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Simples Troca de Forro de Teto — Até os Pregos Cederem e Revelarem o Desaparecimento de 1961

Desapareceu em 1961, mas o verdadeiro início desta história Foi em 1956, quando patriarca da família Ferraz morreu naquele sobrado da rua Conselheiro Sinimbu em Paranaguá, e deixou para trás uma herança que ninguém pediu e uma rivalidade que ninguém admitia. Ninguém entendeu a ligação durante 58 anos.

Ninguém entendeu a ligação. Prepare-se, porque o que os Os pedreiros encontraram naquela segunda quinzena de março de 2019 passou para sempre a vida de uma família inteira e levantou uma questão que ninguém ousou fazer em vida.

Onde estava Newton Vasconcelos desde essa segunda-feira de Agosto de 61? E o pior, a resposta esteve ali o tempo todo, atrás de um forro de madeira, no interior de uma parede que a própria família tinha mandado construir. Março de 2019, Paranaguá, litoral do Paraná. O sobrado da rua conselheiro Sinimbu, estava em obra. Renato Vasconcelos, 60 anos, filho único, tinha decidido finalmente renovar o imóvel que receberá de herança, uma casa grande de dois andares, construída no início dos anos 50, com aquela arquitetura colonial litorânia que mistura madeira escurecida

pelo tempo e arga massa de cal. O foo de madeira do quarto dos fundos no Tio havia apodrecido. Era uma reforma simples. Tirar as tábuas velhas, trocar as ripas, colocar material novo. Foi quando o primeiro prego cedeu de forma estranha. O pedreiro Genivaldo Souza, de 52 anos, trabalhava sozinho nessa tarde de uma terça-feira, quando se apercebeu que as tábuas do forro não cediam para baixo, cediam para dentro, como se houvesse uma cavidade atrás delas que não deveria existir.

Ele puxou mais forte, a tábua rodou e do espaço entre o forro e a parede de tijolos, caiu no chão uma camada de pós cinzentos amarelados e, juntamente com ele, algo que Genivaldo demorou 3 segundos a reconhecer. um fémor humano. Genivaldo recuou dois passos, ficou imóvel, depois saiu a correr para a rua e ligou para o Renato.

A polícia civil chegou 40 minutos depois. O perito da Politec, Polícia Científica do Paraná, unidade do litoral, chegou 2 horas mais tarde. O que encontrou naquele espaço de menos de 1 m de profundidade entre o forro e a parede estrutural era um esqueleto quase completo. Faltavam algumas falanges e duas costelas, envolto em nada, sem tecido, sem couro, sem papel, apenas ossos, 58 anos de pó e uma argola de metal oxidado, que um dia tinha sido aliança de casamento.

A posição dos ossos indicava que o corpo tinha sido ali colocado em posição sentada, ligeiramente inclinada para a esquerda. A argola estava junto aos ossos da mão direita, onde havia escorregado décadas antes. O crânio estava intacto, a mandíbula separada repousava a poucos centímetros e havia preso entre duas vértebras cervicais inferiores, o que o perito identificou de imediato como fragmento de objeto ponte agudo de metal, possivelmente a ponta partida de uma ferramenta.

Renato Vasconcelo foi informado nessa mesma noite. Ouviu tudo sem falar. Depois disse apenas uma coisa ao delegado: “O meu pai desapareceu nesta casa em agosto de 61.Eu tinha do anos. Para compreender o que aqueles ossos significavam, é preciso voltar. Voltar muito. Newton Ferreira Vasconcelos nasceu em Paranaguá em 1931.

Era filho de pescador, mas não seguiu o pai para o mar. Aprendeu a reparar motores de embarcação no trapiche do porto quando tinha 15 anos e aos 22 já era o mecânico mais requisitado da região portuária. Tinha aquela disposição que as pessoas descrevem como tipo que nunca pára, sempre com óleo nas mãos, sempre com o cigarro atrás da orelha, chegando sempre antes de todo o mundo e saindo depois.

