificação do empresário bem-sucedido da região norte do Brasil. Com 47 anos, 1,83 m de altura, cabelo, grisalhos sempre bem penteados e um olhar determinado por detrás dos óculos de grau, tinha construído um império metalúrgico a partir de uma pequena oficina mecânica.

Natural de Santarém, filho de João Alves Santos, operário portuário, e Maria Henrique Santos, costureira, Fernando tinha chegado a Belém nos anos 90 com o sonho de prosperar no setor industrial. Casado há 22 anos com Cláudia Regina Silva Santos, administradora de empresas de 43 anos, Fernando era pai de dois filhos, Lucas, de 19 anos, estudante de engenharia mecânica, e Bruna, de 16 anos, no ensino médio.

A família vivia em uma casa luxuosa no bairro da Nazaré, que Fernando tinha comprado após anos de crescimento da empresa. O meu pai era um workaholic no melhor sentido da palavra, lembras-te Lucas? Acordava às 5 da manhã todos os dias, ia para a empresa antes de todo o mundo e só regressava a casa depois que o último funcionário saía, mas sempre arranjava tempo para a família nos fins de semana.

A metalúrgica Horizonte Norte tinha sido fundada por Fernando em 1995, começando por ser uma pequena oficina de maquinação no distrito industrial de Icoaraci. Através de muito trabalho, investimentos inteligentes e relacionamentos comerciais sólidos, ele transformou o negócio numa das principais fornecedores de peças para o setor naval e portuário da região norte.

Fernando era um visionário, conta Roberto Silva Oliveira, que foi sócio minoritário da empresa durante 10 anos. Ele estava sempre um passo à frente da concorrência, investia em tecnologia nova, tratava bem os funcionários. A Horizonte Norte era uma referência em qualidade na região. Com 120 colaboradores e um volume de negócios anual de R$ 15 milhões deais, a metalúrgica servia grandes empresas do setor portuário e naval, além de fornecer peças para a indústria mineira do Pará. Fernando era respeitado no sector

industrial de Belém e participava ativamente da Federação das Indústrias do Estado do Pará. Era daqueles empresários que admira”, explica Sandra Moreira Costa, contabilista da empresa há 12 anos. Competente, ético, pagava sempre tudo em dia. Nunca tivemos problemas laborais ou com fornecedores. Era uma empresa séria.

Mas por detrás da fachada de sucesso, Fernando vinha enfrentando alguns desafios que poucos conheciam. A crise económica de 2015 e 2016 tinha impactado severamente o setor portuário e naval, reduzindo significativamente os pedidos e a receita da empresa. Os últimos dois anos foram muito difíceis, conta Cláudia.

O Fernando não gostava de levar os problemas do trabalho para casa, mas eu percebia que ele estava preocupado. Falava sobre as dificuldades com pagamentos, atraso de clientes, necessidade de empréstimos. Além dos problemas financeiros da empresa, Fernando tinha feito alguns investimentos pessoais mal suucedidos em projetos de mineração no interior do Pará, perdendo uma quantia significativa de dinheiro.

Esses investimentos haviam sido feitos sem o conhecimento da família, utilizando recursos próprios e até mesmo empréstimos pessoais. Descobrimos depois que ele tinha investiu quase 1 milhão de reais em empresas de mineração que faliram, revela Lucas. O meu pai sempre foi cauteloso com o dinheiro, mas parece que deixou-se levar por promessas de elevados retornos no setor mineral.

Na primeira semana de agosto de 2017, Fernando tinha conseguido um grande contrato com uma empresa chinesa de mineira que exigia o pagamento antecipado de R$ 3 milhões deais para fornecedores especializados em equipamentos industriais. Era uma oportunidade importante para a empresa recuperar financeiramente. Esse contrato era a nossa salvação”, explica Roberto.

R milhões deais para comprar equipamento especial, mas com um lucro potencial de 2 milhões. O Fernando estava entusiasmado, dizia que seria o início da recuperação da empresa. Na quinta-feira, 14 de agosto de 2017, Fernando foi ao banco acompanhado de Sandra, a contabilista, para levantar os R$ 3 milhões deais que seriam utilizados para pagamentos aos fornecedores na sexta-feira seguinte.

Era uma quantia elevada para ser mantida em espécie, mas alguns fornecedores estrangeiros exigiam pagamento em dinheiro. Foi uma operação complicada, lembras-te Sandra? Tivemos que avisar o banco com antecedência, programar a recolha em horário especial, contratar segurança. O Fernando estava nervoso com tanto dinheiro na empresa.

