Sinhá ouviu os boatos sobre o escravo e decidiu conferir pessoalmente
O sol da tarde filtrava-se pelas estores de jacarandada a Casagre, desenhando listras de luz e sombra sobre o tapete persa. Sobre a mesa, o jogo de porcelana chinesa fumegava com um chá de erva doce, mas o aroma que realmente preenchia a sala era o do segredo. Sim. E a Joana ajustou o volume das suas saias de seda, os olhos brilhando com uma curiosidade que roçava a obsessão.
Ela inclinou-se para a frente, baixando a voz para que nem as paredes ou os escravos domésticos que circulavam pelo corredor pudessem registar as suas palavras. “Não pode ser, minha amiga.” Joana sussurrou, apertando o cabo da chávena. “Tem a certeza absoluta disso? A condessa Maria, sua confidente de longa data e a maior fonte de escândalos da província, deixou um sorriso enigmático brincar nos lábios antes de responder com uma segurança cortante. Tenho sim.
Eu ouvi quando atravessava o pátio das traseiras. Era o maior que já vi na vida, Joana. Ali por baixo dos panos, fácil deveria ser maior que uma régua de palmo. A Joana sentiu um calor súbito subir pelas faces, desmanchando a palidez aristocrática que tanto cultiva. O leque de rendas começou a balançar freneticamente na sua mão.
“Pois agora quero experimentar”, declarou Joana com uma ousadia que surpreendeu até a si própria. “Dizem que estes grandes são melhores, que o serviço é outro”. Maria arregalou os olhos, pousando a chávena com um tilintar metálico. Minha amiga, enlouqueceu? Não vai aguentar. E se o seu marido, o Barão de Alencar, descobrir? É um homem implacável, Joana.
Se ele sonha que anda a conferir essas coisas. A Joana soltou uma risadinha nervosa, mas determinada. Ela olhou para a janela, onde a cenzala estendia o seu sombra sobre o destino de tantos e proferiu a frase que selaria a sua decisão. Ora, Maria, é aquele negócio? Lavou, está novo? O barão nunca saberá a diferença.
E então, acham que assim a Joana está a brincar com o fogo ou sabe exatamente o que está a fazer? Se já está fisgado por esta intriga na Casagrande, deixe já o seu like e se subscreva o canal. Mas atenção, o que vem por aí vai mudar tudo. Prepare-se, porque o final desta história é absolutamente surpreendente e não se vai querer perder.
A noite caira sobre o engenho com um peso sufocante, mas para Joana o silêncio do quarto era o mais ensurdecedor dos gritos. Deitada sob o docel de seda francesa, ela ouvia a respiração pesada e rítmica do barão de Alencar ao seu lado. Para o mundo, ele era o senhor absoluto daquelas terras. Para ela, naquele momento, ele era apenas um obstáculo entre o desejo e a realidade.
As palavras da condessa Maria repetiam-se na sua mente como um mantra profano, maior que uma régua. Joana rolou para o lado, os olhos fixos na escuridão. O calor de Pernambuco parecia brotar de dentro das suas veias. Ela não conseguia tirar da cabeça a imagem de Fernando, o escravo que mal tinha notado até então, mas que agora ocupava cada centímetro da sua imaginação.

Como uma mulher da sua linhagem poderia sentir-se tão febril por um homem que a sociedade dizia não ser nada? Mas a curiosidade, aquele veneno destilado pelo tédio da aristocracia já tinha feito efeito. “Eu preciso verificar”, sussurrou para o almofada, a voz desvanecendo no farfalhar das cortinas.
O plano começou a desenhar com a precisão de um arquiteto. Não podia ser na Casa Grande, onde as paredes tinham ouvidos e as mucamas olhos de lince. Teria de ser no antigo depósito de tecidos um anexo afastado perto das oficinas. onde os rolos de linho e as sedas importadas eram guardados antes de serem transformados em vestidos.
O local era mofado, escuro e, acima de tudo, privado. Ao amanhecer, A Joana não esperou pelo café completo. Com a autoridade de quem nasceu para mandar, chamou o feitor logo de manhã na varanda. Sebastião disse ela, mantendo a voz firme e o olhar gélido, para esconder o tremor das mãos. Chegou uma nova carga de tecidos finos proveniente do porto do Recife.
Estão jogados de qualquer jeito no depósito. Preciso de alguém forte para mover os fardos pesados e organizar as prateleiras sob minha supervisão direta. Não quero que as peças se estraguem. O feitor, um homem bruto que jamais questionaria as ordens da patroa, coçou a barbarala. Pois não, senhor. Vou mandar dois rapazes agora mesmo. Não.
A Joana disparou demasiado rápido, corrigindo-se em seguida com um suspiro de enfado. Não quero confusão lá dentro. Um só basta, desde que seja forte. A condeessa Maria comentou um rapaz novo, o Fernando, creio eu. Ela disse que ele é ágil. Mande-o para lá às 2as da tarde, quando o sol estiver mais forte e todos os estiverem no canavial.