Em 1956, duas coisas aconteceram quase ao mesmo tempo na vida de Newton Vasconcelos. E as duas juntas plantaram a semente do que viria 5 anos depois. A primeira em Março desse ano, Augusto Ferraz, comerciante de secos molhados da rua da praia, morreu de complicações cardíacas aos 58 anos. Deixou dois filhos, Hélio, 26 anos, mestre de obras, e Maria da Conceição, 22 anos.

a mais nova e deixou um imóvel, o sobrado da rua Conselheiro Sinimbu, que passou integralmente para Conceição por determinação expressa do testamento. Hélio ficou com o stock do armazém e com uma dívida que levou 3 anos para liquidar. O sobrado não foi para ele. A segunda, em abril do mesmo ano, Newton casou com Conceição. O casamento foi celebrado na igreja de Nossa Senhora do Rosário numa tarde de chuva miudinha, com a nave cheia e o sino tocando três vezes.

Quem esteve presente recordava que Hélio se sentou na última fileira e não foi à festa. A Conceição era considerada uma das raparigas mais compostas de Paranáguá, educada pelo colégio das irmãs, silenciosa, de gestos cuidados. Quem a conhecia dizia que tinha a elegância de quem aprendeu a não precisar de muito.

O que ninguém dizia em voz alta era que o casamento tinha sido acelerado por pressão da própria Conceição, que queria sair da tutela do irmão mais velho e que Hélio se tinha oposto à união com uma veemência que foi para além da opinião de família. Para Hélio, o problema não era apenas Newton, era a combinação.

Newton mais Conceição, mais o sobrado significava que o património do pai, aquele sobrado que o Hélio considerava moralmente seu, por ser primogénito, por ter trabalhado ao lado do pai desde os 14 anos, estava agora nas mãos de um mecânico do porto que ele mal respeitava. Hélio Ferraz era o tipo de homem que carregava as próprias razões como se fossem pedras no bolso, calado, pesado, sempre prestes a afundar.

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Depois da morte do pai, ele tornara-se protetor oficial da irmã. protetor ou tutor não declarado, dependendo de quem contava a história. Para ele, Newton nunca foi suficiente, nunca foi digno, nunca foi que Conceição merecia e o sobrado nunca deveria ter ido para ela. O casal foi viver exatamente naquele sobrado, conforme previsto.

Morava a menos de 300 m dali, numa casa de madeira na rua Faria Sobrinho. Ele passava pelo sobrado quase todos os dias. Às vezes entrava, às vezes ficava só na calçada a olhar. Em fevereiro de 1959, O Renato nasceu. Foi o único filho do casal. Newton chegou à maternidade com as mãos ainda sujas de gracha e os olhos vermelhos de emoção.

Conceição, segunda parteira que ainda era viva nos anos 80, deixou o depoimento escrito. Sorriu pela primeira vez em meses. O que havia acontecido naqueles meses anteriores? Ninguém soube ao certo, mas vizinhos da época recordavam que as discussões do sobrado tinham começado por volta de 1958. Vozes altas à noite, silêncio pesado de manhã e o Hélio a aparecer com mais frequência.

Na madrugada de 14 para 15 de agosto de 1961, uma segunda-feira, Newton Vasconcelos foi visto pela última vez. A última testemunha foi Dorival Mendes, proprietário do bar da esquina da Conselheira Simbu com a a rua do comércio. Dorival declarou em depoimento tomado três dias depois do desaparecimento, que Newton tinha entrou no bar às 22 horas, bebeu dois copos de cachaça em silêncio e saído em direção à própria casa às 22h40.

Parecia preocupado, Dorival disse, mas não parecia com medo. Era mais como quem vai resolver uma coisa que já sabe que vai correr mal. Newton nunca chegou ao trabalho na manhã seguinte. Naquela mesma noite, Conceição não estava no sobrado. Havia de autocarro na tarde do domingo anterior para Antonina, cidade vizinha, onde a sua comadre Edite acabará de dar à luz o segundo filho.

Era comum que Conceição ficasse nesses casos por dois ou três dias para ajudar. Renato, com dois anos, tinha ficado sob cuidados de Hélio. O quê? Por si só, não era incomum. Hélio tomava conta do sobrinho com frequência. Conceição regressou a Paranaguá na manhã de terça-feira, dia 15 de agosto.

Chegou ao sobrado por volta das 9 horas. Encontrou a porta da frente fechada, mas destrancada. O Renato dormia no quarto de cima e no corredor dos fundos encontrou o Hélio. Ele estava sozinho. O quarto dos fundos estava fechado. A porta, que normalmente estava aberta, tinha sido barrada por dentro com uma tranca improvisada de madeira. E O Hélio tinha as mãos sujas de cal, a camisa manchada na altura dos braços e do peito, um balde vazio encostado à parede do corredor.