O dinheiro foi guardado no cofre da metalúrgica, que encontrava-se na sala do diretor presidente. Apenas Fernando e Sandra tinham a combinação e existiam câmaras de segurança monitorizando o local 24 horas por dia. O plano era fazer os pagamentos na manhã de sexta-feira. Ficou na empresa até mais tarde naquela quinta-feira. Conta Sandra.

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Disse que queria organizar toda a documentação para os pagamentos do dia seguinte. Saí por volta das 19 horas e ainda estava a trabalhar. Na manhã de sexta-feira, 15 de agosto, quando A Sandra chegou à empresa às 7 da manhã, para iniciar os pagamentos aos fornecedores, encontrou a porta da sala de Fernando aberta e o cofre completamente vazio.

Não havia sinais de Fernando, nem dos R 3 milhões de reais. Foi um choque terrível, recorda Sandra. O cofre estava aberto, sem sinais de arrombamento e não se encontrava ninguém na sala. As câmaras de segurança haviam sido desligadas durante a madrugada. O Honda Accord Prata de Fernando estava no parque de estacionamento da empresa.

Seus pertences pessoais, carteira, telemóvel e documentos haviam sido deixados sobre a secretária do seu escritório. Era como se ele tivesse simplesmente pegado no dinheiro e desaparecido. A primeira chamada de Sandra foi para Cláudia, que ficou em choque ao saber do desaparecimento do marido e do dinheiro. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo. conta Cláudia.

O Fernando nunca roubaria dinheiro à própria empresa. Tinha de haver uma explicação. A Polícia Civil foi acionada imediatamente e o caso foi assumido pelo delegado Carlos Eduardo Lima, especializado em crimes financeiros. A investigação iniciou-se com a análise das câmaras de segurança que revelaram que alguém tinha desligado o sistema às 2as da madrugada.

Era óbvio que quem desligou as câmaras conhecia bem o sistema de segurança da empresa, explica o delegado Carlos. Não foi um trabalho amador. Alguém sabia exatamente o que estava a fazer. A primeira hipótese investigada foi a de que Fernando tinha fugiu voluntariamente com o dinheiro. A situação financeira difícil da empresa, combinada com os seus investimentos mal sucedidos, poderia tê-lo motivado a pegar no dinheiro e recomeçar a vida em outro lugar.

Mas a família rejeitava veementemente essa possibilidade. O meu marido jamais abandonaria a família ou roubaria dinheiro aos funcionários”, insistia Cláudia. Ele era um homem íntegro, responsável. “Se estivesse com problemas financeiros, terá conversado comigo.” Uma segunda linha investigativa considerou a possibilidade de rapto. Talvez os criminosos tivessem forçado Fernando a abrir o cofre e depois o levado juntamente com o dinheiro, mas não havia sinais de luta na empresa, nem pedidos de resgate.

Durante as primeiras semanas, a investigação centrou-se em rastrear o Honda Acorde de Fernando. O automóvel foi incluído no Sistema Nacional de Veículos Procurados. Barreiras polícias foram montadas nas principais rodoviárias e postos de abastecimento de combustível da região foram alertados. A análise dos movimentos bancários de Fernando revelou que tinha feito alguns saques significativos nos dias anteriores ao desaparecimento, totalizando R$ 200.000.

Esse dinheiro nunca foi encontrado, sugerindo que tinha feito algum tipo de preparação. Os saques eram um indício forte de planeamento, comenta o investigador João Marcos Pereira. R$ 200.000 é uma quantia que permite viajar para longe e manter-se por um tempo considerável. Três meses após o desaparecimento, surgiu a primeira pista concreta.

O Honda Accord de Fernando foi avistado por câmaras de portagem na BR316, estrada que liga Belém a outras cidades do Pará na madrugada de 15 de agosto. As imagens mostravam o carro a passar pelo portagem do Castanhal por volta das 4 da manhã. Era a primeira evidência física do caminho que Fernando tomara, explica o comissário Carlos.

O horário batia com o período em que as câmaras da empresa estavam desligadas. A investigação intensificou-se na região do Castanhal e localidades próximas. Postos de gasolina, hotéis e restaurantes foram visitados com a foto de Fernando, mas ninguém se lembrava de o ter visto. Durante o primeiro ano, várias pistas surgiram falsas.

Alguém disse ter visto Fernando em Manaus a trabalhar com um nome falso. Outro relato mencionava possível avistamento em Goiânia. Todas as pistas foram investigadas e se mostraram equívocas. A metalúrgica Horizonte Norte enfrentou sérias dificuldades após o desaparecimento de Fernando e dos 3 milhões deais.