Eu própria darei as ordens de onde colocar cada rolo de seda. Sebastião assentiu, sem desconfiar que, ao abrigo daquela ordem administrativa batia um coração em pânico e êxtase. O resto da manhã foi um suplício de lentidão. A Joana escolheu o seu vestido com uma atenção doentia. Nada muito luxuoso que levantasse suspeitas, mas algo que, ao primeiro desapertar de botões, cedesse facilmente.
Ela olhou-se no espelho, ajeitando os cabelos. sentindo-se como uma criminosa e, ao mesmo tempo, como uma mulher viva pela primeira vez em anos. A antecipação era um fogo que lhe consumia a moral. Ela pensava no risco. Se o barão descobrisse, o sangue correria pelos corredores de pau-santo, mas o perigo apenas aumentava a lubrificação do seu desejo.
À medida que o relógio de carrilhão batia às 13 horas, a Joana saiu discretamente pelos fundos, segurando uma pequena chave de bronze que parecia pesar quilos. O depósito estava à espera e Fernando, ela sabia, já devia estar a caminho. Assim a não ia apenas verificar um boato. Ela ia passar a linha de onde não havia retorno.
O sol do meio-dia castigava o solo do engenho, criando uma miragem de calor que tremeluzia sobre o pátio. Joana caminhava sob a proteção de um guarda-chuva de renda acompanhada pela condessa Maria. O plano de o encontrar no depósito já estava traçado, mas a impaciência de Joana era uma fera faminta.
Ela precisava de ver a mercadoria de perto antes de o relógio marcar às 2as da tarde. “Tem a certeza que ele estará lá agora, Maria?”, sussurrou Joana, sentindo o suor descer por entre os seios, apertados pelo espartilho. “É momento da distribuição da ração de milho, Joana. Estão todos reunidos. Tente não parecer uma faminta. Comporte-se, provocou Maria com um sorriso malicioso escondido atrás do leque.
Ao se aproximarem dos limites da cenzala, o cheiro a suor, terra batida e comida rústica atingiu as narinas da Sinhá. Era um mundo distante da alfazema e das rosas da Casa Grande. À medida que avançavam, o burburinho das mulheres escravizadas foi minguando. Elas abriam caminho para as senhoras, mas os olhares não eram de submissão comum.
Havia uma eletricidade no ar. No centro do pátio, perto de um grande caldeirão, estava ele. Fernando estava de costas, erguendo um saco de grãos que pesaria o dobro de um homem comum. Quando se virou, o tempo pareceu congelar para Joana. A pele dele, negra como o azeviche mais profundo, brilhava com uma mistura de óleo e suor, refletindo o sol como se fosse uma armadura de metal escuro.
Os ombros eram largos, tão vastos, que pareciam ocupar o espaço de dois homens, e os músculos do peito moviam-se com uma força bruta e rítmica a cada inspiração. As outras mulheres em redor mantinham uma distância respeitosa, quase reverencial. Havia um temor misturado ao desejo nos olhos das mucamas.
Fernando não era apenas um escravo, era uma força da natureza que intimidava pela mera presença. A Joana sentiu os joelhos fraquejarem. De perto, a régua mencionada por Maria parecia uma estimativa tímida. Mesmo sob as calças de algodão grosseiro e surrado, a anatomia de Fernando denunciava uma virilidade que Joana nunca vira nos seus anos de casada com o minguado e pálido barão.
Maria, apercebendo-se do choque da amiga, inclinou-se na sua direção e picou-lhe o braço com o cabo do leque. Trocou um olhar cúmplice com Joana, um olhar que dizia: “Não te avisei?” Os olhos da condessa brilhavam com a confirmação do escândalo, enquanto o rosto de Joana ardia num rubor que nenhuma maquilhagem poderia disfarçar. Fernando ergueu os olhos e, por um breve segundo, cruzou o olhar com o da.
Não houve o desvio de olhar esperado de um cativo. Ele encarou-a com uma calma perturbadora, como se soubesse exatamente porque ela estava ali, perscrutando o pátio com olhos de caçadora. Meu Deus, Maria. Joana arquejou, fechando a sombrinha com força. Ele não é um homem, é um pecado vivo.
E tu, minha cara, estás prestes a confessar esse pecado no depósito”, respondeu a condessa, rindo baixinho. “Vamos embora antes que os capangas percebam que está a devorar o rapaz com os olhos”. A Joana deu meia volta, mas a sua mente permaneceu ali cravada na imagem daquele gigante de ébano. O desejo, que antes era apenas uma curiosidade travessa, tornara-se agora uma necessidade física e urgente.