Conceição não perguntou, o Hélio não explicou. Os dois ficaram em silêncio durante tempo suficiente para que o silêncio se tornasse um acordo. Conceição registou o desaparecimento na esquadra local no dia 16 de agosto. O escrivão que tomou o boletim dava nota que a esposa demonstrava estado de abatimento, mas não de surpresa.

A esquadra de Paranaguá instaurou o procedimento de localização de pessoa que foi arquivado em menos de 60 dias, sem pistas, sem testemunhos adicionais, sem corpo. Hélio Ferraz foi ouvido uma única vez, três semanas depois do desaparecimento. Disse que não tinha visto o cunhado nessa noite. Disse que tinha ficado com o sobrinho e dormido no quarto de cima.

Disse que não sabia de nada. O delegado da época, segundo os registos encontrados décadas depois no Arquivo da Comarca, não aprofundou as perguntas. Em 1963, Conceição apresentou um pedido de curadoria de ausente junto da vara cívil da comarca de Paranaguá, com base no Código Civil de 1916. Em 1966, após o prazo legal, foi declarada sucessão provisória.

O sobrado permaneceu com Conceição. Renato cresceu naquela casa sem nunca saber o que tinha interior da parede dos fundos. Hélio Ferraz morreu em 1993, aos 63 anos de infarte. Conceição sobreviveu ao irmão mais de 20 anos. Faleceu em 2017, aos 83 anos, num quarto do hospital regional do litoral, em Paranaguá. O Renato estava ao lado dela.

Do anos depois, os pedreiros partiram o forro. A investigação de 2019 avançou de forma metódica, mas não isenta de obstáculos. O primeiro problema era a identificação. Os ossos encontrados na parede não tinham ficha dentária compatível disponível. Os registos dentários de Newton Vasconcelos não tinham sido preservados.

O segundo problema era a cadeia de custódia do imóvel. O sobrado tinha passado por pelo menos duas reformas parciais entre 61 e 2019, mas nenhuma delas tinha tocado no quarto dos fundos. A solução veio através do ADN. Renato Vasconcelos concordou de imediato com a recolha. O exame de ADN Tossumico ST realizado pelo laboratório de genética forense da Politecaná confirmou com probabilidade de 99,97% que os ossos pertenciam ao pai biológico do Renato. Era Newton.

Estava ali desde 61. O fragmento de metal encontrado entre as vértebras cervicais inferiores foi identificado como ponta partida de ponteiro de pedreiro, ferramenta de alvenaria utilizada para abrir tijolos e trabalhar argamassa de corpo metálico alongado e extremidade afilada. A análise do Instituto de Medicina Legal de Curitiba concluiu que a lesão nas vértebras era compatível com perfuração introduzida pela região posterior da nuca num ângulo ligeiramente descendente, atingindo a medula espinal cervical.

A causa de morte foi classificada como lesão medular por instrumento penetrante de ponta metálica. As circunstâncias, segundo o relatório, eram compatíveis com ação de terceiro, indetermináveis ​​quanto a intenção. Mas havia algo que a perícia não conseguia explicar pelo relatório. Alguém tinha construído aquela parede depois de Newton ter sido colocado ali e construído de forma tecnicamente competente.

massa de cal e areia aplicada em camadas regulares, tijolos assentes, enfiadas perfeitamente horizontais. O trabalho era de quem sabia o que estava a fazer. Hélio Ferraz era mestre de obras. O material estava no terreno das traseiras porque Conceição tinha encomendado meses antes uma pequena ampliação quartinho de armazenamento que nunca chegou a ser executada.

Os tijolos e os sacos de cal estavam empilhados sob uma lona desde maio. Hélio sabia que estavam ali na noite de 14 de agosto, com Conceição em Antonina e Renato a dormir no andar de cima, teve tudo o que precisava: tempo, material e ofício. A reconstrução que o comissário Marcelo Azevedo, da esquadra de homicídios do litoral apresentou ao Ministério Público em junho de 2019 foi a seguinte: na noite de 14 de agosto de 1961.

