“SE ELE VIER PARA CIMA, EU DOU A MINHA VIDA, MAS TIRO ESSE MONSTRO DE CIMA DELA!”: A caçada implacável de Fábio Amorim que esfaqueou a ex-mulher no elevador em São Paulo após descobrir que ela estava feliz

O cenário da violência contra a mulher no estado de São Paulo registrou mais um capítulo de extrema barbárie e obsessão, em um crime planejado com frieza que chocou os moradores e trabalhadores de um condomínio comercial em Vargem Grande Paulista. Marcela, uma jovem descrita por familiares e chefias como uma funcionária exemplar e extremamente dedicada, foi emboscada, caçada e brutalmente esfaqueada pelo ex-marido, Fábio Amorim, de 44 anos.
O ataque, que por poucos milímetros não se transformou em um homicídio consumado, expõe a face mais perversa do sentimento de posse e da exploração patrimonial.
Durante os quase seis anos de um casamento marcado por abusos físicos e psicológicos, Marcela sustentava a casa sozinha, desdobrando-se em dois turnos de trabalho no mesmo edifício para dar conta do recado, enquanto Fábio se recusava a trabalhar e exigia que ela cobrisse todos os seus luxos. Cansada de ser explorada e agredida, ela pediu a separação há dois meses.
Fábio, ao perceber que havia perdido o controle sobre a vida da ex-companheira e, principalmente, o acesso ao dinheiro dela, iniciou uma rotina de monitoramento tático. Ao descobrir que Marcela estava finalmente feliz e conversando com um colega de trabalho que a tratava com o respeito que ela merecia, o agressor desandou a fazer ameaças de morte, sintetizadas na frase que agora serve de base para o inquérito policial: “Se você não for minha e não pagar minhas contas, não vai ser de mais ninguém!”.
A Emboscada Planejada e a Perseguição até o Elevador
A reconstituição dos fatos apresentada no programa Cidade Alerta demonstra que o crime foi minuciosamente calculado. Fábio Amorim, que já atuou como educador de infância, utilizou seus conhecimentos de rotina para vigiar os passos de Marcela por mais de uma semana. Ele sabia exatamente os horários em que ela deixava o posto de assistente de limpeza do condomínio para assumir a guarita do caixa do estacionamento comercial, na parte da tarde.
No dia do atentado, o agressor permaneceu escondido de forma estratégica atrás de um veículo branco no pátio do subsolo, aguardando o momento em que a vítima ficaria isolada. Ao avistar Marcela sozinha na rampa de acesso, Fábio sacou uma faca industrial e partiu para o ataque de forma abrupta.
Aterrorizada, a mulher tentou correr em direção ao hall do edifício clamando por socorro, mas foi perseguida implacavelmente pelos corredores até ser encurralada no interior de um elevador. Sem qualquer chance de fuga ou espaço para defesa, Marcela começou a ser golpeada repetidamente na região do abdômen e do tórax.
A Intervenção do Colega Herói e a Luta Corporal no Estacionamento
A tragédia não ganhou contornos de feminicídio consumado devido à ação heroica e imediata de funcionários do condomínio. Alexandre, o colega de trabalho que vinha conhecendo Marcela e que havia despertado os ciúmes doentios do agressor, ouviu os gritos de desespero ecoando pelo poço do elevador e correu imediatamente em direção ao perigo, acompanhado por outros seguranças do complexo comercial.
Alexandre foi o primeiro a interceptar a agressão, jogando-se na frente de Marcela para servir de escudo humano. Em um depoimento exclusivo e impactante concedido à equipe de reportagem do Cidade Alerta, o funcionário relembrou os segundos de horror:
“Eu levei a primeira facada. Ele veio para cima de nós com tudo. Depois que ele me atingiu, correu atrás dela novamente. Foi tudo muito rápido, não deu tempo de pensar em nada, só tentei tirá-lo de cima dela para evitar que o pior acontecesse.”
