O cenário político nacional acaba de assistir a um dos mais vergonhosos e patéticos espetáculos de oportunismo dos últimos tempos. O que estamos presenciando não é apenas mais uma movimentação no xadrez eleitoral, mas o derretimento moral de um projeto pessoal forjado na base da falsidade. Romeu Zema, que um dia tentou vender a imagem de um gestor técnico, ponderado e, acima de tudo, um aliado de primeira hora das causas da direita, retirou sua máscara da pior forma possível. O que restou por trás daquele sotaque mineiro que antes parecia ser um patrimônio cultural e sinônimo de honestidade, hoje soa aos ouvidos do povo como uma encenação barata. A traição a Flávio Bolsonaro e, por extensão, ao ex-presidente e a toda a base que o elegeu, não é apenas um erro de cálculo, é uma demonstração cristalina de que, para essa nova estirpe de falsos aliados, a pátria está sempre abaixo da própria vaidade.

A arrogância de quem acredita que a herança familiar e a cadeira de governador garantem popularidade automática esbarrou brutalmente na realidade das urnas e das pesquisas. A humilhação chegou a níveis estratosféricos quando as sondagens mais recentes esfregaram na cara do país um empate técnico grotesco: Zema, o autoproclamado salvador da direita moderada, não consegue desgrudar de figuras afundadas no lodo da corrupção como Aécio Neves, e, pasmem, sofre para se sobressair diante de garotos do MBL como Renan. É a falência completa de um discurso. Acreditou que ao flertar com a grande mídia e validar narrativas persecutórias – como chamar de censura a justa suspensão de pesquisas eleitorais comprovadamente manipuladas por institutos investigados – ganharia o aplauso dos mesmos que ontem o destruíam. Ao tentar ser tudo para todos, Zema tornou-se um grande nada político, um “Maizena” sem consistência, provando que a covardia não conquista votos e a traição tem um preço altíssimo.

O episódio da defesa das pesquisas é, talvez, a gota d’água da indignação popular. Zema preferiu afagar os grandes veículos de imprensa e atacar o Tribunal Superior Eleitoral, tentando surfar na onda de quem critica o sistema, mas de forma rasa e oportunista. Esqueceu-se convenientemente de como essas mesmas pesquisas, muitas encomendadas por instituições bancárias com ligações tenebrosas apontadas nas investigações do PCC, erraram de forma escandalosa nas últimas eleições, tentando construir uma falsa narrativa de vitória esmagadora da esquerda. Ao endossar o choro da mídia sob a falsa bandeira da “censura”, ele demonstra que não passa de um joguete, um fantoche desesperado por aprovação nos salões elegantes de Brasília e nas redações que desprezam o povo. A hipocrisia é tão latente que ofusca até o trabalho de pessoas sérias dentro do seu próprio partido, como o incansável deputado Marcel van Hattem, provando que a podridão está na postura do governador, não em todos que o cercam.
Onde estava a coragem desse líder fabricado quando o Brasil mais precisou? A resposta ecoa no silêncio covarde do primeiro turno de 2022. Enquanto as esquerdas espalhavam aos quatro ventos em Minas Gerais que contavam com seu apoio tácito, Zema, o “Bolsozema” das horas fáceis, calou-se. Faltou-lhe a honra para desmentir os boatos de bate-pronto, esperando a conveniência do segundo turno para se apresentar como herói. A fatura chegou e as desculpas já não convencem mais ninguém. O projeto de Zema nunca foi o Brasil; o projeto sempre foi o próprio Zema. A inveja que nutre pelo verdadeiro engajamento popular, aquele que arrasta multidões de forma genuína como faz a família Bolsonaro, cega sua visão de empresário. O povo não é bobo e não compra mais a pose do herdeiro que, diante das primeiras dificuldades, abandona os generais no campo de batalha para negociar com o inimigo. A máscara caiu, e o Brasil assiste de camarote ao enterro precoce de uma candidatura que morreu envenenada pela própria deslealdade.