Em 17 de setembro de 1984, enterrei a minha noiva com o vestido que ela tinha escolhido para o nosso casamento. Fiquei parado na beira daquela cova, sentindo uma coisa dentro do peito que não era só dor. E sete dias depois do enterro, voltei ao cemitério. Foi quando um homem que nunca tinha visto na vida aproximou-se, olhou para mim e perguntou se eu era o noivo da rapariga.
Depois disso, disse que tinha um recado para mim. e que não precisava acreditar, só precisava de ouvir. O meu nome é Arlindo Pereira da Costa, tenho 72 anos e esta é a minha história em minutos. No velório, antes de fecharem o caixão, aproximei-me, olhei para dentro e depois vi. Solange estava com o vestido de noiva que ela própria tinha escolhido para o nosso casamento.
Branco, simples, bonito, como ela gostava. O velório foi na casa dos pais dela. A sala estava cheia, mas quieta, de uma forma que nunca tinha visto antes. As pessoas estavam paradas, olhando para o chão. Ninguém sabia o que dizer. Não tinha palavra certa para aquilo. Era demasiado nova e tinha acontecido demasiado rápido.
E ninguém estava pronto. Eu fiquei parado na frente do caixão durante algum tempo. Não conseguia falar, não conseguia pensar direito. O rosto dela estava tranquilo, sem nada que mostrasse o que tinha acontecido naquela tarde. Era como se ela estivesse só a dormir, à espera. E foi nesse momento que o aperto no peito começou.
Uma coisa que eu não conhecia, que não tinha nome. Aquilo não era a dor de perder alguém, era diferente, mas fundo, como se alguma presença tivesse parado ao meu lado. [música] E a sensação não se desvaneceu. Ficou ali enquanto eu me despedia dela. Solange tinha 23 anos. Era uma rapariga simples, criada aqui em Bauru mesmo, de família honesta e trabalhadora.
A gente conheceu-se numa festa de um amigo em comum e começou a namorar nesse mesmo ano. Namorámos três anos antes de eu pedi-la em casamento. A gente estava feliz com planos, data marcada e com os convites já distribuídos. O vestido estava guardado em casa dos pais dela e as últimas coisas estavam a ser acertadas.
Era aquela fase final, quando tudo já está no sítio e nós só estamos à espera que o dia chegue. Ela era organizada, gostava de deixar tudo certo com antecedência à maneira dela. Tinha escolhido o salão, a decoração, acertado cada detalhe antes do prazo. E naquela tarde de sábado, ela estava apenas a lavar a varanda da casa dos pais.
Uma coisa simples do dia-a-dia. No dia 15 de Setembro de 1984, ela escorregou, caiu e bateu com a cabeça no chão da varanda. Os pais ouviram o barulho lá de dentro e correram. Ela estava desmaiada. Levaram-na pro hospital o mais depressa que puderam, mas Solange não resistiu. Morreu no mesmo dia, poucas horas depois da queda.
Eu estava em casa quando o telefone tocou. era o pai dela. A voz já dizia tudo antes das palavras. Saí a correr pro hospital, mas quando cheguei, ela já tinha ido. Fiquei parado num corredor, olhando para uma porta fechada, sem conseguir entrar. Era uma tarde de sábado comum. Ela estava a lavar a varanda e aquilo não fazia sentido nenhum.
Eu voltei paraa casa dos pais dela ainda nessa noite. A gente ficou na sala durante algum tempo, sem falar quase nada. A sua mãe chorava em silêncio com um lenço na mão. O pai ficava a olhar para o chão. A minha cabeça estava vazia, mas o peito estava cheio daquele aperto que não passava. E a culpa veio devagar, mas veio, porque eu não tinha ido a casa dela nessa tarde, como às vezes fazia.
Se eu tivesse lá, talvez alguma coisa tivesse sido diferente. Eu sabia que não adiantava pensar assim, mas a cabeça da gente não pede licença. E aquela culpa foi entrando em mim sem eu perceber. No dia do funeral, pedi para ajudar a carregar o caixão. Era a última coisa que ainda podia fazer por ela.