O encontro às 2as da tarde não seria apenas um plano, seria a queda definitiva da senhora do engenho. O barão de Alencar partiu ao romper da alva. O som das ferraduras dos cavalos e o ladrar dos cães de caça, afastando-se pelos trilhos de mata fechada, soaram como música para os ouvidos da Joana. Com o marido longe para perseguir javalis e veados, a senhora do Engenho sentia-se finalmente a única autoridade entre aquelas paredes de cal e pedra.
Mas não era de liberdade política que ela tinha sede. Era de algo muito mais carnal. A Joana estava apostada na varanda, os dedos apertando-o para peito de madeira até as juntas ficarem brancas. Ela chamou o feitor Sebastião com um gesto seco. “Sebastião, mudei os meus planos”, disse ela sem olhar para os olhos do homem.
“O depósito pode esperar até amanhã. No entanto, a biblioteca do Barão está um caos. Aquelas estantes de carvalho maciço precisam de ser arrastadas para que a humidade não destrua os livros de Direito. Preciso de alguém com força bruta para o serviço. O feitor franziu o senho, estranhando o pedido súbito para a zona mais nobre da casa.
Sim. Ah, o serviço de dentro da casa é geralmente das mucamas. E por acaso as mucamas têm força para mover móveis de meia tonelada homem? A Joana cortou-o com uma voz que não admitia réplicas. Mande o Fernando, aquele que vi ontem na cenzala. Parece ter os braços necessários para o que pretendo. Mande-o subir pelos fundos imediatamente.
A ordem estava dada. O convite estava disfarçado sob o manto da necessidade doméstica, mas o ar na Casagre pareceu mudar de densidade no momento em que Sebastião afastou-se. A Joana entrou na biblioteca. O cheiro a couro velho e papel amarelado parecia sufocante. Ela começou a fechar as pesadas cortinas de veludo verde, deixando apenas um filete de luz entrar, iluminando o pó que dançava no ar.
Cada batida do seu coração era um lembrete do perigo. Se uma escrava visse, se o barão voltasse mais cedo por causa de uma chuva repentina, se Fernando não compreendesse o que estava a acontecer, ela olhou-se no pequeno espelho de moldura dourada acima da lareira fria. Estava pálida, mas os seus olhos queimavam.
“Você é a senhora desta casa?”, repetia para si mesma, tentando resgatar a arrogância aristocrática que o desejo tentava derreter. Passos pesados ecoaram no corredor de pedra. Eram diferentes dos passos ligeiros das escravas domésticas ou do caminhar apressado do barão. Eram passos lentos, firmes, que faziam o açoalho de madeira ranger sob um peso descomunal.
A porta rangeu. Fernando parou no umbral. Ele estava sem camisola, como era comum aos escravos do campo, trazendo consigo o calor do sol e o cheiro da terra. No ambiente fechado e requintado da biblioteca, ele parecia ainda maior, um gigante de ébano rodeado por uma civilização a que ele não pertencia, mas que estava prestes a dominar.
Assim a mandou-me chamar? A sua voz era grave, profunda, vibrando no peito de Joana como um trovão longínquo. A Joana sentiu a garganta secar. O medo da descoberta e o desejo pecaminoso travavam uma batalha violenta no seu estômago. Ela caminhou lentamente até à porta e, com as mãos trémulas rodou a chave.
O estalido do metal ecuou na sala como um tiro de misericórdia na sua moralidade. “Sim, Fernando”, sussurrou ela, aproximando-se dele até sentir o calor que emanava de a sua pele. “O serviço é pesado e exijo total dedicação. O clima de tensão atingira o ponto de rutura. Não havia mais volta. O convite proibido fora aceite no silêncio daquele olhar.
O estalido da chave a rodar na fechadura da biblioteca selou o destino de Joana. Na penumbra da sala, onde o cheiro a livros antigos misturava-se ao odor másculo e terroso que emanava de Fernando, o mundo exterior, com as suas leis, os seus títulos de nobreza e o seu barão, deixou de existir.
A Joana virou-se lentamente. Fernando permanecia estático no centro da sala, uma coluna de ébano que parecia suportar o teto da casa grande. Ele não baixou a cabeça. Seus olhos escuros e inteligentes acompanhavam cada movimento da senhora com uma calma que a desarmava. “Esqueça as instantes, Fernando”, disse ela, a voz a falhar por um segundo antes de se tornar um sussurro autoritário.
“O que quero verificar não são os móveis.” Ela aproximou-se e a diferença de estatura era intimidante. A Joana, uma mulher de porte elegante, sentia-se uma criança perante aquela força bruta. Com as mãos trémulas, ela estendeu os dedos e tocou-lhe no peito. A pele era quente e firme como pedra, e ela sentiu o coração dele a bater num ritmo calmo, contrastando com o seu, que parecia um pássaro desesperado na gaiola das costelas.