Newton Vasconcelos entrou no sobrado e encontrou Hélio Ferraz. Houve confronto. O Hélio utilizou o ponteiro de pedreiro, ferramenta que habitualmente transportava na bolsa de trabalho, e desferiu o golpe pela nuca. Depois passou o resto da madrugada a construir parede. Trabalhou com Lampião.

Terminou antes do amanhecer. Quando a Conceição chegou pela manhã, a divisão estava fechada, o balde estava vazio e o Hélio tinha caéos cotovelos. A Conceição sabia? Essa foi a questão que consumiu Renato nos meses seguintes e foi a resposta mais perturbadora de toda a história porque ela veio três semanas após a identificação dos restos mortais.

O cartório notarial de Paranaguá entrou em contacto com Renato. Havia um envelope selado depositado por Maria da Conceição Ferraz Vasconcelo em 1987, com instrução expressa de entrega ao filho apenas após a morte da depositante. O cartório tinha guardado o prazo legal após o óbito para localizar o herdeiro.

O Renato abriu o envelope sozinho no sábado à tarde, sentado na mesa da cozinha do mesmo sobrado onde o pai tinha sido morto. A carta tinha seis páginas. Estava escrita à mão, com letra miúda e firme, sem rasuras. Conceição narrava que tinha chegado a casa naquela manhã de terça-feira, encontrado Hélio sozinho, a divisão dos fundos trancado e o irmão com as mãos tapadas de cal.

Disse que entendeu naquele momento, sem que ninguém dissesse uma palavra. disse que passou os dias seguintes em estado de paralisia, não de luto, mas de cumplicidade silenciosa construída num único instante de escolha, que registou o desaparecimento na esquadra porque era o que se esperava que ela o fizesse, que nunca não disse nada porque tinha um filho de 2 anos, porque tinha medo.

Medo de Hélio, medo do que iria acontecer ao Renato, medo do que aconteceria a ela própria, que o medo foi diminuindo com os anos, mas nunca se foi embora de vez. que Hélio nunca confirmou, nunca negou e que os dois nunca voltaram a falar sobre aquela manhã. Na última página, Conceição escreveu: “Renato, eu não fui capaz de ser a sua mãe e a mãe da verdade ao mesmo tempo.

Não sei se algum dia me vais perdoar, mas achei que tinha direito de saber onde está o seu pai. Ele está em casa”. Ela escreveu esta carta 32 anos antes de os pedreiros encontrassem os ossos. Ela sabia exatamente onde Newton estava e deixou o filho descobrir da forma que achou mais justo depois de ela não poder mais ver a expressão dele.

O Ministério Público de Paranaguá abriu investigação formal, mas a conclusão jurídica foi inevitável. Hélio Ferraz tinha morrido em 1993. Maria da Conceição tinha morrido em 2017. Não havia arguido vivo. O inquérito foi encerrado sem deamento possível. Os restos mortais de Newton Vasconcelos foram entregues a Renato em agosto de 2019, 58 anos após o desaparecimento para inumação.

O Renato enterrou o pai no cemitério municipal de Paranaguá numa manhã de chuva miudinha, sem cerimónia religiosa, sem discurso. Apenas ele, o caixão branco e o barulho do porto que Newton tanto conhecia, chegando pelo vento de leste. O sobrado da rua Conselheiro Sinimbu está à venda. Renato não voltou a viver nele depois de 2019.

Disse que já não conseguia olhar para as paredes sem pensar no que poderia haver atrás delas. Esta história não terminou com uma detenção. Não terminou com justiça no sentido que a palavra costuma ter terminou com um filho, de 60 anos, a ler a letra da mãe morta numa tarde de sábado, descobrindo que a mulher que criou tinha guardado o segredo da morte do pai dentro de si há 56 anos e que havia decidido contar a verdade apenas quando não precisasse mais de ser olhada nos olhos. O sobrado ficou para Conceição,

porque o Pai assim o quis. O Hélio nunca aceitou. Newton entrou naquela casa como marido e saiu como segredo. E a criança que dormia no andar de cima naquela noite de agosto passou toda a vida sentado sobre a resposta, sem saber que a questão existia. Se chegou até aqui, deixe um like. Isso ajuda muito levar histórias como esta a mais pessoas.

E nos comentários, deixa a tua opinião. Acha que a Conceição fez a coisa certa ao escrever a carta? Ou teria sido melhor que o Renato nunca soubesse? A resposta não é simples, nunca é.