Mesmo ferido e sangrando, Alexandre conseguiu se armar com um pedaço de madeira que encontrou caído no chão do estacionamento para golpear o agressor e conter o avanço da lâmina. Os demais funcionários do edifício uniram forças na ação tática de legítima defesa de terceiro, imobilizando Fábio Amorim no piso de concreto até a chegada das viaturas da Polícia Militar de São Paulo. A camiseta de Alexandre ficou completamente ensanguentada durante o resgate.
Assista ao vídeo detalhado integrado no corpo desta reportagem para analisar as imagens das câmeras de segurança que registraram o momento exato em que o agressor invade o elevador e a intervenção dos funcionários para salvar a vida de Marcela.
Mensagens por Pix de Um Centavo: A Perseguição Digital Ininterrupta
O histórico policial de Fábio Amorim revela que o ataque físico foi o ápice de uma longa sequência de abusos domésticos. Em episódios anteriores, o agressor já havia cortado a boca de Marcela ao cravar o aparelho celular contra os dentes dela durante uma discussão motivada por ciúmes. A vítima já havia tentado romper o vínculo matrimonial por pelo menos três vezes, mas acabava cedendo diante das manipulações psicológicas e das promessas de mudança do parceiro.
Nos últimos dois meses, após ser definitivamente bloqueado em todas as redes sociais e aplicativos de mensagens de Marcela, Fábio desenvolveu um método de perseguição digital ininterrupta de alta perversidade. Toda vez que ela bloqueava um número de telefone, ele comprava um novo chip para continuar as ligações de assédio.
Quando percebeu que não tinha mais canais de texto disponíveis, o criminoso passou a realizar dezenas de transferências bancárias no valor de um centavo via Pix para a conta da ex-mulher. O objetivo não era o envio do dinheiro, mas sim a utilização do campo de “mensagens de texto” do aplicativo bancário para fazer ameaças diretas de morte e vigiar a saúde mental da vítima.
A Batalha pela Vida na UCI e o Clamor por Justiça Comercial
Atualmente, Marcela encontra-se internada em estado grave na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) de um hospital de referência na região de Itapecirica da Serra. A jovem foi submetida a procedimentos cirúrgicos de emergência para conter as hemorragias internas causadas pelas facadas e permanece entubada, em coma induzido, respirando com o auxílio de aparelhos mecânicos. Embora os boletins médicos indiquem uma leve reação biológica positiva nas últimas horas, o corpo clínico confirmou que ela ainda corre sério risco de vida.
| Cronologia do Relacionamento Abusivo | Práticas de Violência Registradas | Consequências Médicas e Jurídicas |
| Casamento (6 Anos de Duração) | Exploração patrimonial e agressão física na boca | Registro de 3 pedidos de separação frustrados |
| Pós-Separação (Últimos 2 Meses) | Perseguição por mensagens de texto via Pix de R$ 0,01 | Monitoramento tático da rotina de trabalho da vítima |
| O Dia do Crime (Emboscada) | Ataque com faca industrial na rampa do estacionamento | Marcela internada em estado grave na UCI em coma |
| Intervenção de Terceiros | Luta corporal e uso de madeira por Alexandre | Fábio Amorim preso em flagrante por feminicídio |
Fábio Amorim foi autuado em flagrante e permanece preso preventivamente pelos crimes de tentativa de feminicídio qualificado e tentativa de homicídio contra o funcionário Alexandre. Na porta do hospital, a mãe de Marcela, Dona Maria, agarra-se à fé e pede o apoio da sociedade civil para que o agressor não seja beneficiado por brechas jurídicas nas audiências de custódia.
A preocupação de familiares e dos próprios colegas de condomínio é de que, caso ganhe a liberdade provisória, Fábio retorne ao local de trabalho para consumar a vingança contra a ex-mulher e contra os homens que o imobilizaram. A justiça paulista agora sofre a pressão pública para manter o agressor isolado do convívio social, garantindo que a integridade física de Marcela seja preservada quando ela finalmente receber alta para voltar para casa e cuidar de seu filho.