Quando a mão dela desceu para o cos da calça de pano grosso, Fernando deu um passo em frente, diminuindo a distância final. O que a Joana descobriu a seguir fez os seus olhos arregalarem-se e a sua respiração cessar por completo. A condessa Maria, com todas as suas histórias e medições de régua, havia sido modesta. A realidade era avaçaladora.
Perante aquela revelação, A Joana sentiu um choque inicial que roçava o pavor. Era algo que desafiava a lógica e a sua própria resistência. Era muito maior do que qualquer fantasia que ela pudesse ter cultivado nas suas noites de solidão. “Meu Deus!”, O sussurro escapou-lhe dos lábios, não como uma prece, mas como um reconhecimento da própria perdição.
A hesitação durou apenas um batimento cardíaco. O instinto de posse e o desejo acumulado por anos de um casamento frio falaram mais alto, ignorando a dor potencial, ignorando o escândalo e a própria moral que a definia como uma mulher de respeito. A Joana entregou-se aos sentidos. Ela guiou as mãos grandes e calejadas de Fernando para a sua própria cintura, sentindo a força daqueles dedos desmancharem a estrutura do seu vestido de seda.
Quando a ergueu, Joana sentiu-se flutuar e, ao mesmo tempo, ser subjugado por uma potência que nenhum homem da sua classe jamais poderia oferecer. Naquele momento não havia senhora e não havia escravo. Havia apenas a carne, o calor e a descoberta de uma satisfação que Joana julgava impossível. Ela ignorou os riscos, ignorou o facto de estar na biblioteca do marido e entregou-se a um êxtase selvagem, sentindo que finalmente tinha encontrado algo que era demasiado grande para ser contido pelas paredes daquele engenho. A conferência estava feita e a
conclusão de Joana era definitiva. Ela nunca mais conseguiria voltar a ser a mesma mulher de antes. Capítulo 5. O êxtase e o risco. A vida na casa grande. Antes, um deserto de tédio e protocolos transformou-se num campo minado de sensações. A Joana já não era a mesma. A experiência na biblioteca não tinha sido apenas um encontro, fora um batismo de prazer que a deixara viciada.
O que antes era uma conferência curiosa tornou-se uma necessidade diária, uma fome que o barão de Alencar, com as suas maneiras frias e ausências constantes, nunca conseguiria saciar. Fernando era chamado sob qualquer pretexto, uma goteira imaginária no quarto de hóspedes, um baú pesado que necessitava ser movido no sótam, ou a contagem de stocks, que só a poderia supervisionar.
A condessa Maria, fiel ao o seu espírito de aventura e escândalo, assumira o papel de sentinela. Enquanto Joana e Fernando perdiam-se em encontros febr, Maria apostava-se no corredor ou no jardim, fingindo ler um livro ou bordar, sempre atenta a qualquer sombra que se aproximasse. “Você está a brincar com o carrasco, Joana?”, advertia Maria enquanto se abanava após uma dessas sessões. “Os seus olhos estão diferentes.
Brilhas como se tivesses engolido o sol. Qualquer pessoa com dois neurónios vai notar.” E os rastos começaram a aparecer. A imprudência é a filha predilecta da paixão. Certo dia, um lenço de linho finíssimo bordado com as iniciais de Joana foi encontrado por uma mucama caído perto da entrada da cenzala.
Noutra tarde, o feitor Sebastião estranhou encontrar a porta da despensa de vinhos entreaberta, ouvindo apenas o silêncio pesado e o eco de uma respiração ofegante que cessou assim que ele tciu no corredor. Mas o sinal mais perigosa era a própria Joana. Ela não conseguia mais manter a máscara de severidade.
As suas bochechas estavam permanentemente coradas, os seus lábios mais cheios e ela já não se queixava das ausências do marido. Pelo contrário, ela as incentivava. O barão, embora focado nos seus negócios e caçadas, começou a notar que o silêncio da esposa não era mais de submissão, mas de uma satisfação secreta que não tinha providenciado.
O risco era um fármaco tão potente quanto o toque de Fernando. A Joana sabia que cada minuto nos braços daquele homem era um passo em direção ao abismo. Mas ao sentir a força de Fernando e recordar daquela régua que era agora a sua realidade, ela simplesmente não conseguia parar. O engenho sussurrava, as paredes vigiavam e o tempo da sorte estava a esgotar-se.
O crepúsculo tingia o céu de um vermelho cor de sangue quando o tropéu dos cavalos ecoou no pátio da casa grande. O barão de Alencar regressara três dias antes do previsto. O som das esporas a bater contra as pedras do empedrado foi como um trovão que interrompeu o devaneio de Joana, que naquele momento retocava o penteado diante do espelho, sentindo ainda o calor do último encontro com Fernando na pele.