E cada passo foi mais pesado do que eu esperava. Não era só o peso do caixão, havia ali outra coisa misturada. Conforme fomos caminhando até à sepultura, aquele aperto do velório foi regressando, diferente, mas presente, como se alguma coisa estivesse ali do meu lado naquele caminho. Mas eu não desviei o olhar. Fui até ao fim. E quando chegámos à cova e começaram a baixar o caixão, fiquei parado à beira, olhando.
À medida que a terra foi cobrindo o caixão, aquilo foi ficando mais pesado dentro de mim. Não era tristeza, já estava para além da tristeza. Era como se alguma coisa estivesse ali a ser fechada juntamente com ela, debaixo daquela terra. As pessoas foram saindo aos poucos, a família, os amigos, os conhecidos, todos os mundo foi-se embora.
Eu fiquei ali sem conseguir dar o primeiro passo para sair dali. Fiquei parado em frente daquela terra, sem saber o que estava à espera. Quando finalmente me movi, o cemitério estava quase vazio e o dia estava acabando. Saí dali diferente de como eu tinha entrado. Não era só tristeza, não era só saudade, era aquela coisa que tinha começado no velório, que tinha crescido durante o enterro e que tinha ficado presa em mim.
Quando passei pelo portão do cemitério, não sabia o que era. Só sabia que agora era minha e que não ia embora facilmente. Quando cheguei em casa, depois do enterro, a primeira coisa que fiz foi sentar-me na cozinha. Não liguei nada, não comi, apenas me sentei e Fiquei a olhar para a mesa. Em cima dela tinha ainda uma anotação da Solange com a letra dela, uma lista de coisas para o casamento.
Deixei ali, não consegui nem tocar. No dia seguinte, fui trabalhar, não porque estivesse bem, mas porque ficar em casa parado era pior. Em casa o silêncio era diferente, um silêncio cheio e pesado que se mantinha em todos os cantos. No trabalho, pelo menos, havia barulho, havia pessoas e isso ajudava a ir passando as horas sem pensar tanto.
No trabalho, os colegas não sabiam o que dizer. Alguns vieram dar um aperto de mão, dizer que sentiam muito. Outros desviavam o olhar como se não soubessem como me tratar. Eu entendia. Eu também não sabia o que fazer comigo mesmo. E o dia foi passando. Mas a noite não tinha como fugir. O quarto tinha o cheiro dela. Não era forte, era suave, como se tivesse ficado no ar de uma forma que não ia embora.
Deitava-me, fechava os olhos e aquele cheiro estava ali. Eu ficava imóvel, com medo de respirar fundo demais e ele ir embora. Foi na segunda noite em que os sonhos começaram. Sonhei com Solange. Ela estava de vestido de noiva, parada à minha frente, me olhando. A boca dela movia-se como se ela estivesse a dizer alguma coisa, mas não ouvia nada.
No dia seguinte, sonhei outra vez e no outro, todos os dias ela aparecia da mesma forma, de vestido de noiva, com a boca a mexer, tentando dizer-me alguma coisa que eu não conseguia ouvir. E todos os dias eu acordava a meio da noite, olhando para o tecto do quarto escuro, sem compreender o que aquilo significava.
Numa dessas noites, depois de acordar de um sonho destes, foi quando eu ouvi. Era fraco, longe, como quem fala do outro lado de uma parede espessa. Não se conseguia perceber o que era, mas era um sussurro. Eu fiquei imóvel, tentando ouvir melhor. Aquilo durou alguns segundos e depois parou. Eu tentei encontrar uma explicação. Era o vento, o vizinho ou o cansaço? Eu sabia que tinha de ser isso, mas na noite seguinte aconteceu novamente e desta vez não tentei explicar, só fiquei ouvindo quieto até parar.
Os sonhos eu compreendia, nos sonhos sabia que estava a dormir, mas aquilo que eu ouvia quando estava acordado, deitado no escuro, este não sabia o que era. E foi isso que deixou-me inquieto de verdade. E a culpa continuava a crescer por baixo de tudo isso. Porque é que eu não tinha ido naquela tarde? Porque não fui nesse sábado? Eram perguntas que não me largavam.
vinham no trabalho, vinham na hora do almoço, vinham quando eu estava a tentar dormir e cada vez que regressavam pesavam um pouco mais do que antes. Cada dia era igual ao anterior, apenas um pouco mais cansativo. Acordava, ia trabalhar, voltava, tentava comer, tentava dormir. Era uma rotina sem sentido, feita apenas para ir passando o tempo.
