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“Se soubesse, não tinha nem saído!” A Babá Tainá avisou Henrique de agressões, mas a justiça foi feita?

O Brasil parou para assistir a um dos casos mais chocantes da história recente: o menino Henry Borel, de apenas quatro anos, foi brutalmente assassinado. E agora, as engrenagens da justiça tentam desvendar quem, de fato, participou dessa tragédia. Uma figura chave na trama de mentiras e encobrimentos que cercam o caso é a babá de Henry, Tainá de Oliveira. Em um depoimento de tirar o fôlego, a delegada Ana Carolina, que investigou o caso, revelou detalhes arrepiantes sobre o que a babá sabia e o que fez com essa informação.

Caso Henry Borel: Jairinho é 43 anos 9 meses de prisão; Monique Medeiros  tem sentença de 1 ano e 4 meses

A investigação revelou uma cronologia perturbadora. A babá, que cuidava de Henry desde janeiro, presenciou episódios que, segundo a delegada, demonstram que Henry sofria uma rotina de violência, que era perpetrada pelo padrasto, o vereador Dr. Jairinho. No dia 2 de fevereiro, Tainá testemunhou o menino saindo mancando e reclamando de dor no joelho depois de ficar sozinho no quarto com o padrasto por meia hora. A babá, em tempo real, confidenciou ao namorado o desespero e a angústia que sentia, descrevendo que o menino gritava “eu prometo” enquanto estava trancado com Jairinho. O namorado a questionou se ela não faria nada. Ela, no entanto, não denunciou o caso, justificando o silêncio com o medo que sentia da poderosa família do vereador. O que ela fez, segundo a delegada, foi relatar o ocorrido à mãe de Henry, Monique Medeiros, posteriormente. E a reação da mãe? Disse que o filho estaria “inventando” a dor no joelho.

No dia 12 de fevereiro, um novo episódio de terror. Tainá, mais uma vez, narra o pavor. Henry é trancado no quarto com o padrasto, e a babá, apavorada, relata à mãe, por mensagens de celular, o que estava acontecendo. Monique, que estava no salão de beleza a apenas 10 minutos de distância, demonstrou estar ciente da gravidade da situação, escrevendo: “Estou apavorada”, “vai traumatizar o garoto”. O pequeno Henry, em uma chamada de vídeo com a mãe, confirma a agressão, dizendo que o “tio bateu”. Mas, de forma inexplicável e chocante, Monique opta por permanecer no salão e só volta para casa duas horas e meia depois. E no dia seguinte, em vez de denunciar as agressões, a mãe levou o filho ao hospital relatando que ele havia caído da cama. Tainá, mais uma vez, guardou silêncio, não denunciou a agressão às autoridades, sob a alegação de que não queria “se enfiar numa rabuda”.

Monique Medeiros passa mal durante julgamento da morte de Henry Borel

O silêncio de Tainá se estendeu até depois da morte de Henry. A babá foi orientada pelo então advogado do casal a mentir à polícia, a dizer que a família era harmoniosa e a apagar as mensagens que provavam as agressões. Tainá atendeu às orientações e prestou um depoimento falso. E mesmo no segundo depoimento, quando já não estava sob a tutela do advogado, ela ainda “suavizou” as agressões, segundo a delegada. Foi a extração dos dados do seu celular que revelou a verdade nua e crua, comprovando que as agressões eram muito mais graves do que ela relatava. O Ministério Público a acusou de falso testemunho. A delegada, no entanto, justificou que Tainá não foi indiciada por omissão porque “não tinha possibilidade de agir”, por estar sob o jugo do medo.

Mas a defesa de Monique argumentou de forma contundente: Se Monique foi responsabilizada por omissão, por que Tainá não? A defesa aponta para as contradições no depoimento da babá e para o fato de ela não ter denunciado as agressões, mesmo ciente do perigo iminente que o menino corria. A defesa alega que Tainá e Monique deveriam ter tido o mesmo grau de exigência em relação ao dever de proteção de Henry, especialmente no dia 12, quando a agressão ocorreu em tempo real. E a babá, afinal de contas, estava presente na cena do crime, enquanto a mãe não.

O que se viu nesse julgamento foi uma investigação complexa, que tenta decifrar a teia de mentiras e de omissões que culminou na morte trágica de um menino de quatro anos. A questão que fica é: até que ponto o medo justifica a omissão de uma babá que presenciou agressões contra uma criança? E até que ponto a justiça pode responsabilizar uma mãe por omissão, quando a própria babá, que estava na cena do crime, não agiu para proteger a criança? As respostas para essas perguntas cabem aos jurados. A eles cabe a difícil tarefa de analisar o que é fato, o que é mentira e o que é medo em uma tragédia que, infelizmente, não tem como ser desfeita.