Ao entrar na sala principal, o barão não trazia o sorriso de quem tinha uma caçada bem-sucedida. Os seus olhos pequenos e gélidos varreram o ambiente até encontrar em Joana. Um retorno inesperado, senhor meu marido”, disse ela, tentando forçar uma naturalidade que o seu coração acelerado desmentia. A caça era escassa, Joana, mas sinto que o clima aqui no engenho está pesado”, respondeu, atirando as luvas de couro sobre a mesa de pau-santo.
A condessa Maria, que estava sentada ao canto, manteve um silêncio excessivo, os olhos fixos no bordado. Para uma mulher conhecida por falar pelos cotovelos, aquele mudo súbito era um grito de culpa. O barão notou. Ele caminhou até ao varanda, observando a movimentação dos escravos que recolhiam as ferramentas.
Estranho, comentou o barão de costas para elas. Sebastião disse-me que o novo escravo, o tal Fernando, tem passado muito tempo dentro da casa. Serviços de biblioteca e despensa. Não sabia que ele tinha talentos tão domésticos. Joana sentiu um calafrio percorrer a sua espinha. O barão começou a observar Fernando de longe, o olhar estreitado enquanto via o gigante de ébano atravessar o pátio.
Havia algo na postura de Fernando, uma dignidade nova, um olhar que não baixava, que denunciava que algo havia mudado. Nessa noite, o barão não foi para a cama. Ele ficou na varanda, fumando o seu charuto, uma sombra silenciosa que vigiava cada vulto que se deslocava entre a Casa Grande e a Senzala. Começou a questionar os criados de confiança, plantando sementes de medo para recolher informações.
O cerco estava se fechando. O homem que antes ignorava a esposa, estudava-a agora como se ela fosse uma presa na floresta. As sombras na varanda já não eram apenas o fim do dia, eram o prelúdio de uma tempestade que ameaçava destruir toda a gente. O café da manhã foi servido num silêncio sepulcral, interrompido apenas pelo tilintar das colheres de prata contra a porcelana.
O barão de Alencar, após limpar os lábios com um guardanapo de linho, anunciou o que Joana mais desejava ouvir. Preciso de partir para Recife agora à tarde. Assuntos urgentes com a Junta Comercial sobre a exportação do açúcar. Devo demorar dois dias, talvez três. Joana tentou conter o brilho do triunfo nos olhos.
Mantendo uma máscara de tédio aristocrático. O barão despediu-se com um beijo gélido na sua testa e partiu na sua carruagem, seguido por dois dos seus mais cruéis capangas. Mas o que a Joana não viu foi que a não ser de 3 km da entrada do engenho, a carruagem desviou-se para um trilho secundária na floresta densa. Aí, o Barão e os seus homens abandonaram o veículo e regressaram a pé, camuflando-se entre as árvores que circundavam a propriedade.
O predador estava apenas à espera que a presa sentir-se segura. Sentindo-se dona do mundo, a Joana não perdeu tempo. Maria chamou ela encontrando a condessa no jardim. Ele partiu. Hoje não haverá apenas um encontro rápido. Quero uma celebração. A Joana organizou o que chamou de última celebração clandestina.
antes de decidirem como iriam seguir com aquela loucura. O local escolhido foi a ala oeste da Casagre, uma parte antiga e raramente usada, cheia de tapetes grossos e de vãs de veludo. Ela mandou buscar vinho do Porto e frutas. Na calada da noite, Fernando foi conduzido por Maria através dos corredores sombrios.
A atmosfera era de um banquete proibido. A Joana estava deslumbrante em uma camisola de seda que pouco escondia. Maria, rindo com o perigo, servia o vinho, enquanto Fernando, majestoso e imponente ocupava o centro da sala. “Hoje o tempo é nosso, Fernando”, disse Joana, aproximando-se dele com uma taça na mão, ignorando que do lado de fora do janela, entre as fendas da persiana, dois olhos cheios de ódio e sangue observavam cada detalhe.
O Barão de Alencar assistia ao espectáculo da sua própria desonra. Ele via o toque de Joana, ouvia o riso da condessa e, principalmente, via a figura de Fernando, o homem que possuía o que o dinheiro do barão nunca comprou, o desejo real da sua esposa. A armadilha estava armada. O barão sacou da sua pistola de cano duplo, o metal brilhando sob o luar e fez sinal aos capangas.
O flagrante estava completo. O que viria a seguir não seria uma conversa, mas um massacre. O riso da condessa Maria foi cortado como por uma navalha. O estrondo não veio de um trovão, mas do impacto brutal da bota do barão de Alencar contra a madeira de Carvalho da porta da ala poente.
A fechadura cedeu, voando em estilhaços, e o ar da sala foi subitamente invadido pelo cheiro de pólvora e pelo frio da noite. O barão entrou como uma assombração, os olhos injetados de sangue empunhando a sua pistola de cano duplo. Atrás dele, dois capangas armados com catanas e garruchas bloqueavam a única saída. O cenário dentro da sala era a prova definitiva da deshonra.