A família de A Solange ligava de vez em quando para ver como eu estava. Eu dizia que estava bem, mas não estava. A semana foi passando daquela maneira e aquele aperto no peito que tinha começado no funeral não tinha ido embora, pelo contrário, tivesse ficado instalado em mim como uma coisa que não tinha mais para onde voltar.
E eu fui carregando isso de um dia para o outro. No sétimo dia depois do enterro, eu Acordei diferente, como se alguma coisa estivesse à minha espera. Eu levantei-me e Fiquei parado à janela por um tempo, olhando para a rua. E aí eu soube, eu precisava de ir ao cemitério. Não sabia o que esperava encontrar, só sabia que precisava de ir.
Era aquela sensação de quando sabemos que tem um lugar onde precisa de estar, mesmo sem conseguir explicar porquê. Eu vesti-me, peguei na chave de casa e saí. O cemitério ficava cerca de 20 minutos a pé. Eu fui andando. Eu Percorri todo o caminho em silêncio, com as mãos no bolso, olhando para o chão. Não não estava a pensar em nada específico, só andando.
E à medida que fui chegando mais perto, aquele aperto mais leve da manhã foi-se transformando em outra coisa. E quando cheguei ao portão, parei por um momento antes de entrar. Era a primeira vez desde o dia do enterro. Então respirei fundo e entrei lentamente. Era cedo ainda. O cemitério estava sossegado, quase vazio.
Tinha um ou dois visitantes lá ao fundo, longe e alguns coveiros trabalhando noutra área, distante da parte onde estava Solange. O sol estava forte, mas dentro do cemitério parecia mais fresco. Eu caminhei devagar pelo caminho de pedra até ao lugar onde eu sabia que ela estava. Conforme me fui aproximando, ficando o ar diferente. Era como se o espaço em redor daquele túmulo tivesse sido separado do resto de algum forma que não consigo explicar.
Eu Andei mais devagar, quase sem querer fazer barulho. E quando cheguei à frente do túmulo, parei. A lápide estava ali com o seu nome, Solange Alves, a data de nascimento e a data de Setembro de 1984. Entre elas tinha um traço pequeno e naquele pequeno traço estava tudo o que ela tinha vivido. 23 anos.
Eu abaixei-me e limpei a lápide com as mãos e fui tirando tudo devagar e com cuidado, como se aquilo fosse uma coisa que precisasse ser feita da forma certa. Eu não tinha pano, não tinha nada para além das mãos. E depois fiquei de pé em frente do túmulo e tentei rezar. Eu não sou muito de rezar, nunca fui, mas ali tentei.
O problema é que eu não sabia o que pedir. Pedir o quê? Que ela voltasse? Não ia adiantar nada. Pedir para perceber o que tinha acontecido também não ia ter resposta. Então eu fiquei ali em silêncio só com ela. Eu não tinha pressa, não tinha para onde ir. Naquele momento, aquele túmulo era o único lugar que fazia sentido para mim estar.
Foi ali que eu senti de novo uma coisa estranha, mas desta vez era diferente de tudo o que tinha sentido antes. Não era o aperto, não era o cheiro, não era o sussurro, era uma tranquilidade que chegou de repente, sem aviso, como se alguém tivesse posto a mão no meu ombro sem eu ver. Eu não me mexi. Fiquei quieto, deixando aquilo estar ali.
Eu não sei quanto tempo fiquei assim. O tempo dentro do cemitério funciona diferente da rua. A gente perde a noção com facilidade. Eu estava tão dentro daquele momento que o resto do mundo tinha desaparecido por uns tempos. Não existia mais o trabalho, a casa, a semana difícil. Só existia aquilo ali. E foi por isso que não percebi quando o coveiro chegou.