Sem o dinheiro para pagar fornecedores, vários contratos foram cancelados. A empresa teve de despedir metade dos funcionários e quase faliu. Foi devastador para todos, conta Roberto. Os funcionários perderam empregos, os fornecedores ficaram sem receber, os clientes cancelaram encomendas. Uma empresa que demorou 20 anos a ser construída quase desapareceu da noite para o dia.

Cláudia teve de assumir a administração da empresa, lutando para manter o negócio a funcionar. Foram os anos mais difíceis da minha vida. Ela conta. Além da dor de não saber o que aconteceu ao meu marido, tinha de salvar a empresa e cuidar dos filhos sozinha. Em 2019, do anos após o desaparecimento, a família tomou a difícil decisão de declarar Fernando como morto presumido para efeitos legais.

Era necessário para resolver questões de herança e seguro de vida, mas emocionalmente foi devastador. Os anos passaram sem novas pistas sobre o destino de Fernando ou dos R$ 3 milhões de reais. A investigação continuou oficialmente aberta, mas com recursos cada vez mais limitados. A família continuou a fazer buscas próprias, contratando detetives particulares, mas sem resultados.

Em 2021, 4 anos após o desaparecimento, Lucas formou-se em engenharia mecânica e assumiu a direção técnica da metalúrgica, que tinha conseguido se recuperar parcialmente. Bruna estava a estudar administração com planos para ajudar na empresa da família. Aprendemos a viver com a incerteza, conta Lucas.

Nunca perdemos a esperança de descobrir o que aconteceu ao nosso pai, mas também precisávamos de seguir em frente. Mas em março de 2023, 6 anos após o desaparecimento, um descobrimento extraordinário mudaria tudo. A Polícia Civil recebeu uma denúncia anónima informando sobre um carro enterrado numa fazenda abandonada no município de Paragominas, a 250 e 50 km de Belém.

A quinta de Santa Rita havia pertencido a Marcelo Santos Silva, falecido empresário do setor da madeira, e estava abandonada há 5 anos. A propriedade de 1000 haares estava a ser invadida por poceiros que teriam descoberto algo suspeito enquanto preparavam terreno para plantação. A denúncia era vaga, mas mencionava especificamente um Honda Acord Prata sepultado junto à sede da quinta.

explica o comissário André Costa, que assumiu o caso. Decidimos investigar porque era demasiado específica para ser mentira. Uma equipa de polícias civis e peritos criminais deslocou-se até à fazenda Santa Rita. Utilizando equipamentos de deteção de metais e sondas, eles localizaram uma área próxima da casa sede, onde o solo tinha sido claramente perturbado anos antes.

A escavação revelou algo que todos temiam e esperavam. O Honda Accord Prata de Fernando Henrique Alves Santos, enterrado a 2 m de profundidade. O carro estava em estado de decomposição avançada, mas a placa estava claramente identificável. Foi um momento muito tenso. Lembra o perito criminal Roberto Alves. Quando confirmámos que era realmente o carro do Fernando, soubemos que finalmente tínhamos encontrado uma pista concreta passados ​​seis anos.

Dentro do carro, os investigadores fizeram uma descoberta ainda mais chocante. No porta-bagagens estava o esqueleto de um homem, posteriormente identificado através de registos dentários, como sendo Fernando Henrique Alves Santos. A análise forense revelou que Fernando tinha morrido por ferimento de bala na cabeça.

A arma do crime não foi encontrada, mas as evidências balísticas sugeriram que se tratava de um revólver calibre 38. Era óbvio que Fernando tinha sido assassinado e não fugiu voluntariamente com o dinheiro, afirma o comissário André. A questão agora era descobrir quem o matou e onde estavam os 3 milhões de reais.

A investigação centrou-se em descobrir a ligação entre Fernando e a quinta de Santa Rita. Verificações revelaram que Marcelo Santos Silva, o antigo proprietário da quinta, havia feito negócios com a metalúrgica Horizonte Norte em algumas ocasiões. Mais importante ainda, os investigadores descobriram que Valdeci Oliveira Santos, caseiro da quinta na época do desaparecimento, tinha antecedentes criminais por roubo e tinha trabalhado brevemente na metalúrgica 5 anos antes.

Valdeci foi localizado e detido três dias após a descoberta do corpo. Durante o interrogatório, inicialmente negou qualquer envolvimento com o desaparecimento de Fernando, mas confrontado com evidências que o ligavam ao crime, acabou por confessar. Segundo a sua confissão, Valdecia tinha planeou o crime após descobrir, através de conversas com outros funcionários, que Fernando manteria 3 milhões deais na empresa nessa noite.