Joana, com a seda do seu camisola entreaberta, estava nos braços de Fernando. A condessa Maria, com uma copo de vinho na mão, paralisou com o rosto branco como o linho. Então, é este o serviço pesado da biblioteca? A voz do barão saiu como um rosnar animal, vibrando de um ódio que parecia pronto para rebentar as paredes.
A Joana soltou um grito sufocado, tentando cobrir-se, mas o barão avançou, segurando-a pelo cabelo com uma força que a atirava de joelhos. O seu olhar voltou-se para Fernando. O ódio do Barão era alimentado não apenas pela traição, mas pela visão daquele homem que, mesmo perante a morte, mantinha uma postura que o barão jamais possuiria.
“Matem-no!”, berrou o barão, apontando para Fernando. “Quero a cabeça deste animal pendurada no pátio do engenho antes do amanhecer”. Fernando se tensionou, os músculos saltando como cordas de aço, mas os capangas já engatilhavam as armas. O barão então se virou-se para a condessa Maria, que tentava esconder-se atrás de um divã.
E você, nobre amiga, cuspiu as palavras, pagará por cada gole de vinho que tomou enquanto planeava a minha ruína. Executem a condessa também. Sangue azul ou sangue de escravo. O chão deste engenho aceita qualquer um. Maria soltou um soluço desesperado a cair por terra. Joana, soluçando aos pés do marido, ouviu a promessa final que lhe gelou a alma.
Para tu, Joana, a morte seria uma dádiva. Eu vou manter-te viva nas masmorras deste lugar, até que se esqueça o próprio nome e implore para nunca ter nascido. O caos instalou-se. O barão ergueu a pistola, apontando diretamente para o peito de Fernando. O tempo pareceu parar. O flagrante estava dado, as sentenças de morte proclamadas e o sangue estava prestes a lavar o chão da ala poente.
O cão da pistola do barão estalou no silêncio da sala, mas o destino tinha outros planos. No milésimo de segundo em que o primeiro capanga avançou com o facão erguido, Fernando moveu-se com a velocidade de um raio. Não era apenas um homem de força, era um homem movido pelo instinto de quem já tinha sobrevivido a travessias impossíveis.
Com um urro que pareceu estremecer os alicerces da casa grande, Fernando interceptou o braço do agressor, partindo o pulso do homem como se fosse um pau seco. Antes que o segundo capanga pudesse disparar a sua garruxa, Fernando utilizou o corpo do primeiro como escudo humano, atirando-o contra o comparsa em um choque de carne e osso que os atirou contra a parede de pedra.
O barão, cego de fúria, virou o cano da sua arma para Fernando. “Morra, seu maldito!”, gritou ele e o dedo a premir o gatilho. Mas A Joana, que até então parecia uma sombra caída aos seus pés, agiu num impulso de pura adrenalina e sobrevivência, ela se ergueu. As suas mãos agarraram o pesado candelabro de prata que adornava a mesa lateral, ainda com as velas acesas gotejando cera quente.
Com um grito que misturava ódio e desespero, ela desferiu um golpe certeiro na têmpora do marido. O som do metal a atingir o crânio do barão foi seco e pesado. O homem cambaleou, a visão turva, e a pistola disparou inofensivamente contra o tecto, estraçalhando o lustre de cristal. O barão desabou sobre o tapete persa, atordoado e a sangrar, a autoridade escorrendo pelo rosto juntamente com o sangue escuro.
“Agora!”, gritou a Joana, a voz rouca, os olhos fixos no marido caído. Fernando, Maria, se não sairmos agora, estamos mortos. A condessa Maria, que estava encolhida em lágrimas, sentiu a mão firme de Fernando agarrar-lhe o braço, levantando-a do chão com um só puxão. O gigante olhou para Joana com um respeito novo, assim a tinha acabado de selar a sua própria sentença de traição para salvá-los.
pelos fundos”, ordenou Fernando, sendo a sua voz o único pilar de calma no meio do caos. Eles não tinham malas, não tinham jóias, não tinham futuro. Tinham apenas os segundos que o Barão levaria a recuperar os sentidos e o grito dos capangas que começavam a se levantar. A Joana lançou um último olhar para o homem com quem fora casada durante anos, largou o candelabro ensanguentado e correu para a escuridão do corredor. Era a única hipótese de fuga.
A partir desse momento, a senhora do engenho era uma fugitiva da lei. O ar da noite cortava o rosto de Joana como lâminas de gelo. Não tiveram tempo de selar os animais com o luxo habitual. Montaram a galope, agarrando-se às crinas, enquanto os cavalos relinchavam, sentindo o pânico dos cavaleiros. Fernando liderava o grupo, abrindo o caminho por trilhos que só aqueles que conhecem a liberdade pelo medo sabem encontrar.