Ele tinha parado há uns metros de mim e ficou a observar-me por um tempo antes de se aproximar. Eu só me Apercebi-me quando ouvi o barulho dos passos dele na terra seca. Virei-me de repente, assustado com o barulho que cortou o silêncio. Era um homem mais velho, com cerca de 60 anos, com roupa de trabalho e as mãos calejadas de quem trabalha com a terra todos os dias.
O rosto dele era sério, mas não era grosso. Era um rosto de quem já viu muita coisa ao longo dos anos e aprendeu a não se espantar com nada. Ele ficou parado, me olhando antes de falar. Ele olhou para mim e perguntou com jeito se eu era o noivo da rapariga que ali estava enterrada. Assim, com esta palavra, noivo.

Não perguntou se era familiar, se era amigo, se eu era familiar. Perguntou concretamente se eu era o noivo. Eu Fiquei parado, sem conseguir responder de imediato, como aquele homem sabia. Eu nunca o tinha visto na vida. Deve ter demorado uns segundos até conseguir falar. Olhei para ele, olhei para o túmulo e tentei perceber o que estava acontecendo.
Aquele homem trabalhava ali. Ele podia saber quem estava enterrado em cada cova. Mas saber que eu era o noivo, isso não consegui explicar. Então respondi com a voz baixa como alguém que ainda não tem certeza do que está a ouvir. Disse que sim, que eu era o noivo dela. E o coveiro sentiu-a com a cabeça devagar, como se aquilo confirmasse uma coisa que já esperava ouvir.
Ele não estava agitado, não estava nervoso, estava calmo da maneira de quem vai falar uma coisa que precisa de ser falada e sabe que o momento é aquele. Deu um passo em direção a mim, lentamente. E quando falou de novo, a voz era baixa. Ele disse que tinha um recado para mim. Usou essa palavra recado.
E disse logo a seguir que eu não tinha de acreditar, que ele percebia se eu achasse que era uma loucura, mas que precisava de entregar, que tinha ficado com aquilo dias e não conseguia guardar mais. Recado. Eu ouvi aquela palavra e alguma coisa dentro de mim parou. Foi como se alguma parte do mim já soubesse que aquilo estava a chegar.
Como se a semana inteira os sonhos, os sussurros, o perfume tivessem sido uma preparação para aquele momento. Eu não não disse nada, só fiquei a olhar para ele, esperando que ele continuasse. E ele percebeu o que eu queria ouvir. Respirou fundo, olhou para o túmulo por um segundo, como se estivesse a pedir licença para falar, e começou a contar.
disse que há dias, enquanto fazia um serviço num túmulo ali próximo, tinha visto alguma coisa que não estava esperando ver. Tinha visto uma mulher de vestido branco parada em frente daquele túmulo. Não ligou de imediato, achou que era uma visitante, mas quando olhou melhor, percebeu que o vestido era diferente.
Era um vestido de noiva, comprido, branco, com uma renda. E a mulher estava parada, quieta, a olhar para a lápide. Disse que se aproximou, mas ela não se mexeu quando ele chegou perto. Ficou parada, a olhar para a lápide, como se não tivesse percebido que ele estava ali. E quando ele chegou ainda mais perto, ela virou o rosto e olhou para ele.
Ele parou de falar por um segundo nesse ponto. Eu vi o rosto dele mudar. Não era medo, era aquela expressão de quem viveu uma coisa que ainda não sabe bem como carregar. Olhou para mim, depois olhou para o túmulo e depois disse que ela tinha falado com ele, que ela tinha dito uma coisa e que era para mim. Ela disse que não culpava o noivo por nada.
Essas foram as palavras que o coveiro utilizou, que não era culpa dele não ter estado lá nessa tarde, que não era culpa de ninguém e que ela precisava que ele soubesse disso e disse que o amava. O coveiro disse isto olhando diretamente para mim. Foram poucas as palavras, simples, mas Ouvi cada uma delas de um jeito que nunca tinha ouvido nada na vida.