Conhecendo a rotina do Fernando e tendo chaves da metalúrgica de quando lá trabalhou, entrou na empresa na madrugada. O plano era apenas roubar o dinheiro, confessa Valdeci. Eu sabia que o Fernando ficava até tarde na empresa e conhecia o sistema de segurança. Não era para ninguém se magoar. Mas quando Fernando surpreendeu-o dentro da empresa tentando abrir o cofre, Valdeci entrou em pânico.

Durante a luta que se seguiu, baleou Fernando com um revólver que tinha levado para intimidar, matando-o instantaneamente. “Foi um acidente”, insiste Valdeci. Eu só queria assustá-lo, mas a arma disparou durante a briga. Quando vi que tinha morrido, entrei em desespero total. Valdeci carregou o corpo de Fernando até ao seu carro, pegou no dinheiro do cofre e dirigiu-se até ao quinta de Santa Rita, onde trabalhava como caseiro.

Aí enterrou o carro com o corpo e escondeu os R 3 milhões de reais em vários locais da propriedade. Durante os anos seguintes, Valdeci foi gastando o dinheiro gradualmente, sempre com cuidado para não levantar suspeitas. comprou uma casa pequena, um carro usado e abriu um pequeno comércio, sempre alegando que tinha recebido uma herança. Dos 3 milhões roubados, conseguimos rastrear cerca de 1.200.

000 que ele tinha gasto”, explica o comissário André. O restante provavelmente ainda está escondido algures na quinta ou foi gasto de tal forma que não conseguimos rastrear. A descoberta do corpo de Fernando trouxe finalmente o encerramento que a sua família procurava há 6 anos. Cláudia e os filhos puderam chorar adequadamente e dar-lhe um enterro digno.

Centenas de pessoas compareceram ao funeral, mostrando o respeito que Fernando tinha conquistado na comunidade empresarial. Saber a verdade foi doloroso, mas necessário”, comenta Cláudia. Durante 6 anos. Vivemos na esperança de que ele estivesse vivo em algum lugar. Descobrir que foi assassinado foi devastador, mas pelo menos agora temos a certeza e podemos ter paz.

Valdeci Oliveira Santos foi condenado a 25 anos de prisão por latrocínio e ocultação de cadáver. Durante o julgamento, demonstrou remorço pelas suas ações, mas isso não diminuiu a gravidade de ter destruído uma família e uma empresa. A metalúrgica O Horizonte Norte conseguiu recuperar completamente sob a administração de Cláudia e Lucas.

A empresa até cresceu, contratando novamente vários os funcionários que haviam sido despedidos após o desaparecimento de Fernando. “O meu pai construiu esta empresa com muito trabalho e dedicação”, diz Lucas. “O nosso obrigação é continuar o seu legado e honrar a sua memória, mantendo os valores que ele nos ensinou”. Uma placa à entrada da metalúrgica homenageia a memória de Fernando Henrique Alves Santos, lembrando a sua dedicação aos colaboradores e a comunidade de Belém.

A empresa também criou um fundo de assistência para famílias de funcionários em dificuldades. Hoje, 6 anos após a descoberta, a A Fazenda Santa Rita foi expropriada e transformada em povoação rural. O local onde o carro foi encontrado virou um memorial informal, onde as pessoas deixam flores em memória de Fernando. O caso de Fernando tornou-se um marco na discussão sobre a segurança empresarial no Pará.

Novas regulamentações foram implementadas, exigindo sistemas de segurança mais rigorosos para as empresas que mantém grandes quantias em dinheiro. O mistério que perseguiu Belém durante 6 anos foi finalmente resolvido, mas as cicatrizes deixadas pelo crime permanecem. A história de Fernando recorda-nos que o O sucesso empresarial pode despertar a ganância de pessoas sem escrúpulos e que a segurança nunca deve ser negligenciada.

A descoberta do carro enterrado também mostra-nos como a verdade, por mais bem escondida que esteja, eventualmente vem à tona. Fernando pôde finalmente descansar em paz e a sua família pôde encontrar o encerramento que há tanto tempo procurava. E se este caso te impressionou tanto quanto a mim, deixe o seu like, se subscreva o canal e conte-me nos comentários.

Acredita que ainda existem outros segredos enterrados em propriedades abandonadas pelo Brasil? Qual foi a parte mais chocante desta história para você? E não perca os nossos próximos vídeos. onde continuaremos a explorar os crimes mais intrigantes do mundo empresarial brasileiro.