Atrás dele, a Joana e a Maria seguiam como sombras desesperadas sob o luar prateado que denunciava cada movimento dos mesmos na vegetação rala. “Não olhem para trás”, rugiu Fernando, o seu voz abafada pelo galope frenético. Mas o som que Joana mais temia não tardou a ecoar. Longe, nas entranhas da Casagrande, o sino de emergência do engenho começou a agitar-se violentamente.
O barão de Alencar acordara. A fúria do barão não tinha limites. Com o rosto manchado de sangue e o orgulho estraçalhado, não esperou pelo curativo. Aos gritos, mobilizou toda a a guarda do engenho, capangas e feitores, prometendo uma recompensa em ouro para quem trouxesse o escravo morto e a esposa viva para o seu próprio acerto de contas. “Quero os cães.
Soltem os cães de caça”, ordenou o barão, montando o seu alazão negro. “Eles não sairão desta província a respirar.” A caçada tornou-se implacável. Labaredas de tochas começaram a pontilhar a escuridão atrás dos fugitivos, como olhos de fogo perseguindo-os através da mata fechada. O barulho dos cães a ladrar ao longe fazia gelar o sangue de Maria.
Ela conteça-a que antes só se preocupava com a temperatura do chá, agora agarrava-se ao cavalo para não cair no esquecimento da morte. Eles atravessavam riachos para perder o rasto do cheiro e galopavam por entre espinheiros que rasgavam as sedas caras de Joana. A fronteira da província era a única esperança, uma linha invisível que prometia, se não a paz, pelo menos um momento para respirar longe das garras do barão.
A cada quilómetro, o cansaço pesava, mas o medo era um chicote que os mantinha em movimento. A Joana olhava para a lua e percebia que a sua vida antiga tinha ficado para trás, enterrada sob o candelabro de prata. Agora, ela era apenas uma mulher que foge por amor e por vida, enquanto o homem, que um dia chamou-lhe marido, vinha logo atrás, trazendo o inferno nas suas rédeas.
O som das águas revoltas surgiu ainda antes que as pudessem ver. O rio das almas, conhecido pelas suas correntes traiçoeiras e fundo de pedras lisas, era a última barreira natural que separava as terras do barão de Alencar da Liberdade. Atrás deles, os latidos dos cães estavam mais próximos e o brilho das tochas dos perseguidores já iluminava as copas das árvores.
“Temos que atravessar agora!”, gritou Fernando, desmontando e segurando as rédias com firmeza. As águas estavam turvas e violentas devido às chuvas nas cabeceiras. A Joana hesitou, mas o som de um disparo de garrucha a ecoar na mata retirou qualquer vestígio de dúvida. Eles entraram no rio. A força da corrente era brutal.
No meio da travessia, o cavalo da condessa Maria tropeçou numa pedra submersa, lançando-a diretamente no turbilhão gelado. “Socorro, Joana!”, gritou Maria antes de ser engolida pela água escura. Sem pensar duas vezes, Fernando largou as rédeas e mergulhou. A Joana assistiu paralisada pelo terror enquanto o gigante de ébano lutava contra a fúria do rio.
Fernando emergiu metros mais à frente, agarrando Maria pelo colarinho do vestido e nadando com uma força sobrehumana em direção à margem oposta. Joana tentou segui-los, mas a sua montada assustou-se. No meio do caos, a pequena bolsa de veludo que ela trazia, contendo as jóias da família Alencar e as moedas de ouro que garantiriam o futuro deles, desprendeu-se da sua cintura.
Ela tentou alcançá-la, mas a bolsa foi engolida pela corrente num piscar de olhos. Todo o seu património, o ouro que comprava silêncio e conforto, pertencia agora ao leito do rio. Fernando arrastou Maria, exausta e trémula, para a terra firme do outro lado. Logo de seguida, Joana emergiu opada e sem fôlego. Estavam vivos, mas o preço fora elevado.
As jóias, o dinheiro! Soluçou Joana, caindo de joelhos na lama. Não temos mais nada, Fernando. Nada. Fernando olhou para ela, o peito subindo e descendo com força, e depois para a margem que tinham acabado de deixar, onde os primeiros capangas do barão apareciam impotentes perante a largura do rio. “Temos a vida sim”, disse ele, “a voz firme como o aço.
E temos a liberdade, o ouro do barão ficou no rio. Daqui para a frente só levamos o que somos. Eles levantaram-se com as roupas rasgadas, sem um tostão no bolso, mas com o coração a bater livre pela primeira vez. O sacrifício estava feito. A nobreza de Joana e Maria morrera naquelas águas. O que restava eram três fugitivos prontos para desaparecer no horizonte.
A poeira vermelha do sertão cobria agora o que antes era a seda e a renda. Após semanas de caminhada e noites mal dormidas sob o céu estrelado, o trio finalmente atingiu uma região onde o solo era gretado e o sol não perdoava, mas onde o nome do barão de Alencar não passava de um eco inexistente.