Eu Não sei o que aconteceu às minhas pernas. Elas fraquejaram e eu contive-me à beira do túmulo para não cair, com as duas mãos na pedra fria da lápide, olhando para o chão. Não conseguia falar, não conseguia pensar. Assim, as as lágrimas vieram sozinhas. E foi nesse momento em que senti o peso que tinha carregado desde o enterro ir ficando mais leve.
Aquela culpa que tinha entrado em mim sem eu me aperceber, que tinha ficado instalada por toda aquela semana, foi-se soltando de pouco em pouco, como se alguém tivesse aberto uma janela por dentro de mim. Eu entendi naquele momento porque a semana tinha sido daquela maneira. Os sonhos, os sussurros, o cheiro do perfume dentro de casa não eram coisas da minha cabeça, eram dela.
Ela estava a tentar chegar até mim de alguma forma e não tinha conseguido. Até que usou aquele coveiro como caminho, aquele homem que nem me conhecia. Eu endireitei-me e olhei para o coveiro. Ele estava parado do meu lado, quieto, com o chapéu na mão, com aquele jeito de quem fez o que precisava ser feito e agora estava à espera. Eu não consegui dizer nada, só olhei para ele e acho que ele percebeu.
Então ele disse que precisava de voltar ao serviço. Colocou o chapéu, virou-se e foi andando pelo caminho de terra batida, sem olhar para trás. Eu fiquei a olhar para as costas dele até desaparecer entre os túmulos. Depois estava sozinho de novo. Eu Fiquei ali por muito tempo. Depois que ele se foi embora.
Falei com ela baixinho, olhando para a lápide. Falei que tinha ouvido o recado e que sentia a falta dela. E disse-lhe que a amava e sempre ia adorar. Não sei quanto tempo fiquei falando com ela assim. Não foi muito, mas foi o suficiente. E quando parei, aquele silêncio à volta do túmulo estava diferente do que tinha sido quando cheguei. Era mais leve.
Era um silêncio de quem já disse o que precisava de dizer. E eu acho que ela também. E no caminho de regresso a casa, não olhei para o chão, como tinha feito na ida. Fui olhando para a frente. O bairro estava igual, as ruas estavam iguais, as casas estavam iguais, mas eu estava diferente. Já não era a mesma pessoa que tinha saído de casa naquele manhã e eu não sabia ainda bem o que eu era agora.
Nos dias que se seguiram, as as coisas foram-se acomodando devagar. A culpa não voltou mais da forma que estava. Os sonhos com ela continuaram durante algum tempo, mas eram diferentes. Ela aparecia tranquila, apenas a olhar para mim. E eu acordava com uma calma que não tinha antes, como se ela tivesse conseguido o que estava a tentar.
Eu nunca mais me casei. Não foi por promessa, não foi por tristeza. As as pessoas perguntavam com o tempo se eu não queria reconstruir a vida. Eu respondia que estava bem e estava. A verdade é que nunca quis. Não porque a dor não passou, passou, mas porque eu já tinha tido o meu amor e tinha sido o suficiente.
Há pessoas que acham que a pessoas há vários amores na vida. Pode ser, mas comigo não foi assim. Comigo foi um, só um. E foi tanto que durou a vida inteira. E durou porque o que a gente construiu naqueles três anos de namoro, naquele noivado, naquele plano de casamento, ficou dentro de mim de um forma que nada conseguiu apagar.
Hoje eu Tenho 72 anos. Passaram 42 anos desde aquele mês de setembro de 1984. E ainda penso nela com uma sensação de que ela não foi a lado nenhum e está por aí de alguma maneira, do mesmo jeito que estava naquele cemitério com aquele coveiro. E essa sensação faz-me bem. Por muito tempo guardei tudo isso para mim.
Mas aprendi que certas coisas a gente não deve carregar sozinho até ao fim. Não porque seja pesado. Isto aqui não é pesado, mais é bonito. É uma história que não acabou da maneira que a gente planeou. Mas também não acabou naquele cemitério em 1984. Se já viveu alguma coisa assim, algum sonho, algum sinal, algum recado que ficou guardado consigo durante anos, deixa aqui nos comentários um eu acredito, porque às vezes algumas as histórias não terminam quando a gente pensa que terminaram.
Fiquem com Deus e até ao próximo relato.