Ali, entre o cinzento da cainga e o silêncio das serras, eles encontraram o anonimato, o único esconderijo seguro contra a forca. Joana olhou para as suas mãos. As unhas, antes impecavelmente polidas, estavam partidas e sujas de terra. Ela não era mais assim a a altivez que usava para comandar escravos fora substituída por uma força de sobrevivência que ela nem sequer sabia que possuía.
Pela primeira vez na vida, ela própria lavava a sua única muda de roupa no riacho e preparava a farinha sobre o fogo de chão. “Joana, vem comer”, chamou Maria. A condessa Maria também se havia transformado. A mulher fútil que vivia de mexericos, agora transportava paus para o fogo sem reclamar. A necessidade tinha extinguido os títulos.
Ali estavam apenas três almas tentando enganar o destino. A dinâmica entre eles mudou drasticamente. Fernando, que antes era o segredo de Joana, tornou-se o pilar central daquele novo mundo. Sem os grilhões da escravidão ou as ordens da casa grande, a sua liderança natural floresceu. Ele conhecia a terra, sabia caçar, identificar raízes comestíveis e erguer um abrigo de pau a pique que suportasse o vento seco.
Ele já não era o escravo Fernando, mas o protetor, o homem da casa, o guia. Naquelas noites quentes de sertão, à volta da fogueira, a hierarquia do engenho parecia uma brincadeira de mau gosto de uma vida passada. Joana sentava-se ao lado dele, não como uma senhora que concede um favor, mas como uma mulher que admira o homem que a salvou.
Maria, antes a cúmplice de aventuras proibidas, era agora a irmã de jornada, dividindo o pouco que tinham com um profundo respeito pelo homem que carregou-as quando as suas pernas fraquejaram. “Aqui ninguém nos vai achar”, disse Fernando, olhando para o vasto horizonte. “Aqui vocês não são condessas, nem sinhas. São apenas Maria e a Joana, e eu sou apenas o Fernando.
” A Joana encostou a cabeça no ombro dele, sentindo o calor da pele que a viciara. Mas agora sentindo algo mais. Paz. O luxo fora trocado pela escassez, mas a liberdade tinha um sabor muito mais doce que qualquer banquete à mesa do Barão. Estavam a desaparecer para o mundo, mas finalmente estavam a encontrar-se.
Capítulo 13. O novo horizonte. O vale era um santuário verdejante escondido entre as dobras de uma imponente serra. Aí o som do chicote fora substituído pelo canto dos pássaros e pelo barulho da enchada cortando a terra fértil. Meses haviam passado desde a noite sangrento no engenho e o tempo, como um rio generoso, tratara de lavar as cicatrizes da fuga.
Na pequena propriedade de paredes brancas e teto de palha, a vida pulsava a um ritmo novo. O barão de Alencar, segundo os rumores que raramente chegavam pelos tropeiros, tinha desistido da busca para a sociedade do Recife. Assim, a Joana e a condessa Maria haviam morrido num trágico naufrágio ou sequestro. O escândalo era demasiado grande para ser admitido.
Para o Barão, era mais fácil sustentar a mentira do luto do que a vergonha de ter sido trocado por um dos os seus próprios cativos. A Joana saiu para a varanda de terra batida, transportando uma cesto de milho. Ela viu Fernando ao longe, cuidando da plantação. Ele estava sem camisa e a pele de ébano brilhava sob o solve da tarde.
A visão ainda lhe acelerava o coração, mas agora não era apenas o desejo que a movia. Era a gratidão e a cumplicidade de quem reconstruiu um mundo a partir do zero. Maria apareceu à porta, secando as mãos num avental rústico. Ela sorriu para a Joana, uma clicidade silenciosa que unia as duas mulheres, que um dia viveram de aparências e agora viviam de verdade.
Fernando aproximou-se da casa, limpando o suor da testa. Ele parou diante de Joana e colocou a sua grande e protetora mão sobre o seu ombro. A Joana olhou para ele, depois para as montanhas que os protegiam e sentia uma paz que o luxo da casa grande nunca lhe deu. Ela lembrou-se daquela tarde de chá com Maria, das gargalhadas sobre o tamanho proibido e da frase que na altura parecia apenas uma piada atrevida.
“Sabe, Fernando?”, sussurrou ela, inclinando-se para ele. “Eu disse uma vez que lavou, está novo”. Fernando soltou uma gargalhada profunda, aquela que agora Joana podia ouvir todos os dias sem medo. Está mesmo, Joana? Perguntou ele, puxando-a para perto. Mais do que novo, respondeu ela, sorrindo. Está liberto.
O passado era uma página queimada. Ali, longe das amarras, das leis injustas e dos títulos vazios, Joana, Maria e Fernando encontraram o seu horizonte. A vida era simples, o trabalho era duro, mas o amor e a liberdade eram finalmente a sua realidade definitiva.